Raça é uma categorização de humanos baseada em características físicas (fenotípicas) e/ou socioculturais compartilhadas por grupos geralmente vistos como distintos dentro de uma determinada sociedade. O termo passou a ser de uso comum durante o século XVI, quando era utilizado para se referir a grupos de vários tipos, incluindo aqueles caracterizados por relações estreitas de parentesco. No século XVII, o termo começou a se referir a qualidades físicas e, mais tarde, a afiliações nacionais. A ciência moderna considera que o conceito de "raças humanas" é uma construção social, uma identidade atribuída com base em regras estabelecidas pela sociedade. Embora parcialmente baseada em semelhanças físicas dentro dos grupos, o termo "raça" não tem um significado físico ou biológico inerente na espécie humana. O conceito de "raça" é fundamental para o racismo, a crença de que os humanos podem ser divididos com base na superioridade de uma raça sobre outra.
As concepções sociais de raça variaram ao longo do tempo, muitas vezes envolvendo taxonomias populares que definem tipos essenciais de indivíduos com base em características percebidas. Os cientistas modernos consideram esse essencialismo biológico obsoleto e geralmente desencorajam explicações raciais para a diferenciação coletiva em características físicas e comportamentais.
Embora exista amplo consenso científico de que as concepções essencialistas e tipológicas de "raças humanas" são insustentáveis, cientistas de todo o mundo continuam a descrever o conceito de "raça" de maneiras muito diferentes. Enquanto alguns pesquisadores continuam a utilizar o conceito de raça para fazer distinções entre conjuntos confusos de características ou diferenças observáveis no comportamento, outros na comunidade científica sugerem que a ideia de raça é inerentemente ingênua ou simplista. Outros ainda argumentam que, entre os humanos, a raça não tem significado taxonômico porque todos os humanos vivos pertencem à mesma subespécie, o Homo sapiens sapiens.
Desde a segunda metade do século XX, o conceito de "raças humanas" tem sido associado a teorias desacreditadas de racismo científico e tem sido cada vez mais visto como um sistema de classificação em grande parte pseudocientífico. Embora o termo ainda seja usado em contextos gerais, tem sido frequentemente substituído por termos menos ambíguos e/ou carregados, como populações, povo(s), grupos étnicos, ou comunidades, dependendo do contexto. Provides 8 definitions, from biological to literary; only the most pertinent have been quoted. Seu uso em genética foi formalmente renunciado pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos em 2023.
Definição Alguns estudiosos argumentam que embora "raça" seja um conceito taxonômico válido em outras espécies, não pode ser aplicada a humanos.S O Y Keita, R A Kittles, C D M Royal, G E Bonney, P Furbert-Harris, G M Dunston & C N Rotimi, 2004 "Conceptualizing human variation" in Nature Genetics 36, S17 - S20 Conceitualizando a variedade humana Muitos cientistas têm argumentado que definições de raça são imprecisas, arbitrárias, oriundas do costume, possuem muitas exceções, têm muitas gradações e que o número de raças descritas varia de acordo com a cultura que está fazendo as diferenciações raciais; assim, rejeitaram a noção de que qualquer definição de raça pertinente a humanos possa ter rigor taxonômico e validade.Por exemplo, esta declaração que expressa o ponto de vista oficial da American Anthropological Association em seu websítio: "Evidências obtidas com a análise genética (p.ex., DNA) indicam que a maioria das variações físicas originam-se dentro dos assim chamados grupos 'raciais'. Isto significa que há uma variação muito maior dentro de grupos 'raciais' do que entre eles." Hoje em dia, a maioria dos cientistas estudam as variações genotípicas e fenotípicas humanas usando conceitos tais como "população" e "gradação clinal". Muitos antropólogos debatem se enquanto os aspectos nos quais as caracterizações raciais são feitas podem ser baseados em fatores genéticos, a ideia de raça em si, e a divisão real de pessoas em grupos de características hereditárias selecionadas, seriam construções sociais.Daniel A. Segal 'The European': Allegories of Racial Purity Anthropology Today, Vol. 7, No. 5 (Out., 1991), pp. 7-9 doi:10.2307/3032780Bindon, Jim. University of Alabama. "Post World War II". 2005. 28 de Agosto de 2006.
Raças e etnias são uma construção social, que são inventadas e manipuladas, dependendo dos interesses de determinada sociedade.O Uso da Variável “Raça” na Pesquisa em SaúdeLuigi Luca Cavalli-Sforza, a giant in population genetics and professor emeritus, dies at 96"Raças não existem. Trata-se de um conceito inventado", garante o geneticista Sérgio PenaIs Race Real?The Origins and Demise of the Concept of Race Charles Hirschman Population and Development Review Vol. 30, No. 3 (Sep., 2004), pp. 385-415 Exemplo disso é que a quantidade de raças humanas existentes varia no decorrer do tempo. Até meados do século XX, os europeus eram divididos em diferentes sub-raças: nórdicos predominando no Norte, alpinos no Centro e mediterrâneos mais ao Sul. Em 1916, no livro The Passing of the Great Race (A extinção da grande raça), o eugenista Madison Grant escrevia que os casamentos entre os nórdicos "superiores" e os alpinos e mediterrâneos "inferiores" debilitavam a raça superior através da mestiçagem. Essa divisão racial dos europeus influenciou o Congresso dos Estados Unidos que, em 1924, aprovou uma lei restritiva de imigração (lei de quotas), a qual favorecia a entrada de nórdicos e limitava a entrada de imigrantes oriundos do Sul e do Leste da Europa, como italianos, gregos, eslavos e judeus, conforme Madison Grant desejava. Posteriormente, essa subdivisão racial dos europeus caiu em desuso.John P. Jackson, Nadine M. Weidman. Race, Racism, and Science: Social Impact and Interaction. Rutgers University Press; None edition (29 de setembro de 2005)
Classificações raciais são frequentemente feitas com base em características físicas escolhidas arbitrariamente, como cor da pele e textura do cabelo. Porém, nos Estados Unidos, pelo menos até meados do século XX, uma pessoa de pele branca, olhos azuis e cabelos loiros, poderia ser considerada "negra", caso tivesse alguma ascendência africana publicamente conhecida. Isso deve-se à imposição da regra de uma gota pelo governo americano, quando passou a ser necessário definir quem era negro, com o advento da segregação racial, com as leis Jim Crow.Historical Origins of the One-Drop Racial Rule in the United StatesEvelyn Glenn. Shades of Difference: Why Skin Color Matters. Stanford University Press; 1 edição (2009)The Tragedy of the One-Drop Rule Já no Brasil e no resto da América Latina, classificações raciais sempre foram mais fluidas e fortemente baseadas na cor da pele, havendo, entre o branco e o negro, uma enorme gradação de cores de pele. Por sua vez, na Europa, historicamente a população é dividida muito mais em termos de religião, idioma ou nacionalidade do que em termos de aparência física.Bruce Baum. The Rise and Fall of the Caucasian Race: A Political History of Racial Identity No Continente Africano, as divisões são fortemente feitas com base em grupos tribaisNATION, TRIBE AND ETHNIC GROUP IN AFRICA e na Índia em castas.MAGNOLI, Demétrio. Uma Gota de Sangue, Editora Contexto 2008 (2008)
Raça é influenciada inclusive pela condição socioeconômica do indivíduo. Em muitas partes da América Latina, ser branco é mais uma questão de status socioeconômico do que características fenotípicas específicas, e costuma-se dizer que na América Latina "o dinheiro embranquece".Levine-Rasky, Cynthia. 2002. "Working through whiteness: international perspectives. SUNY Press (p. 73) " 'Money whitens' If any phrase encapsulates the association of whiteness and the modern in Latin America, this is it. It is a cliché formulated and reformulated throughout the region, a truism dependent upon the social experience that wealth is associated with whiteness, and that in obtaining the former one may become aligned with the latter (and vice versa)." Porém, esse fenômeno não é exclusivo da América Latina. Nos Estados Unidos da segregação racial, mestiços de pele morena, mas bem-vestidos e que falassem bem, conseguiam passar-se por descendentes de italianos ou portugueses, enquanto eles seriam classificados como negros se aparentassem ser pobres e falassem com um dialeto rural. Essa tática era denominada passing.Emily Nix, Nancy Qian .The Fluidity of Race: "Passing" in the United States, 1880-1940. NBER WORKING PAPER SERIES. 2015.
Raças podem ser inventadas e extintas, conforme interesses políticos. Na Bolívia, o presidente Evo Morales mandou eliminar a categoria "mestiço" do censo de 2012, para, segundo os críticos, forçar um maior número de bolivianos a identificarem-se como "indígenas" e, assim, aumentar a legitimidade do seu governo pautado por um discurso indigenista.Bolivia's census omits 'mestizo' as category No Brasil, grupos racialistas tentaram inúmeras vezes eliminar a categoria intermediária "parda" dos censos, mas não conseguiram, devido às reações contrárias.Mara Loveman. National Colors: Racial Classification and the State in Latin America. Oxford University Press; 1 edition (7 de julho de 2014)Antonio Risério. A utopia brasileira e os movimentos negros. Editora: Editora 34; Edição: 2 (1 de janeiro de 2012) Nos Estados Unidos, a categoria "mulato" foi eliminada a partir de 1910, para forçar todas as pessoas de sabida ascendência africana a identificarem-se como negras. Curiosamente, estabeleceu-se uma exceção para a ascendência indígena, para abarcar as família ricas da Virgínia que afirmavam descender da índia Pocahontas: definiu-se que eram "brancos" aqueles que tivessem 1/16 de sangue indígena ou menos, mas qualquer gota de sangue negro impedia o status de ser branco.The "One-Drop" Rule and Racial Identification By Whites, Blacks, and Native Americans Também nos Estados Unidos, foi inventada a categoria étnica "hispânico ou latino", que abarca sob uma mesma categoria pessoas de países com demografias tão diferentes entre si quanto Argentina, República Dominicana ou Guatemala, e até mesmo europeus da Espanha às vezes são tratados como "pessoas de cor".I'm white in Barcelona but in Los Angeles I'm Hispanic?Why Labeling Antonio Banderas A 'Person Of Color' Triggers Such A Backlash
Na França, devido ao trauma das políticas raciais nazistas durante a II Guerra Mundial, quando muitos judeus franceses foram mortos em campos de concentração, o governo não conta a população por raça ou etnia desde 1978, quando foi aprovada uma lei que impede que os franceses sejam enumerados por essas categorias sem o seu consentimento ou a isenção do comitê estadual. Em parte, essa tendência pode ser explicada pelas tradições revolucionárias e republicanas francesas de tratar todos os cidadãos de forma igual perante a lei.Race Policy in France
Já outros países têm pesquisas que perguntam a sua população a que raça ou etnia ela pertence. O número de raças e etnias varia enormemente de país para país. Em Cuba, por exemplo, o censo tem apenas três opções (branco, negro e mulato ou mestiço). No Brasil, há cinco opções (branco, preto, pardo, amarelo e indígena), ao passo que no Peru há catorze e, na Bolívia, há 40 opções de etnias e raças.
História das classificações raciais
thumb|upright=1.2|Um líbio, um núbio, um sírio e um egípcio, representados por um artista desconhecido em um mural na tumba de Seti I. thumb|upright=1.2|As "três grandes raças" segundo Meyers Konversations-Lexikon de 1885–90. Os subtipos são:
A raça mongolóide tem a mais ampla distribuição geográfica, incluindo todas as Américas, Norte da Ásia, Leste da Ásia, Sudeste Asiático, e todo o habitado Ártico como bem como a maior parte da Ásia Central e das Ilhas do Pacífico.