thumb|250px|Linha de produção de cerveja. A Engenharia industrial ocupa-se do projeto, melhoria e instalação de sistemas integrados de pessoas, materiais, informação, equipamentos e energia. Baseia-se em conhecimentos e técnicas especializadas das ciências matemáticas, físicas e sociais, juntamente com os princípios e métodos de análise e projeto de engenharia, para especificar, predizer e avaliar os resultados a serem obtidos por esses sistemas.
A Engenharia industrial é também definida, de uma forma mais abreviada, como sendo a especialidade de engenharia que se ocupa da criação e gestão de sistemas que integram pessoas, materiais e energia de uma forma produtiva ou, simplesmente, que se ocupa da produção eficiente, com o projecto dos métodos e não dos equipamentos. Mais recentemente, a engenharia industrial foi definida como o planeamento, projecto, implementação e melhoria de sistemas consistindo numa rede de processos através dos quais fluem objectos que sofrem transformações. Estas actividades são levadas a cabo para o benefício a longo prazo da empresa ou organização.
À medida que as empresa de serviços usam, cada vez mais, a tecnologia como parte de uma estratégia competitiva, contratam, cada vez mais, pessoal com uma orientação técnica. As empresa de serviços aperceberam-se que a utilização inteligente da tecnologia pode ajudá-las a reduzir custos de operação. A mesma ideia aplica-se à informação; é uma arma competitiva. A engenharia industrial é a especialidade que utiliza a tecnologia para dar um enquadramento a melhores decisões de gestão.FILEY, Richard D. IE leaders give views on where their profession is headed. «Industrial Engineering», 17 (12) Dez. 1985, p. 35 - 44.
História
Portugal O regulamento da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses, elaborados em 1869, tal como os Estatutos, determinava que a associação se dividia em classes. Pertenceriam à classe das indústrias os sócios que mais particularmente se ocupassem dos assuntos relativos às indústrias agrícola e fabril, às artes químicas, à engenharia mecânica e industrial. Em 1898, a classe da engenharia industrial, máquinas e electricidade, formada na sequência de modificações estatutárias, apresenta ao presidente da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses, um documento em que se faz o ponto da situação das relações existentes entre a classe e a indústria nacional, focando três aspectos fundamentais: as exigências de formação de pessoal técnico superior capaz de responder às necessidades de uma indústria cada vez mais dependente de um saber teórico-prático especializado; as potencialidades do sector industrial na perspectiva de mercado de trabalho aberto aos novos formados em engenharia; as reformas necessárias, em termos da estrutura de ensino, para adequar os conteúdos didáticos dos diversos cursos às expectativas do meio industrial. Subjacentes a toda a exposição estão dois elementos cruciais: a formação de engenheiros industriais e a definição de um espaço de trabalho para esta área. O carácter inovador da área da engenharia industrial, no nosso país, é acentuado na introdução:
«(...) o ramo da engenharia industrial (...) [é] (...) um campo novo, pouco explorado entre nós e de largos horizontes talvez. Realmente, os acentuados progressos da indústria fabril em Portugal, demonstrados pelas estatísticas, revelados com a evidência dos números nas cifras das importações decrescentes dos produtos manufacturados, crescentes das matérias primas e das exportações (...), põem, também, em evidência, que se vai abrindo uma via nova para a actividade e ciência dos nossos engenheiros, que poderão adoptar o ramo industrial, ligando os seus nomes ao desenvolvimento do trabalho fabril e contribuindo directamente para a riqueza do país.»
O corpo de engenharia industrial é criado em 1916, pelo Decreto n.º 2354, de 21 de Abril, reconhecendo, no plano institucional, o papel da engenharia na indústria. A Associação dos Engenheiros Civis Portugueses extinguiu-se, em 1937, para dar lugar à Ordem dos Engenheiros que, ainda hoje, não reconhece a especialidade de engenharia industrial, tendo os licenciados desses cursos de se inscrever noutras especialidades.
O Serviço de Produtividade, do antigo Instituto Nacional de Investigação Industrial (INII), foi, também, precursor da engenharia industrial em Portugal. A esse serviço, às muitas publicações que editou, e trabalhos que foram realizados, estão associados nomes conhecidos como Pereira Júnior, Corrêa Gago, Torres Campos, Pereira Magro, e Cardoso dos Santos, entre muitos outros. O INII foi extinto, na sequência da sua integração no, então, Laboratório Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial (LNETI), depois Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI), cuja extinção foi anunciada em Junho de 2006. O Serviço de Produtividade do INII não teve continuidade no LNETI, e as pessoas, entretanto, dispersaram-se por outras instituições e carreiras. Perdeu-se um órgão de âmbito nacional, polarizador da problemática da engenharia industrial, e perdeu-se, também, praticamente, o resultado do muito trabalho pioneiro, desenvolvido por aqueles que integravam aquele serviço. E perdeu-se, sobretudo, continuidade.MACHADO, Virgílio A. P. A engenharia industrial na indústria portuguesa . «1as. jornadas para o desenvolvimento económico e empresarial». Fafe, Instituto de Estudos Industriais, Escola Superior de Tecnologias de Fafe, 1996.
Os primeiros licenciados pelas universidades portuguesas concluíram os seus cursos (em engenharia de produção) na Universidade do Minho em 1980. Seguiram-se os licenciados (em engenharia de produção industrial) pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, a partir de 1982 A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa foi a primeira a oferecer o mestrado em engenharia industrial, sob proposta de Virgílio A. P. Machado.MACHADO, Virgílio A. P. Proposta de mestrado em Engenharia Industrial . Lisboa, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, 1990. Esse grau foi conferido, pela primeira vez em Portugal, no ano lectivo de 1995/1996.
Em 1995 foi constituído o Instituto Português de Engenharia Industrial - IPEI, uma associação sem fins lucrativos, com a finalidade de promover o bem estar da comunidade através dos recursos e capacidades criativas da engenharia industrial e promover a arte e ciência da engenharia industrial para o benefício da comunidade em geral. No âmbito das actividades do IPEI, em 1998, foram criados o Portugal Chapter e o Universidade Nova de Lisboa Chapter. Virgílio A. P. Machado e mais oito colegas foram os fundadores do IPEI. Liderou também os oito organizadores do Portugal Chapter e foi o primeiro Faculty Advisor do Universidade Nova de Lisboa Chapter do Institute of Industrial Engineers (IIE).
Sob a presidência de Virgílio A. P. Machado, o Portugal Chapter foi galardoado com um Bronze Award (1999) e dois Silver Awards (2000 e 2001) pelo IIE. Em 2002, Paulo J. M . Ferreira recebeu do IIE um Gold Award, como presidente do Portugal Chapter, assim como um Bronze Award, em 2003.
Brasil
No Brasil, a engenharia industrial desenvolveu-se com o nome de engenharia de produção.
O que faz um engenheiro industrial Um engenheiro industrial pode ter a designação de gestor de instalações, gestor de operações, gestor de materiais, gestor de qualidade total ou centenas de outros nomes. Qualquer que seja o nome, qualquer que seja a indústria - manufactura, retalho, saúde, transportes, banca, distribuição, governo, defesa - qualquer que seja o produto ou serviço - equipamento de computação e suportes lógicos, equipamento de identificação automática ou de movimentação de materiais, formação - a função é sempre a mesma - melhoria da produtividade pelo projeto, instalação e manutenção de sistemas integrados de pessoas, materiais, informação, equipamentos e energia.Badiru, A.B. Industrial and Systems Engineering 2nd Edition. CRC Press, 2013.
Contrariamente ao que muitas vezes se pensa, o engenheiro industrial não precisa de se tornar um perito nos vários ambientes institucionais em que pode trabalhar de modo a que a sua acção seja efectiva e fecunda. Especificamente, para trabalhar na indústria têxtil ou na assistência médica-hospitalar, não precisa de ser técnico têxtil ou médico. Ele deve, contudo, conhecer completamente o sistema que está a analisar.PRITSKER, A. Alan B.; REISMAN, Arnold. New horizons and roles for industrial engineers. «AIIE Transactions», 8, Dezembro, 1976, p. 386 - 388.
Mais do que desempenhar uma função, o engenheiro industrial é o agente de uma mudança cultural da empresa que toma consciência de que a sua competitividade passa pelo constante questionamento da racionalidade dos seus circuitos e processos, sejam eles departamentais, interdepartamentais, ou externos (a montante ou a jusante). É um colaborador que a empresa tem ao seu serviço, que transforma as oportunidades - que ela própria identifica, através de todos os seus elementos - em acções, através da coordenação e sistematização de soluções, cuja sinergia não se conseguiria de outro modo. O engenheiro industrial é um instrumento indispensável para que as decisões de gestão sejam reflectidas na empresa de forma integrada.GARCEZ, Pedro Almeida. Engenharia industrial: um instrumento de gestão. «Expresso», 16 de Setembro, 1989.
O engenheiro industrial sabe que há uma capacidade que é tão importante como a competência técnica: a capacidade de lidar com as pessoas. Só aqueles com a capacidade de motivarem e gerirem pessoas têm as melhores oportunidades para chegarem ao topo das suas carreiras. O engenheiro industrial bem sucedido sabe o que os clientes compram, e porque querem o que compram. O engenheiro industrial sabe ver um produto desde a concepção até ao cliente. Ele sabe, também, que não é o que ele sabe sobre uma das competências mais valorizadas pelos empregadores, mas o que ele sabe sobre todos elas que lhe dará o melhor emprego.AZEVEDO, Joaquim. As novas competências. «Guia das Profissões», Lisboa, Forum Estudante, 1995, p. 104 - 105.
Na indústria, produtividade sem qualidade é uma má utilização de recursos. Qualidade sem produtividade é uma má utilização do tempo. Quando as duas são juntas, tanto na produção de bens, como no sector de serviços, tem-se a chave para o sucesso num mercado global competitivo. As pessoas que trabalham para integrar estes factores são os engenheiros industriais, que se preocupam em ajudar a sociedade através de esforços efectivos de melhoria de produtividade e qualidade.HILL, Roy. Why managers today have a tougher task - of managing complexity. «International Management», 41 (8) Ago. 1986, p. 22 - 24.
Para os profissionais do marketing e das finanças, o trabalho do engenheiro industrial pode parecer um castigo, mas estes podem chegar a casa ao fim do dia e dizer: «Nós fizemos umas coisas hoje». A produção de riqueza é conseguida no sector industrial e não no sector financeiro. Não se pode ter uma economia de serviços sem uma base industrial. É preciso produzir bens para gerar o dinheiro que vai ser gasto em serviços. Todos os engenheiros industriais de um país não chegam para salvar a indústria desse país, mas, pelo menos, cada um deles pode fazer a sua quota parte para que isso seja possível.
Enquanto o engenheiro industrial está principalmente ocupado com problemas encontrados em situações da indústria, as técnicas da sua profissão são de natureza tão geral que podem ser empregues em qualquer situação em que pessoas, máquinas e as forças económicas tenham de ser juntas. Os engenheiros industriais estão a ter lugar a uma velocidade crescente no mundo da finança, administração hospitalar, administração de projectos científicos em larga escala e em programas sociais do governo. Não há nenhuma actividade comercial ou industrial que não tenha ou não possa beneficiar dos serviços de um engenheiro industrial.