O Palácio Real de Nápoles (Palazzo Reale di Napoli) é um dos quatro palácios que serviram de residência aos reis de Nápoles e Sicília durante o seu reinado no Reino das Duas Sicílias (1730-1860); os outros palácios são o Reggia di Caserta, o Reggia di Capodimonte e o Reggia di Portici.
right|300px|thumb|<center>Fachada principal do Palácio Real de Nápoles thumb|right|300px|<center>Fachada lateral do Palácio Real de Nápoles voltada para o Teatro San Carlo. thumb|right|300px|Fachada traseira do Palácio Real de Nápoles.
História O edifício, que se situa em Nápoles, na actual Piazza del Plebiscito (Praça do Plebiscito), foi construído em 1600 por Domenico FontanaA "assinatura" de Domenico Fontana está incisa em algumas bases das colunas da fachada do Palácio Real de Nápoles. O texto cita: "DOMENICVS FONTANA PATRITIVS ROMANVS / AVRATAE MILITIAE EQVES / ET COMES PALATINVS INVENTOR"., sob encomenda do vice-rei espanhol de então, o Conde de Lemos. Este deveria hospedar o rei Filipe III de Espanha, esperado em Nápoles com a sua consorte para uma visita oficial que nunca aconteceu. O palácio tornou-se sucessivamente residência do vice-rei espanhol, do vice-rei austríaco e, finalmente, dos reis da Casa de Bourbon.
thumb|left|220px|<center>Vista do Pátio de Honra a partir do entrada pela Piazza del Plebiscito.
A residência real foi mudada para Caserta no século XVIII, uma vez que esta cidade, afastada do litoral, era mais defensável do assalto naval do que Nápoles.
No período compreendido entre 1806 e 1815 foi enriquecido por Gioacchino Murat e Carolina Bonaparte com decorações e adornos neoclássicos provenientes do Palácio das Tulherias. Em 1837 foi danificado por um incêndio e posteriormente restaurado entre 1838 e 1858 pela mão de Gaetano Genovese, o qual ampliou e regularizou, sem distorções, a antiga construção. Naquela época foram acrescentadas à estrutura a Ala das Festas e uma nova fachada voltada para o mar, caracterizada por uma base rusticada e por uma torre-belvedere. No ângulo com o Teatro San Carlo foi criada uma pequena fachada no lugar do palácio velho de dom Pedro de Toledo.
Depois do Risorgimento foi eleita residência napolitana dos soberanos da Casa de Saboia. Em 1888, por vontade de Humberto I, os nichos externos foram ocupados por gigantescas estátuas dos Reis da Sicília e Nápoles: Rogério II da Sicília, Frederico II da Suábia, Carlos I de Anjou, Afonso V de Aragão, Carlos V de Habsburgo, Carlos III de Bourbon, Joachim Murat, e Vítor Emanuel II de Saboia, primeiro rei de Itália unida.
Em 1922 foi decidido (por Decreto do Ministro Anile) transferir a Biblioteca Nacional Vitor Emanuel III (actualmente no edifício do Museu Arqueológico Nacional de Nápoles) para o Palácio Real de Nápoles; a transferência dos livros foi efectuada em 1925.
Os bombardeamentos súbitos ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial e a ocupação militar que se seguiu causaram danos gravíssimos ao palácio, as quais justificaram um restauro a cargo da Superintendência dos Monumentos.
Arquitectura 250px|thumb|right|Vista do Palácio Real de Nápoles a partir da Piazza del Plebiscito.
Exterior A fachada possui uma base rusticada com duas ordens de janelas ao longo de 169 metros. No seu centro são visíveis os brasões reais e vice-reais. A fachada conserva a forma clássica original, com excepção do pórtico, onde na segunda metade do século XVIII, por obra de Luigi Vanvitelli, foram fechados alternadamente os arcos para aumentar a solidez do edifício, dando vida a arcadas fechadas em nichos. Em seguida, com os restauros do século XIX, foram acrescentadas arcadas fechadas em ambas as extremidades da fachada, cobertas por um terraço. Nestes nichos foram instaladas estátuas de oito reis de Nápoles, cujos bustos são reproduzidos abaixo.
Entrando no palácio, acede-se ao Pátio de Honra, o qual conserva a marca arquitectónica de Fontana. Em frente fica uma fonte oitocentista com a estátua da "Fortuna". À esquerda ficam os Jardins e à direita encontram-se o Pátio das Carruagens e o Pátio do Belvedere.
Estátuas dos soberanos de Nápoles
Interior Escadaria thumb|250px|Lado direito da escadaria. Acede-se ao Apartamento histórico pela monumental e luminosa Escadaria de Honra (Scalone d'onore), a qual foi projectada em 1651 por Francesco Antonio Picchiatti e decorada, de seguida, por Gaetano Genovese entre 1838 e 1858. A Escadaria foi decorada em mármore branco e rosado, com troféus militares e baixos relevos alegóricos. É digna de nota a rica balaustrada de mármore perfurado. Na zona superior encontram-se estátuas monumentais em gesso, as quais representam a Força, a Justiça, a Clemência e a Prudência. No final da Escadaria acede-se ao luminosíssimo Ambulacro, circundado por vitrais oitocentista. Elegantes estuques decoram as abóbadas do vestíbulo.
Apartamento Real
O Apartamento Real foi destinado a museu, a partir de 1919, com o nome de Apartamento Histórico (Appartamento Storico). Durante a visita podem admirar-se as salas Reais de aparato no andar nobre, as quais não sofreram qualquer alteração. Na década de 1970, algumas salas foram adaptadas a galeria de obras de arte e ordenadas com base em critérios temáticos e histórico-estilísticos.
As salas e as mobílias usadas mais quotidianamente não estão juntas devido aos graves danos e ao saque ocorrido no palácio durante a Segunda Guerra Mundial. A guerra também danificou as vestes bourbónicas, refeitos na segunda metade do século XX nos mesmos teares antigos da Sedaria Bourbónica da Fábrica de San Leucio, próximo de Caserta.
Os testemunhos mais importantes da decoração seiscentista de origem são os afrescos de conteúdo histórico e de gosto tardo-maneirista que decoram as salas mais antigas com ciclos de pintura destinados a exaltar a glória e a fortuna dos espanhóis vencedores.
Sala I: Teatro da Corte
Esta sala foi organizada por Ferdinando Fuga em 1768. Embora tenha sido muito danificada durante a Segunda Guerra Mundial (a abóbada é de meados do século XX), conserva as doze estátuas de papel machê originais, obra do escultor Angelo Viva, as quais representam Apolo, Minerva, Mercúrio e as nove Musas. Este Teatro acolheu representações de obras de Paisiello e Cimarosa. Chega-se à sala seguinte através de duas entre outras cinquenta portas em madeira pintadas sobre fundo de ouro, obra de um decorador desconhecido que viveu entre o século XVIII e o século XIX, decoradas com elegantes motivos fantásticos, vegetais e animais, de gosto Pompeiano.
Sala II: Sala Diplomática
Na segunda sala, denominada também de Antecâmara de Sua Majestade (Anticamera di Sua Maestà), reunia-se o séquito das delegações diplomáticas recebidas na Sala do Trono. Sobre a abóbada encontra-se a pintura de Francesco De Mura que representa "A alegoria da virtude de Carlos de Bourbon e Maria Amália da Saxónia". A sala, coberta com lampasso (tecido antigo, frequentemente enriquecido com tramas de ouro e prata) encarnado, está enriquecida com majestosos móveis neo-barrocos, enquanto que nas paredes se encontram duas tapeçarias Gobelins da série de alegorias dos elementos: o Fogo e o Ar. Foram tecidas por Louis La Tour sobre cartões de Charles Lebrun, destinadas à celebração do poder do Rei Luís XIV de França.
Sala III: Saleta Neoclássica
Ao centro desta sala existe uma Ninfa alada da autoria de De Crescenzo. Nas paredes encontram-se dois importantes registos respeitantes ao Palácio Real, a Escadaria, de Antonio Dominici, e a Capela Real, de Elia Interguglielmi, representadas por ocasião dos casamentos por procuração das princesas Maria Teresa e Maria Luisa de Bourbon com os primos austríacos Francisco II de Habsburgo e Fernando III de Lorena, ocorridos em 1790.
Sala IV, ou Segunda Antecâmara de Sua Majestade: Esplendor de Afonso o Magnânimo
Belisario Corenzio, ajudado por colaboradores da sua oficina, pintou na abóbada da Segunda Antecâmara um afresco que representa o Esplendor de Afonso o Magnânimo, fundador do reino aragonês de Nápoles. As várias secções, todas com uma legenda em espanhol, representam: ao centro, Investidura Real de Afonso; seguindo-se no sentido dos ponteiros do relógio, Afonso de Aragão entra em Nápoles; Cura para as artes e as letras; Submissão da cidade de Génova; Entrega a Afonso da Ordem do Tosão de Ouro. Nas paredes encontram-se duas pinturas de Massimo Stanzione, sendo uma delas "São Pedro consagra Sant'Aspreno como primeiro Bispo de Nápoles".
Sala V: Terceira Antecâmara
Sobre a parede central da sala, uma tapeçaria com o Rapto de Proserpina, de Pietro Duranti, testemunha a actividade da Real Tapeçaria de Nápoles.
O tecto, de 1818, é da autoria de Giuseppe Cammarano e representa Pallade entronizando a Fidelidade.
Sala VI: Sala do Trono thumb|320px|A Sala do Trono do Palácio Real de Nápoles.
A Sala do Trono é o lugar da autoridade, no qual o Rei recebia todos os seus hóspedes. O trono de madeira dourada, com os leões de estilo Império sobre os braços, pode ser datado por volta de 1850, enquanto que o baldaquino é originário do século XVIII. Nas paredes estão retratadas personagens realmente existentes entre o século XVII e o século XIX, entre as quais se encontra Fernando I, pintado por Vincenzo Camuccini. No tecto, de 1818, encontram-se personificações das catorze províncias do Reino das Duas Sicílias com brasões heráldicos e insígnias do reino.
Sala VII
Na Sala VII encontra-se um ciclo de pinturas que representa a História bíblica de Judite, de Tommaso de Vivo.
Sala VIII: Salão dos Embaixadores
A antiga galeria tem origem no terceiro decénio do século XVII. A abóbada conserva um dos afrescos mais antigos do palácio, o esplendor da Casa de Espanha em catorze quadros, obra de Belisario Corenzio, Onofrio e Andrea de Lione. O ciclo de Maria Anna de Áustria (1634-1696), do quinto decénio do século XVII, apresenta nos ângulos o brasão dos Habsburgo, obra de Massimo Stanzione.
Sala IX: Sala de Maria Cristina de Saboia
Esta sala, que anteriormente era denominada Sala dos Ministros, foi mais tarde rebaptizada em homenagem à rainha de Nápoles Maria Cristina de Saboia, primeira esposa de Fernando II, a qual morreu em 1836 depois de ter dado à luz o futuro rei Francisco II e proclamada beata pela sua grande virtude cristã.
Entre as pinturas encontram-se O massacre dos inocentes, de Andrea Vaccaro, e Caminho do Calvário, atribuída a Decio Tramontano. Dois grandes vasos de Sévres, de 1820, representam "as Estações".
Sala X
A Sala X é o oratório privado da rainha Maria Cristina de Saboia e, nas paredes, apresenta a "História do Nascimento de Cristo", de Francesco Liani.
Desta sala acede-se ao "Jardim Pênsil", chamado antes de "Loggia" ou "Belvedere", o qual foi edificado na segunda metade do século XVII. Este jardim apresenta-se, actualmente, no arranjo oitocentista efectuado pelo arquitecto Genovese, decorado com fontes, árvores floridas e, ao centro, uma mesa de mármore e bancos neoclássicos. Primeiro Carlos e depois Fernando de Bourbon tiveram lá o seu quarto, o qual avançava sobre o jardim.
No século XIX, o acesso directo ao jardim também era possível a partir da actual Sala XX mediante uma ponte em ferro forjado, mais tarde destruída pelos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial.
A partir do Jardim Pênsil é possível gozar uma das mais belas vistas sobre o Golfo de Nápoles, do Vesúvio à Península Sorrentina até Capri.
Sala XI: Sala do Grande Capitão
O tecto desta sala representa um dos testemunhos mais preciosos que restaram da primitiva decoração seiscentista do palácio. Foi pintado por Battistello Caracciolo na segunda metade do século XVII e representa "A conquista do Reino de Nápoles", ocorrida em 1502, por Gonzalo Fernández de Córdoba, primeiro vice-rei espanhol de Nápoles, chamado de "Grande Capitão".
Sala XII: Sala dos Flamengos