Petróleos de Venezuela S.A (PDVSA, , em português: Petróleos da Venezuela) é uma empresa estatal venezuelana que se dedica à exploração, produção, refino, comercialização e transporte de petróleo da Venezuela. Fundada em 1 de janeiro de 1976, durante o mandato do presidente Carlos Andrés Pérez, como o resultado da nacionalização das concessões das petroleiras estrangeiras e a reorganização sob coordenação do Ministerio de Energía y Minas. Era a terceira maior empresa da América Latina, depois da brasileira Petrobras e a mexicana Pemex;Maiores empresas da América Latina segundo América Economia, desde o ano 2009 catalogada em 2005 como a terceira empresa petrolífera em nível mundial e classificada pela revista internacional Fortune como a empresa de número 41 entre as 500 maiores do mundo.Fortune 500, PDVSA Em maio de 2010, a PDVSA também adquiriu, por 131.000.000 de dólares, 49% da única refinaria República Dominicana, conhecido como Refidomsa.http://www.eluniversal.com/2010/05/05/eco_ava_chavez-y-fernandez-f_05A3863051 Em 2011 concretizou a venda para Rosneft dos 50% que detinha desde os anos 1980 num complexo petroquímico em Gelsenkirchen, na Alemanha. A Rosneft desembolsou 1.6 bilhão de dólares pela parte da PDVSA .Em agosto de 2021 a PDVSA vendeu por 88,1 milhões de dolares os 49% que detinha na refinaria da República Dominicana.

Atualmente a PDVSA é a petrolífera com maiores reservas de petróleo do mundo, alcançando um total de 3,1 bilhões de barris e foi catalogada como a segunda petrolífera mais poderosa depois da ExxonMobil. Politização Em 2002, muitos empregados da PDVSA entraram em greve contra as políticas de Chávez, que em resposta demitiu mais de 19.000 trabalhadores da empresa. Em 2014, o Intevep, braço de pesquisa e desenvolvimento da PDVSA, havia perdido 80% de seus trabalhadores, prejudicando gravemente a capacidade da PDVSA de inovar e competir no mercado global de petróleo."Brain Haemorrhage; Venezuela's Oil Diaspora." The Economist, 19 July 2014, p. 31(US). World History in Context. Accessed 11 Oct. 2018. A PDVSA experimentou crescimento estagnado no período seguinte, definido por um boom nos preços do petróleo. Entre 2002 e 2012, os acidentes incapacitantes com empregados subiram de 1,8 por milhão de horas-homens para 6,2, extremamente alto comparado a 0,6 por milhão de horas-homens da Pemex em 2012, destacando a dificuldade da empresa em se otimizar. Vários ex-funcionários da PDVSA se mudaram para Alberta, onde a consistência do petróleo era semelhante à do Orinoco. Como resultado, o número de venezuelanos em Alberta subiu de 465 em 2001 para 3.860 em 2011. Outros trabalhadores da PDVSA migraram para a Colômbia, ingressaram na Ecopetrol e foram creditados por ajudar a empresa a alcançar grandes lucros ao longo da década de 2010.

Em 2006, Rafael Ramírez, então ministro da energia, deu aos trabalhadores da PDVSA uma escolha: apoiar o presidente Hugo Chávez ou perder seus empregos. O ministro também declarou: "A PDVSA é vermelha, vermelha de cima a baixo" (referindo-se à cor identificada com o partido político de Chávez). Chávez defendeu Ramírez, dizendo que os funcionários públicos deveriam apoiar a "revolução". Acrescentou que "os trabalhadores da PDVSA estão com esta revolução, e os que não estiverem devem ir para outro lugar. Vão para Miami".Storm over Venezuela oil speech, BBC News,4 November 2006. Accessed online 7 November 2006. Em 2012, a PDVSA focou em contratar apenas apoiadores do presidente e a receita da PDVSA foi usada para financiar a "revolução" socialista da Venezuela.

História

Década de 1970: Nacionalização Sob a presidência de Carlos Andrés Pérez, cujo plano econômico, "La Gran Venezuela", previa a nacionalização da indústria do petróleo, a Venezuela nacionalizou oficialmente seu setor petrolífero em 1º de janeiro de 1976 no poço Zumaque 1 (Mene Grande). Nasceu assim a Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA). Todas as empresas estrangeiras de petróleo que atuavam no país foram substituídas por companhias venezuelanas, como a Lagoven (Standard Oil), a Maraven (Shell) e a Llanoven (Mobil). Cada uma das antigas concessionárias foi simplesmente substituída por uma nova empresa petrolífera "nacional", que manteve as estruturas e funções de sua antecessora multinacional.Vegard Bye, "Nationalization of Oil in Venezuela: Re-defined Dependence and Legitimization of Imperialism", Journal of Peace Research, 16, no. 1 (1979): 67, accessed December 3, 2014. Com a nacionalização de 1976, cada antigo operador multinacional foi convertido em uma afiliada da PDVSA; essas afiliadas foram agrupadas em uma estrutura administrativa subordinada tanto à PDVSA quanto ao Ministério de Energia da Venezuela. Com essa absorção, a PDVSA tornou-se empregadora de engenheiros com amplo treinamento técnico das antigas corporações multinacionais“PDVSA." The National of Venezuela, 3 Feb. 2017. General OneFile. Accessed Oct 25, 2018." e rapidamente aproveitou essa nova expertise. Em 25 anos de nacionalização, a PDVSA se tornou a maior empresa da América Latina e a décima mais lucrativa do mundo. Nesse período de 25 anos, as reservas de petróleo subiram de 18 bilhões para mais de 80 bilhões de barris, com aumento semelhante na capacidade de produção.

Décadas de 1980–1990: Apertura Na década de 1990, a Venezuela abriu a empresa para cooperação internacional. A abertura da indústria petrolífera venezuelana, ou Apertura, foi iniciada com uma decisão do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela que revogou leis antigas que proibiam a cooperação com multinacionais em solo venezuelano. De 1993 a 1998, a PDVSA dividiu direitos de extração com várias multinacionais em acordos especiais chamados "associações estratégicas", trocando petróleo bruto venezuelano pela eficiência que vinha da expertise e da tecnologia externas. Essas "associações estratégicas" foram controversas: a Venezuela conseguiu maximizar lucros ao custo de tributação branda sobre as multinacionais e perda de controle sobre recursos internos. Com a eleição de Hugo Chávez em 1998, a atenção venezuelana passou a se concentrar no cumprimento das regras da OPEP. Quando os preços do petróleo desabaram no fim da década de 1990, manter os acordos especiais e ao mesmo tempo cumprir as normas da OPEP tornou-se inviável, levando ao fim da Apertura.

Antes da eleição de Hugo Chávez, a PDVSA operava de forma autônoma, tomando decisões para maximizar lucros. Após assumir o poder, Chávez passou a direcionar a PDVSA, transformando-a em um braço direto do governo, cujos lucros seriam injetados em gastos sociais. O resultado foi a criação das Missões bolivarianas, programas sociais financiados pelo petróleo que combatiam a pobreza, o analfabetismo, a fome e outros problemas. Com a Apertura, muitos gestores da PDVSA se tornaram ativos na política venezuelana e representaram o país em cúpulas econômicas. Chávez manteve essa tendência, mas priorizou o bem-estar social. Durante sua campanha, afirmou repetidamente que a PDVSA era excessivamente autônoma e poderosa, e que seus gestores agiam de forma subversiva. Chávez transformou a PDVSA pós-Apertura em um ponto de mobilização política para sua base majoritariamente de classe baixa, associando as políticas de liberalização à elite dirigente, galvanizando seus apoiadores contra os antigos arranjos especiais da empresa.Wiseman, Colin and Daniel Béland. “The Politics of Institutional Change in Venezuela: Oil Policy During the Presidency of Hugo Chávez.” Canadian Journal of Latin American and Caribbean Studies, Vol 35, No. 70 (2010), pp. 141-164. JSTOR. Accessed 3 Nov. 2018. Em 1998, a PDVSA produzia 3,4 milhões de barris de petróleo por dia e tinha 40.000 empregados. Por lei, depositava suas receitas em contas do fundo soberano no Banco Central da Venezuela. 2000–2010: Gastos sociais

Em dezembro de 2002, a Greve geral na Venezuela de 2002–2003 contou com a participação de muitos gerentes e empregados da PDVSA, incluindo a federação sindical CTV, que se uniram para pressionar o presidente venezuelano Hugo Chávez a convocar eleições antecipadas, paralisando praticamente toda a produção de petróleo por dois meses. Cerca de 19.000 empregados, a maioria profissionais experientes, foram sumariamente demitidos, e a produção foi retomada com trabalhadores leais ao governo. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) pediu ao governo venezuelano que lançasse "uma investigação independente sobre as alegações de detenção e tortura" relacionadas a essa greve. Desde então, a empresa formou sua própria milícia, da qual todos os empregados podem participar de forma voluntária, para se proteger de um possível "golpe" contra o governo. A companhia se considera praticamente indistinguível do Estado, com seus programas sociais conduzindo, em grande medida, a "revolução socialista" do país.German Zambrano, head of communications, cited in

Em 2005, a PDVSA abriu seu primeiro escritório na China, e anunciou planos para quase triplicar sua frota de petroleiros, para 58 unidades. Em abril e maio de 2005, a PDVSA, por meio de um acordo assinado entre os governos da Venezuela e da Argentina, enviou 50 milhões de toneladas de óleo combustível para este último país a fim de aliviar os efeitos de uma crise energética causada pela escassez de gás natural.

Em novembro de 2005, a PDVSA e sua subsidiária nos Estados Unidos, a Citgo, anunciaram um acordo com o Massachusetts para fornecer óleo de aquecimento a famílias de baixa renda em Boston com desconto de 40% abaixo do preço de mercado. Acordos semelhantes foram posteriormente firmados com outros estados e cidades do nordeste dos EUA, incluindo o Bronx em Nova Iorque, Maine, Rhode Island, Pensilvânia, Vermont e Delaware. Pelo programa, a Citgo ofereceu um total de cerca de de óleo de aquecimento a preços abaixo do mercado, equivalente a um desconto de entre 60 e 80 centavos de dólar por galão.

Em 28 de julho de 2006, a agência de classificação de crédito Moody's Investor Service informou que estava retirando suas classificações independentes da PDVSA porque a petroleira não forneceu informações operacionais e financeiras adequadas. Em 2019, a PDVSA ainda não havia apresentado seus resultados financeiros de 2004 à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos que eram devidos em junho de 2005.

Durante os anos 2000, a PDVSA realizou projetos-modelo em favelas e de remoção de lixo.

Em 2008, a PDVSA era a maior empresa da América Latina, mas em 2009 foi ultrapassada pela Petrobras e pela Pemex, segundo um ranking das 500 maiores empresas da região publicado pela Latin Business Chronicle.

Expropriações de 2007 Em 2007, a PDVSA comprou 82% da empresa Electricidad de Caracas da AES Corporation como parte de um programa de renacionalização. Posteriormente, a participação acionária subiu para 93,62% em dezembro de 2008. Os ativos da ExxonMobil e da ConocoPhillips foram expropriados em 2007 depois que estas se recusaram a reestruturar suas participações na Venezuela para conceder à PDVSA o controle majoritário; Total, Chevron, Statoil e BP aceitaram e mantiveram participações minoritárias em seus projetos venezuelanos. Chegar a um acordo com a ExxonMobil mostrou-se difícil; a Venezuela ofereceu o valor contábil dos ativos, enquanto a ExxonMobil pediu até US$ 12 bilhões. Em janeiro de 2012, esta e as reivindicações da ConocoPhillips ainda estavam perante o Banco Mundial no Centro Internacional para Resolução de Disputas sobre Investimentos.

Em fevereiro de 2012, a PDVSA pagou US$ 255 milhões à ExxonMobil como compensação pela nacionalização dos ativos da empresa na Venezuela em 2007 e US$ 420 milhões a serem pagos a partir de 2012 às empresas norte-americanas Williams Cos Inc. e Exterran Holdings, Inc por ativos de gás natural nacionalizados em 2009.