O Exército de um Homem Só é a segunda novela de Moacyr Scliar, publicado em 1973 e traduzido para mais de dez idiomas.
O livro relata a saga de Mayer Guinzburg, um judeu que chegou a Porto Alegre ainda menino, vindo da Rússia. Ele se transforma em Capitão Birobidjan, uma espécie de Don Quixote do bairro do Bom Fim, em Porto Alegre, e tenta construir Nova Birobidjan, uma utopia socialista inspirada na histórica cidade russa de Birobidjan, apesar de tudo e de todos que se opõem a ele, incluindo seu pai, que o queria rabino.
O livro é baseado na história do militante anarquista Henrique Scliar, tio do autor. Se passa no urbano da cidade de Porto Alegre e cercanias rurais.SILVA, Gislene M.B.F.; Regina Dalcastagne. Vozes da loucura, ecos na literatura: o espaço de louco em O exército de um homem só, de Moacyr Scliar, e Armadilha para Lamartine, de Carlos Sussekind. UNB, 2001. É contado em terceira pessoa e cada capítulo remete a um ano ou conjunto de anos. O primeiro é 1970, segue para 1916, 1928, 1929, 1930, e o último volta a 1970.
miniaturadaimagem|Moacyr Scliar, escritor da obra
O romance de Scliar é cheio de efeitos cinematográficos, de ações que se sucedem rapidamente, lançando as personagens numa esfera irreal [...] o texto scliriano oscila entre o romance que focaliza a micro-história familiar e aqueles que desdobram grandes painéis históricos. O primeiro tipo, a exemplo de O exército de um homem só, gera personagens mais bem desenhadas, como é o caso do antiherói quixotesco capitão Birobidjan (Mayer Guinzburg) [...].Cerqueira, Patricia Conceição Borges Franca Fialho. Alteridade e (re)construção identitária em quatro romances de Moacyr Scliar : O centauro no jardim; Na noite do ventre, o diamante; Os deuses de Raquel e A estranha nação de Rafael Mendes. 2014. 213 f. (Doutorado) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Letras, Programa de Pós-Graduação em Letras, Porto Alegre, 2014.Capitão Birobidjan não interage com o meio, porque não se considera parte dele. Assim, tenta mudá-lo pela loucura para preservar sua subjetividade.Em O exército de um homem só, de Moacyr Scliar, a loucura sustém-se sobre um fundo político-ideológico, apresentando-se como rompimento com o sistema, em busca daquilo que é, para a lógica dominante, uma utopia: a construção de uma nova sociedade.
Resumo O personagem principal, ao qual se refere o título da obra, é Mayer 'Capitão Birobidjan' Guinzburg. De origem judia, foge da Rússia para o Brasil, em 1916, com a família quando era menino. Mayer era marxista e queria fundar uma nova Birobidjan (colônia coletiva de judeus). Por ser muito rebelde, seu pai preferia vê-lo tornar-se rabino. Dentre seus amigos marxistas, estava Léia, com quem se casou. Mais tarde, abandonou tudo e foi viver na propriedade de um amigo marxista.
Em Nova Birobidjan, Mayer se dedica somente a trabalhar e nomeia os animais como "Companheiros": Companheiro Porco, Companheira Cabra e Companheira Galinha. Na horas de folga, lia Rosa Luxemburgo e discursava para "homenzinhos que só ele via". Em determinado momento, é atacado por quatro vagabundos e se defende. A amante coletiva dos vagabundos para a morar na propriedade com ele e se torna a segunda cidadã de Nova Birobidjan. Algum tempo depois, ela sai de Nova Birobidjan e ele volta para casa.
Mayer abandona o ateísmo, trabalha duro, muda para a construção civil, monta a empresa Maykir no terreno de Nova Birobidjan e ali enriquece. Sua esposa descobre que ele está tendo um caso com sua secretária e se divorciam, depois de ele abandonar a amante. Sua empresa vai à falência e ele vai viver em uma pensão localizada no terreno de sua antiga empresa. Ali tenta reiniciar Nova Birobidjan, mas falha.
Abandonado, triste, religioso e quase sem esperança, Mayer tem um ataque cardíaco ao ensaiar uma resistência, mas sobrevive.
Categoria:Livros de Moacyr Scliar Categoria:Livros de 1973