Fundão é um município brasileiro no litoral do estado do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Localiza-se na Região Metropolitana da Grande Vitória, estando situado a cerca de a norte da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.

A sede tem uma temperatura média anual de 23,2 °C e na vegetação do município predomina a Mata Atlântica. Com uma taxa de urbanização da ordem de 84%, o município contava em 2009 com cinco estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,718, considerando-se assim como alto.

Fundão foi emancipado do extinto município de Nova Almeida em 1923. Atualmente, é formado pela cidade de Fundão e pelos distritos de Praia Grande, Timbuí e Irundi. O nome do município se deve ao Rio Fundão, que banha a sede. A principal atividade econômica do município é a cafeicultura, porém, a maior participação do Produto Interno Bruto (PIB) municipal é do setor de indústria.

Integrante da rota turística Caminho dos Imigrantes, Fundão abriga o Pico do Goiapaba-Açu, elevação granítica de 850 metros de altitude onde se situa o Parque Municipal do Goiapaba-Açu. Praia Grande é um dos principais pontos turísticos da região, tendo entre os seus frequentadores mineiros e capixabas de outras cidades. Entre os meses de dezembro e janeiro, realizam-se em Timbuí e Fundão as festas de São Benedito e São Sebastião, em que se apresentam as bandas de congo.

História

Origens thumb|left|A Casa da Cultura de Fundão, à direita, ainda como residência da família Agostini, e a antiga estrada de ferro antes de 1922, quando a sede do município era Nova Almeida. Fundão sucede historicamente o antigo município de Nova Almeida. Nova Almeida foi fundada às margens do rio Reis Magos como a Aldeia dos Reis Magos em 6 de janeiro de 1557 por jesuítas e pela tribo temiminó, sob liderança do cacique Maracaiaguaçu, pai de Arariboia. Em 1757, Nova Almeida foi elevada a paróquia e vila e, em 1760, a comarca. Por diversos fatores, nas décadas seguintes à de 1820, a população de Nova Almeida, que era de mais de 8 mil habitantes, começou a diminuir, levando à decadência da vila.

Os primeiros imigrantes italianos, da família Agostini, chegaram à atual região de Fundão em 1875, vindos do Tirol para se fixarem em Três Barras (atual Irundi). Nas décadas seguintes, dezenas de outras famílias viriam para Fundão diretamente da Itália ou transferidas de outras regiões, especialmente de Santa Teresa. Durante as obras da Estrada de Ferro Vitória a Minas no interior de Nova Almeida, trabalhadores morreram nas águas do Rio Fundão, assim chamado antes do fim do século XIX por sua profundidade. No mesmo lugar, na Fazenda Taquaraçu, de propriedade do pioneiro Cândido Vieira, surgiria o vilarejo de Fundão.

Formação administrativa thumb|left|Vista de Fundão em 1926. As diversas fontes de pesquisa dão informações desencontradas e contraditórias sobre a formação administrativa do município. A sede foi transferida para Timbuí no início do século XX. A página da Câmara de Fundão e a mensagem de Nestor Gomes, presidente do Espírito Santo, ao Congresso Legislativo estadual em 3 de maio de 1923, dão conta de que o município passou a denominar-se Timbuí ou Timbuhy, mas, no censo de 1920, essa denominação não é referida. Pela lei estadual 1.383, de 5 de julho de 1923, o "antigo município de Nova Almeida" tem a sede transferida de Timbuí para Fundão, de modo que o município passa a se chamar Fundão e a nova sede é elevada à categoria de vila, entrando a lei em vigor em 1º de janeiro de 1924,ESPÍRITO SANTO (estado). Lei 1.383/1923:Transfere séde de municipio e eleva povoação á categoria de villa. Governo do Espirito Santo: Victoria, 1923 quando foi inaugurada a Câmara Municipal na nova sede. Contraditoriamente, fontes como a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e o próprio brasão e a bandeira de Fundão referem o dia 5 de julho de 1933, e não de 1923, como a data da criação do município. Por decreto-lei de 2 de março de 1938, Fundão foi elevado à categoria de cidade. Ainda nesse ano, em 11 de novembro, o distrito de Nova Almeida passou a fazer parte do município da Serra. Na mesma ocasião, o distrito de Três Barras (atualmente, Irundi) foi transferido de Santa Teresa para Fundão.

Em 2002, foi criada a lei municipal 229, que alteraria o nome do município de Fundão para Balneário Reis Magos, mudança esta condiciona à realização de plebiscito eventualmente aprovado pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo.

História recente Os quatro candidatos a prefeito mais bem votados em cada eleição entre 1996 e 2016 (Gilmar de Souza Borges, Maria Dulce Rudio Soares, Marcos Fernando Moraes e Anderson Pedroni Gorza) em algum momento responderam a processos. esquerda|miniaturadaimagem|Prefeitos de Fundão entre 2005 e 2016: acima, Maria Dulce (2005–2008 e 2013–2016) e Marquinhos (2009–2011); abaixo, Anderson Pedroni (2011–2012) e Claydson Rodrigues (2012). Em 2000, durante seu terceiro mandato, Gilmar de Souza Borges foi denunciado ao Ministério Público e contra ele foi criada uma comissão parlamentar de inquérito (CPI), inconclusiva. A partir de 2008, último ano de seu mandato de prefeita, Maria Dulce Rudio Soares foi acusada em uma série de ações civis públicas e denúncias do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), sendo condenada duas vezes por improbidade administrativa em 2012. Maria Dulce teve sua candidatura à reeleição em 2008 temporariamente suspensa, porém validada por meio de recurso. No pleito que se seguiu, Maria Dulce foi derrotada por Marcos Fernando Moraes (PDT).

Em 27 de maio de 2011, desencadeou-se a Operação Tsunami, que prendeu doze acusados de corrupção na prefeitura e na Câmara Municipais, inclusive secretários, vereadores e empresários. Foi pedido pelo Ministério Público à Justiça o afastamento do prefeito Marcos Fernando Moraes e do vice-prefeito Ademir Loureiro de Almeida (PSC) por improbidade administrativa. Os parlamentares denunciantes exigiam a cassação dos mandatos dos políticos envolvidos. No dia 30 de maio, os vereadores decidiram por unanimidade a criação de CPI para investigar indícios de irregularidades na concessão de vale-refeições a servidores da prefeitura. O prefeito Marcos Fernando Moraes, no dia 1º de junho, demitiu os secretários presos.

No dia 3 de junho, a Justiça afastou de seus cargos o prefeito, o vice-prefeito e vários secretários e funcionários da prefeitura. Assumiu como chefe do Poder Executivo o presidente da Câmara Municipal, o vereador Anderson Pedroni Gorza (PCdoB). Marquinhos, por meio de recurso, reassumiu o cargo de prefeito em 3 de agosto após decisão do Tribunal de Justiça do Espírito Santo de 29 de julho. Em decorrência das denúncias de irregularidades no transporte escolar, o MPES entrou com novo pedido de afastamento do chefe do Executivo.

Em 5 de agosto, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) reconduziu Ademir Loureiro de Almeida à função de vice-prefeito, porém, na semana seguinte, a Justiça acatou pedido do MPES que manteve Ademir e outros réus afastados de seus cargos. Em 31 de agosto, o parecer de comissão processante que investigaria Marquinhos e o afastaria por 180 dias foi arquivado.

No dia seguinte (1º de setembro), Marquinhos e Ademir foram novamente afastados da liderança do Executivo pela Justiça, acusados num esquema com transporte escolar. O presidente da Câmara, Anderson Pedroni Gorza, assumiu a prefeitura interinamente mais uma vez em 5 de setembro. O desembargador Pedro Valls Feu Rosa, presidente da Primeira Câmara Criminal do TJES, manteve o afastamento cautelar de Marquinhos em 20 de outubro por meio de liminar, referente aos processos na esfera criminal quanto aos casos do transporte escolar e da contratação emergencial da empresa Ambiental.

Por não enviar à Câmara os balancetes das contas públicas durante sua gestão, em 1º de março de 2012 Gorza também foi afastado do cargo de prefeito interino, em decorrência da abertura de comissão processante, além de ter sido aberta contra ele uma CPI para apurar eventuais irregularidades em obras em escolas, sendo notificado no dia 6. Em seu lugar assumiu, no dia 7, o presidente da Câmara em exercício, Claydson Pimentel Rodrigues. Em 12 de junho, o ex-prefeito interino Gorza teve seu mandato cassado. No dia 15 do mesmo mês, foi arquivada denúncia de suposta irregularidade na contratação para reforma do prédio da Câmara, que resultaria no afastamento de Claydson Pimentel Rodrigues.

Nas eleições de 7 de outubro de 2012, os últimos prefeitos interinos, Anderson Pedroni e Claydson, juntamente com João Manoel (DEM), candidatos a prefeito para a gestão 2013-2016, foram derrotados com 37,43% dos votos para a ex-prefeita Maria Dulce, mesmo condenada em primeira instância pelo TJES por improbidade administrativa devido a superfaturamento.

Em 26 de março de 2015, as contas dos ex-prefeitos Marcos Fernando Moraes e Anderson Pedroni Gorza referentes a 2011 foram rejeitadas pela Câmara Municipal, o que os deixou inelegíveis por oito anos. Nas eleições de 2016, Anderson Pedroni Gorza, já no PSD, foi o candidato a prefeito mais votado em Fundão, com 8.564 votos, 77% do total, mas, por conta do indeferimento de sua candidatura, o prefeito interino desde 1º de janeiro de 2017 até a posse de um novo prefeito eleito foi o presidente da Câmara, Eleazar Ferreira Lopes (então no PCdoB). Após vencer a eleição suplementar em 1º de outubro de 2017, Pretinho Nunes (PDT) foi empossado prefeito no dia 27 do mesmo mês.

Nas eleições municipais de 2020, depois de dezesseis anos fora do cargo, o ex-prefeito Gilmar de Souza Borges foi eleito para um quarto mandato com 50,09% dos votos, contra 47,45% do ex-prefeito interino Eleazar Ferreira Lopes (Podemos) e 2,46% de Carlos Magno Barbosa Fracalossi (PSDB). Nas eleições municipais de 2024, o ex-prefeito interino Eleazar Ferreira Lopes foi eleito com 53,31% dos votos, contra 38,84% do também ex-prefeito interino Anderson Pedroni e 7,85% do vereador Aélcio Peixoto (PL).

Geografia A área do município é de , dos quais estão na zona urbana. Fundão está localizado na Região Intermediária de Vitória e na Região Imediata de Vitória. O município limita-se ao norte com Ibiraçu, a nordeste com Aracruz, a leste com o Oceano Atlântico, ao sul com a Serra, a sudoeste com Santa Leopoldina e a oeste com Santa Teresa, estando a 53 quilômetros de Vitória.

Relevo e hidrografia Apesar de possuir área relativamente pequena, Fundão estende-se do litoral à Serra do Castelo, unidade geográfica dominante na região central do Espírito Santo, apresentando relevo muito ondulado e com 61,53% de sua área apresentando declividade menor que 30%. A região oriental é constituída de baixada e litoral quase retilíneo, com exceção da ponta Flecheira, e a ocidental tem elevações modeladas em rochas cristalinas. A 13 quilômetros da sede, na divisa com Santa Teresa, fica o Pico do Goiapaba-Açu, formação granítica com 850 metros de altitude, de onde é possível ver a região entre a Grande Vitória e Linhares. center|800px|thumb|Relevo de Fundão e Santa Leopoldina a partir do Pico do Goiapaba-Açu. thumb|O Rio Fundão, que dá nome à cidade. O solo do município é, predominantemente, latossolo vermelho-amarelo distrófico e podzólico vermelho-amarelo, argiloso, com fertilidade média a baixa e pH 5,0. Tem profundidade mediana, boa drenagem e baixa suscetibilidade à erosão. Existem manchas de solo organominerais, de pouco desenvolvimento, típicas de planícies inundadas, ácidas e com reservas minerais consideráveis, porém limitadas à agricultura pelo excesso de umidade dos solos gley e orgânicos; e manchas resultantes da associação de solos arenosos, profundos, com alta saturação de alumínio, de alta acidez e lixiviação, pouca retenção de umidade e de muito pouca fertilidade de suas areias quartzosas e podzol hidromórfico. Há também a ocorrência de afloramento sem vegetação.