Idi Amin Dada (Campala, 30 de maio de 1928 – Jidá, ) foi um militar ugandense que ocupou o cargo de presidente de Uganda de 1971 até 1979. É considerado um dos ditadores mais brutais e déspotas da história.

Idi Amin nasceu em Campala, de um pai da tribo kakwa e uma mãe lubara. Em 1946, aos vinte anos, ingressou nos King's African Rifles (KAR) do exército colonial britânico como cozinheiro. Ele foi ascendendo as patentes, até chegar a tenente, lutando ao lado dos britânicos contra rebeldes somalis, na Guerra de Shifta e, depois, na Revolta dos Mau-Mau, no Quênia. Quando Uganda ganhou sua independência do Reino Unido, em 1962, Amin permaneceu nas forças armadas, chegando à patente de major, sendo nomeado general e comandante do exército ugandense em 1965. Em 1971, quando ele soube que o presidente Milton Obote estava planejando prendê-lo, por desviar fundos do exército, Amin lançou um golpe de estado e se declarou presidente.

Durante os anos no poder, Amin deixou de ser um governante pró-Ocidente, que contava com um apoio considerável de Israel e do Reino Unido, para se tornar um líder aliado a Muammar Gaddafi da Líbia, a Mobutu Sese Seko do Zaire, à União Soviética e à Alemanha Oriental.Gareth M. Winrow. The Foreign Policy of the GDR in Africa, p. 141. Em 1975, Amin tornou-se presidente da Organização da Unidade Africana (OUA), um grupo Pan-africano, criado para promover a solidariedade entre os Estados africanos. Uganda chegou a ser membro da Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos, de 1977 a 1979. O Reino Unido rompeu relações diplomáticas com Uganda, em 1977, e Amin declarou então que ele havia derrotado os britânicos, adicionando "CBE" ("Conqueror of the British Empire", ou "Conquistador do Império Britânico") ao seu título oficial.

À medida que o governo de Amin avançava até o final da década de 1970, houve um aumento da agitação contra sua perseguição a certos grupos étnicos e dissidentes políticos, juntamente com a péssima posição internacional de Uganda, devido ao apoio de Amin aos sequestradores terroristas na Operação Entebbe. Em 1978, Amin tentou então conquistar a região da Kagera, no norte da Tanzânia, mas o presidente tanzaniano Julius Nyerere mobilizou suas tropas e invadiu Uganda; o exército da Tanzânia, apoiado por rebeldes ugandenses, eventualmente tomou Campala, em 11 de abril de 1979, removendo Amin do poder. O ditador ugandense partiu então para o exílio, primeiro para a Líbia, depois para o Iraque e, finalmente, para a Arábia Saudita, onde passaria o resto de sua vida, morrendo em 16 de agosto de 2003.

O regime de Amin foi caracterizado por constantes abusos de direitos humanos, incluindo repressão política, perseguição étnica e execuções extrajudiciais, além de nepotismo, corrupção e má gestão econômica. Observadores internacionais e grupos de direitos humanos estimam que entre 100 000 e 500 000 pessoas foram assassinadas durante o regime de Amin.

Infância, carreira militar e chegada ao poder Primeiros anos Amin nunca escreveu uma autobiografia e nunca autorizou um relato oficial por escrito de sua vida. Existem discrepâncias em relação a quando e onde ele nasceu. Muitas das fontes biográficas afirmavam que ele nasceu ou em Koboko ou em Campala por volta de 1925. Outras fontes não confirmadas indicam o ano de nascimento de Amin desde 1923 até 1928. O seu filho, Hussein, afirmou que seu pai nasceu em Campala em 1928.

De acordo com a família de Amin, a tradição oral ugandense e sua certidão de óbito saudita, Idi Amin Dada Oumee nasceu em 30 de maio de 1928 no local de trabalho de seu pai, o Quartel da Polícia de Shimoni, na colina Nakasero, na capital Campala. De acordo com Fred Guweddeko, um pesquisador da Universidade Makerere, Amin era filho de Andreas Nyabire (1889–1976). Nyabire, era membro do povo Kakwa, que se converteu do catolicismo para o islã em 1910 e então mudou seu nome para Amin Dada e deu seu nome para seu primeiro filho. Idi Amin foi abandonado por seu pai quando era muito jovem e cresceu numa cidade rural com a família de sua mãe no noroeste de Uganda. Guweddeko afirma que a mãe de Amin se chamava Assa Aatte (1904–1970), da etnia Lubara e uma fitoterapeuta tradicional que tratava membros da família real de Buganda, entre outros. Algumas fontes também descreveram Amin como sendo de origem Kakwa-núbio.

Amin entrou numa escola islâmica em Bombo, no distrito de Luweero, em 1941. Depois de alguns anos, ele deixou a escola com apenas uma educação em língua inglesa na quarta série e teve alguns pequenos empregos antes de ser recrutado para o exército colonial britânico por um oficial.

Exército colonial britânico Amin ingressou nos King's African Rifles (KAR), o exército colonial britânico, em 1946, como assistente de cozinheiro, recebendo treinamento militar até 1947. Mais tarde na vida, ele falsamente afirmou ter servido na Campanha da Birmânia durante a Segunda Guerra Mundial. Ele foi transferido para o Quênia para serviço de infantaria como soldado em 1947, servindo no 21º Batalhão do KAR, em Gilgil, no oeste do Quênia britânico, até 1949. Naquele ano, sua unidade foi enviada ao norte do Quênia para lutar contra os rebeldes somalis na Guerra de Shifta. Em 1952, sua brigada foi levada para lutar contra a Revolta dos Mau-Mau. Ele foi promovido a cabo no mesmo ano e depois a sargento em 1953.

Em 1959, Amin foi promovido a afande de segunda classe, a classificação mais alta possível para um africano negro no período colonial no exército britânico na época. Amin retornou para Uganda no mesmo ano e foi promovido a tenente em 15 de julho de 1961, tornando-se um dos primeiros dois ugandeses a se tornarem oficiais comissionados. Segundo o pesquisador Holger Bernt Hansen, a perspectiva, o comportamento e as estratégias de comunicação de Amin foram fortemente influenciados por suas experiências no exército colonial. Isso inclui seu estilo de liderança direta e prática, que acabaria por contribuir para sua popularidade entre certas partes da sociedade de Uganda.

Comando do exército ugandense Em 1962, após a independência de Uganda do Reino Unido, Amin foi promovido a capitão e então, em 1963, foi para major. Ele foi apontado segundo em comando no exército em 1964 e, no ano seguinte, se tornou comandante do exército ugandense. Em 1970, Amin foi oficialmente promovido a comandante-em-chefe das forças armadas.

Amin foi um atleta durante seu tempo no exército britânico e ugandês. Com 1,93m de altura e bastante musculoso, ele foi o campeão de boxe meio-pesado de Uganda de 1951 a 1960, bem como um bom nadador. Amin também foi um bom jogador de rúgbi,Cain, Nick and Growden, Greg "Chapter 21: Ten Peculiar Facts about Rugby" in Rugby Union for Dummies (2nd Edition), p294 (pub: John Wiley & Sons, Chichester, Inglaterra) embora um dos oficiais tivesse descrito ele assim: "Idi Amin é um tipo esplêndido e um bom jogador [de rúgbi], mas virtualmente apenas osso do pescoço pra cima e precisa que as coisas sejam explicadas em palavras de uma letra só". Na década de 1950, ele jogou pelo time Nile RFC.Cotton, p111 miniaturadaimagem|esquerda|Amin (centro-esquerda) como chefe do estado-maior do exército durante uma visita do Primeiro-ministro israelense Levi Eshkol (centro) em 1966.

Em 1965, o Primeiro-ministro Milton Obote e Amin foram implicados em um acordo para contrabandear marfim e ouro para Uganda da República Democrática do Congo. O acordo, mais tarde alegado pelo General Nicholas Olenga, um associado do ex líder congolês Patrice Lumumba, fazia parte de um acordo para ajudar as tropas que se opunham ao governo congolês a negociar marfim e ouro para o fornecimento de armas contrabandeadas secretamente para eles por Amin. Em 1966, o Parlamento da Uganda exigiu uma investigação. Obote impôs uma nova constituição abolindo a presidência cerimonial detida pelo Cabaca (rei) Mutesa II de Buganda e se declarou presidente executivo. Ele então promoveu Amin de coronel para comandante. Amin liderou tropas num ataque contra o palácio real e forçou Mutesa ao exílio no Reino Unido, onde ele permaneceu até sua morte em 1969.

Amin começou a recrutar para o exército membros das tribos Kakwa, Lubara, sudaneses do sul e outros grupos étnicos do Nilo Ocidental na fronteira com o Sudão do Sul. Os sudaneses do sul que residiam em Uganda desde o início do século XX, vinham do Sudão para servir ao exército colonial. Muitos grupos étnicos africanos no norte de Uganda habitavam Uganda e o Sudão do Sul; foi alegado na época que o exército de Amin consistia principalmente de soldados sul-sudaneses.

Tomada do poder

miniaturadaimagem|Milton Obote, o segundo presidente de Uganda, foi derrubado em um golpe de estado liderado por Amin em 1971.

Com o passar dos anos, uma rixa começou a surgir entre o general Amin e o presidente Obote, especialmente com o fato de que Amin estaria reconstruindo o exército ugandense com grupos étnicos do Nilo Ocidental, de onde ele descendia. Outro ponto de contenda foi o apoio do general a operações na rebelião no Sudão do Sul e sua falta de interesse na questão do atentado contra a vida de Obote em 1969. Em outubro de 1970, Obote assumiu o comando das forças armadas, rebaixando Amin de seu posto de comandante de todas as forças armadas para apenas a de líder do Exército de Uganda.

Após receber informações de que Obote planejava prende-lo por desviar fundos do exército, Amin decidiu remover o governo e deu um golpe de estado em 25 de janeiro de 1971, enquanto Obote estava fora do país atendendo uma reunião de líderes da Commonwealth em Singapura. Tropas leais a Amin assumiram o controle do Aeroporto Internacional de Entebbe e tomaram a capital Campala. Os soldados cercaram a residência de Obote e bloquearam as principais estradas e rodovias. Em uma transmissão na Rádio Uganda, Amin acusou o governo de Obote de corrupção e tratamento preferencial da região de Lango. Multidões aplaudindo foram relatadas nas ruas de Campala após essa transmissão. Amin se apresentou para o povo como um soldado e não um político, declarando que um governo militar havia sido estabelecido mas seria temporário, perdurando até que novas eleições livres fossem convocadas quando a situação na nação fosse normalizada. Ele ainda prometeu libertar todos os presos políticos. Inicialmente, Amin cumpriu parte dessas promessas, libertando vários prisioneiros e dando discursos de reconciliação. Nesse ponto, ele chegou até a participar de um funeral de estado ao falecido rei Edward Mutesa e lá ele prometeu retornar o país a democracia, algo que ele nunca o faria.

Presidência

Estabelecimento do regime militar miniaturadaimagem|esquerda|Amin em 1973 Em 2 de fevereiro de 1971, uma semana após assumir o poder, Amin se declarou Presidente de Uganda, comandante-em-chefe das forças armadas, chefe do estado-maior do exército e chefe da força aérea. Ele suspendeu várias provisões da constituição ugandense e logo instituiu um Conselho Consultivo de Defesa composto por oficiais militares, tendo ele mesmo como seu líder. Amin colocou tribunais militares acima das leis e cortes civis, apontando militares para posições no governo e para empresas e agências estatais, e informou o recém-empossado gabinete de ministros civis que eles estariam sujeitos a cortesia militar. Amin logo passou a governar por decreto, que não podiam ser revertidos por nenhum remédio legal.

Amin mudou o nome do palácio presidencial em Campala de Casa do Governo para "O Posto de Comando". Ele dissolveu a Unidade de Serviços Gerais (GSU), uma agência de inteligência criada pelo governo anterior, e a substituiu pelo Departamento de Pesquisa Estatal (SRB), que virou sua polícia secreta. O quartel-general do SRB ficava nos subúrbios de Campala, em Nakasero, se tornando um antro de torturas e execuções sumárias pelos próximos anos. Outras agências usadas para perseguir dissidentes incluíam a polícia militar e a Unidade de Segurança Pública (PSU).