Morgan Stanley é um banco de investimento e uma empresa multinacional norte-americana de serviços financeiros, com sede em 1585 Broadway, em Midtown Manhattan, na cidade de Nova Iorque. Com escritórios em 42 países e mais de 80.000 funcionários, atende empresas, governos, instituições e pessoas físicas. Em 2025, registrou receita de US$ 70,6 bilhões, lucro operacional de US$ 22,0 bilhões e lucro líquido de US$ 16,9 bilhões. Ao fim daquele ano, tinha US$ 1,42 trilhão em ativos, US$ 112,7 bilhões em patrimônio líquido e US$ 1,90 trilhão em ativos sob gestão. A empresa ficou na 61.ª posição da lista Fortune 500 de 2023, que classifica empresas dos Estados Unidos por receita, e na 30.ª posição da Forbes Global 2000 naquele mesmo ano.

A Morgan Stanley original começou a operar em 16 de setembro de 1935, depois que a Lei Glass-Steagall determinou a separação entre atividades de bancos comerciais e de investimento nos Estados Unidos. Entre os fundadores estavam Henry Sturgis Morgan, sócio da JP Morgan & Co. e neto de John Pierpont Morgan, Harold Stanley e outros sócios. Em seu primeiro ano, a empresa respondeu por 24% do mercado, equivalente a US$ 1,1 bilhão, de ofertas públicas e colocações privadas de títulos.

A empresa existente desde 1997 resultou da fusão da Morgan Stanley original com a Dean Witter Discover & Co. Philip J. Purcell, presidente e diretor-executivo da Dean Witter, assumiu os mesmos cargos na recém-formada Morgan Stanley Dean Witter Discover & Co. Em 2001, a companhia voltou a adotar apenas o nome "Morgan Stanley". Suas áreas de negócio são títulos institucionais, gestão patrimonial e gestão de investimentos. O Conselho de Estabilidade Financeira classifica o banco como uma instituição financeira de importância sistêmica global.

História

Primeiros anos, 1935 a 1997

As origens da Morgan Stanley remontam à JP Morgan & Co.. Depois que o Congresso dos Estados Unidos aprovou a Lei Glass-Steagall em 1933, uma mesma organização deixou de poder manter atividades de banco de investimento e banco comercial sob uma única estrutura societária. A J.P. Morgan & Co. escolheu permanecer no banco comercial. Parte de seus funcionários, entre eles Henry S. Morgan, neto de John Pierpont Morgan, e Harold Stanley, saiu da companhia e juntou-se a integrantes da sociedade Drexel para fundar a Morgan Stanley. A empresa abriu formalmente em 16 de setembro de 1935, no número 2 de Wall Street, em Nova Iorque, perto da J.P. Morgan.

Em 1938, a Morgan Stanley liderou a subscrição e distribuição de US$ 100 milhões em debêntures da United States Steel Corporation. Em 1941, a companhia foi reorganizada como sociedade para se qualificar como membro da Bolsa de Valores de Nova Iorque e ampliar suas operações de corretagem.

Perry Hall, último dos fundadores a dirigir a Morgan Stanley, comandou a empresa entre 1951 e 1961. Nesse intervalo, a empresa participou da coordenação de uma emissão de títulos do Banco Mundial com classificação AAA em 1952, de uma emissão de dívida de US$ 300 milhões da General Motors, de uma oferta de ações de US$ 231 milhões da IBM e de uma emissão de dívida de US$ 250 milhões da AT&T.

A Morgan Stanley afirma ter criado, em 1962, o primeiro modelo computacional viável para análise financeira, abrindo uma nova linha de trabalho no setor. Dick Fisher, que mais tarde se tornaria presidente da empresa e de seu conselho, colaborou com o modelo quando ainda era um jovem funcionário e aprendeu as linguagens Fortran e COBOL na IBM. Em 1967, a empresa criou a Morgan & Cie, International em Paris para entrar no mercado europeu de títulos. Naquele ano, comprou a Brooks, Harvey & Co., Inc. e passou a atuar no setor imobiliário. A criação da área de vendas e negociação da companhia é atribuída a Bob Baldwin.

Em 1996, a Morgan Stanley comprou a Van Kampen American Capital.

Depois da fusão, desde 1997

thumb|200px|Logotipo da Morgan Stanley usado em 2022 200px|thumb|right|Logotipo usado pela Morgan Stanley no começo da década de 2000

Em 5 de fevereiro de 1997, a Morgan Stanley fundiu-se com a Dean Witter Discover & Co., empresa de serviços financeiros que havia sido separada da Sears Roebuck. Philip J. Purcell, presidente do conselho e diretor-executivo da Dean Witter, manteve os dois cargos na nova Morgan Stanley Dean Witter Discover & Co. John J. Mack, então presidente da Morgan Stanley, tornou-se presidente e diretor de operações da empresa resultante. Em 1998, o nome passou a ser Morgan Stanley Dean Witter & Co. A combinação dos nomes das duas antecessoras havia sido escolhida para reduzir tensões entre as organizações. Em 2001, "Dean Witter" foi retirado e o nome voltou a ser "Morgan Stanley". A companhia também ampliou suas operações fora dos Estados Unidos. Em 1999, Mack criou um empreendimento conjunto na Índia com a JM Financial.

A Morgan Stanley mantinha escritórios nos edifícios 1, 2 e 5 do World Trade Center e era o maior inquilino individual do complexo. Boa parte do espaço vinha da Dean Witter, que começara a transferir sua sede corporativa para o World Trade Center em 1985. Nos ataques de 11 de setembro de 2001, a empresa perdeu 13 funcionários nas torres: Thomas F. Swift, Wesley Mercer, Jennifer de Jesus, Joseph DiPilato, Nolbert Salomon, Godwin Forde, Steve R. Strauss, Lindsay C. Herkness, Albert Joseph, Jorge Velazquez, Titus Davidson, Charles Laurencin e o diretor de segurança Rick Rescorla. Rescorla conseguiu conduzir a retirada de 2.687 pessoas. Os funcionários que sobreviveram foram transferidos para instalações temporárias nas proximidades. Em 2005, a Morgan Stanley levou 2.300 funcionários de volta a Lower Manhattan, então a maior transferência desse tipo para a região.

left|thumb|O Morgan Stanley Children's Hospital do NewYork-Presbyterian é um hospital pediátrico independente na cidade de Nova Iorque e faz parte do NewYork-Presbyterian Hospital.

Em 2003, o NewYork-Presbyterian Hospital deu o nome Morgan Stanley Children's Hospital ao seu hospital infantil em reconhecimento ao apoio financeiro da companhia, que custeou grande parte da construção por meio de doações. A iniciativa começou sob Philip J. Purcell e foi concluída sob John Mack. Funcionários da empresa participavam de atividades relacionadas ao hospital desde a década de 1990 e também fizeram doações pessoais para o edifício infantil inaugurado em novembro de 2003.

Em março de 2005, a companhia entrou em uma crise administrativa que levou à saída de funcionários. Purcell renunciou ao cargo de diretor-executivo em junho daquele ano, depois de uma campanha pública promovida por antigos sócios da Morgan Stanley. O grupo contestava a resistência de Purcell a elevar a alavancagem e o risco, entrar agressivamente no mercado de hipotecas subprime e realizar aquisições caras. Estratégias desse tipo levaram a Morgan Stanley a grandes baixas contábeis relacionadas à crise das hipotecas subprime em 2007.

Em 19 de dezembro de 2006, a Morgan Stanley anunciou que separaria sua unidade Discover Card. A separação da Discover Financial foi concluída em 30 de junho de 2007.

Em fevereiro de 2007, a Morgan Stanley anunciou o encerramento de seu empreendimento conjunto na Índia. O banco comprou a participação de seu sócio local no negócio de corretagem institucional e vendeu sua participação nas demais atividades. O banco criou então uma subsidiária integral. Narayan Ramachandran, responsável nacional pela área de gestão de investimentos, tornou-se diretor-executivo da nova subsidiária. Aisha de Sequeira, diretora-gerente do grupo de fusões e aquisições, assumiu a área de banco de investimento.

Para enfrentar as baixas contábeis provocadas pela crise das hipotecas subprime, a Morgan Stanley anunciou em 19 de dezembro de 2007 que receberia US$ 5 bilhões da China Investment Corporation em troca de títulos conversíveis que dariam à empresa chinesa 9,9% das ações da Morgan Stanley em 2010.

A unidade Process Driven Trading estava entre as mesas de Wall Street atingidas por uma forte pressão de compra sobre posições vendidas, perdendo quase US$ 300 milhões em um único dia. O colapso posterior da bolha que alimentava essas operações integrou a sequência de acontecimentos da crise financeira de 2007 a 2008. Ver também

Em agosto de 2008, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos contratou o banco para aconselhar o governo sobre possíveis formas de socorrer a Fannie Mae e a Freddie Mac. Poucas semanas depois, a própria Morgan Stanley corria risco de fracassar. Entre meados de setembro e meados de outubro, suas perspectivas, sua estrutura regulatória e a composição de seus acionistas mudaram rapidamente.

A Morgan Stanley perdeu mais de 80% de seu valor de mercado na crise financeira de 2008. Em 17 de setembro de 2008, o programa britânico Newsnight informou que a companhia atravessava dificuldades depois que suas ações caíram 42% em dois dias. Em memorando aos funcionários, John J. Mack escreveu que a empresa estava "em meio a um mercado controlado pelo medo e pelos rumores" e que vendedores a descoberto estavam derrubando as ações. Em 19 de setembro, a cotação acumulava queda de 57% em quatro dias. A empresa chegou a discutir possíveis fusões com CITIC, Wachovia, HSBC, Standard Chartered, Banco Santander e Nomura. Em certo momento, Henry Paulson ofereceu a Morgan Stanley ao JPMorgan Chase sem custo, mas Jamie Dimon, do JPMorgan, recusou a proposta.

A Morgan Stanley e o Goldman Sachs, os dois últimos grandes bancos de investimento independentes dos Estados Unidos naquele momento, anunciaram em 22 de setembro de 2008 que se converteriam em sociedades controladoras bancárias tradicionais, reguladas pelo Federal Reserve. A aprovação encerrou um período de 75 anos no qual grandes corretoras de valores operavam separadamente dos bancos que recebiam depósitos. A mudança veio depois da falência da Lehman Brothers e da venda apressada da Merrill Lynch ao Bank of America.

O MUFG Bank, maior banco do Japão, investiu US$ 9 bilhões para comprar diretamente uma participação de 21% na Morgan Stanley em 29 de setembro de 2008. O pagamento deveria ser feito eletronicamente, mas a operação precisava ser concluída em caráter emergencial no Dia de Colombo, quando os bancos dos Estados Unidos estavam fechados. O MUFG emitiu então um cheque físico de US$ 9 bilhões, o maior valor já registrado em um cheque físico até aquele momento. Robert A. Kindler, responsável global por fusões e aquisições e vice-presidente da Morgan Stanley, recebeu o cheque nos escritórios da Wachtell Lipton. Durante a volatilidade do mercado em outubro, dúvidas sobre a conclusão do negócio derrubaram as ações da Morgan Stanley a níveis não vistos desde 1994. A cotação se recuperou depois que a compra dos 21% pelo Mitsubishi UFJ foi concluída em 14 de outubro de 2008.

A Morgan Stanley tomou emprestados US$ 107,3 bilhões do Federal Reserve na crise de 2008, mais do que qualquer outro banco, conforme dados compilados pela Bloomberg e publicados em 22 de agosto de 2011.

Em 2009, a Morgan Stanley comprou a Smith Barney do Citigroup. A nova corretora passou a operar como Morgan Stanley Smith Barney e tornou-se a maior empresa de gestão patrimonial do mundo.

Em novembro de 2013, a Morgan Stanley anunciou que investiria US$ 1 bilhão em moradias acessíveis, como parte de um programa voltado a investimentos com objetivos econômicos, sociais e ambientais.

Em julho de 2014, a área asiática de private equity da Morgan Stanley informou ter levantado cerca de US$ 1,7 bilhão para seu quarto fundo na região.

Em dezembro de 2015, foi divulgado que a Morgan Stanley cortaria cerca de 25% dos postos de trabalho de sua área de renda fixa antes do fim do mês. Em janeiro de 2016, a companhia informou manter escritórios em mais de 43 países.

Em outubro de 2020, a empresa concluiu a compra da E*Trade, anunciada em fevereiro por US$ 13 bilhões. Foi a maior aquisição feita por um banco dos Estados Unidos desde a crise financeira de 2008.