Anti-intelectualismo descreve um sentimento de hostilidade em relação a, ou suspeição de, intelectuais e seus objetos de pesquisa. Isto pode ser expresso de várias formas, tais como ataques aos méritos da ciência, educação, arte ou literatura.
Em geral, o anti-intelectualismo se justifica mediante os argumentos de ideologias e pragmatistas. Entre as suas motivações mais comuns, podemos enumerar: ressentimento de pessoas pouco instruídas contra eruditos; hostilidade em relação ao trabalho realizado pelos intelectuais, como educação, pesquisa, crítica social e cultura, literatura; acusação de parasitismo social (os intelectuais não teriam uma "função" econômica na sociedade, sendo esta ultima compreendida, portanto, de maneira organicista); acusações de subversão e morbidez.
Demonstração Anti-intelectualismo geralmente é expressado nas comunidades por declarações de "diferença", isto é, os intelectuais são ditos como "não sendo um dos nossos". Estes que desconfiam de intelectuais, os representam como um perigo para a normalidade, insistindo que se tratam de estranhos com pouca empatia pelas pessoas comuns. Isto historicamente resultou em intelectuais sendo retratados como membros arrogantes de um diferente grupo social. Em comunidades rurais, por exemplo, intelectuais talvez sejam vistos como "invejosos da cidade" que conhecem pouco do vilarejo e seus modos. É também comum para comunidades tachar intelectuais como estrangeiros ou membros de minorias étnicas, como por exemplo, asiáticos. Juntamente com isto, intelectuais podem ser vistos como sujeitos a instabilidade mental, com seus críticos insistindo na existência de uma correlação médica entre insanidade e genialidade. Comunidades com forte fé religiosa, talvez, se aventurem a vincular intelectuais com a promoção do ateísmo, enquanto os modos sexuais dos intelectuais também são colocados em dúvida, onde são suspeitos de promiscuidade, são relacionados a homossexualidade ou falta de interesse por sexo. Notavelmente, quem condena intelectuais tende vinculá-los não com apenas uma, mas uma combinação destas características.
Causas Crenças anti-intelectuais podem surgir de uma variedade de fontes. Estas incluem:
Religião Apesar de uma variedade de religiões promoverem o intelectualismo, existem algumas tendências nos tempos modernos e clássicos de fomentar sentimentos anti-intelectuais. Isto ocorre primariamente em grupos fundamentalistas.
Quando uma doutrina religiosa inclui declarações sobre a história natural ou humana, dogmas sobre textos sagrados e outras matérias, estas declarações podem ser investigadas por um pesquisador externo. Por exemplo, uma declaração sobre a idade de um artefato religioso pode ser testada por testes de carbono 14 ou um texto teológico ser logicamente examinado. Se este tipo de investigação é promovida, o resultado pode ser conflito em relação ao quanto a doutrina percebe a investigação como estando em conformidade ou não com a religião.
Porém, anti-intelectualismo religioso não se confina somente contra a ciência: quando movimentos como Boemia, Vanguarda e Romantismo se tornaram fatores importantes nas finas-artes, alguns religiosos perceberam estas tendências como moralmente subversivas e pediram por censura. Este tem sido um tema bem comum nas Américas e na Europa desde os tempos da reforma protestante. Alguns podem argumentar, porém, que isto se trata apenas de conservadorismo moral, que é distinto de anti-intelectualismo, apesar que as duas posições são aliadas em muitos casos.
Políticas autoritárias Anti-intelectualismo é por vezes utilizado por ditadores ou por aqueles que estão tentando estabelecer uma ditadura. Intelectuais são vistos por regimes totalitários como uma ameaça, graças a tendência destes ao questionamento das normas sociais existentes e de dissentir da opinião estabelecida. Retaliações violentas são comuns durante regimes autoritários, além de a negação ao nacionalismo promovida por intelectuais, torna-os sujeitos a retratação como não patrióticos e subversivos.
Em ditaduras mais extremas, como a do comunista Khmer Vermelho, liderada por Pol Pot, promoveu-se o assassinato de qualquer um que dispunha de ensino superior ao rudimentar. Sob o domínio do Khmer pagodes, teatros, cinemas, museus e bibliotecas do Camboja viraram chiqueiros para porcos.Estado de S.Paulo. «Pol Pot liderou regime cruel, que aboliu religião e perseguiu intelectuais». Publicado em 11 de abril de 2009. Consultado em 21 de fevereiro de 2017.Super Interessante. «Pol Pot – Quebra tudo». Publicado em 31 de maio de 2012. Consultado em 21 de fevereiro de 2017. Além do fechamento de bibliotecas públicas e demais locais de estudo, outras expressões de repreensão aos intelectuais são o isolamento deles e de cientistas do mundo, e até mesmo declarações oficiais de que intelectuais são sujeitos a problemas mentais e há a necessidade de os isolar em instituições psiquiátricas. Adicionalmente, intelectuais em países com regimes autoritários estão sujeitos a condenações populares e são usados como bode expiatório para canalizar a raiva do povo.
Populismo Populismo pode ser visto como outra fonte de anti-intelectualismo. Neste contexto, intelectuais são apresentados como elitistas e enganadores cujo conhecimento e habilidades retóricas devem ser temidos, já que podem ser utilizados para manipular as pessoas médias, que por sua vez são tidas como a idealização do regime e fonte de virtude. Pessoas com ideais populistas geralmente apoiam que as necessidades de conhecimento sejam reguladas pelas pessoas, alegando que educadores precisam trabalhar em linha com as políticas de mandatários.
De maneira similar, a curiosidade e a objetividade dos intelectuais sobre países estrangeiros e crenças são retratados como falta de patriotismo ou honestidade moral, e intelectuais são muitas vezes tidos como suspeitos por ter opiniões estrangeiras, possivelmente subversivas.
Problemas com o sistema educacional O sistema educacional pode servir como ferramenta poderosa em formar a cultura de uma nação. Em países de língua inglesa, particularmente Estados Unidos e Reino Unido, as escolas e universidades são algumas vezes criticadas por serem excessivamente 'intelectualistas', portanto, falhando em preparar os jovens propriamente para serem membros da sociedade.
Alguns comentadores, como John Tierney,John Tierney, "When Every Child Is Good Enough," The New York Times, November 21, 2004 acredita que as escolas fundamentais e secundárias, pelo menos nos Estados Unidos, colocam um excesso de ênfase na igualdade de resultados em detrimento da capacidade de produção intelectual do indivíduo. Nesta visão, a ênfase acaba por levar a mentalidade "Harrison Bergeron" e um excesso de simplificação do currículo escolar.
Um exemplo de grande, apesar que dificilmente militante ou mesmo organizado, anti-intelectualismo no mundo contemporâneo está na subcultura jovem, geralmente associada com estudantes mais interessados em sua vida social ou atletismo, do que nos seus estudos. Estas subculturas, geralmente marcadas por sinais, existem em estudantes de todos os grupos. A cultura comercial jovem também gera uma enorme variedade de tendencias. Se manter nestas tendencias é difícil, e seu conteúdo é geralmente criticado por críticos culturais de várias correntes por ser excessivamente simplista e tendendo para falta de sofisticação. Manter a popularidade, de acordo com Paul Graham é um trabalho de tempo integral que deixa pouco tempo para interesses intelectuais.Why Nerds are Unpopular
No ambiente das Universidades, os problemas se dividem em três: Vícios políticos — Um tipo de critica que é baseada na percepção de que alguns professores universitários e outros acadêmicos têm forçado suas próprias ideologias políticas nas interações pedagógicas e pesquisa profissional, em detrimento da qualidade, objetividade, ou mesmo utilidade. Nos Estados Unidos, este argumento é mais praticado por indivíduos do lado conservativo do espectro político contra liberais, radicais e esquerdistas. Geralmente, estas criticas são direcionadas para pessoas trabalhando no campo de Humanas, especialmente as Ciências sociais. Entre os campos mais contestados estão Estudos da Mulher, Estudos Culturais e Estudos raciais. Se esta atenção é merecida, isto, novamente é fonte de debate. Programas deficientes — Outro campo de preocupação é a percepção da falta de educação geral no currículo. Falta de utilidade — Uma terceira linha de criticas, que algumas vezes contradiz a segunda, é a falta de utilidade "na vida real" de alguns estudos de humanas. Isto também tem contribuído para o anti-intelectualismo, particularmente entre os que estudam, ou estudaram, assuntos técnicos. Isto é muitas vezes chamado de rivalidade em vez de anti-intelectualismo real, já que pessoas que receberam diplomas universitários técnicos estão também envolvidas em estudos intelectuais de alta complexidade. Este tipo de antagonismo às vezes é exacerbado nas universidades quando se trata da divisão dos fundos limitados. Enquanto é mais caro e de alta manutenção empregar ou financiar departamentos de engenharia e técnicos, muitas vezes o próprio comitê universitário os coloca como tendo maior importância. Ainda mais, bonificações para a universidade às vezes é acompanhado de requerimentos que o dinheiro vá para programas vistos pelos beneficiados como úteis.
Anti-intelectualismo no mundo
Anti-intelectualismo nos Estados Unidos Cultura do século XIX A cultura popular do século XIX é importante na história do anti-intelectualismo americano. Naquela época, quando a vasta maioria da população vivia no campo, executando trabalho manual e agricultura, educação pelos livros, que na época era voltada para os clássicos, era visto como de pouco valor.
O século XIX predominantemente valorizava o homem de sucesso, com estudo da vida e experiência, em vez de intelectuais onde o conhecimento foi adquirido por estudos formais e livros. Em 1843, Bayard R. Hall escreveu sobre Indiana, que "nós sempre preferimos um homem ruim ignorante do que um talento, dai as tentativas usualmente feitas para arruinar o moral de um candidato inteligente; já que a inteligência infeliz e a imoralidade supostamente andam juntas, assim como incompetência e bondade". Ainda assim, existia a possibilidade de "perdão" de alguém inteligente adotasse a "inteligência popular". Um personagem de O. Henry notou que quando um graduado da Costa Leste dos Estados Unidos larga de ser orgulhoso, ele daria um bom cowboy como qualquer outro jovem homem.
Um estereótipo relacionado é o de uma pessoa "lenta" com coração de ouro, que se tornou popular nos teatros do século XIX, e ainda reaparece na cultura americana, como em 1985 no livro e em 1994 no filme Forrest Gump.
Séculos XX e XXI Críticos conservadores da academia Robert Warshow avançou com a hipótese de que o Partido Comunista dos EUA havia se tornado o centro da vida intelectual americana durante a década de 1930:
Para a maioria dos intelectuais americanos, o movimento comunista de 1930 era uma experiência crucial. Na Europa, onde o movimento era mais sério e popular, ela ainda era apenas uma corrente da vida intelectual; os comunistas podem jamais ajustar completamente o tom do pensamento. Mas neste país existiu um tempo em que virtualmente toda a vitalidade intelectual derivava de uma maneira ou de outra do Partido Comunista. Se você não era dos grandes círculos do partido, você possivelmente era da oposição, o que significava que boa parte de suas energias e reflexão era para se manter devotado para a oposição.
Uma variante mais recente desta tendência é o tão falando "movimento da liberdade acadêmica", liderado por David Horowitz pelo Centro para o Estudo da Cultura Popular, que analisa as tendência de certos acadêmicos de esquerda de indoutrinar os estudantes universitários para visões antiamericanas.FrontPage Magazine