Nova Era é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se a leste da capital estadual, distando desta cerca de . Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.

A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 88% da população vivendo na zona urbana, Nova Era contava, em 2009, com 12 estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,709, classificado como alto em relação à média nacional.

No começo do século XVIII, bandeirantes seguiam pela região à procura de metais preciosos, sendo Antônio Dias de Oliveira, o responsável por fundar o Arraial de São José da Lagoa em 19 de março de 1703. A extração do ouro atraiu a vinda dos primeiros moradores, mas com a decadência da exploração aurífera, a atividade garimpeira foi substituída pela agropecuária. Em sequência ao desenvolvimento da localidade, foi criado o distrito, subordinado a Itabira, em 1848, sendo emancipado com a denominação de Nova Era em 1938.

A extração mineral, o comércio e a prestação de serviços configuram-se como prevalecentes fontes empregadoras da população novaerense. A culinária, o artesanato, as manifestações tradicionais populares e eventos festivos, tais como o Carnaval, a Cavalgada e as comemorações religiosas das festas de São José da Lagoa, padroeiro municipal, ao lado do aniversário da cidade, e do dia de Nossa Senhora do Rosário são algumas das principais manifestações culturais.

História No começo do século XVIII, bandeirantes seguiam pela região do atual município de Nova Era à procura de pedras e metais preciosos. Em 19 de março de 1703, foi fundado o Arraial de São José da Lagoa, por ocasião da passagem de Antônio Dias de Oliveira e dos irmãos Camargos, pelas margens até hoje muito auríferas do rio Piracicaba. O nome recebido pela localidade é uma referência ao padroeiro daquele dia, São José, tendo se estabelecido como um grande centro de mineração.Pedro Maciel Vidigal, "Amador Bueno, o Aclamado, na Família Lagoana", 1945, p. 51. O povoamento inicial é atribuído a João Correia da Silva, bisneto de Amador Bueno, o aclamado de São Paulo. Ao lado de sua esposa, Maria Pedroso de Morais, João Correia instalou uma fazenda à margem do Rio de Peixe, ainda nos primeiros anos do século XVIII.Dicionário Histórico Geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, Ed. Itatiaia.

A decadência da produção aurífera no estado mineiro, devido tanto à exaustação das minas quanto ao rigor fiscal, levou à substituição da atividade garimpeira pela agropecuária. Foram abertas várias fazendas ao redor do povoado, que por sua vez observou um crescimento do comércio e do artesanato. Em 1750, São José da Lagoa configurava-se como capela curada pertencente à Freguesia de Rio Piracicaba, depois de ter estado, eclesiasticamente subordinada a Caeté e, posteriormente, a Santa Bárbara. Em 1832, ainda sob a condição de capela curada, passou a pertencer à Freguesia de Antônio Dias, transformando-se em distrito subordinado a Itabira pela lei provincial nº 384, de 9 de outubro de 1848, dada a criação da paróquia.

Dado o desenvolvimento, o distrito é emancipado pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, com a denominação de Presidente Vargas, passando a denominar-se Nova Era pelo decreto-lei estadual nº 1058, de 31 de dezembro de 1943, mediante escolha feita pelo então governador Benedito Valadares. Nesta ocasião, é observado um novo fluxo de desenvolvimento devido à chegada da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e à instalação das indústrias de João Monlevade e da atual Região Metropolitana do Vale do Aço, as quais Nova Era passa a ter acesso facilitado com a estruturação da BR-381.

Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 19º45'00" de latitude sul e 43°02'15" de longitude oeste e está a uma distância de 137 quilômetros a leste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Santa Maria de Itabira, a norte; Itabira, a oeste; Bela Vista de Minas, a sudoeste; São Domingos do Prata, a sul; e Antônio Dias, a leste e norte.

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Ipatinga e Imediata de João Monlevade. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Itabira, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte.

Relevo, hidrografia e meio ambiente thumb|esquerda|Rio Piracicaba na zona rural de Nova Era O relevo do município de Nova Era é predominantemente montanhoso. Aproximadamente 70% do território novaerense é coberto por terrenos montanhosos, enquanto que 25% são áreas onduladas e ocupadas por mares de morros e os 5% restantes são lugares planos. A altitude máxima encontra-se no Alto dos Passos, que chega aos metros, enquanto que a altitude mínima está na foz do córrego Barbosa, com 790 metros. Já o ponto central da cidade está a . A vegetação original corresponde ao domínio da Mata Atlântica, cujas reservas remanescentes ocupavam hectares em 2011, ou 17,8% da área total municipal. Há considerável presença do reflorestamento com eucalipto para abastecer a usina da Cenibra, situada no município de Belo Oriente.

Os principais cursos hidrográficos que passam por Nova Era são os rios Piracicaba, Tanque e da Prata, o ribeirão Correntes e o córrego Barbosa, que fazem parte da bacia do rio Doce. Por vezes, na estação das chuvas, os rios que cortam o município sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens, o que exige a existência de um sistema de alerta contra enchentes eficaz. A cidade foi uma das mais afetadas pelas enchentes de 1979, que atingiram vários municípios da bacia do rio Doce. Em 1997, 2003 e 2022 fortes chuvas provocaram novamente grandes inundações nas proximidades dos rios. Há uma série de estações pluviométricas e fluviométricas instaladas em Nova Era, que são administradas pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e que visam a alertar a população de uma possível enchente.

Clima Maiores acumulados de chuva em 24 horas registrados em Nova Era por meses Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 26/01/1979 Julho 20/07/1941 Fevereiro 08/02/2021 Agosto 16/08/2003 Março 12/03/1965 Setembro 26/09/2005 Abril 05/04/1968 Outubro 30/10/1944 Maio 29/05/1979 Novembro 12/11/2009 Junho 18/06/1958 Dezembro 15/12/1942 Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O clima novaerense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical sub-quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição. thumb|direita|Aspecto da cidade em um dia de tempo quente e seco

A precipitação média anual é de mm, sendo julho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em julho de 2013, por exemplo, a precipitação de chuva na cidade não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.

Segundo dados do Sistema de Monitoramento Agroclimático (Agritempo), coletados entre 2007 e 2014, a menor temperatura registrada em Nova Era foi de , ocorrida no dia 1º de agosto de 2013, enquanto que a maior foi de em 31 de outubro de 2012. De acordo com a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), de 1941 a 2023 o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em Nova Era foi de no dia 15 de dezembro de 1942. Outros grandes acumulados foram de em 26 de janeiro de 1979, em 8 de fevereiro de 2021 e em 6 de fevereiro de 2018. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município é o 29º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais (o 106º do centro-sul brasileiro), com uma média anual de 10,4614 raios por quilômetro quadrado.

Demografia

Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. Da população total, habitantes (22,60%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (68,62%) tinham de 15 a 64 anos e pessoas (8,77%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 74,5 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,0. thumb|esquerda|Fachada da Igreja Matriz de São José

Em 2010, a população novaerense era composta por brancos (28,12%), negros (17,43%), 336 amarelos (1,92%), pardos (52,49%) e nove indígenas (0,05%). Considerando-se a região de nascimento, eram nascidos no Sudeste (95,36%), 553 no Nordeste (3,15%), 157 no Centro-Oeste, 46 no Norte (0,26%) e seis no Sul (0,03%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (94,17%) e, desse total, eram nascidos em Nova Era (69,89%). Entre os naturais de outras unidades da federação, a Bahia era o estado com maior presença, com 513 pessoas (0,34%), seguido por Goiás, com 147 residentes (0,84%), e pelo Espírito Santo, com 133 habitantes residentes no município (0,76%).

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Nova Era é considerado alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,709 (o 1638º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,639, o valor do índice de longevidade é de 0,825 e o de renda é de 0,675. De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 47,8% e em 2010, 86,5% da população vivia acima da linha de pobreza, 10,1% encontrava-se na linha da pobreza e 3,6% estava abaixo e o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,474, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 52,1%, ou seja, 11,7 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 3,3%.

De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Nova Era está composta por: católicos (70,46%), evangélicos (23,60%), 130 Testemunhas de Jeová (0,74%), 63 espíritas (0,36%), 784 pessoas sem religião (4,47%) e os 0,37% restantes estavam distribuídos entre outros credos religiosos. A cidade sedia a Paróquia São José da Lagoa, subordinada à Diocese de Itabira-Fabriciano.

Política e administração thumb|direita|Museu Municipal e Câmara Municipal de Nova Era na Praça da Matriz