A amazofonia, ou dialeto nortista, é uma variação sociolinguística regional (ou geolinguística) do português formal brasileiro (não reconhecido oficialmente), que é empregada por boa parte dos habitantes da região amazônica. A maioria dos habitantes da Região Norte do Brasil, em cinco dos nove estados brasileiros da Amazônia Legal, principalmente nas duas maiores cidades (Manaus e Belém). Apresenta forte influência indígena e portuguesa como a conjugação em segunda pessoa e "s" chiado. Vale ressaltar que o dialeto nortista tem forte influência do português "padrão" europeu sendo até mesmo colocado como o sotaque brasileiro mais próximo ao português falado em Portugal devido ao isolamento do norte com o resto do Brasil e conexão histórica com Portugal
Cabe ressaltar que a Cabeça do Cachorro amazônica é falante de uma língua própria, o nheengatu, e o sul e sudeste da região amazônica o dialeto da serra amazônica (ou arco do desflorestamento ou sotaque dos migrantes).
Regiões Este dialeto é empregado nas seguintes regiões e estados: Acre; Amazonas; Roraima; Amapá, e; parte do Pará, excluindo-se a região de Carajás.
História A história peculiar da ocupação da Amazônia pelos indígenas, em seguida portugueses e, depois nordestinos, resultou em uma composição própria sociolinguística (regional), o dialeto nortista ou amazofonia. Essa miscigenação histórica contribui para a existência de muitos termos/expressões amplamente usado na região, que formaram a identidade amazônida e a unidade histórico-cultural. O dialeto nortista também é marcado por forte influência do português Lusitano devido a uma colonização forte portuguesa e o isolamento do resto do Brasil tendo o norte do Brasil uma conexão histórica com Portugal sendo até colocado em pesquisas como a região do Brasil com maior influência portuguesa. Na época a provincia do Grão - Pará foi o último a aderir a independência do Brasil devido a uma idetificação ainda muito presente com Portugal afetando a cultura da região e automaticamente o dialeto nortista. O Grão - Pará era toda a região norte atual do Brasil na época.
Os dialetos regionais, em especial os dialetos amazônidas, não são oficialmente reconhecidos pelo governo do Brasil, pois durante a história tentou combater as variações linguísticas no país, com a imposição de uma "fala correta", fomentando uns preconceitos linguísticos.
Dialeto tradicional Este dialeto é considerado brando (à exceção da letra "s") pois tem poucos vícios de linguagens comparado aos outros dialetos brasileiros, modo de falar herdado dos portugueses. Dentre as características principais desta variedade, destacam-se: o uso adequado da norma culta, a conjugação verbal com o pronome de tratamento na segunda pessoa do singular "tu", por exemplo: "tu fizeste", "tu és", "tu foste", "tu chegaste"; a realização fonética do "r" e do "s" em coda silábica (rima) que se assemelha àquela observada no dialeto carioca; a palatalização das consoantes dentais (/d/, /l/, /n/ e /t/) diante de [i], [ĩ] (por exemplo, galinha [gaˈʎĩɲɐ], com o l possuindo o som de lh, ou bonito [buˈɲitʊ], com o n possuindo o som de nh); em alguns municípios, também ocorre o alçamento da vogal média/tônica /o/ para uma vogal alta [u] (por exemplo, grosso [ˈgɾusʊ]); este alçamento existe também em outros dialetos do português, mas apenas em sílabas átonas e não nas tônicas. termos da língua tupi, herança indígena ancestral, como por exemplo "carapanã" e "igarapé"; modo de falar mais anasalada.
Para pessoas de outras regiões, esse sotaque pode soar como sotaque carioca, porém existem diferenças primordiais, como: não há palavras gingadas; quase não existe o emprego de você, salvo as formalidades; não ocorre a substituição da fricativa pós-alveolar em coda ([ʃ] ou [ʒ], ortograficamente s) por uma fricativa velar ([x], o som da letra r em coda), à diferença daquilo que se observa no dialeto carioca (em que, por exemplo, mesmo pode ser pronunciado como mermo); as consoantes /l/ e /n/ se palatalizam a [ʎ] e [ɲ] diante de [i], [ĩ]; a nasal palatal nh /ɲ/ se realiza sempre com uma oclusão completa no ponto de articulação palatal, em contraste a muitos outros dialetos do português, em que comumente ocorre uma realização aproximante da mesma consoante ([j̃]); tende-se a usar mais próclises do que ênclises. som chiado do S com som de X: como por exemplo nas palavras "mesmo" e "folhas".
A explicação para a composição e a formação desse sotaque é histórica: devido a forte colonização portuguesa na região Norte, em diversas vezes ao longo da história, além de um contato muito forte luso-indígenaPereira, D. R.; Oliveira, J. S.; Carriel, L. M.; Costa, L. H. L.; Mota, T. D. Sociolingúitica. Licenciatura em letras - língua portuguesa e espanhola. Instituto Federal de São Paulo. 2019. e a pouca influência linguística de outros povos. Sendo um sotaque empregado em quase toda a região amazônica. Unido com o dialeto nordestino, formam a base do português brasileiro setentrional.
Variantes São seis os principais sub-dialetos da amazofonia: Cametaês: sub-dialeto utilizado na região da cidade de Cametá, e algumas regiões da Ilha de Marajó. O sotaque é marcado por forte influência do português europeu, do francês e influências indígenas e caracterizado pelo s chiado e a troca constante do o pelo u que é herança do português europeu. Metropolitano amazônico ou dialeto tradicional: falado principalmente nas regiões metropolitanas de Belém e Manaus sotaque muito próximo ao de Portugal. ARAÚJO, Aluiza Alves de. Rev. de Letras - Vol. 30 - 1/4 - jan. 2010/dez. 2011 - Fortaleza, Universidade Federal do Ceará Caracterizado principalmente pelo não uso do pronome de tratamento "você", que é substituído por "tu", como por exemplo "tu fizeste" e "tu chegaste", e caracterizado também pela omissão do pronome, como por exemplo "fizeste isso?" e "chegaste bem?". Bragantinês: falado nas regiões das cidades de Bragança, Capanema e, Capitão Poço. Acreanês: sub-dialeto utilizado na zona fronteiriça acreana com a Bolívia, que possui alguma influência do espanhol camba boliviano, do franco-criolo haitiano e, das línguas indígenas; explicitamente, em Brasiléia e Plácido de CastroKarlberg, Luísa Galvão Lessa. Atlas etnolinguístico do Acre – ALAC: fronteiras léxicas. Rio Branco: Edufac, 2018. - Seringueiros da Amazônia, Universidade de São Paulo (USP), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Departamento de Geografia Amapaês ou oiapoquês: com mais falantes ao norte do estado, que está sob influência do franco-guianense;Professores lançam o Atlas Linguístico do Amapá nesta sexta-feira, dia 4. UFPA. 1 de agosto de 2017. Roraimês: com influência do espanhol guaianês em função da forte migração venezuelana, sendo a zona de variante mais nova da amazofonia.Dialeto roraimense vai ganhar dicionário próprio com expressões típicas. Bom Dia Amazônia – RR. 5 de outubro de 2021.
Léxicos Alguns termos e expressões, com o respectivo significado:
Ver também Projeto GeoLinTerm Dialeto da costa norte
Bibliografia
Ligações externas Atlas Geo-Sociolingüístico do Pará
Categoria:Dialetos da língua portuguesa Categoria:Amazônia Categoria:Cultura do Acre Categoria:Cultura do Amazonas Categoria:Cultura de Roraima Categoria:Cultura do Amapá Categoria:Cultura do Pará Categoria:!Wikiconcurso Justiça Climática e Amazônia (artigos)