Gonçalo Condeixa (n. Lisboa, 1967) é um escultor português.

Licenciado em Artes Plásticas (escultura) na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Frequência do curso de Iniciação à Pintura do ARCO, do curso de Desenho da Sociedade Nacional de Belas Artes, do curso de Expressão Plástica e Psicologia do Desenvolvimento e Pedagogia Criativa do Centro de Arte Infantil (CAI) da Fundação Calouste Gulbenkian. Profissionalizado pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. Professor do Quadro de Nomeação Definitiva da Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves, Odemira. Sócio fundador da Sopa dos artistas, Associação local de Artistas Plásticos de Odemira.

Gonçalo Condeixa faz parte do Grupo de Artistas e Amigos da Arte (GART).

Textos diversos 1995 - Medailles. LA MEDAILLE PORTUGAISE: TENDANCES NOUVELLES DES ANNEES 1990, par Carlos Baptista da Silva. La sélection des médailles réalisées par des artistes portugais et destinées à I'exposition FIDEM 94 a été faite compte de deux considérations: 1. la recherche des médailles tout récentes des artistes ayant déjà participé à des expositions FIDEM visait à représenter le processus du développement de ceux-ci, et 2. le choix de jeunes artistes ayant déjà fait preuve des qualités de leu r art se basait sur la nouveauté de ce qu'ils apportent dans ce domaine par rapport à une approche portugaise classique. . Les oeuvres de trois médailleurs ont ainsi été choisies à I'aide du Professeur Helder Batista qui enseigne la technologie de la médaille à la faculté des Beaux-Arts de l'Université de Lisbonne. Je vous présente sans aucun préjugé ces oeuvres représentant l'essentiel du matériel exposé. Je commence par Gonçalo Condeixa. Sa création, traduction des souvenirs d'enfance en plaquettes de terre cuite reliées deux par deux au moyen de bagues de laiton fut intitulée História Trágico-Marítima ("Histoires maritimes tragiques"). Les formes en sont irréguliêres (deux étant à cinq faces et deux à sept) et les représentations faites par emboutissage sont entourées d'un cercle intérieur. Elles sont extraardinaires en ce qui concerne leur mouvement, l'ingéniosité dont elles témoignent et leur signification également. La terre cuite en tant que matiêre ne fait qu'augmenter la qualité d'une approche libre. Bien que ces piêces pourraient être réalisées aussi par coulage il se pose la question si un même résultat pourrait-il être obtenu en bronze. Elles sont des diptyques dont le thême est presque spirituel. Outre l'évocation des événements de l'enfance, elles présentent une certaine liaison à l'univers vi suei des cauchemars, qui se traduit par celles des rêves. C'est pourquoi le titre "Histoires maritimes tragiques" nous semble juste(...)

1997 - Galeria Ara. O CAVALO- MITO, METÁFORA E IRONIA, por Carlos Neves Carvalho Gonçalo Condeixa transmite- nos na sua obra a mesma ideia de frontalidade e nobreza que o caracteriza no diálogo mais diverso. Não é certamente por acaso que o tema do cavalo (e do touro) lhe venha da infância, ao que em vez da pedra, já por si atractiva, recorra aos restos - ao ferro velho - para, "num golpe de asa", nos trazer a magia do cavalo, como se ressurgisse das trevas (da ferrugem) a luz que animou a caminhada e a luta, reacendendo a memória e o sonho. Obra a ver para além do olhar: não se fixe o mito, nem se deixe escapar a metáfora por detrás do conversor que transformou os óxidos em primário. Reinvente- se as histórias, a partir dos desenhos e esculturas. Com ironia, e uma fugidia ternura. Lisboa, 2 de Janeiro de 1998

A ESCULTURA DE GONÇALO CONDEIXA, por José La Féria. Quando Deus quis criar o cavalo, disse ao vento sul: "Da tua substância criarei um novo ser que se tornará na glória dos meus eleitos, na vergonha dos meus inimigos, na indumentária dos meus servos". E tomando um punhado de vento, concebeu o cavalo e disse: "Criei- te único. Às crinas da tua fronte amarrei o êxito; sobre o teu dorso depus a riqueza dos despojos e, nos teus flancos, os tesouros do mundo". E mais: " trespassarei de amor por ti o coração do teu amo..." Quando Adão foi chamado a nomear todas as criaturas aproximou- se do cavalo e disse- lhe: " Não há palavras que cheguem para descrever o teu esplendor. Não há palavras para dizer a tua beleza. Serás o Senhor do mundo terreno. Servi-lo-ás sem servidão. Aqueles que quiserem vencer- te deverão convencer- te primeiro e, pelos séculos dos séculos, serás o orgulho das civilizações vindouras. Sobre as tuas asas imaginárias transportarás os seus sonhos e, ao som do teu galope, os povos erguer- se- ão respondendo ao chamamento do Espaço". Logo que o Homem se ergeu do chão e apanhou um pedaço de argila colorida, desenhou o cavalo nas paredes da sua gruta. Ali se configurava o princípio de um vínculo indestrutível. Cavalo e Cavaleiro atravessariam o tempo enfrentando juntos os mesmos desafios, as mesmas derrotas. De artífice a artista, o Homem, à semelhança de Deus, soube sempre fazer qualquer coisa a partir do nada ou a partir dos mais estranhos materiais. Momento mágico na escultura de Gonçalo Condeixa, estes metálicos retalhos domados à rédea solta por mão segura, do alto de uma sela imaginária onde a luz brilha mais e as sombras são mais profundas, talhando em línguas de fogo a mais bela criatura de Deus na emoção intacta de perfeitos instantâneos de graciosidade.

1999 - Galeria da Quinta da Piedade, C.M.Vila Franca de Xira. Germinal em Yin e Yang ou o lápis da natureza de Gonçalo Condeixa ressumando a vida do ferro velho em ecos de foles ancestrais que nos transportam em amplos voos mergulhantes do ar à água, da água à terra, da terra ao fogo... e de retorno ao ar. À medida que a imaginação concebe um corpo às formas das coisas desconhecidas, a mão rente do escultor empresta- lhe contornos, dando ao vazio e ao nada uma casa, um sentido e um nome. Pairando eternamente por entre dois espaços vazios, a quintessência fugaz emerge da omnipresente preguiça para criar os céus e a terra e tudo o que está entre eles em seis dias: leveza, rapidez, exactidão, visibilidade, multiplicidade, consistência. Nesses escassos momentos de ruptura com o bocejo da esparsa monotonia quotidiana emerge um deus, o que flui e cria, transforma e dá formas e cores ao grande princípio original, elevando o que é claro e luminoso para ser céu e solidificando o que é turvo e pesado até ser terra. É fácil a união dos materiais puros e finos e extremamente penosa a solidificação dos materiais pesados e turvos. Contudo, a força incandescente da paixão irrompe em fogo, a essência da força do fogo transforma- se em sol e a força da água transforma- se em lua. E é assim que a mão embrionada morde o ferro, em ziguezagues de metal salgado e preto. José La Féria

2004 - Galeria Gymnásio, C. M. Lisboa "A escultura, suporte para a criação duma Biblioteca ambulante - são livros que numa mesa apresentam uma obra literária, um dicionário, ou uma enciclopédia. A modelação da pedra surge pela articulação das palavras, pelas frases que transmitem ideias. Aqui, à semelhança do que aconteceu com sua anterior proposta escultórica - o cabide - objecto que foi o pretexto, suporte de possíveis casacos, camisas, saias ou calças eram também, em metamorfose, cabides tornados peixes, touros, ou outros seres quaisquer. O livro em pedra é um móbil que viaja - uma biblioteca ambulante com livros que se descobrem ao serem "folheados". A mesa é o suporte dos seus livros em pedra e, é também em si, uma parte integrante desse campo expositivo. Trata- se duma instalação que, como essência, tem vontade de expressar, de ocupar letra a letra o seu espaço, numa mesa, que apresenta a palavra e cita Descartes: "... é coisa digna de nota que não há ninguém tão embrutecido e tão estúpido que não seja capaz de combinar diversas palavras e de compor com elas um discurso pelo qual exprima os seus pensamentos; isto não acontece com qualquer outro animal, por muito perfeito e afortunado que tenha sido" Rui A. Pereira

2005 - Espaço Monsanto, C. M. Lisboa