A Abertura Trompowsky é uma abertura de xadrez caracterizada pelos lances (em notação algébrica): 1.d4 Cf6 2.Bg5

Ela foi criada e nomeada pelo enxadrista brasileiro Octávio Trompowsky (1897-1984). Com o segundo movimento das brancas (2...Bg5) as brancas pretendem capturar o cavalo de f6, dobrando os peões negros. Mas essa não é uma ameaça certa, pois as pretas podem não dobrar seus peões, com vários lances, como por exemplo, 2...Ce4.

Após 1.d4 Cf6, as linhas mais comuns para as brancas são 2.c4 e 2.Cf3. Jogando 2.Bg5, as brancas evitam as Defesas Índias. As brancas também podem jogar 2.Bg5, após 1.d4 d5, evitando que o preto jogue 2...Cf6, e caso ele jogue, transpõe para uma variante descrita abaixo.

Linhas principais As negras tem diversos movimentos para jogar contra 2.Bg5. Alguns evitam os peões dobrados, e outros o permitem.

2...Ce4 é a resposta mais usual. Apesar de não cumprir com a popular regra "Não mova a mesma peça mais de uma vez na abertura", este lance ataca o bispo de g5, forçando-o a também descumprir a mesma regra. 3.h4 defende o bispo e agora o preto pode tentar lutar pelo centro e expulsar o bispo branco de c5 com 3...h6. As pretas não podem jogar 3...Cxg5?, pois, depois de 4.hxg5, a torre do rei branco estará em uma coluna semiaberta, ou seja, o branco está melhor, com uma vantagem temporária. 3.Be3? é ruim, pois bloqueia o peão de e2. 3.Bc1?! é um movimento duvidoso pois o bispo volta para a casa inicial e perde um tempo sem nenhum plano visível. 3.Bd2 também não é um lance bom, pois o bispo recua demais e fica em uma casa muito tímida; pode ser seguido por 3...Cc6. Então, se o branco quiser recuar o bispo, as melhores casas são f4 e h4, e que pode ser respondida pelo preto com 3...c5, 3...d5 ou 3...g5. 3.Cf3? é visto raramente, exceto no nível amador. Após 3...Cxg5 4.Cxg5 e5!, e as pretas estão melhores. 2...e6 também evita os peões dobrados, pois agora o cavalo está defendido pela dama. 2...e6 também abre a diagonal do bispo de casas pretas negro, permitindo seu desenvolvimento. 2...c5 é possível, pois luta pelo centro, apesar de permitir a captura do cavalo e os peões dobrados. O jogo fica igualado pois a desvantagem negra dos peões dobrados é compensada pela falta do par de bispos das brancas. 2...d5 também luta pelo centro, e permite os peões dobrados que serão compensados pela falta do par de bispos do branco. 2...g6 é um lance visualmente estranho, pois cria a debilidade na casa f6, mas é seguido de 3...exf6, 4...Bg7 e 5...f5, formando uma sólida estrutura de peões e com o bispo no fianqueto, em g7.

Partidas Trompowsky vs Enzelins, Torneio de Munique, 1936 1.d4 Cf6 2.Bg5 d5 3.Bxf6 exf6 4.e3 Bd6 5.c4 dxc4 6.Bxc4 c6 7.Cc3 O-O 8.Dh5 De7 9.Ce2 Cd7 10. Cg3 g6 11.Df3 f5 12.h4 Bxg3 13.Dxg3 Df6 14.h5 Te8 15.hxg6 hxg6 16.O-O-O b5 17.Bb3 Dg7 18.Th4 Cf6 19.Th1 Be6 20.Dh2 Rf8 21.Th8+ Re7 22.Dc7+ Bd7 23.De5+ Rd8 24.Th1h7 1-0

Ver também Defesa Câmara

Bibliografia ADAMS, Jimmy. Trompowsky Attack. Chess Player, 1986. DAVIES, Nigel. The Trompowsky. Everyman Chess, 2005. GALLAGHER, Joe. The Trompowsky. Everyman Chess, 1998. WELLS, Peter. Winning with the Trompowsky. Batsford, 2003.

Ligações externas Octávio Trompowsky, biografia no BrasilBase.pro.br Octávio Trompowsky: uma pequena homenagem, por Jorge Chaves

Trompowsky, Abertura