150px|thumb|right|Santa Joana d'Arc, a virgem vitoriosa de Orléans Virgindade religiosa, também denominada Virgindade sacra, Sagrada Virgindade ou Santa Virgindade, é um conceito de profunda importância na tradição cristã, particularmente na teologia católica e ortodoxa. Está intimamente associada à figura da Virgem Maria, modelo e símbolo supremo da pureza e da entrega total a Deus. A virgindade, quando consagrada, é considerada pela Igreja como uma das formas mais elevadas de vida cristã, expressão sublime do amor indiviso a Cristo e sinal escatológico do Reino dos Céus.
No seio da Igreja Católica, os votos de castidade e celibato são elementos essenciais para a entrada na vida monástica e para a ordenação sacerdotal, constituindo uma consagração do corpo e do coração ao serviço exclusivo de Deus e da Igreja. A Sagrada Virgindade e a perfeita castidade, segundo o Magistério, figuram entre os mais “preciosos tesouros deixados como herança por Cristo à Sua Igreja”, conforme ensina o Papa Pio XII na encíclica Sacra Virginitas (1954).
O Concílio de Trento reafirmou solenemente a doutrina tradicional de que a santa virgindade, quando consagrada a Deus, é mais excelente que o matrimônio, não por desprezar este sacramento, mas por expressar de modo mais pleno a entrega total e indivisa ao Senhor. Esta distinção não implica hierarquia de dignidade moral, mas de finalidade espiritual, na medida em que a virgindade aponta diretamente para a união definitiva com Deus, antecipando a realidade celeste.
Sobre este tema, São João Paulo II, na Exortação Apostólica Familiaris consortio (n. 16), ensina:
150px|thumb|left|Santa Maria Goretti, virgem e mártir
Ao longo da história, inúmeros documentos eclesiásticos e santos doutores louvaram a sagrada virgindade e a castidade perfeita “pelo Reino dos Céus” (). Pio XII, em sua já mencionada encíclica, descreve-a como “o mais belo florão da Igreja”, digno de ser chamado de “virtude angélica”, pois eleva a alma a um estado de pureza e liberdade interior semelhante à dos anjos.
A reflexão sobre a virgindade consagrada encontra rica expressão nos escritos patrísticos e teológicos, nos quais a pureza é vista não apenas como abstinência, mas como configuração espiritual a Cristo, Esposo da alma. Entre os que trataram deste tema com particular profundidade estão:
Santo Ambrósio, em De Virginibus, De Virginitate De Institutione Virginis e de Exhortatio Virginitatis. Santo Agostinho, em De Sancta Virginitate; São Cipriano, em De Habitu Virginum; São Metódio, bispo de Olimpo, em Convivium decem virginum; São Boaventura, em De Perfectione Evangelica; Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica (II-II, q. 186, a.4); São João Crisóstomo, em De Virginitate;
Ver também Castidade Celibato Familiaris consortio, exortação de São João Paulo II Sacra virginitas, encíclica de Pio XII Virgindade
Bibliografia SADA, Ricardo e MONROY, Alfonso. Curso de Teologia Moral. Tradução de José Coutinho de Brito. Lisboa: Ed. Rei dos Livros, 1998. ISBN 972-51-0713-6
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