thumb|Um ligre, resultado do cruzamento de um leão com uma tigresa. Só existem ligres em cativeiro.|248x248px O termo híbrido designa um cruzamento genético entre duas espécies vegetais ou animais distintos, que geralmente não podem ter descendência devido aos seus genes incompatíveis. Este fenômeno foi estudado pela primeira vez em plantas por Joseph Gottlieb Kölreuter durante o , embora existam citações mais antigas sobre esse assunto, tanto em plantas como em animais.

Algumas dessas novas espécies ainda são produzidas até hoje através do cruzamento entre espécies, essencialmente para serem usadas como atrações de apresentações e locais turísticos. Atualmente, cientistas estão tentando recriar o mamute através do ADN destes animais (que foram encontrados congelados na Sibéria). Esses cientistas usarão técnicas de clonagem para fertilizar óvulos de fêmeas de elefante (seus parentes modernos). Se conseguirem, este animal será um híbrido de elefante com mamute, e provavelmente também será estéril, como a maioria dos híbridos.

Tipos Os híbridos podem ser classificados como: Híbrido simples F1 - é fruto do cruzamento entre espécies diferentes. Híbrido simples F2 - é o cruzamento entre híbridos simples F1. Híbrido duplo - é o cruzamento de dois híbridos simples F1. Híbrido triplo - é o cruzamento simples F1 com uma linhagem endogâmica.

Definição thumb|Híbridos interfamiliares: galinha x galinha d'angola (esquerda) galinha d'angola x pavão (direita), Rothschild Museum, Tring

A definição de "híbrido" em biologia pode referir-se à genética ou à taxonomia.

Na genética, o termo "híbrido" tem vários significados, todos referentes à descendência gerada por reprodução sexual.Rieger, R.; Michaelis A.; Green, M. M. (1991). Glossary of Genetics (5th ed.). Springer-Verlag. ISBN 0-387-52054-6 page 256 Em geral, o híbrido é sinônimo de heterozigoto: qualquer prole resultante do cruzamento de dois indivíduos homozigotos diferentes.

Já na taxonomia, "híbrido" refere-se à descendência resultante do cruzamento de dois animais ou plantas de espécies diferentes.Keeton, William T. 1980. Biological science. New York: Norton. ISBN 0-393-95021-2 page A9 Existem quatro categorias de híbridos definidos pelo contexto taxonômico, porém apenas três reconhecidas e identificadas: Intraespecíficos: são híbridos formados a partir de indivíduos da mesma espécie, porém entre subespécies diferentes. Exemplo: entre o tigre-de-bengala e o tigre-siberiano. Interespecíficos: formados a partir de indivíduos de espécies diferentes, como o caso do ligre, um híbrido de tigre e leão. Intergenéricos: formados a partir de indivíduos pertencentes a espécies de géneros diferentes. Ex: gato domestico (nome científico: Felis silvestris catus) X serval (Leptailurus serval). Que dão origem a o Gato Savannah.

Interfamiliares: apesar de extremamente raro, existe registro de híbridos que ocorrem com o cruzamento entre famílias diferentes. Um dos poucos exemplos são os híbridos de galinha d'angola e pavão.Ghigi A. Galline di faraone e tacchini. Milão: Ulrico Hoepli, 1936 Interordinal: seriam os híbridos formados entre indivíduos de ordens diferentes, porém não existem registros deste tipo.

Existe um outro tipo de híbrido que corresponde aos indivíduos que possuem uma menor distância evolutiva do que a de subespécies e são produzidos visando o melhoramento genético, na agricultura e na pecuária. Normalmente esses híbridos resultam de cruzamentos selecionados, procurando-se manter as características vantajosas dos progenitores e eliminando as desvantajosas, produzindo-se assim indivíduos ideais, do ponto de vista do produtor.

Etimologia

O termo "híbrido" vem do grego ὕβριδης (com o sufixo de patronímico grego δη), hybris, pelo latim hybrida ou hibrida. Hýbris significa um ultraje ou um "passou dos limites" na linguagem grega: a miscigenação, segundo os antigos gregos, violava as leis naturais.FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 892. Hybris significava, literalmente, "o filho de uma desmedida", pois o cruzamento entre seres que não "deveriam" cruzar era considerado uma afronta, um ultraje. Outro exemplo: Aquiles comete uma hýbris ao maltratar o corpo do falecido Heitor e não querer entregá-lo a seu pai. Em latim, hibrida é usado tanto para designar o resultado do cruzamento de espécies diferentes, como a égua com o jumento, como o filho de um romano com uma estrangeira, ou de um homem livre com uma escrava. A etimologia da palavra "híbrido" tem, no entanto, uma divergência de opiniões. Muitos etimólogos acreditam que a semelhança com a palavra hýbris é apenas fonética, o que é conhecido como falsa etimologia.

Exemplos

Animais thumb|Um cão-lobo, híbrido entre um lobo-vermelho (Canis lupus rufus) e um cão doméstico (Canis lupus familiaris)

A hibridação de animais é um acontecimento de certa forma raro. Devido à existência de grandes empecilhos, a formação de híbridos, considerando que estes são inférteis, já é uma grande dificuldade, aumentando muito a criação de híbridos férteis na natureza. A mula é uma exemplo comum e fácil para explicar tal dificuldade de criar indivíduos férteis. A mula (burro) é o resultado do cruzamento de um jumento com uma égua. Estes por sua vez são indivíduos de espécies diferentes, então, como é comum, possuem um número de cromossomos diferentes. Nesse caso, a égua tem 64 e o jumento 62; os animais resultantes deste cruzamento (as mulas e os bardotos) têm 63 cromossomos: o cromossomo extra não vai ter um par homólogo, logo, o processo da meiose não se dá e, sem células reprodutoras, o animal é estéril. Existem, no entanto, dois fatores que tornam um híbrido fértil, permitindo, com isso, o nascimento de uma nova espécie (seguindo o conceito biológico de espécie): a homoploidia e a poliploidia. A hibridação homoploide resulta no cruzamento de espécies distintas, mas parentes, em que a nova espécie híbrida tem o número normal de cromossomos. A poliploidia é a existência de mais de dois genomas no mesmo núcleo celular.SCHIFINO-WITTMANN, M. T. Poliploidia e Seu Impacto Na Origem E Evolução Das Plantas Silvestres E Cultivadas.

esquerda|thumb|Dzo: híbrido entre uma vaca e um iaque

Abelha africanizada - poli-híbrida; Bardoto - cruzamento entre um cavalo (Equus ferus caballus) e uma jumenta (Equus africanus asinus); Mula - cruzamento entre um jumento (Equus africanus asinus) e uma égua (Equus ferus caballus); Cama - cruzamento entre dromedário (Camelus dromedarius) e lhama (Lama glama); Cão-lobo - cruzamento entre cão doméstico (Canis lupus familiaris) e um lobo-vermelho (Canis rufus) ou lobo-etíope (Canis simensis) ou o lobo-dourado-africano (Canis lupaster). Cães domésticos e lobo-cinzentos (Canis lupus lupus) não geram híbridos entre si, pois são literalmente animais da mesma espécie Cayuga - cruzamento de marreco rouen (Anas platyrhynchos domesticus) e pato-escuro-americano (Anas rubripes); Dzo - cruzamento de iaque (Bos grunniens) com vaca (Bos taurus); Gato Savannah - cruzamento de gato (Felis silvestris catus) com serval (Leptailurus serval); Jagleão - cruzamento entre um jaguar (Panthera onca) e uma leoa (Panthera leo); Leopon - cruzamento entre um leopardo (Panthera pardus) e uma leoa (Panthera leo); Ligre - cruzamento entre um leão (Panthera leo) e uma tigresa (Panthera tigris); Coylobo - cruzamento entre um lobo (Canis lupus) e um coiote (Canis latrans); Mulard - cruzamento de Pato-real doméstico (Anas platyrhynchos domesticus) com pato-do-mato (Cairina moschata momelanotus);Hybridization in the Anatide and its Taxonomic Implications Acesso em 26 de jan. de 2013 Pintagol - cruzamento, em Portugal, de pintassilgo-comum (Carduelis carduelis) com canário (Serinus canaria). Já no Brasil o cruzamento ocorre entre o pintassilgo-de-cabeça-preta (Carduelis magellanica) com o canário (Serinus canaria); Pumapardo - cruzamento entre um puma (Puma concolor) e um leopardo (Panthera pardus) ; Shalaika - raça canina descendente do cruzamento de cães pastores-laponianos (Canis lupus familiaris) com chacais-dourados (Canis aureu) Tambacu - cruzamento de tambaqui (Colossoma macropomum) e pacu-caranha (Piaractus mesopotamicus); Tartarugas marinhas híbridas - já foram encontradas e em algumas espécies 40% delas tem ascendência híbrida;Estudo genético revela alta incidência de híbridos entre tartarugas da Bahia Tigreão - cruzamento entre um tigre (Panthera tigris) e uma leoa (Panthera leo); Forquinho - cruzamento de golfinho (Tursiops truncatus) e falsa-orca (Pseudorca crassidens); Coyogue - cruzamento de cão e coiote; Zebralo - cruzamento de uma zebra com uma égua; Zebrasno - cruzamento entre uma zebra e um jumento.

Hibridização no gênero homo Há intensos debates acerca da ocorrência ou não de hibridização em indivíduos do gênero homo, debates dos quais importa sobremaneira retomar o conceito de espécie a fim de demonstrar que, afinal, o conceito de espécie não necessariamente implica em barreiras à introgressão. Em mamíferos, a curva de diferenciação entre grupos de indivíduos é um processo complexo e pode ser muito demorado até que dois grupos atinjam impossibilidade genética de acasalar, ou seja, exista uma barreira pós-zigótica que impeça efetivamente a reprodução ou ao menos a geração de proles férteis. Nesse longo ínterim, ao se verificar, ainda que de forma pontual, a quebra de barreiras geológicas, a princípio, a depender das diferenças morfológicas, sociais e comportamentais, é plenamente possível a hibridização entre indivíduos de espécies diferentes. Prova deste ponto é a alta probabilidade ter ocorrido introgressões entre os ancestrais de chimpanzés e de humanos por volta de 4 milhões de anos atrás, bem como, entre primatas, ter-se por certa a hibridização por parte de chimpanzés, gibões, orangotangos e bonobos, dentre outras espécies não muito distantes do gênero humano.

Para além desta indicação a demonstrar que, se parentes próximos aos humanos são capazes de hibridizar, então não se deve rechaçar, de pronto, a possibilidade de indivíduos do gênero Homo também serem aptos a tanto. Ressalte-se, ainda, que é notável a proximidade genética entre as espécies do gênero Homo como um todo, bem como a presença de características morfológicas que, de início, não indicam impossibilidade reprodutiva. E, por fim, há o fato de diversas espécies terem vivido concomitantemente nos mesmos espaços geográficos, a presumir a existência de contato entre os grupos em determinados períodos de tempo. Portanto, é teoricamente possível (e mesmo provável) a ocorrência de hibridização entre diferentes espécies de humanos.

Das hibridizações, a que desperta interesse e curiosidade é a que envolve o cruzamento entre os Homo sapiens e os Homo neanderthalensis.

Em estudo recentemente publicado, para além de consolidar o percurso teórico que levou às conclusões quanto à probabilidade de ocorrência expostas acima, propôs-se a análise tanto morfológica quanto genética a fim de depreender se e como houve a introgressão entre as espécies. De fato, as alterações morfológicas encontradas em registros fósseis apontam para a ocorrência de hibridização, contendo tais amostras vestígios típicos de anomalias encontradas entre híbridos de outros mamíferos, notadamente as formações dentárias atípicas. E, do ponto de vista genético, amostras demonstraram que o DNA nuclear - mais apropriado para a análise proposta - guarda 2% (dos quais 25% são ativos) de introgressão quando em comparação com H. sapiens não africano.

Assim, no todo, constatou-se introgressão pouco significativa, que poderia ser conferida, inclusive, a outros fatores que não o cruzamento entre os espécimes, mas, sim, à homoplastia e à convergência evolutiva.