O Deserto dos Tártaros (título em português para o original italiano Il deserto dei Tartari) é um romance escrito pelo escritor italiano Dino Buzzati, publicado originalmente em 1940 e descrito pelo crítico brasileiro Antonio Candido como “romance do desencanto” . Em sua lista dos 100 livros do século XX, o jornal francês Le Monde relacionou-o na 29ª posição.
O romance foi escrito em 1939 durante o período em que o autor trabalhava no jornal Corriere della Sera em rotina noturna entediante, fazendo-o questionar-se que aquilo "continuasse ao infinito" e ele tivesse uma existência inútil, o que o inspirou a colocar sua exasperação numa fortaleza remota, "quase que por instinto", escrevendo-o nas madrugadas quando voltava para casa.
No enredo o autor descreve a decadência de um oficial, Giovanni Drogo, um jovem tenente que não conseguira um posto decente e fora enviado para uma remota fronteira onde tudo é monotonia e, após muitos anos sem que consiga uma transferência e nada aconteça, vem finalmente a adoecer justamente quando ocorre uma invasão. Por sua inação, é dispensado pelo novo comando, e morre sozinho e esquecido numa pousada, sem nenhuma glória, derrotado após uma vida de espera.
A obra inspirou um filme homônimo do diretor Valerio Zurlini sobre qual o cineasta Ugo Giorgetti, na apresentação da edição brasileira, declarou: "Apesar do grande talento desse diretor, quando vi o filme fiquei um pouco decepcionado. É que, infelizmente para ele, eu já tinha lido o livro".
Enredo
O crítico Otto Maria Carpeaux assim resumiu seu enredo: “Il deserto dei tartari é o romance de um jovem oficial que passa a vida inteira, frustrado, numa fortaleza de fronteira, esperando o ataque de inimigos que talvez não existam.”
De fato o personagem principal, Giovanni Drogo, conclui sua formação na academia e tem o desejo de ascender na carreira militar, almejando a glória e combates mas, por não ter a malícia ou influência, acaba por ser nomeado para a fortaleza Bastiani, um forte fronteiriço no norte, distante de tudo e voltado para um deserto cujo único trabalho é a longa espera por uma invasão que nunca acontece.
No registro de Rinaldo Gama, "os anos passam e os inimigos não aparecem, o que torna a espera e tudo o que ela envolve e representa uma espécie de renúncia à vida, posto que a fortaleza parece situada fora do mundo algo insuportável".
Adaptações e influência miniaturadaimagem|180px|Cidadela de Bam, no Irã, foi o cenário cinematográfico do filme de 1976. Durante um tempo a obra foi considerada impossível de ser levada ao cinema, tendo Michelangelo Antonioni desistido de filmá-lo, até que o diretor Valerio Zurlini levou à frente o trabalho, para tanto realizando as filmagens em uma fortaleza no Irã, país que se tornou um dos parceiros da obra, ambientando a história no final do Império Austro-Húngaro dentro da ótica do neorrealismo.
Em 17 de maio de 2024 a editora italiana Bonelli lançou uma história em quadrinhos baseada na obra de Buzzati, com adaptação de Michele Medda e desenhos feitos por Pasquale Frisenda.
O livro A chegada dos bárbaros (1983), do sul-africano vencedor do Nobel J. M. Coetzee, é claramente influenciado pelo livro de Buzzati, pois "se ocupa da mobilização eterna a troco de nada, em terras distantes e fronteiriças", como informa a crítica do jornal Folha de S.Paulo.
Categoria:Romances da Itália Categoria:Livros de 1940