O M41 Walker Bulldog (designação americana: 76-mm gun, tank, M41) é um carro de combate leve fabricado nos Estados Unidos, desenvolvido para emprego em reconhecimento. Essa viatura foi produzida pela Cadillac entre 1951 até 1954 e adquirido pelo Exército dos Estados Unidos (US Army) como um substituto para a frota de carros de combate M24 Chaffee. Apesar de ser projetado como uma viatura de reconhecimento, seu peso e armamento o fez efetivo para apoio aproximado para infantaria e para desdobramentos aeromóveis rápidos. Após entrar em serviço pelos Estados Unidos, todos os M41 receberam a designação de Little Bulldog (Pequeno Bulldog), e subsequentemente, Walker Bulldog (Bulldog de Walker), como homenagem ao General Walton Walker, morto em um acidente de jeep na Guerra da Coreia, em 1950. O M41 foi o primeiro carro de combate americano pós-guerra a entrar em serviço em outros países, sendo exportado em números consideráveis pelos Estados Unidos, particularmente para a Ásia.

O desenvolvimento do M41 foi lento até o estopim da Guerra da Coreia, quando a US Army renovou demandas por mais carros de combate, o que resultou que o M41 fosse posto apressadamente em produção. A aceleração de sua produção gerou problemas técnicos, nas quais, junto da diminutas dimensões de seu interior, deu o carro de combate uma reputação medíocre com as tripulações americanas. Ele também foi considerado muito grande em comparação com o Chaffee para ações de reconhecimento. Orçamento para o programa do M41 foi cortado quando se começou a dar mais ênfase ao desenvolvimento de carros de combate principais, como o M47 Patton. A Cadillac cessou a produção do M41 no final de 1954. O M41 foi substituído pelo M551 Sheridan durante os anos 60.

Desenvolvimento Começando em 1946, o Exército dos Estados Unidos comissionou um projeto para a substituição do carro de combate leve M24 Chaffee no emprego de reconhecimento. Para propósitos preliminares, estes carros de combate hipotéticos seriam designados T37. Porém, na sequência da Segunda Guerra Mundial, maioria dos programas de desenvolvimento de blindados sofreram com a falta de ímpeto e orçamento inadequado. O conceito do T37 ficou inviável até 1949, quando três protótipos diferentes foram produzidos. O segundo protótipo dos três, o T37 Phase Two (Fase Dois), foi selecionado para mais testes e recebeu uma designação única, o T41. Ao final, o modelo de pré-produção foi designado como T41E1 pela US Army.

O T41E1 foi previsto como um carro de combate leve altamente móvel, capaz de operar em ações de reconhecimento e ser suficientemente bem armado para engajar carros de combate médios soviéticos, se necessário. Essas viaturas deveriam utilizar peças já existentes no mercado automotivo e componentes normais em viaturas militares norte-americanas, além de incorporar um chassis capaz de ser convertido para uma variedade de empregos especializados. Por exemplo, o requerimento da US Army exigia não somente um carro de combate leve, como também uma plataforma anti-aérea e uma viatura blindada de transporte de pessoal baseada no mesmo chassis. Uma planta propulsora havia sido pré-selecionada para qualquer um dos veículos escolhidos: um motor Lycoming ou Continental, a gasolina, 6-cil, refrigerado a ar. Isso fez o T41E1 um dos primeiros carros de combate americanos a ser projetado em volta de um motor preexistente, ao invés de ser construído antes e depois ter um motor escolhido. Pesando pouco mais de 23.500 kg, o T41E1 era muito pesado e poderia ser classificado como um carro de combate médio por volta de cinco anos depois, não sendo mais considerado adequado para frequentes operações aeromóveis. esquerda|miniaturadaimagem|O presidente americano Harry Truman com o protótipo do T41 em visita ao Campo de Provas de Aberdeen O Exército encomendou o T41 por volta de agosto de 1950. O carro de combate foi designado como Walker Bulldog (Bulldog de Walker), como homenagem ao General Walton Walker - morto em um acidente de jeep na Guerra da Coreia - durante uma demonstração para o presidente estadunidense Harry Truman no Campo de Provas de Aberdeen em fevereiro de 1951.

A produção em série foi atrasada devido a dificuldades técnicas por causa da decisão de incorporar um telêmetro integral diretamente na torre. O senso de urgência foi renovado com o estopim da Guerra da Coreia e a renovação de demandas por novas viaturas blindadas pela US Army fizeram a produção ser iniciada as pressas em meados de 1951. O ciclo de produção apressado levou a inúmeras modificações durante a produção. A Cadillac adaptou um armazém em Cleveland em agosto de 1950 e começou a equipar o local para a produção do Walker Bulldog e de outras viaturas de combate, mais especificamente o M42 Duster. A planta, empregando 3.700 pessoas, entregou o primeiro M41 de produção em março de 1951. Os primeiros oito Bulldogs foram entregues à US Army em julho.

Em março de 1952, mais de 900 M41 foram construídos. Estas viaturas entraram em serviço tarde demais para serem operadas durante a Guerra da Coreia, porém, foram enviadas para a região logo após o fim dos combates. Aproximadamente 1.802 viaturas foram construídas, porém, destes, vários sofreram uma pletora de problemas técnicos devido a produção apressada, com uma segunda variante, o M41A1, sendo posta em serviço para corrigir estes problemas. Quase 4.000 mudanças de desenho foram requeridas pela US Army entre julho de 1951 e julho de 1952. Aprovação para o tipo entrar em serviço em unidades regulares do Exército foi negado em dezembro de 1952, quando outra variante foi introduzida. Outras 1.631 unidades do M41 foram estocadas no Ordnance Corps Depot em Lima, Ohio, até que suas deficiências fossem corrigidas.

O M41A1 foi posteriormente substituído pelo M41A2 e pelo M41A3, nos quais tinham a vantagem de contar com maior caixas de armazenamento de munição, canhão e torre simplificadas. Apesar dessas melhorias, o M41 não se provou especialmente popular no serviço norte americano. Tripulantes da torre constantemente reclamavam da falta de espaço do interior. Unidades de reconhecimento criticavam a altura e tamanho da viatura, o que reduzia a habilidade de operar discretamente em ações de reconhecimento, e, apesar da intenção de emprego em ações aeromóveis, seu peso fazia-o imprático para tais ações. Isso levou ao desenvolvimento do M551 Sheridan, no qual foi projetado para ações aeromóveis, na qual o baixo peso é considerado um fator chave. A produção do M41 cessou no final de 1954, com a US Army dando ênfase ao desenvolvimento de carros de combate principais como o M47 Patton. Já em meados de 1952, o governo dos EUA ficou tão desiludido com as deficiências percebidas do M41 que recomendou que o processo de aquisição do M41 fosse encerrado e o projeto de desenvolvimento de um novo carro de combate leve fosse iniciado, porém, o General J. Lawton Collins, na época Chefe do Estado Maior do Exército, argumentou com sucesso para que as encomendas existentes fossem atendidas.

Com a introdução de novos carros de combate principais soviéticos, mais bem blindados e armados, o M41 já não era mais considerado apto para o serviço militar em linha de frente, sendo substituído pelo mais leve e mais bem armado M551 Sheridan no final dos anos 60. Muitos M41 de segunda mão foram reformados e posteriormente vendidos ou doados para aliados dos EUA, como o Brasil, Japão e Vietnã do Sul.

Viaturas derivadas Quando o M41 entrou em produção, não era considerado economicamente viável construir um carro de combate com chassis único. A US Army queria que o M41 tivesse uma série de viaturas de apoio produzidas com o mesmo chassis, casco, motor, lagartas e a maior quantidade possível de componentes automotivos semelhantes para simplificar a logística. A Cadillac, nesse sentido, produziu a viatura antiaérea M42 Duster, os obuseiros autopropulsados M44 e M52 e a viatura blindada de transporte de pessoal (VBTP) M75, todas baseadas no chassis e planta propulsora do M41. O processo de aquisição para estas viaturas era arriscado, pois, ao contrário do M41, nenhuma delas contou com um protótipo para testes, sendo lançado diretamente em produção. Em janeiro de 1951, sob intensa pressão para atingir os requerimentos da US Army, representantes da Army Ordnance Corps concordaram em aprovar as variantes antiaérea, obuseiros autopropulsados e o VBTP para produção com "total conhecimento que fazê-lo contaria com riscos inerentes envolvidos em dispensar testes completos e avaliações". Problemas técnicos encontrados nas viaturas, somados aos problemas inerentes do M41, levaram à US Army adotar somente o M75 em grandes quantidades.

Descrição miniaturadaimagem|M41 sendo produzido nas instalações da Cadillac em ClevelandO casco do M41 é construído em aço soldado, com o compartimento do motorista posicionado na frontal esquerda da viatura. O compartimento do motorista pode ser acessado por uma escotilha. Quando a escotilha é fechada, a viatura pode ser dirigida por blocos de visada montados a frente do assento do motorista, além de um na esquerda. Normalmente, não há aparelhos de visão noturna para o motorista, porém, em alguns modelos, um holofote infravermelho pode ser montado externamente ou os periscópios diurnos podem ser trocados por periscópios infravermelhos. Uma escotilha de fuga é encontrada abaixo do compartimento do motorista.

O compartimento do motor fica na traseira da viatura e é isolado do restante dos compartimentos por uma parede corta-fogo. A transmissão cross-drive Allison CD-500-3 é localizada nesse compartimento, imediatamente atrás do motor, e inclui uma relação de marcha à frente e uma à ré. Todas os M41 contam com um sistema de suspensão por barra de torção, na qual apoia cinco rodas de apoio, com a polia motora atrás e a polia tensora à frente, além de três rodetes. A primeira, terceira e quinta rodas de apoio contam com amortecedores hidráulicos. Apesar do M41 não ser considerado anfíbio, ele era projetado para atravessar vaus de até 1 m de profundidade sem preparação, porém, com preparação, pode se atravessar vaus de até 2.44 m de profundidade. O casco conta com bombas de porão elétricas.

A torre padrão do M41 era construída em aço fundido e soldado, além de ser equipado com uma cesta de torre. No compartimento de combate, o comandante e o atirador sentam na direita da torre, e o auxiliar do atirador senta na esquerda da torre. O giro da torre é apoiado por motores elétricos e hidráulicos, podendo girar 360º em 10 segundos. O comandante conta com um periscópio diurno e cinco blocos de visada na torreta do comandante; que também contava com uma escotilha aberta para frente. Tanto o atirador quanto o auxiliar do atirador também contam com periscópios. Em alguns modelos, também há um compartimento de armazenamento soldada atrás da torre e um ventilador no teto do compartimento de combate.

O M41 tem uma couraça frontal bastante distinta, porém, pode ser identificada pelos grandes tubos de escapamento a cada lado do casco superior traseiro. Ambos os lados da torre são verticais e ligeiramente inclinados. Outras características que podem identificar o M41 é a caixa de armazenamento atrás da torre, a torreta do comandante na direita da torre e o freio do boca e eliminador de alma no tubo do canhão.

Armamento e Munição O M41 inicial contava com o canhão de 76mm M32/T91E3, porém, M41A1, A2 e A3 contam com um canhão de 76mm M32A1, podendo disparar autoexplosiva (HE), perfurante de blindagem (AP) ou perfurante de blindagem, alta velocidade (HVAP). Em 1982, a AAI Corporation anunciou que havia desenvolvido uma munição perfurante de blindagem com calços descartáveis estabilizada por aletas (APFSDS) para os canhões M32 e M32A1, o que aumentou muito a letalidade do canhão M32. Tanto a Dinamarca quanto Taiwan adquiriram quantidades desconhecidas dessa munição para seus M41.