Teresópolis é um município brasileiro localizado no interior do estado do Rio de Janeiro, a aproximadamente 94 km da capital estadual. Inserido na Serra Fluminense, integra a Região Geográfica Intermediária de Petrópolis e possui área total de pouco mais de 770 km², dos quais cerca de 54 km² correspondem à zona urbana. Com elevação de 871 metros, é o município mais alto do estado. Sua população segundo o censo de 2022 do IBGE é de habitantes.

A ocupação do território antecede a chegada dos colonizadores europeus, sendo originalmente habitado por grupos indígenas como Puris e Tamoios. A região também foi utilizada como rota e refúgio por negros que escapavam das plantações da Baixada Fluminense, processo associado à formação de agrupamentos resistentes na Serra, entre eles o Quilombo da Serra, considerado pela historiografia como o primeiro núcleo populacional local.

O avanço do povoamento consolidou-se a partir do século XIX, quando o comerciante luso-britânico George March adquiriu terras na área onde atualmente se localiza o bairro do Alto e instalou a Fazenda Santo Antônio, situada no caminho entre o Rio de Janeiro e a então Província de Minas Gerais. A fazenda tornou-se ponto de apoio para tropeiros e viajantes, favorecendo o crescimento do distrito de Santo Antônio de Paquequer. A emancipação municipal ocorreu em 6 de julho de 1891, por decreto do governador Francisco Portela, desmembrando o território de Magé. A implantação da ferrovia com ligação direta à capital, posteriormente substituída pela rodovia, impulsionou o desenvolvimento econômico e urbano de Teresópolis.

O município é caracterizado pelo relevo montanhoso e pela presença de unidades de conservação de relevância nacional, como o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o Parque Estadual dos Três Picos e o Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis. Sua economia e identidade cultural estão fortemente associadas ao turismo, com destaque para atividades ao ar livre, infraestrutura hoteleira e eventos. Teresópolis também abriga o Centro de Treinamento da Seleção Brasileira de Futebol, uma tradicional feira de artesanato com mais de 700 expositores e bens de interesse histórico e arquitetônico, como a Matriz de Santa Teresa, a Igreja de Santo Antônio do Paquequer, o Palacete Granado, o Palácio Teresa Cristina, o Mirante da Granja Guarani e a Fonte Judith.

Etimologia O nome "Teresópolis" é formado pela junção do antropônimo "Teresa" com o termo de origem grega pólis, significando, portanto, “cidade de Teresa”. Trata-se de uma homenagem à imperatriz brasileira Teresa Cristina, esposa do Imperador D. Pedro II.

História Origens e povoamento Antes da chegada dos primeiros portugueses à região de Magé, no século XVI, o território era ocupado por indígenas dos grupos Timbira, Tamoio e Temiminó, ligados à tribo de Arariboia. Esses povos eram pejorativamente chamados por seus inimigos de "maracajás". Na porção mais elevada, correspondente à atual Serra dos Órgãos e, portanto, à área de Teresópolis, havia também presença dos Guaranis, além de outros grupos associados às regiões montanhosas do Sudeste brasileiro.

Além disso, formou-se na região o chamado Quilombo da Serra, constituído por indígenas e africanos fugitivos, que se organizaram em comunidades nas matas da serra e resistiram à repressão colonial entre meados do século XVII. Essas comunidades distribuíam-se por áreas extensas entre a Serra dos Órgãos e vales fluviais adjacentes, mantendo relações de cooperação e estratégias de resistência frente à expansão colonial.

Durante o século XVIII, diversas trilhas foram abertas na subida da serra a partir de Guapimirim, com destino à área onde hoje se localiza o bairro de Três Córregos, no Segundo Destrito. Um desses caminhos passava pela Garganta Maria da Prata (atualmente na área do Parque Estadual dos Três Picos) e seguia até Canoas. Outro trajeto atravessava as regiões do Soberbo e do Garrafão (em percurso próximo ao da BR-116, dentro do Parque Nacional da Serra dos Órgãos) e chegava a Boa Vista e Paquequer, área correspondente ao atual bairro do Alto.

A primeira descrição oficial da região onde hoje se encontra Teresópolis foi realizada em 1788 por Baltazar Lisboa, então juiz de fora do Rio de Janeiro, por determinação do Ministro e Secretário dos Negócios Ultramarinos. Considerada um dos primeiros registros sistemáticos da região, essa descrição menciona as características da serra e um suposto "sertão" situado na área onde atualmente se encontra a Cascata do Imbuí.

Posteriormente, a região foi descrita por viajantes e naturalistas europeus dos séculos XVIII e XIX, cujos relatos constituem fontes relevantes para o conhecimento histórico inicial da área.

George March e sua fazenda 250px|direita|thumb|Representação da Serra dos Órgãos em 1869. Desde o início do século XIX, após a colonização, os ingleses destacaram-se entre os primeiros estrangeiros a se estabelecerem no Brasil, aproveitando as condições favoráveis de comércio com Portugal, intensificadas a partir de 1808 com a abertura dos portos. Nesse contexto, a Inglaterra consolidou-se como principal parceira comercial portuguesa, concentrando grande parte das transações econômicas. Tal cenário favoreceu a atuação de comerciantes britânicos, que obtiveram elevada lucratividade por meio de atividades comerciais, associações com empresários locais e vínculos familiares.

George March, nascido em 1788, foi um desses imigrantes britânicos que se estabeleceram no Brasil, fixando-se inicialmente na região da Praça Mauá, no Centro do Rio de Janeiro, onde, em 1813, fundou a firma Barker & March, voltada à importação de produtos industriais ingleses. Posteriormente, passou a residir em Botafogo e, por volta de 1818, arrendou a fazenda de Sant’Anna do Paquequer, localizada na Serra dos Órgãos, então pertencente a Magé. A propriedade abrangia quatro sesmarias e, após sua aquisição definitiva, tornou-se conhecida como Fazenda March, núcleo inicial da ocupação da área que hoje corresponde ao bairro do Alto.

March construiu a sede da fazenda inspirando-se em modelos arquitetônicos europeus e transformou a propriedade em uma fazenda-modelo, com produção diversificada de legumes, verduras e cereais, além da criação de animais, incluindo cavalos em sistema de coudelaria. A utilização de mão de obra escravizada foi fundamental para o funcionamento da propriedade, prática comum nas grandes fazendas do período.

Ao longo das décadas seguintes, a fazenda alcançou significativo desenvolvimento. Relatos de viajantes estrangeiros, como Walsh e Gardner, descrevem extensas áreas de cultivo e criação de animais, bem como a produção de hortaliças destinadas ao abastecimento do mercado do Rio de Janeiro, transportadas regularmente por tropas de animais. Essa atividade agrícola contribuiu para inserir a região no circuito econômico da capital e marcou o início de sua vocação hortigranjeira, característica que persiste até a atualidade.

O acesso à fazenda era realizado por caminhos precários na serra, percorridos principalmente por cavalos e mulas, utilizados tanto no transporte de mercadorias quanto no deslocamento de pessoas. A propriedade contava com numerosa população escravizada, distribuída em senzalas e habitações rudimentares, evidenciando as condições sociais do período.

A fazenda também se tornou ponto de encontro de viajantes, naturalistas e membros da elite imperial, que registraram em diários e ilustrações suas impressões sobre a região, especialmente acerca da Serra dos Órgãos e suas formações rochosas características.

Morte de March e desenvolvimento thumb|esquerda|Vista da freguesia de Teresópolis em 1885. George March faleceu em 1845. Nos anos seguintes, seus herdeiros iniciaram o processo de divisão das terras da antiga fazenda de Sant’Anna do Paquequer, com o auxílio de seus tutores John Fulding, John Prince James e Richard Heath, consolidado a partir de 1850.

Grande parte das terras foi adquirida por integrantes da firma Antônio Fernandes Coelho & Cia, que passaram a revendê-las em lotes a interessados oriundos principalmente do Rio de Janeiro, incentivando a ocupação da região serrana. Entre os compradores destacou-se o coronel Polycarpo José Álvares de Azevedo, natural de Guapimirim, que adquiriu terras próximas à antiga sede da fazenda e promoveu iniciativas que contribuíram para a formação do primeiro núcleo urbano local.

Seguindo a tradição já estabelecida desde o período de George March, a região passou a consolidar-se como local de repouso e veraneio para habitantes da capital, favorecida pelo clima ameno e pela paisagem serrana. Esse processo impulsionou o surgimento de pequenos povoados nos terrenos loteados, dando início a um desenvolvimento gradual da localidade. Como resultado desse crescimento, a área foi elevada à categoria de freguesia em 25 de outubro de 1855, por meio do Decreto Provincial nº 829, passando a denominar-se Santo Antônio do Paquequer e sendo oficialmente incorporada ao município de Magé. Esse marco representou a formalização administrativa do povoamento, consolidando a região como núcleo estruturado no interior da província.

Emancipação e configuração administrativa 250px|thumb|direita|Assinatura de contrato entre o governador do estado Francisco Portela (6) e a empresa Estrada de Ferro Therezópolis em 7 de julho de 1890. Em 16 de junho de 1890, foi firmado um acordo entre o governo do estado e os empresários Jerônimo Roberto de Mesquita e Domingos Moitinho, autorizando-os a executar a construção de linhas férreas destinadas à integração do território fluminense, com concessão válida por 70 anos e garantia de juros sobre o capital investido. Esse acordo foi oficializado em 7 de julho de 1890, quando o governador Francisco Portela assinou contrato com a empresa Estrada de Ferro Therezópolis, prevendo não apenas a construção da ferrovia, mas também a implantação de infraestrutura urbana.

O projeto previa a ligação entre Niterói e a região da Várzea, onde seria estabelecido o núcleo da futura cidade, além da instalação de serviços como saneamento básico, iluminação pública, bondes e redes telegráficas e telefônicas. A iniciativa inseria-se no contexto da expansão econômica e das políticas de modernização do início da República, estando associada à atuação de grupos empresariais e ao capital financeiro da época.

A cerimônia de assinatura contou com a presença de figuras influentes, como Godofredo Xavier da Cunha e Nicola Antonio Facchinetti, e simbolizou o início do projeto de fundação da cidade, que incluía, inclusive, a possibilidade de transferência da capital do estado para a localidade - proposta defendida por Francisco Portela desde o período imperial.

A emancipação político-administrativa ocorreu em 6 de julho de 1891, por meio do decreto estadual nº 280, que elevou Santo Antônio do Paquequer à categoria de município, com a denominação de Teresópolis, em homenagem à imperatriz Teresa Cristina, esposa de D. Pedro II.

No mesmo ato, foi criado o distrito de Santa Rita, ao qual se somou posteriormente o distrito de Sebastiana, desmembrado de Nova Friburgo, consolidando a divisão administrativa inicial do município, que permaneceu com três distritos.

Entretanto, apesar das expectativas geradas, o projeto de desenvolvimento urbano e ferroviário não se concretizou conforme planejado. Nos anos seguintes, verificou-se a paralisação das obras, atribuída, entre outros fatores, ao uso inadequado de parte do capital da empresa em estudos e instalações que não se mostraram viáveis.

Diante desse cenário, o governo estadual, sob a administração de José Tomás da Porciúncula, promoveu alterações contratuais, reduzindo os benefícios concedidos à companhia e redirecionando o projeto político de interiorização da capital, que acabou sendo transferida para Petrópolis.

Chegada do trem e expansão econômica 250px|direita|thumb|Fotografia do Alto em 1911, principal bairro de Teresópolis em seus anos iniciais.