HarperCollins Publishers LLC é um conglomerado multinacional de editoras britânico-estadunidense que integra o grupo das cinco maiores editoras de língua inglesa, ao lado da Penguin Random House, Hachette, Macmillan Publishers e Simon & Schuster. A HarperCollins tem sedes em Londres e Nova Iorque e é subsidiária da News Corp.
O nome da empresa combina os nomes de duas de suas antecessoras. A Harper & Brothers, fundada em 1817 em Nova Iorque, fundiu-se com a Row, Peterson & Company em 1962 e passou a se chamar Harper & Row. A empresa foi adquirida pela News Corp em 1987. A editora escocesa William Collins, Sons, fundada em 1819 em Glasgow, também foi adquirida pela News Corp e posteriormente reunida à Harper & Row, formando a HarperCollins. O logotipo da empresa combina o fogo da tocha da Harper com a água da fonte da Collins.
A HarperCollins mantém grupos editoriais nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Brasil, Índia e China, publicando seus livros sob numerosos selos editoriais.
Brian Murray é presidente e diretor executivo da empresa desde 2008.
História
miniaturadaimagem|The News Building, sede da HarperCollins em Londres
A mais antiga das editoras que deram origem à HarperCollins foi fundada em 1817 por James Harper e seu irmão John, inicialmente com o nome J & J Harper. Mais tarde, outros dois irmãos, Joseph Wesley e Fletcher Harper, entraram na empresa, que adotou o nome Harper & Brothers em 1833.
A Harper & Brothers lançou no século XIX algumas revistas que mais tarde seriam vendidas ou encerradas, entre elas a Harper's Magazine, a Harper's Weekly, a Harper's Bazaar e a Harper's Young People.
Em 1962, a Harper & Brothers fundiu-se com a Row, Peterson & Company e formou a Harper & Row. Na década de 1970, a editora adquiriu a Thomas Y. Crowell Co. e a J. B. Lippincott & Co. A Crowell e as operações editoriais comerciais da Lippincott foram incorporadas à Harper & Row em 1980. Em 1988, a Harper & Row comprou a editora religiosa Zondervan, incluindo sua subsidiária Marshall Pickering.
A William Collins, Sons foi fundada em Glasgow em 1819 pelo professor presbiteriano William Collins. Nos primeiros anos, a empresa se concentrou em livros religiosos e educacionais, mas ampliou gradualmente seu catálogo. Sob a direção de Godfrey Collins, entrou com mais força no mercado de ficção em 1917.
O selo Collins Crime Club publicou muitos livros da Era de ouro do romance policial, entre eles romances de Agatha Christie e Rex Stout. O selo religioso Fount publicou obras de C. S. Lewis. A Collins também se tornou a editora de várias séries e autores infantis norte-americanos na Comunidade Britânica, entre eles The Hardy Boys, Nancy Drew e Dr. Seuss. Na década de 1950, a "Collins Seagull Library" publicou histórias escolares, aventuras e clássicos infantis a preços populares.
miniaturadaimagem|Verso de um livro da "Collins Seagull Library", de 1956, com a relação de títulos da coleção
Em novembro de 2024, a HarperCollins assinou um acordo de licenciamento com a Microsoft para fornecer conteúdo de livros destinado ao treinamento de modelos de inteligência artificial generativa, tornando-se a primeira grande editora de livros a firmar um acordo desse tipo.
Fusões e aquisições
A News Corporation, de Rupert Murdoch, adquiriu a Harper & Row em março de 1987. A News Corp detinha 40% da Collins desde 1981 e tornou-se sua única proprietária em 1989. As duas editoras foram reunidas em 1989 sob o nome HarperCollins. O novo logotipo trazia uma representação estilizada de chamas sobre ondas, derivadas da tocha usada pela Harper & Row e da fonte usada pela Collins.
Em 1990, a HarperCollins vendeu a J. B. Lippincott & Co., sua divisão de publicações médicas, à editora neerlandesa Wolters Kluwer.
Em 1996, a HarperCollins vendeu a Scott Foresman e a HarperCollins College à Pearson, que as reuniu à Addison-Wesley Longman.
A News Corporation comprou em 1999 o Hearst Book Group, formado pela William Morrow & Company e pela Avon Books. Os dois selos passaram a ser publicados pela HarperCollins. Em março de 2010, a HarperCollins comprou a editora educacional Letts and Lonsdale.
Em 2011, a HarperCollins anunciou um acordo para adquirir a editora Thomas Nelson. A compra foi concluída em 11 de julho de 2012. A empresa informou que a Thomas Nelson continuaria operando de forma independente devido à posição que ocupava no mercado de livros cristãos. A Thomas Nelson e a Zondervan foram organizadas como selos, ou "programas editoriais fundamentais", de uma nova divisão chamada HarperCollins Christian Publishing. Alguns dos principais cargos da reorganização ficaram com antigos executivos da Thomas Nelson.
Em 2012, a HarperCollins adquiriu parte das operações editoriais comerciais da John Wiley & Sons no Canadá.
Em 2014, a HarperCollins comprou a editora canadense de romances Harlequin Enterprises por 455 milhões de dólares canadenses.
Em 2018, a HarperCollins adquiriu a editora de livros de negócios Amacom da American Management Association.
Em 2020, a HarperCollins adquiriu do Egmont Group as editoras infantis Egmont Books UK, Egmont Poland e Schneiderbuch Germany.
Em 29 de março de 2021, a HarperCollins anunciou a compra da HMH Books & Media, divisão de publicações comerciais da Houghton Mifflin Harcourt, por US$ 349 milhões. A operação permitiria que a HMH reduzisse sua dívida e se concentrasse na educação digital. A compra foi concluída em 10 de maio. A partir de 7 de julho de 2021, os livros adultos da HMH passaram a ser publicados como Mariner Books, e os livros infantis, como Clarion Books.
Em 2021, a HarperCollins adquiriu a editora britânica Pavilion Books.
Em 2022, adquiriu a Cider Mill Press.
Em 16 de julho de 2025, a HarperCollins anunciou a aquisição das operações de publicação de mangás da Crunchyroll na França e na Alemanha. A aquisição foi concluída em 30 de setembro de 2025.
Histórico da administração
Brian Murray, atual diretor executivo da HarperCollins, sucedeu Jane Friedman, que ocupou o cargo de 1997 a 2008. Outros nomes da administração incluem Lisa Sharkey, vice-presidente sênior e diretora de desenvolvimento criativo, e Barry Winkleman, que trabalhou na administração entre 1989 e 1994.
Em outubro de 2025, a empresa nomeou Kate Elton diretora executiva interina para o Reino Unido e a Irlanda após a renúncia de Charlie Redmayne.
United States v. Apple Inc.
Em abril de 2012, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ajuizou o caso United States v. Apple Inc., no qual a Apple, a HarperCollins e outras quatro grandes editoras figuravam como rés. A ação alegava que as empresas haviam conspirado para fixar preços de livros digitais e enfraquecer a posição da Amazon no mercado, violando a legislação antitruste dos Estados Unidos.
Em dezembro de 2013, um juiz federal aprovou um acordo relativo às acusações antitruste. A HarperCollins e as demais editoras depositaram recursos em um fundo que concedeu créditos a consumidores que haviam pago valores excessivos por livros devido à fixação de preços.
Fechamento de armazéns nos Estados Unidos
Em 5 de novembro de 2012, a HarperCollins informou primeiro aos funcionários e, mais tarde no mesmo dia, ao público que fecharia seus dois armazéns restantes nos Estados Unidos e reuniria suas operações de transporte e armazenamento às da RR Donnelley, em Indiana. O armazém de Scranton, na Pensilvânia, fechou em setembro de 2013. O armazém de Nashville, no Tennessee, que operava sob o nome Thomas Nelson e distribuía livros da divisão religiosa HarperCollins/Zondervan, encerrou as atividades no inverno de 2013. Alguns departamentos e funcionários administrativos continuaram trabalhando para a HarperCollins em Scranton, mas em outro endereço.
O fechamento do armazém de Scranton eliminou cerca de 200 postos de trabalho. O de Nashville eliminou até 500. O número exato de funcionários de distribuição afetados não é conhecido.
A HarperCollins já havia fechado outros dois armazéns nos Estados Unidos, um em Williamsport, na Pensilvânia, em 2011, e outro em Grand Rapids, no Michigan, em 2012. Brian Murray afirmou que a empresa havia adotado uma perspectiva mundial e de longo prazo para sua distribuição impressa e pretendia ampliar o alcance do catálogo independentemente da localização do cliente. A empresa atribuía os fechamentos e a reorganização ao rápido aumento da procura por livros digitais e à queda das compras de exemplares impressos.
Processo contra o Internet Archive
Em junho de 2020, a HarperCollins fez parte de um grupo de editoras que processou o Internet Archive. As empresas alegaram que a coleção de livros digitais da organização retirava receita de autores e editoras e a acusaram de violação deliberada e em massa de direitos autorais.
Processo contra Lindsay Lohan
Em setembro de 2020, a HarperCollins processou Lindsay Lohan depois que a atriz assinou um contrato para escrever um livro de memórias e recebeu um adiantamento de US$ 350.000, mas o livro não foi entregue.
Traição de Anne Frank
Um livro de 2022 escrito por Rosemary Sullivan e publicado em inglês pela HarperCollins apontou o tabelião judeu Arnold van den Bergh como o suspeito mais provável de ter denunciado Anne Frank. A conclusão foi contestada por especialistas. Familiares de Van den Bergh ameaçaram entrar na Justiça e criaram uma fundação.
A editora neerlandesa Ambo Anthos retirou o livro de circulação em março de 2022, depois que um relatório de historiadores contestou a investigação e concluiu que a acusação carecia de provas suficientes. A HarperCollins, porém, afirmou naquele mês que continuaria publicando e vendendo a edição em inglês.
Greve do UAW
Em 10 de novembro de 2022, cerca de 250 trabalhadores sindicalizados da HarperCollins iniciaram uma greve por tempo indeterminado. O Local 2110 do sindicato United Auto Workers reunia funcionários das áreas de design, marketing, publicidade e vendas da empresa. A decisão de entrar em greve veio depois de negociações prolongadas entre o sindicato e a HarperCollins. Os membros estavam trabalhando sem contrato desde abril. Um porta-voz da HarperCollins afirmou que a empresa havia aceitado parte das propostas que o UAW desejava incluir no novo contrato, lamentava que ainda não tivesse sido alcançado um acordo e continuaria negociando.
Em 21 de dezembro de 2022, o sindicato suspendeu temporariamente os piquetes presenciais para que os grevistas pudessem passar o período das festas com seus familiares. Os piquetes foram retomados em 3 de janeiro de 2023.
Depois de três meses de negociações, o sindicato aprovou um novo contrato com a HarperCollins em 16 de fevereiro de 2023.
Pelos novos termos, o salário inicial anual dos funcionários da HarperCollins subiu de US$ 45.000 para US$ 47.500 na ratificação, com previsão de chegar a US$ 50.000 em 2025. Funcionários sindicalizados em tempo integral também receberam um pagamento único de US$ 1.500. O contrato permitiu ainda que trabalhadores com salário inferior a US$ 60.000 solicitassem o pagamento de duas horas extras por semana sem autorização de um gerente e criou medidas para remunerar funcionários em início de carreira por trabalhos de diversidade e inclusão que costumavam não ser pagos no setor editorial.
Os trabalhadores voltaram às funções em 21 de fevereiro.
Livros publicados
A HarperCollins mantém em catálogo muitos livros publicados originalmente pelos selos e editoras que foram incorporados ao grupo e passou a publicar novos autores após as fusões. Entre os autores publicados originalmente pela Harper estão Mark Twain, as irmãs Brontë e William Makepeace Thackeray. Entre os publicados originalmente pela Collins estão H. G. Wells e Agatha Christie. A HarperCollins também adquiriu em 1990 os direitos editoriais das obras de J. R. R. Tolkien, após a compra da Unwin Hyman. Entre os livros e séries publicados pela HarperCollins, por seus selos e pelas editoras posteriormente incorporadas estão: