thumb|Sepultura 43 da Necrópole de Varna, o primeiro ouro trabalhado do mundo. Denomina-se Idade dos metais a fase da Pré-história que caracteriza o fim da Idade da Pedra, marcado pelo início da fabricação de ferramentas e armas de metal.
O ser humano começava a dominar, ainda que de maneira rudimentar, a técnica da fundição. A princípio, utilizou como matéria prima o cobre, depois o bronze (uma liga de cobre e estanho), e por fim o ferro. A metalurgia do cobre e cobre era a fundição; a do ferro, forja.
Este período englobou parte do Neolítico (Proto história), começou antes do Quinto milênio a.C. (5.500 a.c.) e acabou, em cada lugar, com a chegada da escrita, momento em que nasce a História, com a Idade Antiga. Afinal, considera-se proto história aquela oriunda de testemunhos escritos indiretos, circunstância que demonstra graus tecnológicos diferentes entre as diversas civilizações, o que existia, ainda existe e, provavelmente, sempre existirá. De qualquer forma, não existe uma ruptura (exceto arbitrária) no desenvolvimento da tecnologia metalúrgica entre a Pré-História, a Proto-história e a História.
Nesse período, o crescimento da população se acentuou em algumas regiões do planeta. As aldeias rurais do Período Neolítico foram se tornando mais complexas, surgindo, assim, as primeiras cidades, principalmente no cruzamento de caminhos naturais. Algumas dariam origem às mais significativas civilizações da história da humanidade, v.g. Mesopotâmia, China, Egito, Grécia.
Eurásia O cobre
O cobre, como o ouro e a prata, foi um dos primeiros metais usados talvez porque, às vezes, aparece em forma de pepitas de metal nativo.
O objeto de cobre mais antigo conhecido é um pingente oval procedente de Xanidar (Irã/Irão), datado por volta do Décimo milênio a.C. Contudo, esta peça é um caso isolado, pois não foi até 3000 anos mais tarde que as peças de cobre martelado em frio começaram a ser habituais. Em efeito, em vários sítios arqueológicos a partir de 6500 a.C. foram encontradas peças ornamentais e alfinetes de cobre manufaturado a partir da martelagem em frio do metal nativo, tanto nos montes Zagros (Ali Kosh em Irã), quanto no planalto da Anatólia (Çatal Hüyük, Çayönü ou Hacılar, na atual Turquia).
Vários séculos depois foi descoberto que o cobre podia ser extraído de diversos minerais (malaquita, calcopirita, etc.), por meio da técnica de fundição em fornos especiais, nos quais se insuflava oxigênio (soprando por longos tubos ou com foles) para superar os 1000 °C de temperatura. O objeto de cobre fundido mais antigo conhecido procede do Monte Zagros, concretamente de Tal-i-Blis (Irã), datado cerca de 4100 a.C., junto do qual foram encontrados fornos de fundição, crisóis e até mesmo moldes.
thumb|center|<center>Fundição de cobre em murais funerários egípcios.|alt=|404x404px
A técnica de fundição do cobre é relativamente simples, contanto que os minerais usados fossem carbonatos de cobre extraídos de alguma jazida metalífera; a chave está em que o forno alcance a temperatura adequada, o qual se conseguia injetando ar soprando ou com foles através de longos bocais. Este sistema também é denominado "redução do metal" e enseja o derretimento do cobre. O mineral (malaquita, calcopirita etc, enfim, carbonato de cobre) era triturado, misturando-se com carvão de lenha e acendendo-se o fogo. Com o calor, as impurezas iam-se liberando-se em forma de monóxido e dióxido de carbono, reduzindo o mineral a um cobre relativamente puro. Ao atingir 1000 °C, o metal liquefaz-se, derretendo-se e depositando-se na zona inferior do forno, por onde um orifício permite que o líquido candente flua para o exterior, onde se recolhe em moldes. Parte da escória fica no forno e as impurezas do mineral flutuam no metal fundido, sendo fácil eliminá-las.
Como o cobre podia ser refundido, este costumava converter-se em lingotes, por vezes com uma forma peculiar (como os do Mediterrâneo oriental, que lembram a pele de um animal), para depois fabricar diversos objetos por fusão e colado em moldes. O cobre é muito maleável e dúctil, podia martelar-se em frio ou em quente, com o que se duplicava a sua consistência e dureza. De qualquer forma, resultava impossível eliminar todas a impurezas do cobre, mas, enquanto algumas eram prejudiciais, como o bismuto, que o faz quebradiço, outras eram benéficas, como o arsênico, que reduz a formação de borbulhas na sua fundição, pois impede a absorção de gases através dos poros do molde, assegurando um produto de melhor qualidade. O cobre com alto conteúdo natural em chumbo é mais mole, o qual pode ser uma vantagem para fabricar recipientes por meio da martelagem de uma prancha em forma de disco, curvando-a em forma côncava, para elaborar caldeiras ou tigelas; até mesmo podia ser repuxado. Alguns metalurgistas acreditam que estes cobres com impurezas benéficas são, na realidade, "bronzes naturais".
A técnica do cobre não tardou em difundir-se por todo o Próximo Oriente, coincidindo com o nascimento das primeiras civilizações históricas da zona, principalmente a Suméria e o Antigo Egito. Contudo, estudiosos acreditam que pôde ser inventado em datas muito parecidas em outras partes do Velho Mundo. Concretamente na Europa há um avançado núcleo calcolítico nos Balcãs que inclui ocasionalmente objetos de cobre fundido entre os seus achados do Quarto milênio a.C. (cultura Gulmenita) e parece ser uma invenção autóctone, embora este primeiro metal não se difunda pela Europa central e mediterrânea até pouco depois do Terceiro milênio a.C., por exemplo, ligada a povos megalíticos da Península Ibérica, como Los Millares ou Vila Nova ou ligada a cultura das Cerâmicas cordadas, na Europa Central. Houve zonas que ainda desconheciam o cobre fundido, mas um novo povo encarregou-se da sua definitiva difusão europeia: a Cultura do Vaso Campaniforme, em finais do terceiro milênio.
Por outro lado, nas demais áreas do globo terrestre devem-se fazer as seguintes observações: (a) Na Ásia não houve uma Idade do Cobre com entidade suficiente, dada a sua curta duração, pois o desenvolvimento da metalurgia começa, realmente, com o bronze, em lugares como a Índia ou a China (conhecida por sua excelência no bronze); (b) Na América utilizou-se cobre e bronze, mas não havia relevância econômica, nem havia técnicas de fundição.
O bronze
O bronze é o resultado da liga de cobre e de estanho numa proporção variável (atualmente acrescentam outros metais como o zinco ou o chumbo, criando os chamados bronzes complexos). A quantidade de estanho podia variar de cerca de 3% até cerca de 25% (a maior quantidade de estanho, mais tenacidade, mas também menos maleabilidade): na Pré-História a quantidade média costuma rondar 10% de estanho. Supõe-se que foram os egípcios os primeiros a acrescentar estanho ao cobre, ao observar que este lhe dava melhores qualidades, como a dureza, um ponto mais baixo de fusão e a perdurabilidade (pois o estanho não se oxida facilmente com o ar e é resistente à corrosão). Ademais, o bronze é reciclável, podendo ser fundido ou derretido várias vezes. A técnica de trabalho do bronze, qual seja a técnica da fundição, é virtualmente idêntica à do cobre.
O emprego do bronze começou na Mesopotâmia, num momento que coincide, aproximadamente, com o apogeu de outras grandes civilizações antigas como Síria, Canaã e o vale do Nilo, e um pouco antes que surja o império Hitita em Anatólia, assim como as culturas prehelênicas do mar Egeu. Os metalúrgicos destas áreas, para satisfazer a demanda de cobre, estanho e demais metais preciosos, passaram a se tornar também exploradores e comerciantes, à procura de minas e oferecendo os seus produtos em troca das apreciadas matérias primas. Os sumérios e os seus sucessores, por exemplo, careciam por completo de minerais metálicos e suspeita-se que os importavam do Montes Zagros (onde surgira o império Elamita) e da região do Cáucaso (onde abundavam a malaquita e a cassiterita). Assim, havia fluxo comercial e relações socioeconomicas entre sumérios e com sumérios desde o Afeganistão até a Europa oriental, já no terceiro milênio.
Os antigos egípcios obtinham a maior parte do cobre das minas de Tina, em Arava, junto ao deserto do Negueve,- atual Israel,- embora ramificassem as suas relações comerciais com o Egeu e a Europa (peças de procedência egípcia aparecem neste continente evidenciando algum tipo de intercâmbio), assim como com algumas regiões africanas.
Os habitantes da Síria, Palestina, Anatólia e do Egeu dirigiram as suas expedições para a Europa, remontando o Danúbio à procura do estanho da Boêmia e da Hungria; ou beirando o Mediterrâneo até o sul da Península Ibérica, onde obtiveram o cobre em El Argar. Com o tempo, remontaram pelo Atlântico até atingir as ilhas Britânicas, à procura do cobre e do estanho da Cornualha. Assim, no segundo milênio a.C., a Europa entra na Idade do Bronze. O bronze europeu caracteriza-se, a princípio, por uma grande variedade de culturas que compartilham um substrato comum que inclui a construção túmulos funerários. Cabe salientar, na Europa central, a linhagem da cultura dos Túmulos e da Cultura dos Campos de Urnas (Cultura do Unetice) que, apesar das evidentes diferenças, parecem compartilhar certa continuidade cultural e racial. À parte convém mencionar a cultura ibérica de El Argar e todas aquelas que se desenvolvem na cornija atlântica, cuja idiossincrasia sobreviveu até épocas históricas.
Nas mesmas regiões da Europa onde se desenvolveu o cobre, seguiu-se o bronze (Boêmia, Hungria, Península Ibérica[El Argar], Inglaterra [Cornualha]). Mas na Ásia, a metalurgia do bronze passou a se desenvolver sem que fosse possível precisar se foi ali inventada (de forma independente) ou se foi uma importação da Mesopotâmia.
No Paquistão, a Idade do Bronze nasceu com a civilização do Vale do Indo (de meados de III milênio até meados do segundo milênio a.C.), que carecia por completo de fontes de abastecimento mineral. De fato, suspeita-se,—pela escassez de objetos de cobre e bronze achados em jazidas como Harapa ou Moenjodaro, e pelo atraso nas datas a respeito de outros povos do oeste, os quais, apesar do seu alto grau de desenvolvimento, dependiam dos seus contatos com os elamitas do oeste e, através deles, com os mesopotâmicos,- suspeita-se da carência de fontes de abastecimento mineral. Assim parecem demonstrá-lo alguns objetos procedentes do Indo e encontrados na região do rio Diala, no vale do Tigre, e várias tabuinhas escritas de Larsa (datadas no 1950 a.C. Páginas 222-223.).
thumb|Caldeiro trípode cerimonial de bronze chinês, do tipo "Li-ting".
O processo pior conhecido é o da China: é sabido que desde fins do quarto milênio a.C. fundiam cobre arsenical, embora as peças sejam extremamente raras (de fato, não se considera uma Idade do Cobre na China, mas se evoluiria diretamente do Neolítico para o Bronze). Embora a metalurgia chegasse com vários milênios de atraso ao extremo Oriente suspeita-se que pôde ser inventada de forma independe do Oriente Médio, em face da originalidade das técnicas, às vezes muito diferentes daquelas utilizadas pelos povos do oeste. A primeira cultura da Idade do Bronze é a que se denomina Erlitou, do II milênio a.C., relacionada à mítica dinastia Xia (que ainda é muito discutível): as antigas lendas chinesas relatam que o primeiro rei desta legendária dinastia, Yu o Grande (III milênio a.C.), foi um grande fundidor de caldeiras trípodes cerimoniais de bronze, as quais agradavam tanto aos deuses que lhe outorgaram a vitória sobre os seus inimigos. De qualquer forma, embora a Cultura Erlitou não tenha gerado documentos ou relatos escritos, implica a transição da Pré-História para a História na dinâmica do Império Chinês, destacando-se, entre as suas criações, os protótipos de vasilhas cerimoniais de bronze usadas durante toda a antiguidade pelos chineses [sobretudo os caldeiros circulares de três patas (trípodes) ou quadrados de quatro patas(quadrípodes)]. Página 165