A Comunidade de Vida Cristã - CVX - é uma comunidade mundial composta por leigos católicos organizados em pequenas comunidades de 8 a 12 membros, a fim de unir todas as dimensões de sua vida humana com a sua fé cristã. O objetivo de seus membros é tornarem-se cristãos comprometidos com a Igreja Católica e a sociedade, dando testemunho dos valores humanos e evangélicos nos diversos ambientes de sua vida cotidiana: local de trabalho, lar, paróquia, na esfera social e política. Estas pequenas comunidades fazem parte de comunidades mais amplas em âmbito nacional ou regional, constituindo uma única comunidade mundial. A CVX – Comunidade de Vida Cristã - está presente nos cinco continentes em quase 60 países. Os Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola são a fonte específica e instrumento característico de sua espiritualidade.

Perfil e membros A CVX é formada de cristãos leigos, homens e mulheres, adultos e jovens de todas as condições sociais.

O estilo de vida da CVX compromete seus membros a buscar, com o auxílio da pequena comunidade, um contínuo crescimento espiritual, humano e apostólico. Isto comporta, na prática: participação na Eucaristia, intensa vivência dos sacramentos, prática diária da oração pessoal, discernimento por meio de uma revisão diária da própria vida, direção espiritual regular e retiro anual baseado nos Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola. Os Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola são a fonte específica e instrumento característico de sua espiritualidade. Os membros CVX assumem um estilo de vida simples à imitação do Cristo pobre e humilhado.

A vida comunitária A vida comunitária da CVX desenvolve-se fundamentalmente na reunião da comunidade. As reuniões são organizadas de forma a atingir a integração entre o evangelho e a vida dos membros CVX, sob a inspiração da espiritualidade inaciana. A oração, a partir do texto bíblico, segundo o método dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, é central tanto na vida pessoal do membro CVX quanto na vida comunitária. Durante a reunião, a confiança e amizade entre os membros, o aprofundamento de um tema ou texto evangélico, a partilha da vida e da oração de cada um e a revisão de vida são os instrumentos privilegiados. Não existe um tipo único de reunião: elas são adaptadas ao processo de crescimento grupal e ao momento da vida comunitária. O centro das reuniões são a partilha da experiência de cada membro, aquilo que cada um é e como vive e a integração desta vida com a fé cristã: as conquistas, as dificuldades e desafios são a matéria do discernimento espiritual. Busca-se com isto descobrir e aprofundar a vocação e missão de cada um no contexto de sua vida cotidiana.

Missão A vida da CVX é essencialmente apostólica. Seus membros procuram dar sentido apostólico às mais humildes ocupações cotidianas, tendo Maria como modelo de sua missão. Cada membro assume o compromisso de levar o Evangelho da salvação a todos, em todos os ambientes, e servir às pessoas e à sociedade. Segundo os Princípios Gerais n. 4: "somos particularmente conscientes da necessidade premente de trabalharmos pela justiça, por meio de uma opção preferencial pelos pobres e de um estilo de vida simples que expresse nossa liberdade e solidariedade com eles".

O apostolado do grupo tem uma grande variedade de formas: pode ser através do envolvimento pessoal de membros do grupo em ações discernidas e apoiadas pela comunidade, pelo envolvimento de todo o grupo em organizações religiosas ou laicas já existentes ou pela criação de novas iniciativas, individualmente ou em comunidade. Isto deve ser feito buscando-se o serviço que é mais urgente e universal.

Como participantes da sociedade humana, os Princípios Gerais n.8 também descrevem como missão da CVX:"... proclamar a Palavra de Deus e a trabalhar pela reforma das estruturas da sociedade, participando das esforços de libertação das vítimas de toda sorte de discriminação e, sobretudo, para abolir as diferenças entre ricos e pobres. Queremos contribuir para a evangelização das culturas a partir de dentro. Desejamos fazer tudo isto com um espírito ecumênico, prontos a colaborar com aquelas iniciativas que trabalhem pela unidade dos cristãos. Nossa vida encontra a sua Permanente inspiração no Evangelho do Cristo Pobre e humilde".

Governo A Comunidade Mundial de Vida Cristã é governada pela Assembleia Geral, que determina as políticas e normas, e pelo Conselho Executivo Mundial, que é responsável pela sua implementação ordinária. A Comunidade Nacional compreende todos os membros que em um determinado país procuram viver o estilo de vida e a missão CVX. A Comunidade Nacional é governada pela Assembleia Nacional e por um Conselho Executivo Nacional, eleito pelas comunidades. As Comunidades Nacionais podem estabelecer comunidades ou centros regionais ou diocesanos, compreendendo comunidades locais de uma determinada região. A Comunidade de Vida Cristã em cada nível tem um assistente eclesiástico designado conforme o Direito Canônico e as Normas Gerais.

História da CVX Os dois primeiros séculos: a Congregação Mariana Após a formação da Companhia de Jesus em 1540, Inácio de Loyola e os primeiros jesuítas, reuniram em torno de si grupos de leigos para cooperar no apostolado e assumir a responsabilidade de algumas obras apostólicas. Alguns destes grupos foram iniciados na experiência dos exercícios espirituais. As associações de homens adultos foram se especializando de tal forma que surgiram congregações de artesãos, sacerdotes, notários. Estes grupos tinham em comum a vivência espiritual e as obras de caridade.

Novas congregações com esta estrutura foram formadas nos colégios da Companhia de Jesus. Em 1563, Jean Leunis, jesuíta belga, fundou a primeira Congregação para estudantes do Colégio Romano (hoje Universidade Gregoriana), com a finalidade de integrar os estudos com a vida cristã e instituiu regras para o funcionamento deste grupo. A Congregação escolheu como seu título oficial: Congregação Mariana, tomando como patrona a Nossa Senhora da Anunciação. Esta Congregação tornou-se a Prima Primária, à qual todas as Congregações organizadas pelos jesuítas se agregaram posteriormente. As regras da Prima Primária foram aprovadas pelo Papa Gregório XIII em 1584, que entregou à autoridade dos jesuítas a nova Associação de leigos.

Esta metodologia de organização dos leigos foi utilizada pelos jesuítas na medida em que atuavam em missões ao redor do mundo. Ela garantia a continuidade das obras apostólicas na medida em que os padres necessitavam se deslocar para outras missões. Durante os dois primeiros séculos, entre 1584 e 1773 o crescimento das Congregações foi notável, chegando a 80 mil grupos. Muitos destes grupos se organizaram por ambiente: havia congregações de advogados, militares, alfaiates, artesãos, padres... O trabalho apostólico era variado: presos, doentes em hospitais, prostitutas, indigentes, etc. Diversos membros da Congregação Mariana tiveram sua canonização decretada: Francisco de Sales, João Berchmans, Afonso de Ligório, João Batista de La Salle, João Eudes e outros.

As Congregações Marianas após a supressão da Companhia de Jesus Em 21 de julho de 1773, o Papa Clemente XIV assinou um breve extinguindo a Companhia de Jesus e suas obras apostólicas. Em 14 de novembro de 1773, o mesmo Papa autorizou a existência das Congregações Marianas funcionando sob a jurisdição do bispo local.

Em 7 de agosto de 1814, a Companhia de Jesus foi restaurada pelo Papa Pio VII. Dez anos depois, o Papa Leão XII restituiu aos jesuítas o poder de agregar Congregações Marianas à Prima Primária. A partir de então, as Congregações cresceram em número, umas impulsionadas pelos jesuítas e outras em paróquias ou centros docentes dirigidos por outros religiosos ou sob a jurisdição do bispo.

De Congregação Mariana a Comunidade de Vida Cristã Ao longo do século XX, as Congregações Marianas expandiram-se muito em número e diversidade.

Em 1922 o Superior Geral da Companhia de Jesus reuniu em Roma jesuítas que eram diretores de Congregações a fim de criar um Secretariado Internacional e fomentar a criação de Federações Nacionais, de forma a dar um impulso às Congregações Marianas.

Em 1948, o Papa Pio XII, que também fora congregado mariano, publicou a Constituição Apostólica Bis Saeculari. A partir da nova concepção do apostolado dos leigos que emergiu neste período, o documento definiu a identidade das Congregações Marianas. Foram consideradas “uma forma especial e eminente de Ação Católica”, sendo os exercícios espirituais o cerne de sua espiritualidade. Além disto, o documento estabeleceu as seguintes normas: nos locais próprios confiados aos jesuítas, estes seriam os responsáveis pelas congregações e nos outros locais, o responsável seria o bispo da diocese. Para ser considerado Congregação Mariana, um grupo deveria ser “agregado” à Prima Primária. Esta agregação seria concedida única e exclusivamente pelo Prepósito Geral da Companhia de Jesus, a pedido da autoridade eclesiástica local. Entretanto, esta agregação não conferiria à Prima Primária ou Companhia de Jesus nenhum direito sobre a Congregação.

Em 1952, a delegação das Congregações presente ao Congresso Eucarístico de Barcelona decidiram organizar os Estatutos de criação da Federação Mundial das Congregações Marianas. Em 2 de julho de 1953, o Papa Pio XII aprovou os estatutos. No ano seguinte, ocorreu a primeira Assembleia Mundial. A partir daí, Assembleias Mundiais foram organizadas a cada cinco anos. Estas assembleias prepararam novos Princípios Gerais em colaboração com o Secretariado Central e as Federações Nacionais. Como muitas outras organizações católicas, buscava-se a renovação dentro do espírito do Concílio Vaticano II e da nova teologia conciliar.

Durante o Congresso Mundial de Roma, em 1967, foram aprovados os novos Princípios Gerais. Mudou-se o nome do movimento renovado para Comunidade de Vida Cristã. Os novos Princípios Gerais foram aprovados “ad experimentum” pelo Papa Paulo VI e em 1971 foram aprovados definitivamente pela Santa Sé. A nova Federação Mundial ganhou autonomia: caberia a ela aprovar a filiação dos grupos, segundo estabelecido pelos Princípios Gerais. O Superior Geral da Companhia de Jesus renunciou livremente à sua autoridade em favor da Assembleia Mundial e de seu Conselho Executivo.

Hoje a CVX compreende-se como uma única Comunidade Mundial, expressa nas pequenas comunidades locais. Uma revisão dos Princípios Gerais foi efetuada e foram aprovados pela Santa Sé em 1990.