Prados é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na região central mineira e ocupa uma área de cerca de , sendo que estão em perímetro urbano. Sua população foi recenseada em 2022 em habitantes.

Localiza-se a uma latitude 21º03'27" sul e a uma longitude 44º04'47" oeste, estando a uma altitude de 979 metros.

História

Ocupação pré-colonial e presença indígena A ocupação humana da região atualmente correspondente ao município de Prados não foi iniciada com chegada dos colonizadores europeus. Historicamente, o território estava inserido na vasta área conhecida como as "Minas dos Cataguases", habitada por povos do tronco linguístico Macro-Jê, com destaque para os grupos Cataguases (ou Cataguá) e os Puris. Antes da chegada dos europeus, esses grupos mantinham uma presença contínua e socialmente complexa, demonstrando profundo conhecimento das grutas, campos e rios das Vertentes. Os Cataguases, especificamente, possuíam uma densa população no centro-sul mineiro. Os Puri (ou Puris), por sua vez, eram grupos indígenas que habitavam originalmente as florestas da Zona da Mata e áreas do centro-sul de Minas Gerais, incluindo o Campo das Vertentes. Sua subsistência baseava-se em caça, pesca, coleta e em uma agricultura itinerante (roças de mandioca, milho, feijão e batata-doce).

O início da ocupação colonial foi marcado pelo avanço das entradas e bandeiras paulistas, que penetravam a região em busca de metais preciosos e do chamado "ouro vermelho" — o apresamento de indígenas para o trabalho escravo. Tais expedições desfecharam ataques devastadores contra os povos originários na bacia dos rios Grande e das Mortes, resultando em dizimação e deslocamento forçado. Esses conflitos foram fundamentais para a abertura do território e a fundação dos primeiros arraiais mineradores, sob um discurso que tratava os nativos como "inimigos" ou "obstáculos" à civilização.

Chegada de colonos europeus A fundação do povoamento que originou o atual município de Prados data de 1704, quando se estabeleceram os primeiros moradores colonos, integrantes de uma bandeira organizada pela família Prado, de Taubaté. Esses pioneiros deram início à exploração do ouro na região. Segundo a tradição, dois irmãos sertanistas da família Prado fixaram-se no local, iniciando a atividade mineradora, que logo atraiu mais habitantes e resultou na formação de uma povoação. O primeiro templo da localidade foi uma capela simples coberta de sapé, dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Posteriormente, moradores abastados contrataram artistas para construir um templo mais elaborado, cuja obra iniciou-se imediatamente, levando cerca de cinquenta anos para ser concluída.

Formação da freguesia e evolução administrativa

A freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Prados foi criada em 1712, incluindo as capelas de Nossa Senhora da Lapa, em Olhos D'Água (1733), Santo Antônio, em Lagoa Dourada (1738), ambas por provisão episcopal de D. Frei Antônio Guadalupe, e a de Nossa Senhora da Glória, da Ressaca. Em 16 de janeiro de 1752, por Alvará, a freguesia foi elevada à condição de Coletiva, tendo como primeiro vigário colado o Padre Manoel Martins de Carvalho, que atuou na região por mais de 40 anos.IBGE - Prados

O que denominaríamos atualmente como distrito, a Freguesia de Prados foi criado pela Ordem Régia de 1752. O município de Prados, desmembrado de Tiradentes, foi criado pelo Decreto-Lei Estadual nº 41, de 15 de abril de 1890, sendo instalado em 1º de janeiro de 1891. A comarca foi criada pela Lei Estadual nº 11, de 13 de novembro de 1891, instalada em 26 de março de 1892. A sede municipal recebeu foros de cidade pela Lei Estadual nº 23, de 24 de maio de 1892.IBGE - Prados

Documentos oficiais de 1936 a 1943 indicam que a comarca de Prados abrangia os termos judiciários de Prados e Tiradentes, sendo o termo de Prados formado pelos municípios de Prados e Lagoa Dourada, e o termo de Tiradentes pelos municípios de Tiradentes e Resende Costa. A divisão territorial do Estado, vigente entre 1939 e 1943, estabeleceu a comarca de Prados constituída pelos termos da sede, Lagoa Dourada e Resende Costa. O termo de Prados compreendia os atuais municípios de Prados e Dores de Campos, criado pelo Decreto-Lei nº 148, de 17 de dezembro de 1938. Posteriormente, os termos de Lagoa Dourada e Resende Costa foram elevados à categoria de comarcas, conforme o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias de 14 de julho de 1947, passando a comarca de Prados a ser constituída pelos municípios de Prados e Dores de Campos.IBGE - Prados

Prados e a Inconfidência Mineira

Prados surgiu praticamente na mesma época que São José del-Rei e São João del-Rei. Durante o auge da mineração, as vilas prosperavam e a população crescia, enquanto os detentores de sesmarias exploravam lavouras de subsistência, sempre sob a influência da exploração do ouro, principal objeto de cobiça. Com a decadência das minas, aumentou o descontentamento com a cobrança do “quinto” pela Coroa Portuguesa, dando origem à Inconfidência Mineira.

A região tornou-se centro da vida política do Brasil colonial, e Prados participou ativamente do movimento. Importantes personagens da Inconfidência nasceram ou residiram em Prados, como o coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes, sua esposa D. Hipólita Jacinta Teixeira de Melo, o padre José Lopes de Oliveira (cunhado de Hipólita), o alfaiate Vitoriano Gonçalves Veloso (único negro entre os conjurados), Francisco José de Melo (primo de Hipólita) e José de Resende Costa, pai, o mais velho dos conspiradores.

Hipólita Jacinta Teixeira de Melo

Hipólita Jacinta Teixeira de Melo foi a mais rica proprietária rural da região do Rio das Mortes e destacou-se pelo seu envolvimento na Inconfidência Mineira em 1789. Filha de portugueses, seu pai era o capitão-mor Pedro Teixeira de Melo e sua mãe Clara Maria de Melo. Foi batizada na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Prados (Ponta do Morro), a 15 de setembro de 1748, com o nome Theodozia, posteriormente retificado para Hipólita. Residia na Fazenda da Ponta do Morro, entre a vila de São José e o arraial de Prados, sendo descrita como mulher de fino trato e vasta cultura, com residência decorada luxuosamente, incluindo porcelana chinesa, prataria e tapetes importados, servida por numerosa criadagem.

Foi esposa do coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes, com quem não teve descendentes. Adotou e educou duas crianças: Antônio Francisco Teixeira Coelho (filho de Maria da Silveira Bueno, irmã de Bárbara Heliodora) e Francisco da Anunciação Teixeira Coelho, que mais tarde tornou-se padre em Formiga e deputado à Assembleia Provincial (1866-1867). Além disso, foi madrinha de diversas crianças humildes e, conforme seu testamento, deixou grande quantidade de ouro para os pobres da freguesia de Prados.

Hipólita foi autora de uma carta denunciando Joaquim Silvério dos Reis como traidor dos "companheiros" da revolução e enviou avisos sigilosos informando a detenção de Tiradentes no Rio de Janeiro. Em um bilhete enviado ao padre Carlos Corrêa de Toledo e Mello, vigário da comarca do Rio das Mortes, por intermédio de seu compadre Vitoriano Gonçalves Veloso, escreveu:

Quando percebeu que o movimento fracassava, tentou alertar o coronel Francisco de Paula Freire de Andrade para "montar uma reação, a partir lá do Serro." Sua fazenda da Ponta do Morro foi local de reuniões dos inconfidentes e ela financiou algumas das iniciativas do grupo.

O envolvimento de Hipólita com a Inconfidência trouxe-lhe graves consequências. Durante a devassa promovida pela Coroa Portuguesa, seu patrimônio foi confiscado pelo governador, o Visconde de Barbacena. Seu marido foi condenado ao degredo perpétuo na colônia portuguesa de Moçambique.

Para tentar obter o perdão real, Hipólita mandou confeccionar um cacho de bananas em ouro maciço, que seu irmão deveria oferecer à Maria I de Portugal. A peça, porém, foi provavelmente interceptada pelo governador da Capitania de Minas Gerais, Luís António Furtado de Castro do Rio de Mendonça e Faro, visconde de Barbacena.

Após um longo processo judicial, em 1808, com o auxílio de amigos, Hipólita conseguiu recuperar boa parte de seu patrimônio. Faleceu em 27 de abril de 1828, vítima de icterícia, sendo sepultada na capela-mor da Igreja Matriz de Prados.

Em 21 de abril de 1999, Hipólita Jacinta Teixeira de Melo foi condecorada postumamente pelo Governo de Minas Gerais com a Medalha da Inconfidência.

Geografia Conforme a classificação geográfica mais moderna (2017) do IBGE, Prados é um município da Região Geográfica Imediata de São João del-Rei, na Região Geográfica Intermediária de Barbacena.

Hidrografia Rio das Mortes Nasce na Serra da Mantiqueira percorre um comprimento de 278 km até desaguar no Rio Grande. Rio Carandaí Apresenta 80 km de extensão e drena uma área de 645 km². Sua nascente localiza-se no município de Ressaquinha, a uma altitude de aproximadamente 1200 metros na Serra da Mantiqueira. Rio Elvas Apresenta 79 km de extensão e drena uma área de 876 km². Sua nascente localiza-se no município de Santa Rita de Ibitipoca, a uma altitude de aproximadamente 1200 metros na Serra da Mantiqueira.

A Bacia do Rio Grande pertence à bacia do rio Paraná. Possui uma área total de 143 mil km², dos quais 86.500 km² localizam-se em Minas Gerais, o que equivale a 17,8% do território mineiro. A bacia do rio Grande é responsável por cerca de 67% de toda a energia gerada no Estado mineiro. No curso do alto Rio Grande destacam-se as usinas hidrelétricas de Camargos (Sul de Minas), próxima a São João del-Rei e Itutinga (entre as cidades de Lavras e São João del-Rei).

Economia A cidade é destaque regional no abate de galináceos. Conta com uma grande empresa: Frangos Atalaia. Além dela, se encontra em instalação uma unidade da maior empresa de calçados de segurança da America Latina: Marluvas Calçados de Segurança Ltda. Também é destaque na economia pradense o artesanato em madeira e em ferro, e a indústria de calçados em couro, com inúmeras lojas e oficinas, que emprega boa parte da população local, sendo um atrativo para turistas e lojistas que vêm em busca desses produtos. Prados é uma cidade hospitaleira, onde é possível encontrar Supermercados, Mercearias, Armarinhos, Casa Lotérica, Feiras, Drogarias, Padarias, Lanchonetes, Lojas de moveis e eletrodomésticos, Bazares, Lojas de confecções, Hotéis, Pousadas, Postos de Combustível, Agências Bancárias, Casa de Material para Construção, Restaurantes, Salões de Beleza, Correios, Açougues, Danceteria, etc; para melhor atender os visitantes e os próprios residentes.

Agropecuária Agricultura: Principais produtos agrícolas: Cana-de-açúcar, Feijão, Mandioca, Milho e Café. Pecuária: Principais Efetivos: Bovinos, Suínos, Muares, Galináceos, Equinos.

Religião thumb|direita|upright|Igreja de Nossa Senhora da Conceição thumb|direita|upright|Altar principal da Igreja de Nossa Senhora da Conceição

A religião predominante em Prados é a católica.

Catolicismo A padroeira do município é Nossa Senhora da Conceição, cuja festa é celebrada anualmente em 8 de dezembro, com forte participação da comunidade local.

A principal referência religiosa da cidade é a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, cuja origem remonta aos primeiros anos do século XVIII. Registros do Arquivo Histórico Colonial de Lisboa indicam a existência da freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Prados já em 1715. A paróquia foi provida canonicamente em 1718 pelo bispo do Rio de Janeiro e, em 16 de janeiro de 1752, um Alvará Régio criou a Vigairaria Colada da Igreja Matriz, então subordinada ao então Bispado de Mariana.

Os vigários colados eram nomeados diretamente pelo bispo e recebiam a paróquia como propriedade eclesiástica, com direito à côngrua — uma pensão paga pela Coroa Portuguesa para assegurar dignidade ao ofício sacerdotal e impedir que os padres se envolvessem em atividades seculares ou indecorosas.