Carl Gustav Hempel (Oranienburgo, 8 de janeiro de 1905 — Princeton, Nova Jérsei, 9 de novembro de 1997) foi um escritor e filósofo alemão. Ele foi uma figura importante no empirismo lógico, um movimento do século XX na filosofia da ciência. Ele é especialmente conhecido por sua articulação do modelo nomológico dedutivo de explicação científica, que foi considerado o "modelo padrão" de explicação científica durante as décadas de 1950 e 1960. Ele também é conhecido pelo paradoxo do corvo (também conhecido como "paradoxo de Hempel").
Educação Hempel estudou matemática, física e filosofia na Universidade de Göttingen e, posteriormente, na Universidade de Berlim e na Universidade de Heidelberg. Em Göttingen, ele encontrou David Hilbert e ficou impressionado com seu programa que tentava basear toda a matemática em sólidos fundamentos lógicos derivados de um número limitado de axiomas .
Depois de se mudar para Berlim, Hempel participou de um congresso sobre filosofia científica em 1929, onde conheceu Rudolf Carnap e se envolveu no Círculo de Berlim de filósofos associados ao Círculo de Viena . Em 1934, ele recebeu seu doutorado na Universidade de Berlim com uma dissertação sobre teoria da probabilidade , intitulada Beiträge zur logischen Analyze des Wahrscheinlichkeitsbegriffs (Contribuições para a análise lógica do conceito de probabilidade). Hans Reichenbach foi o principal orientador de doutorado de Hempel, mas depois que Reichenbach perdeu sua cadeira de filosofia em Berlim em 1933,Wolfgang Köhler e Nicolai Hartmann se tornaram os supervisores oficiais.Carl G. Hempel, Selected Philosophical Essays , Cambridge University Press, 2000, p. viii.
Carreira Um ano depois de completar seu doutorado, o regime nazista cada vez mais repressivo e anti-semita na Alemanha levou Hempel a emigrar - sua esposa era de ascendência judia"Carl Hempel "Scientific Inquiry: Invention and Test"". First Philosophy: Fundamental Problems and Readings in Philosophy, Volume 2 (2nd ed.). Peterborough, Ontario: Broadview Press. p. 206. ISBN 978-1-55111-973-1. - para a Bélgica. Para isso, foi auxiliado pelo cientista Paul Oppenheim, com quem foi co-autor do livro Der Typusbegriff im Lichte der neuen Logik sobre tipologia e lógica em 1936. Em 1937, Hempel emigrou para os Estados Unidos, onde aceitou o cargo de Assistente de Carnap na Universidade de Chicago. Posteriormente, ele ocupou cargos no City College of New York (1939–1948), Yale University (1948–1955) e a Universidade de Princeton, onde lecionou ao lado de Thomas Kuhn e permaneceu até ser emérito em 1973. Entre 1974 e 1976, ele foi emérito na Universidade Hebraica de Jerusalém antes de se tornar professor universitário de filosofia na Universidade de Pittsburgh em 1977 e lecionando lá até 1985. Em 1989, o Departamento de Filosofia da Universidade de Princeton renomeou sua Série de Três Palestras como 'Palestras Carl G. Hempel' em sua homenagem.
Ao longo de sua carreira, Hempel ocupou diversas posições de destaque na filosofia acadêmica. Foi eleito membro da Academia Americana de Artes e Ciências, da Sociedade Filosófica Americana, da Academia Britânica e da Academia Nacional dos Lincei, na Itália. Também presidiu a Divisão Ocidental da Associação Filosófica Americana. Em Princeton, além da docência, exerceu durante décadas a função de diretor dos estudos de pós-graduação em filosofia, contribuindo para consolidar o programa entre os mais prestigiados dos Estados Unidos. Na universidade, lecionou também no Programa de História e Filosofia da Ciência ao lado de Charles Gillispie e Thomas Kuhn.GONÇALVES, Sérgio Campos. "A Ciência Universal de Carl Gustav Hempel". In: OHARA, João (org.). Da Explicação à Narrativa. 2021, p. 27–28.
Visões filosóficas Hempel nunca adotou o termo "positivismo lógico" como uma descrição precisa do Círculo de Viena e do Grupo de Berlim, preferindo descrever esses filósofos - e a si mesmo - como "empiristas lógicos". Ele acreditava que o termo "positivismo", com suas raízes em Auguste Comte, invocava uma metafísica materialista que os empiristas não precisam abraçar. Ele considerava Ludwig Wittgenstein como um filósofo com um gênio para enunciar insights filosóficos em uma linguagem notável e memorável, mas acreditava que ele (ou, pelo menos, o Wittgenstein do Tractatus) fez afirmações que só poderiam ser sustentadas pelo recurso à metafísica. Para Hempel, a metafísica envolvia afirmações de conhecer coisas que não eram cognoscíveis; isto é, as hipóteses metafísicas eram incapazes de confirmação ou desconfirmação por evidências.
Hempel sustentava que a explicação científica deveria satisfazer critérios de determinância sintática, relevância semântica e utilidade pragmática. Ao longo de sua obra, procurou mostrar que conceitos científicos exigem formulações suficientemente precisas para evitar ambiguidades e possibilitar sua confirmação empírica.HEMPEL, Carl G. "Deductive-Nomological vs. Statistical Explanation". In: FEIGL, Herbert; MAXWELL, Grover (eds.). Scientific Explanation, Space and Time. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1962.
Na filosofia da história, Hempel argumentou que as explicações históricas também recorrem, explícita ou implicitamente, a leis gerais. Em seu ensaio The Function of General Laws in History (1942), defendeu que os acontecimentos históricos podem ser explicados mediante sua subsunção a regularidades empíricas, tese que desencadeou amplo debate entre filósofos e historiadores e influenciou o posterior desenvolvimento das abordagens narrativistas em teoria da história.HEMPEL, Carl G. "The Function of General Laws in History". The Journal of Philosophy, v. 39, n. 2, 1942.
Contribuições para a filosofia da ciência
Hempel foi um dos principais representantes do empirismo lógico e dedicou grande parte de sua obra à investigação dos critérios de cientificidade e da estrutura lógica das explicações científicas. Seu trabalho buscou formular uma concepção geral da explicação capaz de ser aplicada a todos os campos da ciência, naturais e sociais.GONÇALVES, Sérgio Campos. "A Ciência Universal de Carl Gustav Hempel". In: OHARA, João (org.). Da Explicação à Narrativa. 2021, p. 28–34.
Em parceria com Paul Oppenheim, desenvolveu o modelo dedutivo-nomológico de explicação, também conhecido como modelo da "lei de cobertura" (covering law model). Segundo essa proposta, um fenômeno é cientificamente explicado quando pode ser deduzido de leis gerais juntamente com condições iniciais específicas. Nessa perspectiva, teorias científicas organizam e sistematizam enunciados empíricos dispersos, permitindo explicar e prever acontecimentos.HEMPEL, Carl G.; OPPENHEIM, Paul. "Studies in the Logic of Explanation". Philosophy of Science, v. 15, n. 2, 1948.
Hempel também distinguiu as ciências empíricas das disciplinas não empíricas, como a lógica e a matemática. Para ele, as primeiras dependem de evidências obtidas por observação, experimentação, documentos, entrevistas ou outros procedimentos empíricos, enquanto as segundas fundamentam-se em demonstrações formais.HEMPEL, Carl G. Philosophy of Natural Science. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1966.
Outro aspecto central de sua filosofia foi a defesa da unidade metodológica da ciência. Hempel argumentava que tanto as ciências naturais quanto as ciências sociais compartilham princípios lógicos comuns e que as diferenças entre elas decorrem principalmente da natureza de seus objetos de investigação, e não de métodos essencialmente distintos.GONÇALVES, Sérgio Campos. "A Ciência Universal de Carl Gustav Hempel". In: OHARA, João (org.). Da Explicação à Narrativa. 2021, p. 30–34.
Legado Em 2005, a cidade de Oranienburg , local de nascimento de Hempel, rebatizou uma de suas ruas como "Carl-Gustav-Hempel-Straße" em sua memória.
Bibliografia
Trabalhos principais
1936: "Über den Gehalt von Wahrscheinlichkeitsaussagen" and, with Paul Oppenheim, "Der Typusbegriff im Licht der neuen Logik" 1942: The Function of General Laws in History 1943: Studies in the Logic of Confirmation 1948: Studies in the Logic of Explanation (com Paul Oppenheim) 1952: Fundamentals of Concept Formation in Empirical Science 1959: The Logic of Functional Analysis 1962: Explanation in Science and in History 1962: Deductive-Nomological vs. Statistical Explanation 1965: Aspects of Scientific Explanation 1966: Philosophy of Natural Science 1967: Scientific Explanation
Coleções de ensaios
Aspects of Scientific Explanation and Other Essays (1965), . Selected Philosophical Essays (2000), . The Philosophy of Carl G. Hempel: Studies in Science, Explanation, and Rationality (2001), .
Artigos
″On the Nature of Mathematical Truth" and ″Geometry and Empirical Science″ (1945), American Mathematical Monthly, issue 52. Articles in Readings in Philosophical Analysis (pp. 222–249), edited by Herbert Feigl and Wilfrid Sellars (Appleton-Century-Crofts, Inc., 1949).
Ver também Paradoxo do corvo Referências
Categoria:Alemães expatriados nos Estados Unidos Categoria:Alunos da Universidade de Göttingen Categoria:Alunos da Universidade de Heidelberg Categoria:Alunos da Universidade Humboldt de Berlim Categoria:Doutores honoris causa da Universidade Livre de Berlim Categoria:Filósofos da Alemanha Categoria:Professores da Universidade de Chicago Categoria:Professores da Universidade de Princeton Categoria:Professores da Universidade Hebraica de Jerusalém Categoria:Professores da Universidade de Pittsburgh Categoria:Professores da Universidade Yale Categoria:Filósofos da ciência