thumb|upright|Mulher segurando um véu. figura de terracota, ca. 400–375 a.C Véu é um tecido ou peça de vestuário, utilizado quase exclusivamente por mulheres de diferentes culturas. O véu é usado para cobrir totalmente ou em parte a cabeça e a face. Além de seu caráter de vestimenta e adorno, há conotações religiosas por parte de várias tradições.
Etimologia A palavra "véu" é derivada do latim vēlum, que também era usada para denominar as vela das embarcações. Há duas teorias sobre a origem do termo vēlum: da raiz indo-europeia *wel-, significando "cobrir"; da raiz indo-europeia *wegh-, que significa "carregar um veículo".
História O primeiro uso conhecido do véu para mulheres é reportado em um texto legislativo assírio do século XIII a.C., que restringia seu uso a mulheres da aristocracia e proibia prostitutas e mulheres comuns de o adotarem. Na expansão dos povos indo-arianos pelo Iran e Índia, há o uso propagadado geralmente entre mulheres.
O termo em grego micênico a-pu-ko-wo-ko, significando "artesão de véus para cavalos", também é atestado dese cerca de 1300 a.C. na escrita silábica Linear B. Textos gregos antigos também citam o uso do véu e a isolamento de mulheres praticada pela elite persa . Estátuas em Persépolis retratam mulheres usando véus.
Estátuas gregas dos períodos clássico e helênico por vezes retratam mulheres gregas com a cabeça e face cobertas por véus. Ambos Caroline Galt e Lloyd Llewellyn-Joves argumentaram com base nessas representações e referências literárias que era comum entre as mulheres gregas desse período (ou pelo menos das mulheres de alto status social) o uso do véu em público.
Entre os romano esperava-se que as mulheres usassem véus como símbolo da autoridade marital. Em 166 aC, o cônsul Sulpício Galo se divorciou de sua esposa porque ela havia saído de casa, permitindo assim que todos vissem, como ele disse, o que apenas ele deveria ver. As meninas solteiras normalmente não escondiam a cabeça, mas as matronas faziam isso para mostrar modéstia e castidade, a chamada pudicitia. Pensava-se que os véus também protegiam as mulheres contra o mau-olhado.Sebesta, Judith Lynn. "Symbolism in the Costume of the Roman Woman", pp. 46-53 in Judith Lynn Sebesta & Larissa Bonfante, The World of Roman Costume, University of Wisconsin Press 2001, p.48 Um véu chamado "flammeum" era a característica mais importante do traje usado pela noiva nos casamentos romanos.
Por muitos séculos, até por volta de 1175, mulheres anglo-saxãs e anglo-normandas, excetuando as jovens solteiras, usavam véus que cobriam totalmente os cabelos e, por vezes, o pescoço e o queixo. Apenas no período Tudor (1485), quando o uso de capuzes se tornou popular, véus desse tipo começaram a ser menos comuns .
O uso do véu entre mulheres europeias também é atestado em situações de luto e em substituto às máscaras como método de ocultação da identidade de uma mulher. De maneira mais pragmática, o véu também era usado para proteger a pele do sol, da mesma forma que o keffiyeh é usado hoje em dia .
Uso religioso do véu No judaísmo, cristianismo e islã, o ato de cobrir a cabeça está associado a modéstia e recato. Visa estabelecer o resguardo dos concupiscências de ambos quem utiliza e quem a pode ver. A maioria dos retratos tradicionais da Virgem Maria a mostram com a cabeça velada, com a excepção talvez do seu primeiro retrato de sepultura. Cobrir os cabelos era prática comum entre mulheres ao frequentar igrejas até a década de 1960, tipicamente usando véus de renda. Um tipo de véu de renda que cobrem a face ainda é usada por mulheres europeias e de diversas denominações cristãs em funerais.
No norte da Índia, mulheres hindu frequentemente se cobrem com véus em regiões rurais, particularmente em Gujarat e no Rajastão quando em situações tradicionais e diante de homens mais velhos. Este véu é denominado Ghoonghat ou Laaj.
Apesar da religião ser comumente indicada como a razão para o uso do véu, essa prática também reflete situações políticas e alegam de pretexto também serve como meio para a exposição pública das convicções ideológicas da pessoa que o usa.
O Véu no Judaísmo 300px|thumb| Mulher judia orando enquanto usa um Tichel
O uso do véu entre mulheres judias casadas é, segundo formas mais restritas do Judaísmo ortodoxo, uma expressão da devoção e amor exclusivos de uma mulher pelo seu marido. Dessa forma, o Tichel e outras formas de cobertura para os cabelos, considerado uma parte sensual do corpo, são recomendados a mulheres judias de tradições mais ortodoxas como um ato de modéstia. E torna próprio a devoção religiosa da mulher judaica.
O uso de cobertura para o cabelo é referido na Torah (Números 5:18), onde a cerimônia de punição a mulheres acusadas de adultério se inicia pela remoção dessa cobertura por um sacerdote. A Mixná (Ketuboth 7:6) e o Talmude (Ketuboth 72) também se referem à cobertura dos cabelos como uma obrigação feminina. Tanto a Torah (Cântico dos Cânticos 4:1) como o Talmud (Berakhot 24a) se referem aos cabelos como objeto de erotismo e sexualidade (ervah).
Véus bordados também são usados de forma simbólica como coberturas para a arca que contém os rolos da Torah nas sinagogas. Essa cortina ou véu chamado parochet, é uma herança do véu do tabernáculo e dos véus que originalmente cobriam a Arca da Aliança e o Santo dos Santos (Kodesh Hakodashim) no Templo de Jerusalém. Esses véus separam fisicamente aqueles espaços considerados particularmente sagrado de outros espaços, e limitam o acesso a esses espaços.
O Véu no Cristianismo (Ver Artigo Principal: Cobertura de cabeça cristã) Véus litúrgicos thumb|250px|esquerda|Véu eucarístico cobrindo o cálice e a pátena
Dentre as igrejas cristãs que possuem tradições litúrgicas, diferentes tipos de véus são usados. Muitos desses véus estão associados ao véu do Tabernáculo do deserto e ao véu do Santo dos Santos do Templo de Salomão. O propósito desses véus é, em geral, proteger os objetos mais sacros, em particular a Eucaristia: o Véu do Tabernáculo, usado para cobrir o Sacrário, usado particularmente na liturgia Católica Romana, mas também em outras tradições, é usado quando a Eucaristia está dentro do sacrário; o Cibório, o cálice onde as hóstias são armazenadas na tradição Católica, é protegido por um véu quando as hóstias que armazena foram consagradas; antes parte obrigatória da liturgia, hoje são considerados opcionais; o cálice e pátena contendo o vinho e o pão eucarísticos são também cobertos com um véu para evitar que os materiais sejam contaminados ou derramados. Na tradição católica um único véu é usado para ambos os materiais; nas igrejas orientais três véus são usados: um para o cálice, outro para a pátena e um terceiro, o Aër, para cobrir os dois anteriores; o Véu umeral é uma veste litúrgica utilizada no Rito romano, bem como em algumas igrejas Anglicana e Luterana durante a exposição do Santíssimo Sacramento; durante a quaresma, muitas igrejas velam seus crucifixos com véus de cor roxa, vermelha ou preta, a depender da tradição litúrgica, para demonstrar luto pela morte de Cristo.
Véu feminino thumb|230px|direita|Freiras usando véu. Tradicionalmente no cristianismo, as mulheres eram encorajadas a cobrir suas cabeças dentro das igrejas, bem como era (e ainda é, em muitos lugares) costume entre os homens descobrir as cabeças em sinal de respeito. Essa prática é baseada no texto bíblico da primeira epístola aos Coríntios atribuída a Paulo de Tarso:
Enquanto a autoria dessa carta é quase unanimemente atribuída a Paulo de Tarso, o trecho acima entretanto é considerado por diversos estudiosos bíblicos como uma adição posterior, contemporânea das epístolas pastorais, por ter estilo e doutrina em geral divergentes do defendido em outros trechos atribuídos a Paulo.
Durante a Antiguidade Tardia, Idade Média e Idade Moderna a maioria das mulheres europeias e bizantinas casadas cobriam suas cabeças com uma variedade de tipos diferentes de véus.SHANK, Tom. Let Her Be Veiled,(Eureka, Montana. 1992.
Nas Igreja Ortodoxa, Igrejas Ortodoxas Orientais e em algumas igrejas Protestantes o costume de cobrir a cabeça nas igrejas, ou mesmo em orações privadas em casa, ainda é mantido. Na Igreja Católica, era costumeiro na maioria das localidades a cobertura da cabeça por véus, capas, estolas, echarpes e barretes, até a década de 1960. O costume, apesar de não mais obrigatório, continua em locais onde é considerado um prática de etiqueta, cortesia ou elegância. tradicionalistas católicos porém ainda mantém a prática. O uso de cobertura para a cabeça foi pela primeira vez tornado obrigatório e universal na Igreja Latina pelo Código de Direito Canônico de 1917 que foi revogado pelo atual Código de Direito Canônico de 1983. apesar de muitos tradicionalistas católicos disputarem a respeito da legalidade da revogação.
Um véu sobre o cabelo faz parte do vestuário e hábito da maioria das ordens de freiras e irmãs religiosas na Igreja Católica e em algumas ordens religiosas femininas Anglicanas. Na era medieval, mulheres casadas normalmente cobriam a cabeça com véus, depois copiados pelo vestuário das freiras, indicando sua posição como "noivas de Cristo". Em muitas ordens um véu branco, o véu da provação, é usado durante o noviciado e um véu preto, o véu da profissão, depois que os votos são tomados. As cores no entanto variam entre as diferentes ordens. Em certas Igrejas Católicas Orientais e algumas Igrejas Ortodoxas, um véu chamado em grego επανωκαλύμμαυχο epanokalimafko)Ελληνικό Λεξικό (Dicionário Grego): Επανωκαλύμμαυχο] é usado por religiosos de ambos os sexos (monges e freiras), cobrindo um chapéu denominado καλυμμαύχι (kalimafki).Igreja ortodoxa em Bruxelas: Terminologia religiosaLeo Rosten, Religions of America (Simon and Schuster 1975), p. 122
O reformador Martinho Lutero, o Reformador Protestante, incentivou as esposas a usarem um véu no culto público. Tal prática é comum entre pietistas e laestadianos na Escandinávia, Alemanha (principalmente entre diaconisas e membros da Irmandade Evangélica de Maria), luteranos conservadores da América do Norte, e em geral entre as igrejas luteranas da África, Oriente Médio e sul da Ásia.
Outros reformadores como João Calvino e John Knox também entendiam quem as mulheres deveriam cobrir a cabeça no culto público.John Knox, "The first blast of the trumpet against the monstruous regiment of women", Works of John Knox, David Laing, ed. (Edinburgh: Printed for the Bannatyne Club, IV:377Seth Skolnitsky, trans., Men, Women and Order in the Church: Three Sermons by John Calvin (Dallas, TX: Presbyterian Heritage Publications, 1992), pp. 12,13. Similar posição tinha John Wesley, o fundador do Metodismo.
No Brasil denominações cristãs como a Congregação Cristã no Brasil, católicos tradicionalistas como a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, Casa de Oração dentre outras adotam o uso de véus durante serviços religiosos e orações.
Os Menonitas e outras religiões americanas também adotam o uso do véu nos contextos de culto ou até mesmo no cotidiano.
No Reino Unido, é comum as mulheres usarem uma cobertura de cabeça cristã enquanto frequentam serviços religiosos formais, como casamentos na igreja.
O Véu no Islã thumb|upright|Mulher usando um véu e vestuário compatível com o hijab Uma variedade de peças de vestuário para a cabeça são usados por mulheres e meninas muçulmanos de acordo com o hijab (o princípio da modéstia no vestuário), normalmente sendo referidos no ocidente como véus. O principal objetivo do véu muçulmano é ocultar aquilo que poderia ser considerado sexualmente atraente para os homens. Muitas dessas peças de vestuário cobrem os cabelos, orelhas e garganta, mas não a face.
O khimar é uma espécie de lenço para a cabeça.