In Rainbows é o sétimo álbum de estúdio da banda britânica de rock Radiohead. Foi lançado, inicialmente, de forma independente no dia 10 de outubro de 2007 em versão digital disponível para download, na qual os consumidores decidiam o quanto pagariam pelo disco. Em 3 de dezembro de 2007, a versão física foi lançada internacionalmente através da XL Recordings, enquanto que a América do Norte só recebeu o lançamento no dia 1º de janeiro de 2008 pela TBD Records. Foi o primeiro lançamento da banda após o fim de seu contrato com a gravadora EMI, sendo precedido pelo Hail to the Thief (2003).

A banda começou a trabalhar no álbum no início de 2005. Em 2006, após as sessões com o produtor Spike Stent não terem sido proveitosas, os integrantes chamaram de volta Nigel Godrich, produtor de longa data do Radiohead. Eles gravaram nas chácaras Halswell House e Tottenham House, no Hospital Club em Londres e em seu próprio estúdio em Oxfordshire, usando instrumentos convencionais de música rock, além de instrumentos eletrônicos, de corda, piano e as Ondas Martenot. Dessa vez, as letras se mostraram menos políticas e mais pessoais do que as apresentadas em álbuns anteriores.

Radiohead lançou o In Rainbows online e permitiu que seus fãs decidissem o preço a pagar, sob o pretexto de se libertarem de modelos de promoção convencionais e removerem barreiras com a audiência. Esse foi o primeiro lançamento por uma banda grande a seguir dessa forma, o que atraiu a atenção da mídia por todo o mundo. Muitos elogiaram a banda por desafiarem padrões antigos e encontrarem novas formas de se conectar com os fãs, porém, outros temiam que isso traria consequências perigosas para artistas menores.

O grupo promoveu o In Rainbows através de webcasts (transmissões ao vivo pela internet), vídeos musicais, competições e uma turnê mundial. "Jigsaw Falling into Place" e "Nude" foram, nessa ordem, lançados como singles; "Nude" tornou-se a primeira faixa de Radiohead a entrar no top 40 dos EUA desde o seu single de estreia "Creep" (1992). O lançamento físico do álbum alcançou o topo da UK Albums Chart e da Billboard 200 e, em outubro de 2008, já havia vendido mais de três milhões de cópias mundialmente. Foi o vinil mais vendido de 2008, recebendo certificação de platina no Reino Unido e Canadá e ouro nos EUA, Bélgica e Japão. In Rainbows foi aclamado, ganhando as categorias de Melhor Álbum de Música Alternativa e Melhor Embalagem de Box ou Edição Especial Limitada no Grammy Awards. A revista Rolling Stone incluiu In Rainbows em sua lista atualizada dos 500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos.

Antecedentes Em 2004, após terminarem a turnê para seu sexto álbum, Hail to the Thief (2003), Radiohead entrou em hiato. Como o Hail to the Thief era o último álbum que seria lançado sob o contrato com a gravadora EMI, eles não haviam obrigação contratual de lançar material inédito. O bateirista, Philip Selway, disse que o grupo ainda desejava criar música, mas que decidiram fazer uma pausa para focar em outras partes de suas vidas, e que o fim do contrato trouxe um momento ideal para pausar e refletir. O jornal New York Times descreveu Radiohead como "de longe, a banda mais popular do mundo que não tem contrato".

Em 2005, o vocalista e compositor Thom Yorke apareceu na websérie From the Basement, apresentados algumas faixas que estariam futuramente no In Rainbows, como "Videotape", "Down is the New Up" e "Last Flowers". Ele lançou seu primeiro álbum solo, The Eraser, em 2006. O guitarrista Jonny Greenwood também produziu suas primeiras obras solo, sendo essas as trilhas sonoras Bodysong (2004) e There Will Be Blood (2007).

Gravação Em março de 2005, a banda começou a escrever e gravar em seu estúdio de Oxfordshire. Eles inicialmente optaram por trabalhar sem seu produtor de longa data, Nigel Godrich. De acordo com o guitarrista Ed O'Brien, "Estávamos um pouco dentro da nossa zona de conforto... Nós trabalhamos juntos por 10 anos, e gostávamos muito um do outro." O baixista, Colin Greenwood, negou isso após um tempo, dizendo que Godrich estava ocupado trabalhando com Charlotte Gainsbourg e Beck. No festival Ether em julho de 2005, Jonny Greenwood e Thom Yorke apresentaram uma versão da futura faixa do In Rainbows "Weird Fishes/Arpeggi" com a orquestra London Sinfonietta e com a Orquestra Árabe de Nazaré.

thumb|Radiohead apresentando no Greek Theatre em Berkeley, Califórnia, em 2006. A banda aproveitou a turnê para testar músicas que seriam inclusas no In Rainbows

As sessões de gravação foram começar oficialmente em agosto, com atualizações regulares do grupo sobre o progresso em seu novo blog, Dead Air Space. Elas foram lentas, e a banda encontrou dificuldades em recuperar a confiança. De acordo com Yorke, "Passamos muito tempo no estúdio não indo para lugar algum, perdendo nosso tempo, e isso foi muito, muito frustrante." Eles associaram o progresso lento à falta de ímpeto após o hiato, à falta de prazos e de um produtor e ao fato de que todos os membros da banda haviam tido filhos.

Em dezembro de 2005, Radiohead contratou o produtor Spike Stent, o qual havia trabalhado com outros artistas, como U2, Madonna, Oasis e Björk, para ajudá-los a trabalhar com o material produzido. Stent ouviu o que eles haviam produzido até então e concordou que estava abaixo da média. Porém, a colaboração com ele se revelou infrutífera.

Preocupados com a falta de progresso, a gestão de Radiohead sugeriu que parassem de trabalhar com o produtor. Brian Message, um dos executivos, disse depois: "Você tem que ser honesto se vê que não tá funcionando. Tem que ter paixão no que você faz." O'Brien disse que o Radiohead decidiu continuar porque "quando você consegue ignorar todas as porcarias e bobagens, o núcleo dessas músicas eram muito bons". Ele sentiu que o In Rainbows podia ser o último álbum do Radiohead, e estava motivado pelo desejo de garantir o status renomado deles como banda.

Como uma tentativa de superar o bloqueio criativo, Radiohead decidiu entrar em turnê pela primeira vez desde 2004. Entre maio e junho de 2006, eles percorreram a Europa e a América do Norte com apresentações, retornando à Europa mais uma vez em agosto para uma série de festivais, nos quais apresentaram várias faixas novas. De acordo com Yorke, a turnê o forçou a terminar de escrever as músicas. Ele disse: "Em vez de ter sido um pesadelo, foi muito, muito divertido, porque de repente todos estavam sendo espontâneos e não havia ninguém constrangido, já que não estávamos no estúdio... Era como se eu tivesse 16 de novo."

Sessões com Nigel Godrich thumb|Tottenham House, em Wiltshire, onde a banda gravou partes do In Rainbows

Após a turnê, a banda descartou as gravações feitas com Stent e chamaram Godrich de volta à equipe. Para fazê-los focarem, Godrich agrupou todas as faixas instrumentais deles em uma só, a qual não poderia mais ser alterada. De acordo com Colin, "A ideia era fazer a gente se comprometer com algo... Era como se estivéssemos usando samples de nós mesmos. E quando você mistura sons dessa forma há um tipo de polinização cruzada, eles marinam, eles interagem um com o outro... Eles têm pequenos bebês sonoros." Yorke disse que a banda tentou criar "uma sensação de sair do próprio corpo" usando elementos de diferentes versões de músicas. Por exemplo, "All I Need" foi construída a partir de partes de quatro versões diferentes.

Por três semanas em outubro de 2006, Radiohead trabalhou na Tottenham House em Marlborough, uma chácara encontrada por Godrich. Os membros da banda passaram a viver em trailers, já que a construção estava em ruínas. Yorke descreveu ela como "abandonada no sentido mais literal da palavra, onde havia buracos no chão, chuva entrando pelo teto, metade dos vidros das janelas faltando... Tinham lugares que você basicamente não podia ir. Certamente causou um efeito. O lugar tinha umas vibrações bem estranhas." As sessões foram produtivas e a banda gravou "Jigsaw Falling into Place" e "Bodysnatchers". Yorke escreveu em seu blog, Dead Air Space, que o Radiohead havia "começado o álbum de verdade agora... começando a ir pra algum lugar, eu acho. Finalmente." A banda usou várias guitarras que foram emprestadas do guitarrista Johnny Marr, incluindo uma Gibson Les Paul Goldtop 1957 e uma Gibson SG 1964. Colin Greenwood ficou com uma temporária perda auditiva e zumbido causados por fones de ouvido com defeito.

Em dezembro de 2006, as sessões começaram a acontecer na Halswell House em Taunton, e no estúdio de Godrich em Covent Garden, Londres, onde a banda gravou "Videotape" e "Nude". Em janeiro, Radiohead voltou as gravações em seu estúdio em Oxfordshire e começou a postar fotos, letras, vídeos e trechos de músicas novas no Dead Air Space. Em junho, tendo finalizado as gravações, Godrich postou clipes de músicas no Dead Air Space.

Por sentirem que o Hail to the Thief era longo demais, o grupo queria um próximo álbum que fosse conciso. Yorke disse: "Eu acredito que um álbum de rock é uma forma de expressão artística. In Rainbows é um retorno consciente a essa forma de declaração em 45 minutos... Nosso objetivo foi descrever em 45 minutos, da maneira mais coerente e conclusiva que fosse possível, o que move a gente." Eles finalizaram com 10 músicas, guardando o resto para um disco bônus incluído na edição limitada. Yorke gravou "Last Flowers", incluída no disco bônus, nas sessões de seu álbum solo, The Eraser. In Rainbows foi masterizado por Bob Ludwig em julho de 2007 na Gateway Masterig, em Nova Iorque.

Música In Rainbows incorpora elementos de art rock, rock experimental, rock alternativo, art pop e electronica. O'Brien disse que a banda estava hesitante em criar um álbum "épico", pois eles sentiam uma associação negativa com o gênero arena rock. No entanto, ele admitiu que "épico também é sobre beleza, como uma vista majestosa, e o que fizemos nesse álbum foi permitir que as músicas fossem épicas quando elas precisam ser." Ele usou "Weird Fishes/Arpeggi" como exemplo de música que era "obviamente épica". Yorke disse que o Radiohead considerou In Rainbows como "nosso álbum clássico, nosso Transformer, nosso Revolver, nosso Hunky Dory".

A faixa que abre o álbum, "15 Step", possui métrica 5/4 e um ritmo de palma inspirado em "Fuck the Pain Away", da artista Peaches. Radiohead gravou aplausos de um grupo de crianças da escola Matrix Music School & Arts Centre, em Oxford. "Bodysnatchers", a qual Yorke descreve como uma combinação de Wolfmother, Neu! e "rock hippie duvidoso", foi gravada quando ele estava num período de "hiperatividade obsessiva". Em "All I Need", Jonny Greenwood queria capturar o ruído branco gerado por uma banda tocando alto em um quarto, algo que, por conta da acústica, não acontece no estúdio. A solução encontrada por ele foi adicionar uma seção de instrumentos de corda que tocavam cada nota da escala, abafando as frequências.

Radiohead gravou uma versão de "Nude" durantes as sessões para seu álbum de 1997, OK Computer, mas ela foi descartada. Essa versão possuía um órgão Hammond, uma sensação "mais linear", e letras diferentes. Para a versão do In Rainbows, Colin Greenwood escreveu uma linha de baixo nova, a qual Godrich disse que "se transformou de algo muito direto em algo que tinha um fluxo rítmico muito mais notável". "Reckoner" foi desenvolvida enquanto a banda estava trabalhando em outra música "FeelingPulledApartByHorses". Ela possui falsetes de Yorke, uma percussão "gélida e ressoante", uma guitarra "oscilante", piano e um arranjo de cordas por Jonny Greenwood. Yorke a descreveu como "uma música de amor... mais ou menos".