A Cytisus striatus, comummente conhecida como giesta-amarela, é uma espécie de planta arbustiva, pertencente à família das Fabáceas e ao tipo fisionómico dos microfanerófitos, marcada pelas flores amarelas que lhe aparecem entre Abril e Junho e que se encontram associadas a rituais e tradições centenárias do folclore português.
Nomes comuns Dá ainda pelos seguintes nomes comuns: giesta-das-serras (também grafada giesteira-das-serras), giesta-negral (também grafada giesteira-negral) e maios (também grafado maia ou maias)
Taxonomia Do que toca ao nome científico desta planta:
O nome genérico, Cytisus, advém do étimo latino cўtĭsus, que significa «erva de pasto; forragem», O epíteto específico, striatus, também vem do latim e significa «estriada; com estrias».
Do que toca aos nomes comuns:
«giesta-amarela»; «giesta-das-serras» e «giesta-negral», bem como as suas demais variantes gráficas, todas partilham o elemento vocabular «giesta», que por seu turno provém do latim genista, termo alusivo às espécies de arbustos usadas para fazer vassouras. «maios», «maias» e «maia» são nomes comuns alusivos à época do ano em que esta espécie costuma florir.
Sinonímia Cytisus pendulinus L. f. var. eriocarpus (Boiss. et Reut.) P. Cout. Cytisus striatus (Hill) Rothm. var. eriocarpus (Boiss. et Reut.) Heywood Cytisus striatus (Hill) Rothm. var. welwitschii (Boiss. et Reut.) Heywood Sarothamnus eriocarpus Boiss. et Reut. Spartium patens L. Spartium patens L. raça procerum (Link) Samp. Descrição Esta planta arbustiva pode medir entre 1 a 3 metros de altura, contando com ramos abundantes, estriados e flexíveis e flores amarelas.
As folhas são constituídas por três folíolos, sendo que as mais baixas costumam ser pecioladas, ao passo que as mais altas soem de ser sésseis. As folhas aparecem, em posições alternadas, na base dos ramos e caem rapidamente.Pinto, B. (2010). Guia de campo – Dia B, 22 Maio de 2010, bioeventos. Por seu turno, os folíolos, cujas dimensões variam entre os dois milímetros e meio e os dez milímetros de comprimento e um a dois milímetros de largura, exibem um feitio estreitamente oblanceolado, com as faces glabras e os versos seríceos.
No que toca às flores, costumam ser solitárias, raramente aparecendo aos pares e ainda mais raramente em trios. Figuram nas axilas das folhas, onde formam cachos folhosos. São compostas por cálice diminuto e seríceo, em forma de campânula, contando com cinco pétalas, amarelas, de grande tamanho. A floração ocorre entre Abril e Junho.
O fruto é uma vagem, de formato que varia entre o oblongo-ovado e o elíptico, completamente coberta de pelos acinzentados e arredondada, com até 3,5 cm de comprimento.
Distribuição Trata-se de uma espécie autóctone de Península Ibérica e no Noroeste de Marrocos, tendo sido introduzida na Europa Ocidental e na América do Norte.
Portugal Trata-se de uma espécie presente no território português, nomeadamente em Portugal Continental, de onde é autóctone, e no Arquipélago da Madeira, onde foi introduzida.
Designadamente, no que toca a Portugal Continental, encontra-se presente, em quase todo o país, salvante o Centro-Sul Arrabidense e o Barlavento e Sotavento algarvios.
Do que toca ao arquipélago da Madeira, encontra-se presente desde S. Martinho até ao Poiso e à Camacha, bem como no Porto Moniz, até altitudes na ordem dos 1.400 metros.
Ecologia Trata-se de uma espécie rupícola, que medra na berma de caminhos. Tem uma notável preferência por solos com substractos ácidos, arenosos, graníticos, xistosos ou quartzíticos. Medram ainda em bouças, penedias, escarpas, nas orlas de florestas e em sebes.
Cultura popular No Norte de Portugal, é tradição exibir um ramo de giesta no dia 1º de Maio, pendurando-o junto às portas e janelas das casas e demais edifícios ou mesmo depondo-a em cortelhos de animais, em carroças ou na dianteira de automóveis ou de outros veículos, como amuleto da sorte ou como protecção contra o carrapato (identificado com o demónio ou com o mau-olhado).«No 1.° de Maio devem colocar nas portas e janellas flores de giesta, preservativo contra o Mal»; «Em 1835 escrevia o celebre antiquário João Pedro Ribeiro: «na cidade do Porto, no presente anno de 1835, ouvi ainda festejar as Janeiras, e no primeiro de Maio enramar as janellas com a flor de giesta amarella, que chamam Maias e nas aldeias não se faltou ao costume immemorial de as pôr nas cortes dos gados, nos Unhares e nos nabaes, etc. É natural que se não faltasse ao mesmo costume immemorial.» Por essa razão a planta é também conhecida como «maia» ou «maios».
Usos Os ramos são tradicionalmente utilizados para a manufactura de vassouras. Foi ainda amplamente usada como chamiça ou acendalha, para fogueiras, ao longo da história de Portugal.
Na língua inglesa as plantas do género Cytisus têm o nome comum broom que significa também vassoura. A Cytisus striatus é designada Portuguese broom, em referência à sua proveniência.
Ligações externas
Categoria:Fabaceae Categoria:Flora de Portugal