Um teste de gravidez é usado para determinar se uma mulher está grávida ou não. Os dois métodos principais são a testagem do hormônio da gravidez (gonadotrofina coriônica humana (hCG)) no sangue ou na urina, utilizando um kit de teste de gravidez, e a realização de exame por ultrassonografia. Testes de sangue para hCG permitem a detecção mais precoce da gravidez. Quase todas as mulheres grávidas terão um teste de urina positivo uma semana após o primeiro dia de atraso da menstruação.
Tipos
Gonadotrofina coriônica humana (hCG)
Identificada no início do século XX, a gonadotrofina coriônica humana (hCG) é um hormônio glicoproteico que aumenta rapidamente nas primeiras semanas da gestação, atingindo geralmente o pico entre 8 e 10 semanas de idade gestacional. O hCG é produzido pelo que se tornará a placenta. A testagem pode ser feita por meio de amostra de sangue (soro) — geralmente em ambiente médico — ou com urina, que pode ser realizada em laboratório ou em casa. Os ensaios usados para detectar a presença de hCG no sangue ou na urina são, em geral, confiáveis e baratos. A secreção do hCG pode ocorrer já seis dias após a ovulação, em média entre 8 e 10 dias após a ovulação; este é o período mais precoce em que o hCG pode ser detectado no sangue. A concentração de hCG no sangue é mais alta que na urina; portanto, um exame de sangue pode ser positivo mesmo quando o de urina ainda é negativo. Testes qualitativos (resultados sim/não ou positivo/negativo) verificam a presença da subunidade beta da gonadotrofina coriônica humana no sangue ou na urina. Para um teste qualitativo, os limites para um resultado positivo são geralmente determinados por um valor de corte de hCG no qual pelo menos 95% das mulheres grávidas teriam um resultado positivo no dia do primeiro atraso menstrual. Testes qualitativos de urina variam em sensibilidade. Testes de alta sensibilidade são mais comuns e geralmente detectam níveis de hCG entre 20 e 50 miliunidades internacionais/mL (mUI/mL). Testes de baixa sensibilidade detectam níveis de hCG entre 1500 e 2000 mUI/mL e têm aplicações clínicas específicas, como a confirmação do sucesso de um aborto medicamentoso. Testes qualitativos de urina disponíveis para uso doméstico são normalmente projetados como teste de fluxo lateral.
Testes quantitativos medem a quantidade exata de hCG na amostra. Testes de sangue podem detectar níveis de hCG tão baixos quanto 1 mUI/mL, e, em geral, médicos consideram positivo um teste a partir de 5 mUI/mL. +Tabela 1. Limiares de detecção da gonadotrofina coriônica humana (hCG) por tipo de teste e tipo de amostraTeste de gravidez de urinaTeste de gravidez de sangueLimiares de detecçãoAlta sensibilidade: Teste qualitativo: 20 a 50 mUI/mL, dependendo do teste
Baixa sensibilidade:
Teste qualitativo: 1500–2000 mUI/mL, dependendo do testeTeste qualitativo: 5 a 10 mUI/mL, dependendo do teste
Teste quantitativo:
1 a 2 mUI/mL em teste ultrassensível Existe um teste de gravidez de urina multinível (MLPT) que mede os níveis de hCG de forma semiquantitativa. Os níveis de hCG são medidos em <25, 25 a 99, 100 a 499, 500 a 1999, 2000 a 9999 e >10.000 mUI/mL. Esse teste tem utilidade para determinar o sucesso de um aborto medicamentoso.
Ultrassom A Ultrassonografia obstétrica também pode ser usada para detectar e diagnosticar a gravidez. É muito comum um teste de urina domiciliar positivo antes de uma ultrassonografia. Podem ser usadas tanto a abdominal quanto a vaginal, mas a vaginal permite uma visualização mais precoce da gestação. Com a ultrassonografia obstétrica, o saco gestacional (coleção intrauterina de líquido) pode ser visualizado entre 4,5 e 5 semanas de gestação, o saco vitelino entre 5 e 6 semanas e o polo fetal entre 5,5 e 6 semanas. O ultrassom é usado para diagnosticar gestação múltipla, o que não pode ser feito apenas pela presença de hCG na urina ou no sangue. A determinação da idade gestacional do embrião/feto é outro benefício do ultrassom em comparação aos testes de hCG.
Precisão
Uma revisão sistemática publicada em 1998 mostrou que kits de teste de gravidez caseiros, quando usados por técnicos experientes, são quase tão precisos quanto testes laboratoriais profissionais (97,4%). Quando usados por consumidores, porém, a precisão caiu para 75%: os autores observaram que muitos usuários interpretaram mal ou não seguiram corretamente as instruções dos kits. Falso positivo Resultados falso positivo em testes de gravidez são raros, mas podem ocorrer por várias razões, incluindo:
erro do usuário ao realizar ou interpretar o teste, gravidez bioquímica (perda gestacional antes de sinais detectáveis no ultrassom, geralmente logo após a implantação), e produção de hCG em mulheres não grávidas (isto é, secreção devido a tumor ou pela hipófise, algumas doenças do fígado, cânceres, incluindo coriocarcinoma e outros tumores de células germinativas, deficiência de IgA, anticorpos heterófilos, enterocistoplastias, doença trofoblástica gestacional e neoplasia trofoblástica gestacional). contaminação bacteriana e sangue na urina
Linhas espúrias de evaporação podem aparecer em muitos testes de gravidez caseiros se forem lidos após a janela de 3–5 minutos recomendada, independentemente de uma gravidez real. Falsos positivos também podem ocorrer em testes utilizados após a data de validade.
Devido ao uso de medicamentos Testes de urina podem dar falsos positivos em pessoas que usam os medicamentos: clorpromazina, prometazina, fenotiazinas, metadona, aspirina, carbamazepina e fármacos que elevam o pH urinário. Texto copiado desta fonte, disponível sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Falso negativo Leituras falso negativo podem ocorrer quando o teste é feito cedo demais. Os níveis de hCG aumentam rapidamente no início da gestação e a chance de resultado falso negativo diminui com o tempo (aumentando a idade gestacional). Testes de urina menos sensíveis e exames sanguíneos qualitativos podem não detectar a gravidez até três ou quatro dias após a implantação. A menstruação ocorre, em média, 14 dias após a ovulação, então a probabilidade de um falso negativo é baixa quando o ciclo já está atrasado. Entretanto, a ovulação pode não ocorrer em um tempo previsível do ciclo menstrual. Diversos fatores podem causar uma ovulação inesperadamente precoce ou tardia, mesmo em mulheres com histórico de ciclos regulares. Profissionais de saúde muitas vezes têm dificuldade em “descartar” gravidez antes de realizar procedimentos ou exames que não podem ser feitos em gestantes, já que o teste de urina só pode ser confiável alguns dias depois.
Mais raramente, resultados falso negativos também podem ocorrer devido ao chamado efeito gancho, em que uma amostra com níveis muito altos de hCG é testada sem diluição, produzindo um resultado inválido. Outros usos Testes de gravidez podem ser usados para prever se uma gravidez provavelmente continuará ou será anormal. Aborto espontâneo, ou perda gestacional, é comum no início da gestação. Testes sanguíneos quantitativos seriados podem ser realizados, geralmente com 48 horas de intervalo, e interpretados com base no conhecimento de que a hCG em uma gravidez viável e normal aumenta rapidamente no início da gestação. Por exemplo, para um nível inicial de hCG de 1.500 mUI/ml ou menos, a hCG de uma gravidez normal em continuidade aumentará pelo menos 49% em 48 horas. No entanto, para gestações com nível inicial de hCG mais alto, entre 1.500 e 3.000 mUI/ml, a hCG deve subir pelo menos 40%; para um nível inicial de hCG maior que 3.000 mUI/ml, a hCG deve aumentar pelo menos 33%. A não elevação nesses mínimos pode indicar que a gravidez não é normal, seja como uma gestação intrauterina fracassada ou uma possível Gravidez ectópica.
A ultrassonografia também é uma ferramenta comum para determinar a viabilidade e a localização de uma gravidez. Ultrassonografias seriadas podem ser usadas para identificar gestações inviáveis, já que gestações que não crescem em tamanho ou não apresentam achados estruturais esperados em exames repetidos ao longo de 1 a 2 semanas podem ser identificadas como anormais. Ocasionalmente, uma única ultrassonografia pode ser usada para identificar uma gravidez como inviável; por exemplo, um embrião maior que um determinado tamanho, mas sem batimento cardíaco visível, pode ser determinado com segurança como não viável sem necessidade de ultrassonografia de acompanhamento para confirmação.
Pesquisa Pesquisas identificaram pelo menos um outro possível marcador que pode aparecer mais cedo e exclusivamente durante a gravidez. Por exemplo, o Fator de gravidez precoce (EPF) pode ser detectado no sangue dentro de 48 horas após a fecundação, em vez de após a implantação. No entanto, seu uso confiável como teste de gravidez permanece incerto, já que estudos mostraram sua presença em situações fisiológicas além da gravidez, e sua aplicação em humanos continua limitada.Clarke FM. Controversies in assisted reproduction and genetics. Does "EPF" have an identity?. J Assist Reprod Genet. 1997;14(9):489–491. doi:10.1023/a:1021110906666
História miniatura|direita|220px|A Visita do Médico de Jan Steen. Incluída nesta pintura do século XVII está a representação de um teste de gravidez duvidoso: uma fita mergulhada na urina da paciente e depois queimada.Clark, Stephanie Brown. (2005).Jan Steen: The Doctor's Visit.Literature, Arts, and Medicine Database. Retrieved 27 May 2007. Lubsen-Brandsma, M.A. (1997). Jan Steen's fire pot; pregnancy test or gynecological therapeutic method in the 17th century?. Ned Tijdschr Geneeskd, 141(51), 2513–7. Retrieved 24 May 2006. "The Doctor's Visit." (n.d.). The Web Gallery of Art. Retrieved 24 May 2006.
Egito (2.500 a.C. - 3.500 a.C.) Registros de tentativas de testes de gravidez foram encontrados no Egito Antigo.JONCKHEERE, Frans. Documents Egyptiens sur la durée de la gestation, XIV Congr. int. d'Hist. Méd., Rome, 1954, vol. II, p. 846. Os egípcios antigos regavam sacos de trigo e cevada com a urina de uma possível gestante. A germinação indicava gravidez. O tipo de grão que brotava era interpretado como indicador do sexo do feto. O método inventado pelos egípcios foi documentado no papiro médico de Kahoun, no papiro de Berlim nº 3038 e no papiro de Carlsberg e posteriormente copiados pelas culturas da culturas da Grécia antiga. Os manuscritos egípcios são datados de 2.500 anos antes de Cristo (A.C) a 3.500 A.C.
Grécia Na Grécia Antiga (cerca de 400 a.C.), os métodos de detecção de gravidez, tanto da escola hipocrática quanto da helênica, eram muito semelhantes aos métodos usados pelos egípcios. Ainda se acreditava que a urina de mulheres grávidas continha componentes vitais que estimulavam a germinação das sementes. No entanto, métodos que interferiam diretamente no corpo da mulher também eram amplamente utilizados. Os gregos, assim como os antigos egípcios, também acreditavam que se uma mulher sentisse náuseas após beber leite ou com o cheiro de cerveja, isso significava que ela estava grávida. Esses testes foram amplamente utilizados até a Idade Média.
Da Idade Média ao século XVII Técnicas ligeiramente mais empíricas começaram a ser usadas na Idade Média. A avaliação visual das características físicas da urina (por exemplo, cor, transparência) para detectar gravidez tornou-se um método popular na época. Surgiram na Europa médicos especializados em uroscopia, os chamados "profetas da urina"; eles se especializavam no diagnóstico de muitas doenças com base na avaliação visual de uma amostra de urina, ou seja, uroscopia. As raízes da uroscopia remontam ao antigo Egito, Babilônia e Índia, e foram especialmente importantes na medicina bizantina. Essas técnicas eram comumente usadas por Avicena (980 – 1037).
Alemanha (década de 1920)