thumb|350px|Mapa de localidade da ocorrência de rochas vulcânicas, Município de Nova Iguaçu, estado do Rio de Janeiro, Brasil O Vulcão de Nova Iguaçu é uma hipótese de trabalho para interpretação geológica das rochas vulcânicas, especialmente rochas piroclásticas, que ocorrem no limítrofe nordeste do maciço Mendanha, no Estado do Rio de Janeiro, Brasil. A partir de 2004 até 2008, esta hipótese foi discutida em comunidades científicas de geologia entre os grupos a favor e contra, sendo uma questão em aberto.
Em 1980, Victor Carvalho Klein e André Calixto Vieira,Klein, V.C., Vieira, A.C. 1980b. Vulcões do Rio de Janeiro: Breve geologia e perspectivas. Mineração Metalurgia, v. 419, p. 44-46. propuseram um vulcão extinto com cone vulcânico, cratera vulcânica e bomba vulcânica em Nova Iguaçu. A partir de 2004 a mídia divulgou esta hipótese, resultando um fenômeno social. Ocorreu também um movimento para registrar o Parque Municipal de Nova Iguaçu à UNESCO como o "Geoparque do Vulcão de Nova Iguaçu". Entretanto, a partir de 2006 as publicações em periódicos científicos de autoria de Akihisa Motoki, Rodrigo Soares, Susanna Eleonora Sichel, José Ribeiro Aires, etc.Motoki, A., Sichel, S.E. 2006. Avaliação de aspectos texturais e estruturais de corpos vulcânicos e subvulcânicos e sua relação com o ambiente de cristalização, com base em exemplos do Brasil, Argentina e Chile. Revista Escola de Minas, v. 59, n.1, p. 13-23.Motoki, A., Soares, R., Netto, A.M., Sichel, S.E., Aires, J.R., Lobato, M. 2007a. Reavaliação do modelo genético do Vulcão de Nova Iguaçu, RJ: origem eruptiva ou intrusão subvulcânica? Revista Escola de Minas, Ouro Preto, v. 60, n. 3, p. 583-592.Motoki, A., Soares, R., Lobato, M., Sichel, E.S., Aires, J.R. 2007b. Feições intempéricas em rochas alcalinas félsicas de Nova Iguaçu, RJ. Revista Escola de Minas, v. 60, n. 3, p. 451-458.Motoki, A., Soares, R., Netto, A.M., Sichel, E.S., Aires, J.R., Lobato, M. 2007c. Forma de ocorrência geológica dos diques de rocha piroclástica no Vale do Rio Dona Eugênia, Parque Municipal de Nova Iguaçu, RJ. Revista Geociências, Rio Claro, v. 26, n. 1, p. 67-82.Motoki, A., Petrakis, G.H., Sichel, S.E., Cardoso, C.E., Melo, R.C., Soares, R.S., Motoki, K.F. 2008a. Origem dos relevos do Maciço Sienítico do Mendanha, RJ, com base nas análises geomorfológicas e sua relação com a hipótese do Vulcão de Nova Iguaçu. Revista Geociências, Rio Claro, v. 27, n. 1, p. 99-115. revelaram que as rochas com aparência de origem eruptiva são, de fato, constituintes de corpos intrusivos subvulcânicos, demonstrando inexistência de cratera, cone, bomba vulcânica, lava e fluxo piroclástico e, consequente inexistência do referido vulcão extinto. Até 2009, nas comunidades acadêmicas as discussões acima citadas foram concluídas com a inexistência do Vulcão de Nova Iguaçu. Foram publicados em periódicos científicos qualificados cinco artigos com a opinião contra e zero artigo com a opinião a favor da hipótese do existência do suposto edifício vulcânico .
Havia erupções vulcânicas explosivas nesta região, com provável formação de edifícios vulcânicos na superfície daquele tempo, entretanto o intenso evento posterior de soerguimento regional e denudação eliminaram completamente a morfologia e os depósitos eruptivos daquele tempo, expondo a estrutura subterrânea na superfície atual. Os corpos geológicos presentes no Parque Municipal de Nova Iguaçu constituíam câmara magmática e condutos subvulcânicos por 3 km de profundidade no tempo das erupções. Esses são raros exemplos geológicos do mundo que expõem estruturas subvulcânica. Por outro lado, o mito do vulcão ainda continua em nível popular, especialmente em grupos de promoções turísticas.
Localização A localidade em questão está presente no município de Nova Iguaçu, a cerca de 35 km ao oeste-noroeste da cidade do Rio de Janeiro, Brasil. No flanco nordeste do maciço Mendanha, a cerca de 2 km ao sul-sudeste da Estação Nova Iguaçu de trem, ocorre um vale de forma de ferradura aberto ao norte. Sua cabeceira tem forma semi-arredondada, aproximadamente 700 m segundo E-W, 800 m segundo N-S, com profundidade de 180 m, cujo centro situa-se em S22°46’25", W43°28’5". Ao longo dessa área, ocorrem picos de altitude superior a 400 m, tais como Pedra da Contenda, Pedra Austral, Pedra do Confeito e Pico do Contento. Esses picos expõem rochas compostas de agregação de fragmentos, denominadas rochas piroclásticas, que são originadas de explosões vulcânicas.
Proposta da hipótese do Vulcão de Nova Iguaçu A hipótese do Vulcão de Nova Iguaçu foi proposta por geólogos Viktor Carvalho Klein e André Calixto Vieira em 1980 Klein, V.C., Vieira, A.C. 1980a. Uma chaminé vulcânica na Serra de Madureira, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Academia Brasileira de Ciências, comunicação breve, Rio de Janeiro, 52, p. 200., baseada na ocorrência de rochas piroclásticas, inclusive bomba vulcânica, considerando as rochas piroclásticos como depósitos de fluxo piroclástico que constituem um "completo edifício vulcânico extraordinariamente bem preservado". Foi concluída com base nesses trabalhos, uma tese de doutorado. A bomba de crosta-de-pão foi um destaque dos trabalhos de Klein e seus co-autores.Klein, V.C., Ávila, C.A., Dayan, H. 2001. Bombas "crosta de pão" (bread crust) no sepósitos piroclásticos do Vulcão de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Boletim de Resumos do 7º Simpósio de Geologia do Sudeste, Rio de Janeiro, SBG, CD, 1p. Foi apresentada, também, uma cartilha de guia para excursão geológica.Vieira, A.C., Klein, V.C. 2004. Vulcão de Nova Iguaçu, o vulcão brasileiro. CREA-RJ, 10p. (inédito) Entretanto, as opiniões acima citadas não foram publicadas em periódicos científicos, portanto a hipótese do Vulcão de Nova Iguaçu não chegou a transformar em uma teoria científica aceita nas comunidades acadêmicas.
Desenvolvimento posterior No início do século XXI, foram realizados os estudos geológicos relativos à hipótese do Vulcão de Nova Iguaçu por um outro grupo de pesquisa, composto dos geólogos de múltiplas instituições, tais com Mauro Geraldes, Ana Maria Netto, Diana Ragatky e Lílian Silveira da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Sergio Valente da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Edson Mello da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Felipe Medeiros, e André Ghizi do Departamento de Recursos Minerais do estado do Rio de Janeiro (DRM-RJ), etc. Os membros deste grupo propuseram a presença da cratera vulcânica,Geraldes, M.C., Netto, A.M. 2004b. O construtivismo no ensino de geologia para a população na área de preservação ambiental no Geoparque do Vulcão de Nova Iguaçu-RJ. Anais de 42º Congresso Brasileiro de Geologia, Araxá, SBG, CD, 1p. o que era comentada oralmente por Vieira.
Divulgação científica Em 2004, o DRM-RJ começou uma campanha de divulgação científica da geologia de Nova Iguaçu, com atenção especial do Parque Municipal, com o objetivo de transformação da linguagem científica em popular. Como uma parte do projeto "Caminhos Geológicos",Mansur, K., Erthal, F. 2004. Projeto Caminhos Geológicos e seus Desdobramentos no Estado do Rio de Janeiro. Anais do 43º Congresso Brasileiro de Geologia, Araxá, SBG, CD, 1p. foram instaladas placas explicativas da geologia local em pontos estratégicos da hipótese do vulcão. As mesmas matérias estão expostas na homepage do DRM-RJ.Ghizi, A., Mansur, K., Vieira, A.C. 2004a. Geoparque do Vulcão de Nova Iguaçu. Homepage do Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro - DRM ., Acesso: 31 de dezembro de 2006. Essas informações, especialmente a cratera vulcânica, foram bem recebidos por os grupos de promoções turísticos,PontosBr. 2007. Vulcão extinto no Brasil. Acesso: 24 de julho de 2007.GuiaCamp 2005. Quem disse que Campo Grande não tem vulcão? Homepage de GuiaCamp. Acesso 31 de dezembro de 2006. A página já foi retirada do ar (confirmado no dia 27 de dezembro de 2010).Carioquinha. 2006. Pontos Carioquinha 2006. Acesso: 20 de maio de 2006.IBG. 2007. Portal da Bahia de Guanabara, a geologia. Instituto de Bahia de Guanabara.TURIS BAIXADA. O seu portal do turismo na Baixada Fluminense . 2007. Acesso: 20 de maio de 2006.Trilha a pé. 2006. Trekking no vulcão , Acesso: 20 de maio de 2006. sendo que, o vulcão com a cratera começou a ser acreditada pelo público em geral.
Fenômenos sociais A partir de 2004, a mídia como a Rede Globo Rede Globo. 2004. Aventura, o vulcão carioca do esporte. Entrevista do Geólogo André Calixto Vieira. Jornal Hoje, 21 de março. Acesso, 31 de dezembro de 2006.Ele reina absoluta. Entrevista do Geólogo André Calixto Vieira. Jornal Hoje, 18 de junho, 2005, 31 de dezembro de 2006. e a Folha de S.Paulo divulgaram a hipótese do Vulcão de Nova Iguaçu, com base na entrevista de um geólogo idealizador do vulcão. As entrevistas afirmaram que a estrutura geológica de Nova Iguaçu é o "único vulcão existente do Brasil" com "nítida morfologia da cratera" vulcânica e do cone vulcânico. Paralelamente, foram realizadas as palestras em CREA-RJ e DRM-RJ. Os conteúdos foram retransmitidos por fontes não científicas, tais como a homepage da Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu, da Prefeitura de Mesquita, o município vizinho, Wikipedia Nova Iguaçu, Wikipedia Turismo em Nova Iguaçu e Wikipedia Mendanha. Sob essa influência, o Topshopping Nova Iguaçu realizou a Exposição Vulcão. Tribunal da Conta do Estado do Rio de Janeiro declarou a suposta cratera vulcânica como uma atração turística natural de Nova Iguaçu e de Mesquita.TCE-RJ. 2004. Estudo sócio econômico 2004, Nova Iguaçu. Tribunal de Conta do Estado do Rio de Janeiro, relatório interno, 105p. (inédito) Essas fontes não acadêmicas tinham um interesse especial da cratera vulcânica, comentando o período eruptivo extremamente longo, iniciando-se há 72 milhões de anos e terminando há 40 milhões de anos. Entretanto, essas idades não têm sustentação por datações geocronológicas, sendo controversas com o trabalho de Smith e seus co-autores, que foi publicado em 2001.
No início do ano 2005, a Folha de S.Paulo divulgou que a mineração da Pedreira Vigné estaria destruindo o único vulcão intacto no país, devastando a nítida morfologia da cratera. Essa informação foi reproduzida imediatamente por CPRM, MTC,Pedreira destrói único vulcão intacto do país , Entrevista do Geólogo André Calixto Vieira. JC e-mail, Ministério de Tecnologia e Ciências, n. 2679. 3 de janeiro 2005. Acesso: 31 de dezembro de 2006. SBPC, FUNDEP,FUNDEP. 2005. Pedreira destrói único vulcão intacto do país. Entrevista do Geólogo André Calixto Vieira. FUNDEP, Brasília, 4 de Janeiro de 2005. FAPERJFAPERJ. 2005. Vulcão de Nova Iguaçu está sendo destruído por uma pedreira. Entrevista do Geólogo André Calixto Vieira. Boletim da FAPERJ, 19 de janeiro de 2005. e Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu. Foi entregue ao Ministério Público, uma denúncia do mesmo conteúdo requerendo a interdição da pedreira. Este processo motivou a realização do projeto TAC (instrumento dos termos de ajustamento de conduta aplicados a empreendimentos minerais no estado do Rio de Janeiro).Erthal, F., Mansur, K., Rocha, R.L.S., Nunes, H., Nogueira, G.S. 2004. O instrumento dos termos de ajustamento de conduta aplicados a empreendimentos minerais no estado do Rio de Janeiro. Anais de 42º Congresso Brasileiro de Geologia, Araxá, SBG, CD, 1p. O relatório final escrito por Valente e seus co-autores em 2005 afirmou presença do edifício vulcânico, porém negou a cratera vulcânica, recomendando a reabertura da mineração com escala reduzida.Valente, S.C., Mello, E.F., Palermo, N. 2005. Geologia de uma porção do complexo vulcânico de Nova Iguaçu limítrofe à área de lavra da pedreira Vigné, Nova Iguaçu, RJ. Relatório técnico do Projeto TAC. Ministério Público, Nova Iguaçu, 72p. (inédito)