Kratos é um personagem de jogos eletrônicos da franquia God of War, da Santa Monica Studio, que é baseado nas mitologias grega e nórdica. Kratos, também conhecido como "Fantasma de Esparta", apareceu pela primeira vez no jogo eletrônico de 2005, God of War, que levou ao desenvolvimento de mais oito jogos com o personagem como protagonista. Kratos também aparece como protagonista em quadrinhos e romances de God of War. O personagem foi dublado originalmente por Terrence C. Carson de 2005 à 2013, com Christopher Judge assumindo o lugar em God of War (2018). Antony Del Rio expressou e deu voz ao personagem quando criança em God of War: Ghost of Sparta. O personagem é dublado e expressado em português do Brasil por Ricardo Juarez em God of War: Ascension (2013), God of War (2018) e God of War Ragnarök (2022); e em português europeu por Ricardo Carriço em God of War III (2010), Ascension (2013), God of War (2018) e Ragnarök (2022).
Ao longo da era grega da série, Kratos embarca em várias aventuras na tentativa de evitar o desastre ou mudar seu destino. Ele geralmente era retratado como alheio a tudo e de natureza arrogante. Muitas vezes ele se envolveu em atividades moralmente ambíguas e realizou atos de extrema violência. Como um guerreiro espartano, ele se tornou o "Fantasma de Esparta" depois de acidentalmente matar sua família devido aos truques de Ares. Mais tarde, ele vinga a morte de sua família e se torna o deus da guerra depois de matar Ares. Posteriormente é revelado que ele é um semideus, o filho de Zeus, que mais tarde traiu Kratos. A vingança era o tema central da era grega, e cada título fornecia informações adicionais sobre as origens de Kratos e suas relações com sua família e os deuses do Olimpo. Na era nórdica da série, Kratos dá uma reviravolta para o bem e encontra-se controlando sua raiva e aprendendo a ser verdadeiramente pai de seu filho, Atreus, enquanto combate contra monstros e deuses do reino nórdico, dos quais fazem inimigos, o que leva a dupla a tentar impedir o Ragnarök.
A franquia God of War é um título emblemático para a marca PlayStation e Kratos é um dos seus personagens mais populares. O personagem foi bem recebido pelos críticos e se tornou um ícone dos videogames, um recém-chegado entre personagens de franquias mais estabelecidas, como Mario, Link, Sonic the Hedgehog e Lara Croft. O personagem está também associado a outros produtos e teve várias aparições em jogos de PlayStation fora da série God of War. alt=estátua de Kratos|miniaturadaimagem|estátua de Kratos
Conceito e design thumb|left|Arte conceitual inicial, retratando variações não utilizadas de Kratos (embora as variações tenham sido usadas mais tarde em God of War III como figurinos bônus)O criador e diretor de God of War (2005), David Jaffe, tentou criar um personagem que parecia brutal, mas não que se assemelha-se a um típico herói grego tradicional. O personagem não usaria uma armadura tradicional, pois Jaffe queria que ele fosse individualista. Embora a ideia de usar um personagem totalmente mascarado fosse aprovada, o conceito foi abandonado, pois o design parecia sem alma e carecia de uma personalidade definida. Alguns modelos incluíam elementos não convencionais, como retratar ele carregando uma criança nas costas, enquanto outros tinham detalhes excessivos, como cabelos e outras "coisas fluídas".
Charlie Wen, diretor de desenvolvimento visual de God of War (2005) e God of War II, foi responsável por projetar Kratos. Wen disse que sua direção para projetar Kratos foi influenciada tanto por filmes com temas semelhantes quanto pela cultura pop, o que o levou a esboçar uma série de imagens de Kratos em guardanapos de um restaurante, apresentando a ideia das lâminas duplas e eventualmente, o design icônico de Kratos. As lâminas duplas foram escolhidas como a arma de assinatura de Kratos porque enfatizavam a natureza do personagem, ao mesmo tempo em que permitiam que o combate permanecesse fluido. Jaffe disse sobre a versão final do personagem: "[Kratos] pode não se sentir totalmente em casa na Grécia Antiga do ponto de vista do figurino, eu acho que ele alcança um propósito maior que é dar aos jogadores um personagem que eles podem jogar e deixar enlouquecidos e desencadear as fantasias desagradáveis que eles têm em suas cabeças."'
A característica mais notável de Kratos é a sua pele branca como a cinza, um desenvolvimento da história que lhe dá o título de "Fantasma de Esparta". Outras características incluem uma cicatriz no olho direito e uma grande tatuagem vermelha que sai de seu olho esquerdo, circunda o tronco esquerdo e termina no ombro esquerdo. A tatuagem era originalmente azul, mas foi alterada em sua produção final. A cicatriz é finalmente revelada como sendo o resultado de um encontro de infância com o deus olímpico, Ares, enquanto a tatuagem é uma homenagem a seu irmão morto Deimos, que tinha marcas de nascimento semelhantes. Outras mudanças que ocorrem durante o curso da série incluem a adição temporária de armadura divina enquanto Kratos é o deus da guerra, uma cicatriz abdominal, uma armadura situada em seu ombro direito, chamada: Golden Fleece (God of War II e III) e as Botas de Hermes (God of War III). De acordo com um roteiro antigo de God of War, o personagem tem 1,98 m de altura.
A aparência de Kratos pode ser alterada em jogo bônus; completando o jogo em certos níveis de dificuldade e em modos de desafio irá desbloquear trajes bônus. Vários figurinos estavam disponíveis exclusivamente por meio de pré-venda e outras promoções (por exemplo, God of War III, que apresenta três figurinos baseados nos primeiros esboços do personagem) da PlayStation Store. Embora muitos trajes bônus sejam consistentes com os temas da história, outros são humorísticos ou farsescos - como o traje feminino "Athena" e o "Spud of War". 26 trajes bônus estão disponíveis para uso em toda a série e dois estão disponíveis em dois jogos, respectivamente ("God of War Armor" em God of War II e Ghost of Sparta e "Deimos" em Ghost of Sparta e God of War III).
Em God of War (2018), sendo a segunda era da franquia e baseado na Mitologia Nórdica, Cory Barlog explicou que Kratos teve que mudar seu ciclo de violência e aprender a controlar sua raiva. Ele disse que Kratos tinha tomado muitas decisões ruins, o que levou à destruição do Olimpo, e queria saber o que aconteceria se Kratos fizesse uma boa decisão. O nascimento do próprio filho de Barlog influenciou a ideia da mudança de caráter de Kratos. A série de televisão cancelada de Star Wars também foi uma influência. O vínculo entre Kratos e seu filho está no coração do jogo e Barlog disse: "Este jogo é sobre Kratos ensinando seu filho a ser um deus, e seu filho ensinando Kratos a ser humano novamente." Referenciando ao personagem da Marvel, Hulk, Barlog disse que em relação a Kratos, "Nós já contamos a história do Hulk. Queremos contar a história de Banner agora." Christopher Judge, mais conhecido como Teal'c de Stargate SG-1, substitui Terrence C. Carson como a voz de Kratos no jogo; Carson tinha expressado Kratos desde o God of War original. Comentando em resposta à mudança, Carson disse: "A Sony seguiu em uma nova direção".
Papel na franquia God of War Antecedentes e quadrinhos (passado) miniaturadaimagem|Kratos (à esquerda) e Deimos (à direita) quando crianças em um flashback de God of War: Ghost of Sparta. Ao longo da série, Kratos é retratado como um anti-herói, muitas vezes realizando ações questionáveis. Embora a história de fundo seja vista no primeiro God of War, a infância de Kratos é revelada em Ghost of Sparta e o nascimento de sua filha é explorado na série de quadrinhos God of War. Em Ghost of Sparta, é revelado que um oráculo havia predito que o desaparecimento do Olimpo não aconteceria pelas mãos dos Titãs - aprisionados após a Titanomaquia - mas sim por um mortal, um guerreiro marcante. Os olimpianos Zeus e Ares acreditavam que este guerreiro era Deimos, o irmão mais novo de Kratos, que tinha estranhas marcas de nascença. Ares interrompeu o treinamento infantil de Kratos e Deimos em Esparta e sequestrou Deimos. Kratos tentou parar Ares, mas Ares o arrastou para o lado e o marcou através do olho direito. Levado para o Domínio da Morte, Deimos foi preso e torturado por muitos anos pelo deus da morte, Tânato. Acreditando que Deimos estava morto, Kratos se marcou com uma tatuagem vermelha, idêntica à marca de nascença de seu irmão, para homenageá-lo.
Através de flashbacks da série em quadrinhos escrita por Marv Wolfman, Kratos se encontra com sua esposa Lysandra e eles têm uma filha chamada Calliope. Ao nascer, Calliope foi atingida por uma praga. A fim de salvar sua filha, Kratos foi concedido uma busca para encontrar a Ambrosia de Esculápio, um elixir com propriedades curativas mágicas. Cinco dos deuses entraram em uma aposta com Ares: cada um escolheu um campeão para procurar a Ambrosia com o campeão de Ares sendo Kratos. Kratos superou todos os obstáculos, incluindo, entre outros, o campeão de Hades, o Príncipe Bárbaro Alrik que eventualmente se tornou o Rei Bárbaro, e assim Kratos salvou sua filha.
Através de flashbacks em God of War, é revelado que Kratos se tornou o mais jovem capitão do exército de Esparta (também mostrado nos quadrinhos), mas tinha uma sede de poder. Quando Kratos foi confrontado com a derrota total nas mãos de uma horda bárbara liderada pelo Rei Bárbaro, o espartano clamou pela ajuda do deus Ares. Kratos recebeu as Lâminas do Caos, destruiu seus inimigos e seguiu cegamente Ares, matando centenas em seu nome. Depois que Ares enganou Kratos para assassinar sua esposa Lysandra e sua filha Calliope em um templo dedicado a Atena, o espartano ficou chocado com sua sede de sangue e renunciou ao serviço para Ares. Enquanto o templo queimava, um oráculo da aldeia amaldiçoou Kratos e condenou-o a usar a "marca de seu terrível ato"; as cinzas de sua família, que tornam sua pele branca, ganhando o título de "Fantasma de Esparta".
Ascension, Chains of Olympus, e God of War (2005)
Em Ascension, é revelado que porque Kratos renunciou a Ares, ele quebrou seu juramento de sangue ao deus e, como tal, Kratos foi preso e torturado pelas três Fúrias. Ele foi ajudado pelo guardião de juramento Orkos e acabou vencendo e matando as Fúrias. A fim de ficar completamente livre do juramento de Ares, Kratos foi forçado a matar Orkos, que implorou a Kratos para fazer isso. Embora livre de seu juramento ao deus, ele foi inundado com memórias de matar sua família. Ele então prometeu servir os outros deuses para receber perdão e alívio dos pesadelos de seus atos passados, mas ele era abertamente desafiador.
Em Chains of Olympus, Kratos estava relutante em ajudar os deuses quando Hélio foi sequestrado, e abertamente abandonou-os quando Perséfone ofereceu a ele uma chance de se reunir com sua filha. Kratos, no entanto, foi forçado a reverter sua decisão quando Perséfone usou o Titã Atlas em uma tentativa de destruir o mundo e, por sua vez, o espírito de Calliope. Sabendo que, enquanto a intervenção salvaria Calliope, isso o separaria de sua família para sempre, um amargo Kratos matou Perséfone, aprisionou Atlas e libertou Hélio.