thumb|300px|Cultivo de soja, uma das leguminosas usadas na adubação verde Adubação verde, sideração ou plantio verde é a prática de incorporar plantas leguminosas no solo para enriquecê-lo nutricionalmente com nitrogênio. O nitrogênio no solo favorece a produção de biomassa vegetal.Portal Brasil. Disponível em http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2013/10/adubacao-verde-e-tecnica-eficiente-para-aumentar-a-producao. Acesso em 18 de setembro de 2015.Embrapa.Disponível em http://hotsites.sct.embrapa.br/diacampo/programacao/2009/uso-de-especies-vegetais-com-adubacao-verde . Acesso em 18 de setembro de 2015.FAVERO, C.; JUCKSCH, I.; COSTA, L. M.; ALVARENGA, R. C.; NEVES, J. C. L. 2000. Crescimento e Acúmulo de Nutrientes por Plantas Espontâneas e por Leguminosas Utilizadas para Adubação Verde. R. Bras. Ci. Solo, 24:171-177. Histórico Adubos verdes já eram utilizados como fertilizantes durante a dinastia Chou (1134-247 a.C) na China Antiga. Em seguida, os chineses, os gregos e os romanos empregaram largamente leguminosas (plantas da família Fabaceae, como soja ou feijão) para aumentar a fertilidade dos solos.KIEHL, E. J. Fertilizantes orgânicos. São Paulo: Agronômica Ceres, 1985. 492p. In: MYIAZAKA, S.; CAMARGOo, O. A. 1984. Adubação Orgânica, Adubação Verde e Rotação de Culturas no Estado de São Paulo. Campinas, Fundação Cargill. www.iac.sp.gov.br/ECS/Artigos/4 - Adubação orgânica, adubação verde e rotação de culturas .pdf.MYIAZAKA, S.; CAMARGO, O. A. 1984. Adubação Orgânica, Adubação Verde e Rotação de Culturas no Estado de São Paulo. Campinas, Fundação Cargill. www.iac.sp.gov.br/ECS/Artigos/4 - Adubação orgânica, adubação verde e rotação de culturas.pdf. Kiehl (1985) afirma que Catão, o Velho, Columela, Plínio, Varrão, Virgílio e Teofrasto fizeram referências ao emprego das leguminosas na adubação verde, mencionando que a preferência pelas mesmas originou-se vários séculos antes de Cristo. Contudo, foi somente após Lavoisier ter descoberto a existência do nitrogênio no ar atmosférico e Pasteur ter desvendado o mundo dos micro-organismos que Hellriegel e Wilfarth comprovaram, nas nodosidades das raízes leguminosas, a presença de bactérias capazes de fixar o N2. Segundo Kiehl (1959) e Myiazaka (1984), coube a Martinus Beijerinck isolar e cultivar esses micro-organismos, demonstrando cientificamente, no século XX, o que era conhecido empiricamente há mais de dois milênios.

thumb|300px|esquerda|Vista por satélite do Rio Nilo e de seu delta Em "Fertilizantes Orgânicos", Kiehl (1985, p. 01) afirma que as terras mais disputadas pelos agricultores no Egito antigo eram aquelas que se encontravam perto do Rio Nilo, pois, em certas épocas do ano, o rio transbordava, carregando grandes quantidades de matéria orgânica para as terras adjacentes. Quando as águas baixavam, estes agregados orgânicos ajudavam a fertilizar o solo.

Em condições naturais, o solo possui cobertura de vegetais que o protegem contra a ação da erosão devido à presença das raízes das árvores, dos arbustos e/ou das gramíneas, que também permitem uma alta capacidade de infiltrar água, beneficiando diretamente os lençóis freáticos. Esses sistemas de raízes ainda mantêm boa parte dos nutrientes quando a água da chuva passa pelo seu interior.TAUK-TORNISIELO, S. M. Análise ambiental: estratégias e ações. São Paulo: T.A. Queiroz, 1995. 381 p.

O aumento da população e da demanda por alimentos, principalmente após a Revolução Industrial, levou à ocupação de grandes extensões de terras pelas monoculturas, trazendo, consigo, uma cultura de manejo inadequada e insustentável para o solo tal como a utilização do fogo para eliminar as espécies nativas e a drenagem excessiva do solo, modificando drasticamente as propriedades químicas, físicas e biológicas do mesmo e ocasionando seu empobrecimento ou mesmo sua total infertilidade.

Desta forma, tornou-se necessário o manejo da matéria orgânica por meio da utilização de rotações de cultura, adubação verde e o plantio direto, pois, além de favorecerem o aumento de biomassa vegetal, promovem a ciclagem dos nutrientes, que é essencial para a manutenção das plantas.

A importância e o processo de aplicação Para a prática da adubação verde, as leguminosas têm ganhado preferência entre os agricultores e uma das principais razões é a fixação de N2 atmosférico pela ação nitrificante das bactérias, especialmente do gênero Rhizobium, que associam-se com as raízes destas plantas, fornecendo-lhe o nitrogênio e recebendo o carboidrato em troca.

As leguminosas também produzem grande quantidade de biomassa e suas raízes são pivotantes (sistema de raízes formado por uma raiz central que penetra verticalmente no solo: da raiz central, partem raízes laterais que também são ramificadas), favorecendo a captura de nutrientes presentes em camadas profundas do solo. Após o processo de decomposição da biomassa destas leguminosas, os nutrientes serão disponibilizados para o desenvolvimento das plantas de agricultura.

Cultura de leguminosas - a base da adubação verde Para o plantio de leguminosas, é importante que as plantas sejam mais resistentes às pragas e que produzam grande quantidade de massa seca, com sementes que tenham uma boa germinação e que tenham um crescimento rápido. Para o sucesso do plantio, o solo deve ser bem arado e adubado antes das sementes serem introduzidas para germinação.

O corte das plantas semeadas pode ser de caráter tardio ou precoce mas, se a planta for cortada muito jovem, o processo de decomposição será mais rápido, uma vez que ela contém mais elementos minerais, diminuindo assim a sua massa vegetal, de grande importância para as plantas que serão diretamente beneficiadas com este acúmulo de partes orgânicas. Contudo, quando o corte da planta é feito tardiamente, a decomposição ocorre de forma mais lenta devido ela possuir mais lignina e celulose em sua composição, levando ao aumento da produção de massa massa vegetal, bem como ao aumento da quantidade de húmus.NOGUEIRA, F. D.; PAULA, M. B.; GUIMARÃES, P. T. G.; TANAKA, T. 1992. Adubação verde, fosfato natural e gesso para a cultura da mandioca em latossolo roxo textura argilosa. Pesq. Agropec. Bras. 27(3): 357-372.

Na adubação verde, aplicamos várias leguminosas, como: crotalárias (Crotalaria juncea, Crotalaria paulina, Crotalaria espectabilis, Crotalaria gratiana), mucuna-preta (Mucuna aterrima), mucuna-anã (Mucuna deeringiana), feijão-guandu (Cajanus cajan), feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), feijão-de-corda (Vigna unguiculata), caupi (Vigna unguiculata), ervilhaca (Vicia sativa), soja titan (Glycine max), tremoço (Lupinus albus, Lupinus luteus, Lupinus angustifolius), labe-labe (Dolichos lablab), sesbânia (Sesbania aegyptiaca e Sesbania aculeara), calpogônio (Calopogonio muconoides), leucena (Leucaena spp.) e centrosema (Centrosema pubescens). Contudo, faz-se necessário que estudos tentem incorporar plantas de cultivo nativo, na tentativa de amenizar os impactos causados pelas leguminosas exóticas, para determinado tipo de solo.

Adubação verde e a decomposição do húmus A utilização da adubação verde otimiza o processo de formação do húmus. A formação do húmus ocorre conforme o material orgânico, animal e vegetal, no solo são decompostos por bactérias e fungos. Esses micro-organismos utilizam-se de componentes desse material para formação de seus tecidos, outros são sublimados e outros são transformados em material biológico escuro, chamado de húmus, que se diferencia do material original por suas propriedades físico-químicas. Para aumentar a retenção de água, bem como a umidade do solo, pode-se aplicar a matéria orgânica (restos de vegetais) no solo como forma de cobertura.

Adubação verde, retenção de água e fertilidade do solo O uso da água pelos vegetais é muito elevado. A água é disponibilizada através de um ramificado sistema de raízes. Em seguida, ela transporta e dissolve os nutrientes no interior das plantas. A matéria orgânica direta ou indiretamente pode aumentar a capacidade de armazenamento de água no solo. O húmus, por sua quantidade de matéria orgânica, ajuda o solo na retenção de água, bem como aumenta a capacidade de infiltração, melhorando as condições físicas como a granulometria, evitando que apareçam crostas impermeáveis no solo.Com o aumento da capacidade de infiltração de água no solo, pode-se evitar perdas por erosão e por evaporação. Solos argilosos, por exemplo, retêm mais água em sua composição e as raízes das plantas vão mais profundamente a essas camadas mais úmidas do solo formando um vegetal mais vigoroso e melhorando as colheitas.

Nutrientes e o Plantio Verde Os nutrientes são muito importantes para o desenvolvimento dos vegetais, pois plantas que crescem em ambientes com défice nutricional não se desenvolvem normalmente, e podem até deixar de se reproduzir. O plantio verde colabora para o enriquecimento nutricional dos solos, fornecendo mais nutrientes para as plantas que são cultivadas. Os nutrientes, além de serem muito importantes para a manutenção do metabolismo das plantas, também atuam diretamente na produção de nucleotídeos, cadeias de aminoácidos e de proteínas que são essenciais para o crescimento das plantas.

Nitrogênio (N) O nitrogênio é tido como o nutriente que mais limita o crescimento de plantas nos trópicos: por isso, é um dos principais alvos do plantio verde.PERIN, A.; SANTOS, R. H. S.; URQUIAGA.; GUERRA, J. G. M.; CECON, P. R. 2004. Produção de Fitomassa, Acúmulo de Nitrogênio por Adubos Verdes em Cultivo Isolado e Consorciado. Pesq. Agropec. Bras., Brasília, v.39, n.1, p. 35-40 As leguminosas têm um auxílio extra na captura de N, pois parte do N2 incorporado no tecido vegetal é fixado por meio de simbiose. As bactérias associam-se às raízes das leguminosas e atuam na fixação de nitrogênio atmosférico; em troca as leguminosas disponibilizam o carboidrato que os decompositores utilizam para o seu crescimento.

As leguminosas também fazem a imobilização temporária de nitrogênio em sua biomassa. Além delas, o uso de gramíneas tem sido indicado, pois elas reduzem a perda de nitrogênio, e ainda garantem maior proteção ao solo em virtude da baixa taxa de decomposição. Sabendo disto, um consórcio entre leguminosas e gramíneas é indicado para condições mais favoráveis à proteção do solo e nutrição das plantas.

Carbono (C) Basicamente, há duas formas de carbono: a orgânica, presente em seres vivos (biótica); e a inorgânica, contida em rochas (abiótica). As plantas têm grande importância no ciclo do C (carbono) orgânico. Através da fotossíntese, elas capturam luz e CO2 da atmosfera e produzem oxigênio e carboidratos, fazendo com que o C seja fixado em sua estrutura física. Quando as plantas morrem, o carbono fixado é incorporado ao solo pela deterioração da matéria orgânica. A matéria orgânica rica em carbono fertiliza o solo, o torna mais capaz de reter água e nutrientes para as plantas e melhora as características químicas, físicas e biológicas do solo.KIEHL, E. J. Fertilizantes orgânicos. São Paulo: Agronômica Ceres, 1985. 492p. In: MYIAZAKA, S.; CAMARGOo, O. A. 1984. Adubação Orgânica, Adubação Verde e Rotação de Culturas no Estado de São Paulo. Campinas, Fundação Cargill. www.iac.sp.gov.br/ECS/Artigos/4 - Adubação orgânica, adubação verde e rotação de culturas.pdf.

Fosfato (P) O fosfato tem uma grande importância para as plantas e outros seres vivos, isto porque é um dos dois constituintes do ATP (adenosina tri-fosfato) que é uma molécula que permite transferência de energia para o funcionamento do metabolismo. Nas plantas, há também fosfato no núcleo conhecido como fosfato nucleico. No citoplasma das células vegetais, estão presentes os açúcares fosfatados e o fosfato inorgânico. Este último apresenta função regulatória.