Malta é um município brasileiro do estado da Paraíba, situado próximo a Patos, o qual integra as suas regiões geográficas imediata e intermediária, bem como a sua região metropolitana. Possui limites com Catingueira, Condado, Patos, São José de Espinharas, Santa Terezinha e Vista Serrana e uma área de 172 quilômetros quadrados (km²). Anteriormente integrante da antiga mesorregião do Sertão Paraibano, a sede do município fica distante cerca de 332 quilômetros de João Pessoa, e o seu acesso principal é feito por meio da , a Rodovia Transamazônica.

A cidade, que evoluiu de um dos povoados mais antigos do sertão da Paraíba, atingiu o pico populacional de habitantes em 1960, quando a população municipal passou a diminuir até por volta de 2010, em parte devido à migração e também pela emancipação de distritos, chegando a registrar habitantes em 2010. Após quatro décadas de declínio populacional, a população municipal voltou a crescer a partir de meados de 2010, tendo alcançado o total de residentes no Censo de 2022.

O município de Malta destaca-se por sediar um parque fotovoltaico integrado por duas usinas, a Angicos I e a Malta, que fornecem energia para cerca de um milhão de pessoas, também merece destaque o Santuário de Deus Pai Todo Poderoso, localizado na zona rural do município, importante local de turismo religioso e um dos maiores santuários do país. Integram a paisagem urbana da cidade igrejas, casarios centenários e logradouros bem arborizados que interagem com um espaço urbano onde muitas vezes, por vários anos não são registrados homicídios, além de ter o 12.º maior IDH do estado. Imponentes serras e pequenos corpos hídricos inseridos no bioma da caatinga compõem a paisagem natural local.

História Origem do nome Credita-se ao primeiro colonizador europeu a nomeação do local, pois quando Teodósio de Oliveira Lêdo lá esteve, acabou por comparar a fazenda que fundou no local e seus arredores à freguesia portuguesa de Malta, em Vila do Conde, Portugal.

Dos habitantes nativos ao distrito Inscrições rupestres encontradas esparsamente pelo município confirmam que tribos indígenas habitavam o lugar desde bem antes da chegada de colonos europeus. Estavam entre essas tribos os Pegas, uma divisão dos índios Cariri, ramo da nação Tapuia. O ano de 1695 marca a chegada do primeiro europeu ao local, Teodósio de Oliveira Lêdo, que dominou os Pegas, no intuito de escravizá-los e abrir currais para a criação de gado. 168px|miniaturadaimagem|esquerda|Teodósio de Oliveira Lêdo

No ano de 1830, um grupo de escravos liderados por João Fernandes de Freitas, sob a orientação de Frei Herculano, construiu uma capela em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, a qual atraiu moradores às proximidades e onde, trinta anos mais tarde, uma aldeia com duas ruas já se organizava ao seu redor. O solo fértil atraiu muitos criadores de gado, que organizaram fazendas tanto para a criação dos animais como para o cultivo de algodão. Tudo isso favoreceu que a povoação de Malta fosse elevada à condição de distrito de paz, subordinado ao município de Pombal, por meio da lei provincial n.º 836, de 9 de novembro de 1877.

No final do século XIX, a figura de Padre Avelino, um pároco da localidade, apresentava-se como uma das mais importantes autoridades do local, sendo uma espécie de líder do povoado, em vista da importância da Igreja Católica naquela época, tendo trabalhado também na restauração da capela do lugar. Após o falecimento do padre, a localidade entrou em estagnação, e somente após a oficialização de sua primeira feira livre (no ano de 1908) é que viria a apresentar um bom crescimento de novo.

As mudanças locais observadas no período entre guerras foram muito importantes para a história do distrito de Malta, em especial a década de 1920, visto que nessa década foi verificado um bom crescimento do comércio local e algumas melhorias foram implantadas, a exemplo da instalação da empresa de luz, a qual servia aos seus moradores mais abastados das 18h às 23h. Tal período foi acompanhado de uma severa seca, que durou de 1927 a 1932, exceto o ano de 1929, que registrou a ocorrência de boa quantidade de precipitações.

A seca prolongada levou a Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas, atualmente conhecida como DNOCS, a elaborar um projeto, no ano de 1931, para a construção de um açude no distrito de Malta, cujas obras duraram de 1932 a 1936. Às margens do referido açude, hoje denominado Açude Engenheiro Arcoverde, formou-se o povoado de Condado. O progresso alimentado pelas obras e melhorias implementadas no local levou o então distrito de paz a ser elevado à categoria de distrito, integrante do município de Pombal, pelo Decreto Lei n.º 1164 de 13 de novembro de 1938.

Da chegada da ferrovia e da emancipação aos dias atuais A década de 1940 marcou a chegada do transporte ferroviário. A estação ferroviária local, inaugurada em 19 de abril de 1944, integrava o ramal de Campina Grande, que inicialmente partia de Itabaiana e ia até a cidade de Campina Grande e, depois de concluída a ligação entre Sousa-Pombal, Pombal-Patos e Patos-Campina, permitiu que a cidade se ligasse por meio de trilhos às principais cidades do estado, ou mesmo com os estados vizinhos.

O crescimento do distrito alcançado na década de 1950 reuniu a elite local em torno do ideal de emancipação, feito esse conquistado em 9 de dezembro de 1953, quando o distrito foi elevado à categoria de município, com a denominação de Malta, pela lei estadual n.º 985, apresentada pelo deputado estadual Octacílio Nóbrega de Queiroz, desmembrado de Pombal e sendo instalado oficialmente no dia 26 de dezembro de 1953; foi nomeado Sebastião Rodrigues dos Santos o interventor local até que se realizassem as primeiras eleições.

Após instalado o município, permaneceu unicamente formado pelo distrito-sede até 1960, quando foi criado e anexado o distrito de Condado, emancipado já no ano seguinte. Em 1963 foi a vez da criação e emancipação do distrito de Desterro de Malta, atual Vista Serrana. A partir de então, Malta permanece constituída apenas do distrito-sede.

A década de 1960 também viu a chegada do religioso Padre Acácio Cartaxo Rolim, tendo este sido uma figura religiosa de grande influência na cidade, tendo trabalhado em sua paróquia por mais de cinco décadas, vindo a afastar-se pouco antes de falecer em 2011. Durante o período em que esteve como pároco, Padre Acácio recebeu por diversas vezes a visita de Frei Damião, que constantemente realizava romarias pelas cidades da região, vindo a visitar Malta pela última vez entre 5 e 9 de setembro de 1988.

A partir de 2015, a cidade começou a passar por um período de execução de grandes obras em seu território, sendo as principais delas a construção de duas usinas solares fotovoltaicas, investimento privado que colocou o município com um dos principais produtores de energia renovável do estado; no ano seguinte, iniciou-se a construção do Santuário do Divino Pai Eterno, na zona rural ao norte do município.

O crescimento da zona urbana e a necessidade de melhorar o planejamento levaram a Câmara Municipal a aprovar a criação de bairros na cidade, fato ocorrido em abril de 2018. Nesse mesmo ano, Malta teve a sua última alteração territorial, quando a lei estadual n.º 11.259 de 28 de dezembro de 2018 alterou e consolidou os seus limites com os municípios vizinhos.

Geografia Distante quilômetros de Brasília, a capital federal, e 332 da capital estadual, o município possui limites com Catingueira, Condado, Patos, São José de Espinharas, Santa Terezinha e Vista Serrana. A sede municipal situa-se a uma altitude de 257 metros acima do nível do mar e tem como coordenadas geográficas 6,54° sul e 37,31° oeste.

A nova divisão regional brasileira, estabelecida pelo IBGE em 2017, incluiu Malta nas regiões geográficas imediata e intermediária de Patos, dada a importância da ligação socioeconômica de Malta em relação a Patos, e estando elas separadas por apenas 30 quilômetros. Anteriormente, o município integrava a Microrregião de Sousa e Mesorregião do Sertão Paraibano.

O relevo do município, com altitudes variando entre 220 e 650 metros, está inserido na Depressão Sertaneja-São Francisco, que compreende uma série de terrenos baixos de transição entre o Planalto da Borborema e a Chapada do Apodi, sendo suas principais formações montanhosas as serras do Negro, da Mucunã e do Feijão, na porção norte do município, o Serrote São José, a Serra Macapá, o Serrote Caboclo e a Serra do Pico de Malta, a principal do município, na porção central; mais para sul se sobressaem o Monte Fernandes e a Serra do José Pereira.

A geologia local apresenta formações geológicas em sua maioria das eras Paleoproterozoica e Neoproterozoica, além de uma pequena porção da era Cenozoica. A partir do município surge uma falha geológica que corre no sentido leste–oeste, recebendo o nome de Falha de Malta; somada a ela, há a Zona de Cisalhamento Malta, ambas inseridas na Província Geológica da Borborema.

A vegetação do município pertence ao bioma da caatinga, que cobre atualmente 91% do solo no município, dividida entre 45% correspondente à cobertura de caatinga original preservada e 46% de caatinga degradada. O restante da cobertura perfaz cerca de 6% de solo exposto e 3% ocupado por lavouras, sendo que os corpos hídricos e as construções somam menos de 1% do total de uso e cobertura do solo municipal. Sua flora é rica e bastante diversificada, sendo composta principalmente por espécies como a catingueira verdadeira e a rasteira, o Xiquexique, o Cardeiro, a Coroa-de-frade, a Favela, o Mororó, o Juazeiro, o Jatobá, a Jurema, a Aroeira, a Baraúna, o Pinhão, o Parmeleiro, o Angico, entre outras, observando-se crescimento na quantidade de espécies conforme se aumenta a altitude.

Hidrografia miniaturadaimagem|270px|esquerda|Açude Paiambuco, o sétimo maior do local Sua rede hidrográfica dendrítica é composta por riachos e córregos, bem como cento e cinquenta corpos hídricos, sendo em sua maioria açudes e algumas pequenas lagoas intermitentes, estando inserida nos domínios da bacia hidrográfica do Rio Piranhas. Os principais tributários são os riachos do Castelo, do Feijão e Pitombeira, na porção norte do município e correndo para oeste, o riacho da Aguilhada, que corre para leste, na porção norte do município, os riachos da Furna, de Malta e Poço de Malta, que estão localizados no centro do município e correm para oeste, e os riachos Macapá, Timbaubinha, do Juá e o córrego Araújo, localizados na porção sul do município e que correm para o Açude Engenheiro Arcoverde.

Estimativas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), apontam como maior corpo hídrico do território municipal o Açude Público de Malta, localizado junto à sede municipal, com área de 253 mil m² e volume estimado de até mais de 750 mil metros cúbicos (m³). Apresentam-se também como maiores corpos hídricos o Açude de Gabriel, Açude Grande do Castelo, Barragem de Santo André, Açude da Panela e Açude do Padre, todos com mais de 100 mil m² de área e pelo menos 300 mil m³ de volume. Completam a lista dos dez maiores corpos hídricos do local a Barragem da Furna, o Açude Paiambuco, Açude de Antônio de Apolônio e o Açude do Macapá.

Clima O município está incluído na área geográfica de abrangência do semiárido brasileiro, definida pelo Ministério da Integração Nacional em 2005. Esta delimitação tem como critérios o índice pluviométrico, o índice de aridez e o risco de seca.