Nixon é um filme estadunidense de 1995, do gênero drama-histórico-biográfico, dirigido por Oliver Stone,, com roteiro dele, Christopher Wilkinson e Stephen J. Rievele inspirado na vida e carreira do ex-presidente dos EUA Richard Nixon, interpretado por Anthony Hopkins.
Prêmios e indicações PrêmioCategoriaCategoriaResultadoOscar 1996Melhor ator Anthony Hopkins Melhor atriz coadjuvanteJoan AllenMelhor trilha sonoraJohn WilliamsMelhor roteiro originalStephen J. Rivele, Christopher Wilkinson, Oliver StoneGlobo de Ouro 1996 Melhor ator - dramaAnthony HopkinsBAFTA 1996 Melhor atriz coadjuvanteJoan Allen
Sinopse O filme apresenta uma narrativa não-linear, amarrada por cenas em que Nixon ouve gravações secretas durante o período final da sua presidência, abalada pelo escândalo Watergate que se intensifica. Assim, abrange todos os aspectos da vida de Nixon como um conjunto de eventos reais, geralmente na forma de memórias desencadeadas e mostradas sumariadas em estilo de gravações e/ou jornalismo. É apresentada sua infância em Whittier (Califórnia) (quando é repreendido por mentir pela sua mãe), bem como seu crescimento como jovem estudante universitário (sua família o enviou para a Faculdade de Direito no lugar do irmão mais velho, Harold, que morrera de tuberculose ainda jovem) e atleta mediano de futebol americano, e sua corte para a futura esposa, Pat Ryan. São exploradas sua atuação na acusação do Congresso ao advogado Alger Hiss (1948), condenado por espionagem (que lhe tornou conhecido nacionalmente), a vice-presidência que ocupou no governo de Dwight D. Eisenhower (quando admite que participou de tentativas de matar Fidel Castro), a traumática derrota para John Kennedy na eleição para presidência de 1960, a outra derrota em 1962, quando anunciou desistir da política por pressão da esposa e a vitória na eleição de 1968, após o presidente Johnson anunciar que não concorreria a um novo mandato e o assassinato do principal opositor, Robert Kennedy. Na campanha presidencial vitoriosa, Nixon discursou sobre ter um plano para acabar com a Guerra do Vietnã mas que ao mesmo tempo queria evitar a humilhação da América, forçando os vietnamitas do norte a aceitarem uma "paz honrosa" para os americanos, tendo sido apoiado nas negociações pelo Secretário de Estado Henry Kissinger. Com esse objetivo, Nixon não hesita em bombardear o país neutro do Camboja e a capital vietnamita do norte, Hanói, provocando na opinião pública um sentimento de ter sido traída pela aparente e indesejável escalada da guerra. Não obstante, ele consegue firmar acordos de colaboração com as potências comunistas, União Soviética e China, que também não apoiavam a política norte-vietnamita da época. Nixon e Kissinger ficam irritados quando do "vazamento" para a imprensa dos documentos do Pentágono (Pentagon Papers) que revelavam os "bombardeios secretos" de bases vietcongs no Laos e Camboja, e, insatisfeitos com as ações do FBI no caso, autorizam a criação de um serviço de espionagem interna, cujos agentes são apelidados de "encanadores". Como primeira missão, esses agentes invadem um consultório psiquiátrico em busca da ficha do denunciante, Daniel Ellsberg. A mesma equipe depois participou do arrombamento da sede do Comitê dos Democratas em Watergate e foi pega em flagrante quando colocavam equipamentos de espionagem eletrônica numa das salas. A partir daí é convocado o advogado John Dean, subordinado do Conselheiro Presidencial John N. Mitchell, para tentar impedir que as investigações cheguem à Casa Branca. Um dos líderes dos encanadores, o ex-agente da CIA E. Howard Hunt, que não foi preso mas cujo nome e referência a Casa Branca aparecem em uma das agendas dos arrombadores presos, percebendo que será responsabilizado pela ação passa a exigir dinheiro, e Dean fica encarregado de pagá-lo, por ordem direta de Nixon que diz ter conhecido no passado o agente em ações ilegais em Cuba. Dean também obriga ao novo diretor do FBI colocá-lo a par das investigações, o que é ilegal. As investigações e denúncias da imprensa levam o Congresso a investigar a participação da Casa Branca e as tentativas de acobertar criminosamente essas ligações e o escândalo chega ao auge com a revelação de que o presidente teria gravado todas as conversas em seu gabinete durante os últimos dois anos, mas ele se nega a entregar as fitas. A recusa o faz sofrer um processo de impeachment mas ele se livra da condenação ao renunciar à presidência alguns dias depois.
Fica implícito no filme que Nixon e a esposa abusavam de álcool e medicações. Os problemas de saúde do então presidente como flebite e pneumonia durante a Crise Watergate são também mostrados no filme. Na narrativa há ainda um tipo de responsabilização, real ou imaginária, que Nixon sente sobre o assassinato de John F. Kennedy toda vez que se faz referência a "Invasão da Baía dos Porcos", implicando que o mecanismo que levou aquele episódio no governo Kennedy havia sido engendrado durante o governo de Dwight D. Eisenhower e que saíra do controle, culminando com o atentado fatal de 1963 e, posteriormente, Watergate.
O filme termina com a renúncia de Nixon e a famosa partida da Casa Branca de helicóptero. As cenas reais do funeral do ex-presidente em Yorba Linda (Califórnia), mostram os cinco presidentes que estiverem presentes na cerimônia: Gerald Ford, Jimmy Carter, Ronald Reagan, George H. W. Bush e o então ocupante do cargo, Bill Clinton. Elenco
Primeira família Anthony Hopkins - Richard Nixon Joan Allen - Pat Nixon Annabeth Gish - Julie Nixon Eisenhower Marley Shelton - Tricia Nixon Cox
Casa Branca e gabinete James Woods - H. R. Haldeman J. T. Walsh - John Ehrlichman Paul Sorvino - Henry Kissinger Powers Boothe - Alexander Haig E. G. Marshall - John N. Mitchell David Paymer - Ron Ziegler David Hyde Pierce - John Dean Kevin Dunn - Charles Colson Saul Rubinek - Herbert G. Klein Fyvush Finkel - Murray Chotiner Tony Plana - Manolo Sanchez (valet de Nixon) James Karen - William P. Rogers Richard Fancy - Melvin Laird
Família Nixon Mary Steenburgen - Hannah Milhous Nixon Tony Goldwyn - Harold Nixon Tom Bower - Francis Nixon Sean Stone - Donald Nixon Joshua Preston - Arthur Nixon Corey Carrier - adolescente Richard Nixon David Barry Gray - jovem adulto Richard Nixon
Caso Watergate Ed Harris - E. Howard Hunt John Diehl - G. Gordon Liddy Robert Beltran - Frank Sturgis
Outros Bob Hoskins - J. Edgar Hoover Brian Bedford - Clyde Tolson Madeline Kahn - Martha Beall Mitchell Edward Herrmann - Nelson Rockefeller Dan Hedaya - Trini Cardoza Bridgette Wilson - Sandy Ric Young - Mao Zedong Boris Sichkin - Leonid Brezhnev Sam Waterston - Richard Helms Larry Hagman - "Jack Jones" Tony Lo Bianco - Johnny Roselli George Plimpton - advogado do presidente
Produção Origens Eric Hamburg, ex-escritor de discursos e membro do gabinete do Comitê de Relações Exteriores do Congresso, deu a ideia sobre um filme de Nixon após um jantar com Oliver Stone. O diretor estava desenvolvendo então dois projetos — o musical Evita e um filme sobre o ditador panamenho Manuel Noriega. Quando ambos se tornaram inviáveis, Stone voltou sua atenção para uma biografia sobre Richard Nixon A morte do ex-presidente em 22 de abril de 1994, foi o fator-chave que levou Stone a se decidir pelo filme. Ele o ofereceu a Warner Bros., mas, de acordo com o diretor, viram isso como (em tradução livre, como as demais) "um bando de homens velhos pouco atraentes sentados em redor de terno, com muita conversa e sem ação suficiente".
Em 1993, Hamburg mencionou a ideia do filme sobre Nixon para o escritor Stephen J. Rivele o qual utilizaria o conceito de que todas as transgressões políticas, tanto conhecidas como especulativas, seriam incluídas. Rivele gostou da ideia e já tinha pensado em escrever uma peça explorando os mesmos temas. Hamburg encorajou Rivele a trocar para um filme e, com o parceiro Christopher Wilkinson, escreveu um esboço do roteiro em novembro de 1993. Eles partiram da ideia referida como "a Fera", que Wilkinson descreveu como um "monstro sem cabeça que cambaleia através da história americana do pós-guerra", uma metáfora do sistema das forças obscuras que resultaram no assassinato de John F. Kennedy, Robert F. Kennedy e Martin Luther King, Jr., a Guerra do Vietnã, e ajudou Nixon a assumir o poder e depois sua queda ao final (a referência textual à "fera" está em um diálogo de Nixon com estudantes ativistas, diante da estátua de Abraham Lincoln em Washington); Stone disse em entrevista que Nixon percebe que "a Fera" é mais poderosa do que ele. Nós não podemos ir muito além, mas sugerimos muitas vezes — o complexo industrial-militar, o poder do dinheiro". Em outra entrevista, o diretor explica, Foi o conceito que convenceu Stone a fazer Nixon e conversou com Hamburg para contratar Rivele e Wilkinson. Stone encomendou o primeiro rascunho do filme no inverno de 1993. Rivele e Wilkinson terminaram esse primeiro rascunho em 17 de junho de 1994, no aniversário do Escândalo Watergate. Stone amou o roteiro mas sentiu que o terceiro ato e o final precisavam de mais trabalho. Eles escreveram outro rascunho e o entregaram em 9 de agosto, dessa vez aniversário de 20 anos da Renúncia de Richard Nixon.
Pré-produção Stone realizou pesquisa por conta própria com ajuda de Hamburg. Com Hamburg e os atores Hopkins e James Woods, Stone voou para Washington, D.C. e entrevistou os membros sobreviventes do círculo íntimo de Nixon, o advogado Leonard Garment e o Procurador-Geral Elliot Richardson. Também entrevistou Robert McNamara, Secretário de Defesa de Kennedy e Johnson. Stone contratou Alexander Butterfield, uma figura-chave do Escândalo Watergate e que ajudou no desenvolvimento do papel de Nixon. Como consultor para aumentar o realismo das cenas do Salão Oval escolheu o ex-conselheiro da Casa Branca John Sears, além de John Dean, que garantiu que todos os aspectos do roteiro fossem precisos e escreveu algumas cenas sem créditos para o filme. Butterfield também aparece em algumas cenas como assessor da Casa Branca. Para pesquisarem seus papeis, Powers Boothe, David Hyde Pierce e Paul Sorvino conversaram com as figuras verdadeiras, mas J.T. Walsh decidiu não contatar John Ehrlichman após ele ter ameaçado processar o filme depois de ler uma versão inicial do roteiro e se desagradar com a maneira que seria retratado. Hopkins assistiu a muitos documentários de Nixon. À noite, ele ia dormir com os filmes rodando, deixando que as informações penetrassem em seu subconsciente. Hopkins disse: "É levado por toda essa informação e se você está relaxado o suficiente, volta a levá-lo de novo".
Stone tinha originariamente um contrato de três filmes para a Regency Enterprises que incluiam JFK, Heaven & Earth e Natural Born Killers. Após o sucesso de Killers, Arnon Milchan, chefe da Regency, assinou com ele para mais três. Stone podia fazer qualquer filme desde que limitado ao orçamento de 42,5 milhões e meio de dólares. Quando o diretor falou a Milchan sobre Nixon, ele não gostou da ideia e disse que só lhe daria 35 milhões de dólares, achando que com isso Stone abandonaria o projeto. O diretor então conversou com o financista húngaro Andrew G. Vajna que tinha co-financiado produções da Disney. A companhia de Vajna, Cinergi Pictures, estava disposta a gastar 38 milhões de dólares com a produção. Milchan ficou irritado dizendo que Nixon era seu filme por força do contrato com Stone e ameaçou processá-lo. Desistiu após receber uma quantia de Stone não anunciada. Stone finalizou o orçamento do filme uma semana antes das filmagens serem começadas. Ele fez um negócio com Cinergi e Disney da Hollywood Pictures para conseguir 43 milhões de dólares. Para economizar, Stone usou os cenários da Casa Branca do filme de Rob Reiner, The American President.
Elenco