Buíque é um município brasileiro do estado de Pernambuco. Está localizado a oeste do Recife, capital do estado, distante 285 km, acessível pela rodovia BR-232. Integra a mesorregião do Agreste Meridional e a microrregião do Vale do Ipanema.
O território de Buíque está situado sobre uma formação rochosa do período Cretáceo, com uma elevação de 798 metros acima do nível do mar, e ocupa uma extensão territorial de 1.336,544 km². Sua população é composta por 52.097 habitantes.
Topônimo Há várias hipóteses para a origem do nome do município. Alguns dizem que vem do tupi e significa “rio das cobras”, “lugar de cobras” ou “sal da terra” (em razão das minas de salitre da região). Os habitantes da cidade dizem que o nome vem de uma onomatopeia de uma trombeta dos indígenas da região.
História
Os Campos do Buíque, como a região do município originalmente era conhecida, eram habitados por indígenas como os Xukurus, Fulni-ôs e Kapinawás.
Entre 1658 e 1659, se iniciou o povoamento dos Campos do Buíque, quando o herói da Insurreição Pernambucana Nicolau Aranha Pacheco, junto com seu filho Antônio Fernandes Aranha e seu primo Ambrósio Antônio de Farias, recebeu do governador da Capitania de Pernambuco, André Vidal de Negreiros, duas sesmarias, uma na região dos Campos, no vale do rio Ipanema, e outra na região de Garanhuns.
Entre o final do século XVII e início do XVIII, houve um breve ciclo do salitre na região, mas não prosperou, devido aos resultados não esperados, condições de transporte precárias e distância do porto mais próximo, no Recife.
As terras do Sertão de Buíque foram divididas em vários proprietários, gerando vários minifúndios. Em uma dessas fazendas, a Lagoa, em 1753, Félix Paes de Azevedo, natural de Penedo, doou 100 braças de terras em louvor a São Félix de Cantalice, nas quais edificou-se uma capela em louvor a esse santo, em cujos arredores se formou a povoação de Buíque.
Em 1792, a povoação foi elevada à categoria de freguesia, subordinada à vila de Cimbres, sendo instalada em janeiro de 1793, com a posse do primeiro pároco, João Lourenço Paes Loulou, e confirmada pelo Alvará de 11 de dezembro de 1795. Em 1811, Buíque foi transferida para a nova vila de Garanhuns.
A Lei Provincial n.º 337, de 12 de maio de 1854, elevou Buíque à categoria de vila, com o nome de Vila Nova de Buíque, desmembrada de Garanhuns, sendo a nova entidade constituída das freguesias de Buíque e Águas Belas, esta última elevada à categoria de vila em 1871. A maior parte do território de Inajá também originalmente era parte da vila.
A vila foi elevada à categoria de sede de nova comarca pela Lei provincial nº 956, de 12 de julho de 1870, sendo instalada em 4 de abril de 1871, com a posse do seu primeiro juiz de direito, Dr. João Hircano Alves Maciel.
Em 1874, a Vila Nova de Buíque foi invadida por integrantes da Revolta do Quebra-Quilos.
A Lei Estadual nº 669, de 26 de maio de 1904, concedeu à Vila Nova de Buíque o título de cidade, tendo seu nome alterado para Buíque.
Ao longo da história republicana de Buíque, o município perdeu território para a criação das novas municipalidades de Gameleira (1929) e Tupanatinga (1963).
Em 2002, para a proteção do ecossistema da Caatinga local, foi criado, pelo Governo Federal, o Parque Nacional do Catimbau.
Geografia O território de Buíque, inserido no Agreste de Pernambuco, nas proximidades do Sertão, está principalmente situada na região geoambiental conhecida como Planalto da Borborema, caracterizada por formações de relevo elevado, como maciços e colinas, variando em altitudes entre 650 e 1000 metros. Essa formação abrange uma extensão que se estende desde o sul de Alagoas até o estado do Rio Grande do Norte.
A região é caracterizada pelo bioma predominante da caatinga, com precipitação pluviométrica média anual de 611,0 mm, concentrada entre os meses de março e julho. O relevo é forte, ondulado e o solo arenoso, pedregoso e rochoso. Além da Caatinga, também estão presentes os biomas Campos Rupestres, Mata Atlântica e Cerrado com Brejos de altitude, com vegetação de Florestas subcaducifólicas e caducifólicas.
No subsolo, há ocorrências minerais de bário, celestita, chumbo, cromo, estanho, estrôncio, ferro, fósforo, gesso, hematita, ouro, pirita, prata, quartzo leitoso e verde, talco e tório. No passado (1700), o salitre (nitrato de potássio) chegou a ser explorado a nível industrial, sendo extraído das rochas do Brejo de São José e Serra do Coqueiro.
Buíque faz fronteira ao Norte com Arcoverde e Sertânia; ao Sul com Águas Belas; a Leste com Pedra e a Oeste com Tupanatinga.
Compõem o município quatro distritos: Buíque (sede), Carneiro, Catimbau e Guanambi.
O município está incluído na área geográfica de abrangência do semiárido brasileiro, definida pelo Ministério da Integração Nacional em 2005. Esta delimitação tem como critérios o índice pluviométrico, o índice de aridez e o risco de seca.
Terras indígenas Localiza-se no município de Buíque a Terra Indígena Kapinawá, do povo Kapinawá, homologada pelo Decreto de 11.12.98 (veja o mapa). A terra indígena ocupa 12.403 ha. Desde 2003, o povo indígena têm como Chefe de Posto Expedito Macena Alves.Kapinawá. Instituto Socioambiental.Kapinawá. Povos Indígenas de Pernambuco. Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Etnicidade da Universidade Federal de Pernambuco.
Parque Nacional do Catimbau O Parque Nacional do Catimbau, popularmente conhecido como Vale do Catimbau, é uma unidade de conservação brasileira, criada em 13 de dezembro de 2002, que abrange partes dos municípios de Buíque, Ibimirim e Tupanatinga, na divisa entre o Agreste e o Sertão de Pernambuco. Com uma área de 62.294,14 hectares, o parque protege uma importante porção do bioma Caatinga, sendo o segundo maior parque arqueológico do Brasil.
O Vale do Catimbau é uma região de grande beleza cênica e valor histórico-cultural. Seus imponentes paredões rochosos exibem formas singulares e estão envoltos em um intenso misticismo. A área abriga uma grande diversidade de sítios arqueológicos, incluindo cavernas, cemitérios pré-históricos e pinturas rupestres que datam de pelo menos 6.000 anos atrás.
Economia Buíque: Economia Diversificada e Potencial Turístico A economia de Buíque, município pernambucano onde se situa parte do Parque Nacional do Catimbau, tem como base a agropecuária. No entanto, a cidade vem buscando diversificar suas atividades econômicas, investindo no turismo, impulsionado pelo clima ameno e pela beleza do Vale do Catimbau, na fruticultura e na pecuária, visando maior dinamismo e sustentabilidade.
Agropecuária Tradicional A produção agrícola local se concentra em culturas como feijão, milho e mandioca. Predomina a agricultura familiar, com baixo uso de tecnologia, o que resulta em uma produção mais voltada à subsistência. Já a pecuária, predominantemente semiextensiva, se baseia na criação de gado em pastagens nativas. Essa atividade, contudo, enfrenta desafios, como a escassez de água em períodos de estiagem, a falta de armazenamento adequado de forragem e a carência de mineralização do rebanho, o que impacta negativamente os rendimentos.
Turismo e Cultura Indígena como Oportunidades A presença da reserva indígena Kapinawá, adjacente ao Parque Nacional do Catimbau, enriquece o potencial turístico da região. Através dela, é possível ter acesso a elementos da cultura indígena já incorporados ao cotidiano local, como o artesanato em palha, as danças tradicionais do Toré e o ritmo contagiante do samba de coco.
Artesanato: Herança e Diversidade Além das manifestações culturais indígenas, Buíque se destaca pela produção de um rico artesanato. Utilizando fibras naturais como sisal, coco e ouricuri, além de palhas diversas e cipós, os artesãos locais criam uma grande variedade de peças. Entre elas, destacam-se os caçuás (cestas grandes utilizadas no transporte de produtos agrícolas no dorso de animais), cestos para pães e roupas, bolsas, chapéus, abanos, sandálias, chinelas, cordas, descansos para pratos, peneiras e peças decorativas. Essa produção artesanal representa não apenas uma fonte de renda, mas também a preservação de técnicas tradicionais e da identidade cultural da região.
Potencial de Crescimento Buíque possui um grande potencial de crescimento, combinando sua vocação agropecuária com as oportunidades emergentes no turismo ecológico e cultural. A valorização do artesanato, a promoção do Parque Nacional do Catimbau e a integração com a cultura indígena Kapinawá podem impulsionar o desenvolvimento local, gerando emprego, renda e qualidade de vida para a população. Além disso, investimentos em infraestrutura hídrica e assistência técnica aos produtores rurais são fundamentais para fortalecer a agropecuária e garantir a sustentabilidade das atividades econômicas do município.
Comércio Local miniaturadaimagem|275x275px|Igreja Matriz de São Félix de Cantalice, Buíque, 2024.
Panorama do Comércio de Buíque miniaturadaimagem|275x275px|Rua Dr. Manoel Borba, importante rua comercial de Buíque. O comércio de Buíque é uma parte importante da economia local e reflete as características de uma cidade de pequeno a médio porte do interior de Pernambuco. Ele é composto principalmente por pequenos e médios estabelecimentos, voltados para o atendimento das necessidades da população local e dos visitantes, especialmente aqueles atraídos pelo Parque Nacional do Catimbau.
Principais Segmentos do Comércio
Varejo Alimentício: Supermercados, mercadinhos, açougues, padarias e quitandas são essenciais para o abastecimento da população. Eles oferecem produtos básicos e, muitas vezes, itens da produção local. Lojas de Roupas e Calçados: O comércio varejista de vestuário também está presente, oferecendo opções para diferentes públicos e faixas de preço.
Farmácias e Drogarias: Como em qualquer cidade, farmácias são fundamentais para o acesso a medicamentos e produtos de higiene e beleza.
miniaturadaimagem|275x275px|Avenida Jonas Camelo, portal de entrada para o comércio de Buíque.
Lojas de Materiais de Construção e Agropecuária: Devido à importância da agropecuária para a região, lojas que vendem materiais de construção, ferramentas e insumos agropecuários também são relevantes para a economia local.
Lojas de Materiais de Construção e Agropecuária: Devido à importância da agropecuária para a região, lojas que vendem materiais de construção, ferramentas e insumos agropecuários também são relevantes para a economia local. Serviços: Bares, restaurantes, lanchonetes, salões de beleza, oficinas mecânicas, entre outros, compõem o setor de serviços, importante para a geração de empregos e renda. Artesanato: A venda de artesanato, especialmente aquele produzido com fibras naturais que reflete a cultura local e indígena, é uma atividade comercial importante, que também atrai turistas. A proximidade com a comunidade indígena Kapinawá impulsiona esse segmento. Hotéis e Pousadas: Oferecendo opções de hospedagem para visitantes e turistas. Comércio Informal: Assim como em muitas cidades brasileiras, o comércio informal também está presente em Buíque, com vendedores ambulantes e feiras livres.
Feira Livre de Buíque A feira livre é um elemento tradicional do comércio em Buíque e em muitas cidades do Nordeste. Nela, é possível encontrar uma grande variedade de produtos, desde frutas, verduras e legumes frescos, vindos diretamente dos produtores rurais, até roupas, calçados, utensílios domésticos e artesanato. A feira é um importante espaço de socialização e um ponto de encontro para a comunidade. A feira livre ocorre no Pátio da Feira, localizada na Avenida Airton Senna da Silva.
ACIB - Associação Comercial e Industrial de Buíque miniaturadaimagem|275x275px|Sede da Associação Comercial e Industrial de Buíque, 2024