George Ledyard Stebbins, Jr. (Lawrence, Nova Iorque, — ) foi um botânico e geneticista estadunidense.
É reconhecido como um dos mais importantes biólogos evolucionistas e botânicos do século XX.Yoon C. K. January 21 2000. Ledyard Stebbins, 94, Dies; Applied Evolution to Plants. New York Times, Section B, Page 9 Stebbins recebeu o seu doutoramento (Ph.D.) em botânica, pela Universidade de Harvard, em 1931. Frequentou a Universidade da Califórnia onde conjuntamente com o trabalho de E. B. Babcock, sobre a evolução genética de espécies de plantas, levou-o a desenvolver uma síntese compreensiva de evolução das plantas baseada na genética.
A sua obra mais importante foi Variation and Evolution in Plants, que abordava a genética e a teoria da selecção natural de Darwin, com vista a descrever a especiação em plantas. Esta obra é vista como uma obra chave que formou o corpo da síntese evolutiva moderna e ainda fornece um enquadramento conceptual no que diz respeito à investigação em biologia evolutiva de plantas. De acordo com Ernst Mayr:
Stebbins também pesquisou e escreveu intensamente sobre o papel da hibridação e poliploidia na especiação e na evolução das plantas: o seu trabalho nesta área teve uma influência duradoura na investigação neste campo.
A partir de 1950, o papel de Stebbins foi fundamental no estabelecimento do Departamento de Genética da Universidade da Califórnia. Foi também activo em numerosas organização envolvidas na promoção da evolução e da ciência em geral. Foi eleito para a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos da América (National Academy of Science) e foi condecorado com a Medalha Nacional de Ciência (National Medal of Science). Esteve envolvido no desenvolvimento de conteúdos programados relacionados com evolução, para escolas da região da Califórnia, assim como no desenvolvimento de programas de conservação de espécies raras daquele estado.
Primeiros passos Stebbins nasceu em St. Lawrence County, Nova Iorque. Era o mais novo de três irmãos. Os seus pais foram George Ledyard Stebbins, que desenvolvia trabalho na área financeira (ajudou a desenvolver Mount Desert, em Maine e a estabelecer o Parque Nacional de Acadia), e Edith Alden Candler Stebbins. Ambos eram naturais de Nova Iorque e frequentavam a Igreja Episcopal dos Estados Unidos da América. Stebbins era tratado pelo nome de Ledyard, para o distinguir do seu pai. A família encorajava o interesse dos filhos pelos temas de história natural durante as suas viagens a Seal Harbor. Em 1914, Edith contraiu tuberculose e a família Stebbins mudou-se da Santa Barbara, na Califórnia, para que pudesse ter melhoras. Na Califórnia, Stebbins entrou para o colégio Cate School, na cidade de Carpinteria. Após o fim da sua formação, optou por prosseguir os estudo na área de política, em Harvard. Já no terceiro ano do curso, decidiu embarcar na área da botânica.Raven, P. H. 2000. G. Ledyard Stebbins (1906–2000): An appreciation. Proceedings of the National Academy of Sciences 97:6945-6946
direita|miniatura|200px|A espécie Antennaria pantaginifolia foi um dos organismos utilizados por Stebbins para a sua dissertação de doutoramento.
Stebbins iniciou os seus estudos universitários em Harvard no ano de 1928, trabalhando inicialmente na taxonomia de plantas com flor e em biogeografia (em particular da região de Nova Inglaterra), juntamente com Merritt Lyndon Fernald. Continuou os seus estudos graduados, tendo obtido o grau de Master of Arts, em 1929, e continuando o seu trabalho com vista ao Ph.D.. Começou a ter interesse em utilizar cromossomas para estudos taxonómicos, um método que Fernald não apoiava. Stebbins escolheu concentrar o seu trabalho doutoral na citologia dos processos reprodutivos no género Antennaria. O citologista E. C. Jeffrey e Fernald, ficaram como supervisores. Durante a candidatura ao doutoramento, Stebbins procurou os conselhos e o supervisionamento do geneticista Karl Sax. Sax identificou diversos erros no trabalho de Stebbins e não aprovou a sua interpretação dos resultados que, ainda que estivessem de acordo com a visão de Jeffrey, eram inconsistentes com o trabalho dos geneticistas contemporâneos. Jeffrey e Sax arguiram sobre a dissertação de Stebbins, tendo ela sofrido revisões por numerosas vezes para acomodar as suas diferentes visões.Smocovitis, V. B. 1997. G. Ledyard Stebbins, Jr. and the evolutionary synthesis (1924 - 1950). American Journal of Botany 84:1625-1637
O doutoramento de Stebbins foi concedido em Harvard, no ano de 1931. Em Março desse mesmo ano casou-se com Margaret Chamberlin, com quem teve três filhos. Em 1932, ocupou a posição de professor na Universidade de Colgate. Continuou então os seus estudos em citogenética, em particular os estudos genéticos em Antennaria, começando também a estudar o comportamento cromossómico em híbridos de Paeonia, cultivados pelo biólogo Percy Saunders. Saunders e Stebbins participaram, em 1932, no Congresso Internacional de genética, em Ithaca, Nova Iorque. Nesse congresso, o interesse de Stebbins voltou-se para as palestras de Thomas Hunt Morgan e Barbara McClintock, que dissertaram sobre recombinação cromossómica. Stebbins reproduziu as experiências de McClintock, no género Paeonia, tendo publicado posteriormente vários trabalhos sobre aspectos da citogenética deste género botânico. Estes trabalhos acabaram por estabelecer a sua reputação como geneticista.
Universidade de Berkeley direita|miniatura|200px|O importante trabalho de Stebbins e Babcock sobre a formação de espécies vegetais incidiu na poliploidia e especiação no género Crepis. C. sibirica, aqui mostrada, foi a espécie que ele examinou.
Em 1935, foi oferecido a Stebbins um lugar como investigador em genética na Universidade de Berkeley em apoio ao trabalho do geneticista E. B. Babcock. Babcock necessitava de assistência para um projecto financiado pela Fundação Rockefeller, com vista a caracterizar a genética e os processos evolutivos de plantas do género Crepis, estando também interessado em promover este género botânico num organismo modelo, possibilitando investigações genéticas similares às que já se faziam com a espécie Drosophila melanogaster. Tal como o género que Stebbins havia já estudado, o género Drosophila também apresentava hibridação frequente, poliploidia e podia produzir sementes sem fertilização (um processo chamado de apomixia). O trabalho conjunto de Stebbins e Babcock produziu inúmeros trabalhos apresentados em revistas científicas e duas monografias. A primeira monografia, publicada em 1937, teve como resultado a separação das espécies asiáticas do género Crepis para o género Youngia. A segunda, publicada em 1938, era intitulada The American Species of Crepis: their interrelationships and distribution as affected by polyploidy and apomixis (As espécies americanas de Crepis: as suas inter-relações e distribuições como resultado da poliploidia e apomixia).
Na monografia dedicada às espécies americanas de Crepis, Babcock e Stebbins descrevem o conceito de complexo poliploide e o seu papel no processo de evolução das plantas. Alguns géneros, como o citado atrás, têm um complexo de formas reprodutivas centradas em populações sexualmente diploides que poderão também originar populações poliploides. Babcock e Stebbins também observaram que formas alopoliploides que resultavam de duas espécies diferentes, tinham uma distribuição geográfica maior do que as formas diploides ou autotetraploides e propuseram que os poliploides formados através de hibridação teriam um potencial maior para explorar ambientes variados porque herdavam as características de ambos os progenitores. Também mostraram que a hibridação no complexo poliploide poderia fornecer um mecanismo de troca genética entre espécies poliploides que, de outra maneira, não poderiam se cruzar. Estas observações ofereceram uma perspectiva sobre a formação de espécies e sobre como estes complexos poderiam dar informação sobre a história/filogenia de um género botânico. Esta monografia foi descrita, pelo botânica sueco Åke Gustafsson, como um dos mais importantes trabalhos sobre o processo de formação de espécies, durante a época em que foi lançado.Gustafsson, Å. 1946–1947. Apomixis in higher plants. C. W. K. Gleerup, Lund. thumb|right|240px|O Triângulo de U mostra como a hibridação e a poliploidia deram origem a novas espécies no género Brassica. Crmossomas de cada um dos genomas A, B e C são representados em diferentes cores. A figura mostra a origem das espécies AABB, AACC e BBCC, que têm cromossomas parentais AA, BB e CC Num artigo publicado em 1940 na revista American Naturalist e denominado The significance of polyploidy in plant evolution, foi mostrada, a partir de trabalho efectuado em poliploides artificiais e em complexos poliploides selvagens, a importância da poliploidia no desenvolvimento de grandes e complexos géneros botânicos e de ampla distribuição geográfica. No entanto, olhando para a história de poliploidia em famílias de plantas, Stebins argumentou que a poliploidia era apenas comum em plantas herbáceas perenes e infrequente em plantas lenhosas e anuais. Os poliploides desempenhariam um papel conservativo na evolução uma vez que os problemas com a fertilidade preveniriam a aquisição e replicação de novo material genético que poderiam levar a uma nova linha de evolução.Stebbins, G. L., Jr. 1940. The significance of polyploidy in plant evolution. The American Naturalist 74:54-66 Este trabalho continuou com o artigo de 1947 denominado Types of polyploids: their classification and significance, onde era exposto um sistema detalhado de classificação dos poliploides e descrevia as ideias de Stebbins sobre o papel da poliploidia na evolução das angiospérmicas. Neste grupo botânico, Stebbins argumentava que o número de cromossomas seria uma ferramenta importante para a construção de filogenias.Stebbins, G. L. 1947. Types of polyploids: their classification and significance. Advances in Genetics. 1:403-429 Os artigos aqui relatados tiveram grande influência e providenciaram as bases para o desenvolvimento de novos e mais aprofundados estudos acerca do papel da poliploidia na evolução.
Em 1939, com o apoio de Babcock, Stebbins tornou-se full professor no Departamento de Genética da Universidade de Berkeley, isto após a Departamento de Botânica ter falhado na sua promoção. Foi requerido que Stebbins leccionasse um curso sobre evolução e durante a preparação do mesmo, ficou entusiasmado com a pesquisa contemporânea que combinava genética e evolução. Ficou associado a um grupo denominado Bay Area Biosystematists (biossistematas de Bay Area), que incluía o botânico Jens Clausen, o taxonomista David D. Keck, o fisiologista William Hiesey e o geneticista evolucionário Theodosius Dobzhansky. Com o encorajamento deste grupo de cientistas, Stebbins direccionou a sua pesquisa para o ramo da evolução. Juntou-se, em 1946, à Sociedade para o Estudo da Evolução (Society for the Study of Evolution), sendo um dos poucos botânicos que estavam envolvidos com esta então nova organização.
A sua pesquisa sobre evolução das plantas também progrediu durante este período: trabalhou em genética de ervas de forragem, procurando por poliploidia e evolução em Poaceae, tendo publicado numerosos artigos sobre estes assuntos durante os anos 1940. Produziu uma planta herbácea, artificial e autotetraploide, a partir da espécie diploide Ehrharta erecta, através do uso de colchicina (agente duplicador de cromossomas). Teve sucesso em estabelecer essa planta no campo e, após 39 anos de pesquisa, demonstrou que o autotetraploide não era tão bem sucedido num ambiente estável como o seu progenitor diploide.Stebbins, G. L. 1985. Polyploidy, Hybridization, and the Invasion of New Habitats. Annals of the Missouri Botanical Garden 72:824-832
Variation and Evolution in Plants