thumb|right|300px|Cascata Conde d'Eu A Cascata Conde d'Eu é a maior cascata em queda-livre do estado do Rio de Janeiro, com mais de 127 metros de altura. Fica no municipio de Sumidouro.
É acidente geográfico do rio Paquequer, que nasce no município de Sumidouro, e deságua na margem direita do Rio Paraíba do Sul. Localiza-se próximo ao distrito de Dona Mariana, no citado município.
Foi nomeada em 17 de maio de 1877 por ocasião de visita oficial de Sua Alteza Real, o Conde d’Eu, genro de D. Pedro II e membro da Família Imperial brasileira, marido da Princesa Isabel, em um suntuoso almoço sob o elegante barracão em frente à cascata, extasiados com a exuberante beleza do atrativo. A origem do nome do atrativo, desconhecida desde tempos idos, foi revelada recentemente por pesquisa de Marcelo Vieira de Almeida.
As brumas de suas águas guardam curiosa relação com o Romantismo no Brasil.
Um espetáculo da natureza! Ao longo dos séculos, a precipitação d'água em grande elevação e volume escavou uma ampla garganta na rocha, formando, em sua base, um poço com cerca de 30 metros de diâmetro. O impacto das águas sobre o referido poço molda uma nuvem de água ascendente, semelhante a um véu, que alcança expressiva altura e umedece a vegetação do vale.
A uma centena de metros abaixo, grandes rochas arredondadas pela erosão formam pequenas cachoeiras, cercadas de vegetação típica e poços rasos em leito de areia onde as águas correm serenas. A freqüente formação de arco-íris completa a impressionante beleza local.
A paisagem circundante é constituída por formações geológicas íngremes, onde se encontra, ainda preservada, uma pequena amostra de vegetação primária da Mata Atlântica.
Cascata Conde d'Eu, cenário de “O Guarani”! O município de Sumidouro possui uma tradição muito popular, tão antiga quanto O Guarani, a obra-prima do ilustre escritor do romantismo brasileiro, José de Alencar. Conta a tradição local que cenários naturais do município teriam inspirado o patriarca da literatura brasileira em relevante segmento deste clássico romance, provavelmente descritos por relatos de viajantes extasiados com a beleza do lugar.
Reforçando a tese, a narrativa romântica possui coincidências com a descrição da Cascata Conde d’Eu, como a que descreve o rio Paquequer que vai desaguar no rio Paraíba, e sua íngreme e abrupta queda d’água:
"É o Paquequer: saltando de cascata em cascata, enroscando-se como uma serpente, vai depois se espreguiçar na várzea e embeber no Paraíba, que rola majestosamente em seu vasto leito".
"[...] Ele (Paquequer) deve ser visto [...] três ou quatro léguas acima de sua foz, onde é livre ainda, como o filho indômito desta pátria da liberdade. Aí, o Paquequer lança-se rápido sobre o seu leito, e atravessa as florestas como o tapir, espumando, deixando o pêlo esparso pelas pontas do rochedo, e enchendo a solidão com o estampido de sua carreira. De repente, falta-lhe o espaço, foge-lhe a terra; o soberbo rio recua um momento para concentrar as suas forças, e precipita-se de um só arremesso, como o tigre sobre a presa. Depois, fatigado do esforço supremo, se estende sobre a terra, e adormece numa linda bacia que a natureza formou, e onde o recebe como em um leito de noiva, sob as cortinas de trepadeiras e flores agrestes". (ALENCAR, José de. O Guarani. 20ª ed., São Paulo: Ática, 1996.)
Eventos que corroboram a tese: Ratificando a amplitude desta tradicional versão, encontra-se esmerado trabalho artístico adornando as dependências da Câmara Municipal de Sumidouro.
Na mesma direção, o município serviu de palco para filme sobre a referida obra literária e, posteriormente, para a minissérie O Guarani.
Fonte Pesquisa do Professor de História Marcelo Vieira de Almeida em sua gestão a frente do Centro de Documentação Histórica Pró-Memória da Prefeitura de Sumidouro/RJ
Cascata Conde Eu Categoria:Geografia de Sumidouro (Rio de Janeiro) Categoria:Hidrografia do estado do Rio de Janeiro