Democratas (DEM) foi um partido político brasileiro de centro-direita que se fundiu com o Partido Social Liberal (PSL) para formar o União Brasil (UNIÃO), conforme decidido em convenção por ambos em 6 de outubro de 2021, e sendo aprovado em 8 de fevereiro de 2022 pelo TSE. Sua filosofia política era voltada para a defesa da democracia, do liberalismo conservador e da justiça social. Foi fundado em 1985 como Partido da Frente Liberal (PFL), de ala à direita, fruto de dissidência do Partido Democrático Social (PDS) por causa das articulações que ao fim elegeram Tancredo Neves à presidência da República após vinte e um anos do Golpe Militar de 1964.

Embora a ata do congresso de 2007 do PFL tenha exatamente proposto (e sido aprovada) nova denominação para o partido, de forma minoritária há a ideia de o Democratas ser apenas sucessor do PFL. Assim, a denominação Democratas data de 28 de março de 2007, seu código eleitoral era o 25, seus membros eram chamados de demistas e suas cores oficiais eram azul e verde.

O Democratas foi a primeira agremiação brasileira desde o fim do bipartidarismo em 1979 sem "Partido" no nome, e também cuja sigla não é um acrônimo. Foi membro da Internacional Democrata Centrista, composta por diversos partidos de centro-direita, e também da União Internacional Democrata, composta por partidos de direita. Com 1.010.444 filiados em dezembro de 2021, foi o sétimo maior do país.

O partido compôs a oposição ao governo Lula e ao governo Dilma e fez parte da base aliada do governo Temer. Possui a quinta maior bancada na Câmara Federal, e a quinta no Senado Federal, além de governar 267 prefeituras. Possui raízes na política nordestina de onde proveio a maior parte de sua bancada. Porém, houve uma redução dessa presença na região, com a migração do clã Sarney para o PMDB e a morte de Antônio Carlos Magalhães em 2007. Ainda assim, metade dos senadores do partido era oriunda do Nordeste, dentre os quais o ex-vice-presidente da República Marco Maciel; na Câmara dos Deputados um terço da bancada representava os estados nordestinos.

Na região sudeste, o partido detinha dezoito representantes à época da fusão, sendo todos estes deputados federais. No estado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o partido possuía cinco deputados federais, e seis deputados estaduais. Já no Rio de Janeiro, sob Cesar Maia, que não pôde aspirar a uma nova reeleição por estar em segundo mandato consecutivo em 2008, lançou a ex-deputada federal Solange Amaral como candidata do partido, mas não logrou êxito. Eduardo Paes, do PMDB foi o eleito. Rodrigo Maia, filho de Cesar Maia e primo do senador José Agripino Maia, foi o primeiro presidente nacional do DEM, eleito em 28 de março de 2007.

Nas eleições de 2006 e 2008, houve redução da bancada do partido na Câmara dos Deputados e do número de prefeituras administradas pelo partido. O DEM governou de março de 2006 a 2011 a maior cidade do país, São Paulo, com Gilberto Kassab, até a criação do Partido Social Democrático (PSD). Em 2012, o partido elegeu João Alves Filho prefeito em Aracaju e Antônio Carlos Magalhães Neto em Salvador, suas duas únicas capitais. Isso não impediu que o partido elegesse 278 prefeitos, número inferior ao registrado em 2008, em que pese o declínio da oposição, incluindo PT e PPS e a formação do terceiro PSD.

Curiosamente, o PSD de Kassab, prefeito paulistano, que elegeu 497 prefeitos em 2012, venceu em 33 cidades em São Paulo. Atrás do DEM, que elegeu 45 prefeitos neste estado. O DEM teve como pré-candidato à presidência do Brasil em 2018 o presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Rodrigo Maia, até o dia 25 de julho, quando o mesmo anunciou a retirada de sua pré-candidatura para posteriormente apoiar a candidatura de Geraldo Alckmin à presidência. Em 2019, a legenda ganha bastante espaço no cenário político brasileiro ao reeleger Rodrigo Maia como presidente da Câmara dos Deputados e eleger Davi Alcolumbre, como presidente do Senado Federal, além de ter três ministérios no governo Jair Bolsonaro.

Princípios O DEM afirmava ser defensor da ética, da democracia, do exercício dos direitos humanos, da economia de mercado e do liberalismo econômico. Era apresentado como um partido de centro-direita, sendo filiado à União Internacional Democrata. Eram adeptos do capitalismo laissez-faire. Em avaliação geral, os democratas eram socialmente de centro-direita e economicamente de direita.miniaturadaimagem|269x269px|Convenção Nacional do DEM. Aloysio Nunes (PSDB-SP), José Agripino (DEM-RN) e Aécio Neves (PSDB-MG)De acordo com o cientista político Jairo Nicolau, a refundação do PFL como DEM teve como objetivo coroar um processo geral de modernização do partido. "O DEM gostaria de ser um partido de direita moderno, com um novo programa e dirigido às camadas médias urbanas; uma espécie de Partido Conservador do Reino Unido", diz. De acordo com ele, isso explicou a saída de membros históricos da direção do partido e a ascensão de jovens dirigentes como Rodrigo Maia, Kátia Abreu e Gilberto Kassab.

Aliado histórico do PSDB, o Democratas foi peça vital para a aprovação do Plano Real, das reformas constitucionais durante o governo FHC bem como da emenda constitucional que garantiu a possibilidade do então presidente Fernando Henrique Cardoso se recandidatar. Marco Maciel, ex-senador pelo PFL de Pernambuco, foi o vice-presidente nos dois mandados de FHC. Em 2002, o partido rompe com o governo na sequência de uma operação da polícia federal envolvendo Roseana Sarney, a então candidata à presidência pelo PFL. Porém, nas eleições de 2006, alia-se novamente ao PSDB, sendo o senador pefelista pernambucano José Jorge o candidato a vice-presidente na chapa com Geraldo Alckmin. Tal aliança se repete em 2010 com o deputado federal democrata fluminense Índio da Costa para vice na chapa de José Serra.

Após a cisão de diversas lideranças, como Gilberto Kassab, Kátia Abreu e Raimundo Colombo, que buscavam uma aproximação com o governo federal e um discurso mais centrista (com a fundação do Partido Social Democrático), o DEM passou a adotar uma postura mais enfática quanto ao ideário do partido, na tentativa de se aproximar do eleitorado mais conservador. O então senador Demóstenes Torres defendia uma guinada à direita por parte do partido. "Existe um eleitorado liberal, de perfil conservador, que precisa de um partido que o represente. Temos de falar a essas pessoas, representá-las no Congresso, com clareza", afirmou numa entrevista à Folha de S.Paulo.

Junto com o PSDB, o Democratas foi o único dentre os partidos históricos ainda registrados que não integrou a base governista em nenhum momento entre o início do Governo Lula e o Impeachment de Dilma Rousseff.

História Fundação miniaturadaimagem|256x256px|Chapa presidencial de José Sarney e Tancredo Neves, este ligado ao PMDB e aquele à Frente Liberal. Temeroso quanto às chances de vitória do PDS em 15 de novembro de 1982, o presidente João Figueiredo instituiu o voto vinculado, a sublegenda e proibiu as coligações partidáriasSancionada sem alterações nova legislação eleitoral (online). Folha de S.Paulo, São Paulo (SP), 20/01/1982. Nacional, p. 04. Página visitada em 27 de janeiro de 2018. a fim de impedir que dissidências na agremiação governista favorecessem os partidos de oposição nas disputas para os governos estaduais, Congresso Nacional e para as prefeituras. Mesmo sob a aparente unidade situacionista o meio político especulava quanto a criação de um novo partido "de centro ou liberal"Um novo partido de centro deve nascer após eleições (online). Folha de S.Paulo, São Paulo (SP), 13/06/1982. Nacional, p. 05. Página visitada em 27 de janeiro de 2018. visando ampliar o número de aliados do Palácio do PlanaltoEstá pronto o manifesto do Partido Liberal (online). Folha de S.Paulo, São Paulo (SP), 18/06/1982. Nacional, p. 05. Página visitada em 27 de janeiro de 2018.Lomanto leva a ideia (sic) do PL a Figueiredo (online). Folha de S.Paulo, São Paulo (SP), 02/07/1982. Nacional, p. 04. Página visitada em 27 de janeiro de 2018. cumprindo um papel que caberia ao extinto PP. Malogrado esse intento, o governo buscou a adesão do PTB no primeiro semestre de 1983, mas o acordo não chegou a viger.Ivete admite rescindir acordo que fez com Governo (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 01/06/1983. Política, p. 03. Página visitada em 27 de janeiro de 2018.

No último ano do governo João Figueiredo as lideranças do PDS achavam-se envoltas na questão sucessória em nisso postulantes à vaga presidencial surgiam tanto do meio militar quanto civil, resultado da ausência de consenso quanto ao tema. Em meio a essas discussões as opções governistas foram delineadas em torno de quatro nomes: Aureliano Chaves, Marco Maciel, Paulo Maluf e Mário Andreazza, cada qual dispondo de uma credencial política. Para Aureliano Chaves sua condição de vice-presidente da República o fazia um candidato bem posicionado sobretudo por vir de um estado com o peso político-econômico de Minas Gerais; Marco Maciel trazia consigo o PDS nordestino; Paulo Maluf dispunha de base política em São Paulo enquanto o gaúcho Mário Andreazza contava com o apoio de seus colegas de ministério (onde ocupava a pasta do Interior) e era militar da reserva na patente de coronel do Exército Brasileiro.esquerda|miniaturadaimagem|216x216px|Aureliano Chaves foi o candidato do PFL a Presidente da República da República em 1989 miniaturadaimagem|255x255px|Presidente José Sarney (PMDB-MA) assina a Constituição da República Federativa Brasileira de 1988 com a presença de Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) Por outro lado as forças oposicionistas se movimentavam no sentido de restabelecer a eleição direta para presidente da República a partir de fatos como o comício em Abreu e Lima dia 31 de março de 1983, tanto que em 26 de novembro os governadores do PMDB e do PDT divulgaram um manifesto em São Paulo exigindo eleições diretas. No dia seguinte um comício organizado pelo PT reuniu dez mil pessoas no Vale do Anhangabaú numa data marcada também pela morte de Teotônio Vilela.Teotônio morre em Maceió. Enterro é hoje (online). O Globo, Rio de Janeiro (RJ), 20/06/1984. Ed. Matutina, O País, p. 06. Página visitada em 28 de janeiro de 2018. Assim as Diretas Já resultaram num movimento suprapartidário e mobilizaram o país nos primeiros meses de 1984 e nesse ínterim o deputado Dante de Oliveira apresentou uma emenda prevendo eleição presidencial direta. Em fevereiro de 1984 surgiu no PDS um grupo pró-eleições diretas como forma de evitar que essa bandeira fosse vista como exclusivamente da oposição, contudo tais manifestações não demoveram os presidenciáveis do PDS: em janeiro Maluf e Andreazza anunciaram suas candidaturas e no mês seguinte Aureliano (com o beneplácito de Ernesto Geisel) fez o mesmo. Rejeitada a emenda Dante de Oliveira em 25 de abril de 1984 graças à abstenção de 112 parlamentares, a oposição retornou a São Paulo e em 19 de junho anunciou apoio ao nome de Tancredo Neves.Tancredo espera para ser o candidato (online). O Estado de S. Paulo, São Paulo (SP), 20/06/1984. Geral, p. 04. Página visitada em 28 de janeiro de 2018.