Frankie Laine, nome artístico de Francesco Paolo LoVecchio (Chicago, 30 de março de 1913 — San Diego, 6 de fevereiro de 2007) foi um dos mais populares cantores norte-americanos do século XX. Frequentemente chamado de "Cantor Americano número um". Tem como outros cognomes Mr. Rhythm, Old Leather Lungs, e Old Man Jazz.
Estilo Sendo um cantor pop com voz de clarim e muito estilo, capaz de encher salões sem microfone e um dos maiores fazedores de sucessos dos finais da década de 1940 e início da década de 1950, Laine tinha um catálogo de mais de 70 gravações, 21 discos de ouro e 250 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Originalmente, era um cantor de rhythm and blues influenciado pelo jazz. Laine interpretou diversos estilos de música, abrangendo vários géneros de música popular padronizados, Gospel, Folk, Country, western/Americana, rock'n'roll e algumas inovações esporádicas. Também era conhecido como Mr Rhythm pelo estilo que imprimia ao jazz.
Laine foi um dos cantores de uma geração com influências negras que ganhou proeminência depois da Segunda Guerra Mundial. Este estilo novo, cru e carregado de emoções parecia assinalar o fim do anterior estilo de cantar e foi apontado como um prenúncio do rock'n'roll. Como historiador da música, Jonny Whiteside escreveu:
"Nos clubes de Hollywood, uma nova geração de cantores brancos com influências negras faz um vergonhoso atropelo de novos sons... Mais importante que todos eles, era Frankie Laine, um grande rapaz branco com 'amígdalas de aço' que cinge tochas azuis enquanto dança pesadamente com a sua altura de doze pés em articulações como "Billy Berg", "Club Hangover" e o "Bandbox". ... O estilo vocal de Laine não fica a dever nada a Crosby, Sinatra ou Dick Haymes. Ao contrário ele passou à frente de Billy Eckstine, Joe Turner ou Jimmy Rushing, e com isso Laine espalhou as sementes de uma nova percepção e as audiências and audience cresceram. ... Frank Sinatra representou, talvez, o maior florescimento da tradição de cantar de um quarto de século, mas repentinamente tornou-se anacrónico. Primeiro Frankie Laine, depois Tony Bennett, e agora Johnnie (Ray), dublando 'the Belters' e 'the Exciters,' vieram juntamente com uma insolente vibração e uma vulgar batida, transformar a velha rotina que Frank meticulosamente aperfeiçoara, parecer quase inválida."
Nas palavras do crítico de jazz, Richard Grudens:
"O estilo de Frank foi muito inovador, o que fez com que ele, a início, tivesse alguma dificuldade em ser aceite. Ele preferia torcer as notas e cantar sobre combinações de sons do que cantar a nota directamente, e ele enfatizou cada compasso rítmico, o que era diferente dos suaves cantores de balada da época."
A sua gravação de 1946 de "That's My Desire" ficou como um marco assinalando o fim do duplo domínio das grandes bandas e do estilo de cantar favorecido pelos contemporâneos Dick Haymes e Frank Sinatra. Frequentemente apelidado como o primeiro cantor de soul de olhos azuis, o estilo de Laine deixou claro o caminho para muitos artistas que apareceram nos finais da década de 1940 e início da década de 1950, incluindo Kay Starr, Tony Bennett, Johnnie Ray e Elvis Presley (que inicialmente era descrito pelos críticos como "um cruzamento entre Johnnie Ray e Frankie Laine).
"Eu penso que Frank provavelmente era um dos precursores dos .... blues, e do .... rock'n'roll]]. Bastantes cantores cantavam com um comportamento apaixonado—Frank foi e é definitivamente um deles. Eu costumo sempre imitá-lo com 'That's...my...desire.' Mais tarde Johnnie Ray juntou-se a esse modo de fazer todo esse tipo de movimentos, mas Frank já o havia feito." -- Patti Page
Ao longo da década de 1950, Laine teve uma segunda carreira cantando as canções dos créditos iniciais de filmes de Hollywood e de programas de televisão, incluindo: "Gunfight at the OK Corral", "3:10 To Yuma", "Bullwhip" e "Rawhide". A sua execução da canção-título do filme de Mel Brooks, "Blazing Saddles" (1974) ganhou uma nomeação para o Óscar de melhor canção e, na televisão, Laine apresentou "Rawhide" para a série do mesmo nome, que se tornou um tema popular.
"Não se pode categorizá-lo. É um daqueles cantores que não estão num só trilho. E ainda penso que as suas gravações tiveram mais excitação e vida dentro delas. E penso que era pela sua grande venda, que ele era tão cheio de energia. Você sabe, quando se ouviam as suas gravações isso era dinamite." – Herb Jeffries
Primeiros anos Era o filho mais velho de Giovanni Lo Vecchio e Crescenza Salerno. Os seus pais haviam emigrado de Monreale, Sicília para Chicago onde o seu pai trabalhou como barbeiro particular para o gangster Al Capone.
Teve o primeiro gosto como cantor no coro da igreja da Imaculada Conceição. A seguir frequentou a "Lane Technical High School", onde treinou o desenvolvimento do poder dos seus pulmões e do controle respiratório jogando basketball. Ele compreendeu que queria ser cantor quando faltou à escola para ver o filme da palestra de Al Jolson, "The Singing Fool". Aos dezassete cantou perante uma multidão de cinco mil pessoas no "The Merry Garden Ballroom" com um aplauso de tal forma entusiástico que ele acabou por executar cinco encores na sua primeira noite. Mas o sucesso como cantor estava a outros 17 anos de distância.
Algumas das outras influências iniciais durante este período foram Enrico Caruso, Carlo Buti, e, especialmente, Bessie Smith. -- um disco de quem ele, de certa forma, tirou da coleção dos seus pais.
Ainda posso fechar os olhos e visualizar essa etiqueta azul e vermelha. Era uma gravação de 'The Bleeding Hearted Blues', de Bessie Smith com 'Midnight Blues' no outro lado. A primeira vez que pus a agulha no disco senti calafrios e uma excitação indescritível. era a minha primeira exposição ao jazz e aos blues, embora eu não tivesse uma ideia, na época, de como se chamavam esses sons mágicos. Só sabia que tinha que ouvir mais daquilo! -- Frankie Laine
Imediatamente depois de terminar os estudos no liceu, Laine assinou como membro da "The Merry Garden Company", e viajou com eles, fazendo maratonas de dança durante a Grande Depressão (estabeleceu o record do mundo em 3 501 horas, com Ruthie Smith no "Million Dollar Pier" deAtlantic City em 1932). Ainda se assinava como Frank LoVecchio, ele entretinha os espectadores durante a pausa de 50 minutos que era dada aos dançarinos a cada hora. Durante os dias da maratona, ele trabalhou com vários "entertainers" incluindo Rose Marie, Red Skelton e Anita O'Day, de catorze anos de idade, para quem ele serviu de mentor (conforme foi dito por Laine em entrevista a David Miller, em 1998).
Outros artistas que começaram a influenciar Laine nesta época foram Bing Crosby, Louis Armstrong (mais o seu toque de trompete, que os seus vocais), Billie Holiday, Mildred Bailey e Nat "King" Cole.
A sua grande alteração surgiu quando substituiu Perry Como na "Freddy Carlone Band" em Cleveland (1937). Mas o sucesso continuou a iludi-lo e passou os dez anos seguintes alternando entre cantar em pequenos clubes de jazz de ambas as costas e uma série de trabalhos incluindo o de segurança, instrutor de dança, vendedor de carros usados, agente, operário numa fábrica de roupa sintética e maquinista no plano de segurança. Foi enquanto trabalhava para o plano de segurança, durante a Segunda Guerra Mundial, que começou a escrever canções ("It Only Happens Once" foi escrito nesta época). No mais baixo ponto da sua carreira, chegou a dormir num banco do Central Park.
Eu podia tomar de assalto quartos de hotel e dormir no chão. De facto In fact, eu era pessoalmente conhecido em 11 diferentes hotéis de Nova Iorque. Eu ficava noYMCA e em qualquer um que me deixasse fazer um golpe. Eventualmente gastava os meus últimos cêntimos, e a minha cama tornava-se num rude banco no Central Park. Usava os meus quatro "pennies" para comprar quatro doces Baby Ruth e racionava-os, comendo um por dia.
Em 1943 mudou-se para a Califórnia onde cantou como fundo de vários filmes de Hollywood incluindo The Harvey Girls, e dublou a voz de cantor para um ator na comédia de Danny Kaye The Kid From Brooklyn. Foi na Los Angeles de 1944 que conheceu e fez amizade com o disc jockey Al Jarvis e com o compositor/pianista Carl Fischer que viria a ser o seu parceiro na escrita de canções, diretor musical e acompanhante ao piano até à sua morte em 1954. A sua colaboração incluiu temas como "I'd Give My Life," "Baby, Just For Me," "What Could Be Sweeter?," "Forever More," e o símbolo do jazz "We'll Be Together Again."
Foi só em 1946, quando Hoagy Carmichael ouviu as suas canções no clube Billy Berg em Los Angeles que o sucesso finalmente chegou. desempregado nesta época, Laine vagueava por vários clubes nocturnos de Los Angeles com esperança que os músicos das bandas o convidassem para cantar. Sem saber que Carmichael estava na audiência, Laine cantou o tema de Carmichael "Rockin' Chair" quando Slim Gaillard o chamou para o palco para cantar. Isto levou a um contrato com o recém estabelecido "Mercury Records". Laine e Carmichael colaboraram mais tarde numa canção, "Put Yourself in My Place, Baby".
That's My Desire Mesmo depois de Carmichael tê-lo descoberto, Laine era considerado somente como um número de intervalo no clube Billy Berg. O seu furo seguinte veio quando ele resolveu recuperar uma canção com quinze anos, de que poucas pessoas se lembravam em 1946: "That's My Desire." Laine recolheu a canção da cantora June Hart meia dúzia de anos antes, quando cantou no "College Inn" de Cleveland. Ele apresentou "Desire" como uma "nova" canção—pensando no seu novo repertório no "Berg" - mas a audiência confundiu-a com uma canção original. Ele acabou por cantar o tema cinco vezes naquela noite. Depois disso, Frankie Laine tornou-se facilmente na atração principal no "Berg",e os executivos da indústria discográfica tomaram nota.
Laine em breve tinha clientes que iam em bloco ouvi-lo cantar "Desire". Entre eles estava a artista da R&B, Hadda Brooks, conhecida pelo seu boogie woogie tocado ao piano. Ela ia ouvi-lo todas as noites, e eventualmente cantava a sua versão da canção, o que se tornou um grande êxito das tabelas de "Harlem". "Eu gostava da forma como ele o fazia" recorda Brooks, "ele cantava com a alma, ele cantava como sentia.
Pouco tempo depois gravou para a recém criada etiqueta "Mercury", e "That's My Desire" foi uma das canções incluídas na sua primeira gravação. Rapidamente se tornou uma das músicas no topo da tabela da "R&B", onde Laine era inicialmente tido como negro; chegando ao número 4 da tabela. Embora tenha sido coberto por muitos outros artistas, incluindo Sammy Kaye que o levou ao número 2 do top, foi a versão de Laine que se tornou num padrão.
"Desire" tornou-se o primeiro disco de ouro de Frankie Laine, e estabeleceu-o como uma força no mundo da música. Seguiu-se uma série de singles de sucesso, incluindo "Black and Blue", "Mam'selle", "Two Loves Have I", "Shine", "On the Sunny Side of the Street", "Monday Again," e muitos outros.
Na Mercury Frankie Laine era sinônimo de jazz nos finais da década de 1940 quando, acompanhado por Carl Fischer (com quem escreveu o grande êxito "We'll Be Together Again") e por alguns dos melhores homens do negócio do jazz, cantou êxitos como "By the River Sainte Marie", "Black and Blue", "Rockin' Chair", "West End Blues", "At the End of the Road", "Ain't That Just Like a Woman", "That Ain't Right", "Exactly Like You" e "Sleepy Ol' River" na etiqueta Mercury.
Mas Laine teve o seu maior sucesso depois da chegada à A&R do empresário Mitch Miller em 1948. Este reconheceu uma qualidade universal na voz de Laine que ele começou a explorar através de uma sucessão de canções populares que chegaram ao topo das tabelas , frequentemente com um sabor folk ou western.