miniaturadaimagem|"Arte degenerada": Ecce Homo, de Lovis Corinth, 1925 miniaturadaimagem|Hafenkneipe, de Joachim Ringelnatz, 1933 "Arte degenerada" (em alemão, entartete Kunst) foi o termo oficialmente divulgado para a arte moderna, difamada com justificativas de teoria racial durante o governo nazista na Alemanha. O termo “degeneração” (Entartung) foi emprestado da medicina para a arte no final do século XIX.
No Regime Nazista, foram consideradas "arte degenerada" todas as obras de arte e movimentos culturais que não estavam de acordo com a concepção de arte e o ideal de beleza clássico e naturalista, a chamada Deutsche Kunst (arte alemã). Estes movimentos incluem: Bauhaus, Dadaísmo, Cubismo, Expressionismo, Futurismo, Fauvismo, Impressionismo, Nova objetividade e Surrealismo. Além disso, todas as obras de artistas de origem judaica foram classificadas como degeneradas.
Origem do termo "arte degenerada" A palavra Entartung tem origem no Mittelhochdeutsch (alto-alemão médio) e significava “sair do estilo”. No século XIX, o termo foi utilizado pela primeira vez em um contexto depreciativo quando Friedrich Schlegel escreveu sobre "arte degenerada" referindo-se à Antiguidade tardia. Em 1853, o diplomata, escritor e filósofo francês Joseph Arthur Comte de Gobineau usou o termo em seu “Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas” pela primeira vez em um sentido racialmente pejorativo, mas sem relações com o antissemitismo ou o nacionalismo alemão. Karl Ludwig Schemann, que traduziu o trabalho de Gobineau para o alemão e o publicou entre 1898 e 1901, foi membro da Alldeutscher Verband (Liga Pangermânica ou União de Todos os Alemães).
Em 1850, Richard Wagner publicou o artigo O judaísmo na música, no qual denunciou a influência do judaísmo na música e pediu a separação entre o judaísmo e a cultura alemã. Wagner publicou outros escritos teóricos sobre outros gêneros artísticos, que foram em parte controversos. Em 1892/93, o crítico judeu Max Nordau publicou sua obra Degeneração, na qual tentou provar que a degeneração da arte poderia estar relacionada à degeneração do artista. Suas teses foram posteriormente utilizadas pelos nacional-socialistas, sendo reproduzidas por Hitler quase literalmente. O imperador Guilherme II também fez um comentário depreciativo sobre as correntes de arte modernista em seu famoso discurso para a inauguração da Siegesallee, em 18 de dezembro de 1901.
Nazistas contra a arte moderna Difamação de todas as formas de arte moderna thumb|direita|300px|O Reichsminister Dr. Goebbels visita a Entartete Kunst. Os nazistas desenvolveram um diferenciado ideal artístico de arte alemã e perseguiram a arte oposta, também chamada de Verfallskunst (arte decadente) e “arte discrepante”, pois se caracterizava pelo Pessimismo e pelo Pacifismo. Os artistas, comunistas ou judeus, cujas obras não estavam em conformidade com os ideais nazistas foram perseguidos. Os nazistas os proibiam de pintar e trabalhar, retiravam suas obras de arte de museus e acervos públicos, confiscavam a “arte degenerada”, forçavam os artistas à emigração ou os assassinavam.
Houve três medidas de difamação na política cultural nazista: queima de livros em maio de 1933 em Berlim, em outras 21 cidades alemãs e também na Áustria a partir de 1938; perseguição dos pintores e de sua “arte degenerada” e perseguição da “música degenerada” no Reichsmusiktage de 1938, em Düsseldorf.
Com a implementação da Lei para a Restauração do Serviço Público Profissional de 7 de abril de 1933, quando artistas judeus, comunistas e outros artistas indesejados foram retirados à força do serviço público, e com a queima de livros de 1933, que teve o seu ápice em 10 de maio na praça Opernplatz, em Berlim, ficou evidente já nos primeiros meses após a tomada de poder pelos nacional-socialistas que a diversidade da criação artística da República de Weimar havia definitivamente acabado.
O ataque de aniquilamento da modernidade e de seus protagonistas afetou todos os setores da cultura, como literatura, cinema, teatro, arquitetura e música. A música moderna, como o swing ou o jazz, foi tão cruelmente difamada na exposição Entartete Musik (música degenerada), inaugurada em 24 de maio de 1938, quanto a música de caráter "bolchevista" de compositores internacionalmente conhecidos, como Hanns Eisler, Paul Hindemith e Arnold Schönberg, a maioria também de origem judaica. Como resultado, surgiu a partir de 1940 o conhecido Lexikon der Juden in der Musik (Enciclopédia dos judeus na música).
1930 – 1936 miniaturadaimagem|Placa de homenagem na Köpenicker Straße, em Berlim, em frente a um antigo depósito para “arte degenerada” miniaturadaimagem|Das Dritte Reich (1934) quadro de Heinrich Vogeler (1872-1942). O decreto Wider die Negerkultur für deutsches Volkstum (Contra a cultura negra, a favor do nacionalismo alemão), de 5 de abril de 1930, emitido pelo Ministro da Educação Nacional-Socialista da Turíngia Wilhelm Frick contra a “arte degenerada”, foi o ponto de partida para o ataque a influências artísticas definidas como “não alemãs”. Isso levou à destruição da pintura feita por Oskar Schlemmer na Kunstgewerbeschule Weimar (Escola de Artes Aplicadas de Weimar) em outubro de 1930. Logo após, Frick prosseguiu com a dissolução da Escola de Arte Bauhaus de Weimar e demitiu todos os professores. Além disso, nomeou Paul Schultze-Naumburg, um dos principais representantes de uma ideologia de construção e de cultura conservadora de direita, como diretor da recém-criada Academia de Artes de Weimar. Sob sua liderança, as obras de Ernst Barlach, Charles Crodel, Otto Dix, Erich Heckel, Oskar Kokoschka, Franz Marc, Emil Nolde, Karl Schmidt-Rottluff e de outros artistas foram retiradas do Schlossmuseum de Weimar.
Embora Frick tenha perdido poder no Landtag (Parlamento Regional) da Turíngia em 1 de abril de 1931, as eleições estaduais de 31 de julho de 1932 deram maioria absoluta ao Partido Nazista e abriram o acesso de Weimar a Berlim. Como consequência, os murais de Charles Crodel em homenagem a Goethe, pintados em 1932 nas estações de água de Bad Lauchstädt, foram ora queimados, ora apagados no verão de 1933. Enquanto isso ocorria em Berlim uma amarga disputa política, a qual Alfred Rosenberg venceu no inverno de 1934/1935 e tomou posse após os Jogos Olímpicos de Berlim em 1936. O artista Emil Bartoschek pintou imagens naturalistas exageradas, que foram vendidas para inúmeros compradores através de uma galeria na Friedrichstraße, em Berlim, o que tirou o foco da sua pintura abstrata, reservada apenas para um pequeno número de pessoas.
1936 – 1945 A nova onda de perseguição teve início com o fechamento do novo departamento da Nationalgalerie Berlin no Kronprinzenpalais, em 30 de outubro de 1936, e com o decreto de 30 de junho de 1937, que autorizou o novo presidente da Reichskunstkammer (Câmara de Arte do Reich) Adolf Ziegler a “selecionar e proteger as obras de arte decadente em posse federal, estadual e municipal desde 1910, no âmbito da pintura e da escultura, para fins de uma exposição”.
Em 1936 ocorreu a proibição total de toda a arte moderna. Centenas de obras de arte, especialmente pinturas, foram retiradas dos museus e confiscadas para a exposição “Arte degenerada”, vendidas no exterior ou destruídas.Exposição de arte alemã em Londres. Uma pintura de Oskar Kokoschka rasgada em quatro partes pela Gestapo, Burlington Galleries London, 7 de julho de 1938, na Biblioteca Nacional Austríaca. Os pintores, escritores e compositores eram – caso não tivessem emigrado – proibidos de trabalhar e expor suas obras. A proibição de compra de obras de arte não-arianas e modernas, existente desde 1933, ficou ainda mais restrita. A privação gradual de direitos da população judaica fez com que muitas obras de arte de sua propriedade privada caíssem nas mãos do Estado e, se consideradas degeneradas, eram destruídas ou vendidas no exterior.
Artistas conhecidos, cujas obras foram classificadas como “arte degenerada” Imediatamente após a tomada do poder, os nacional-socialistas mostraram agressivamente a linha que pretendiam impor em termos de política cultural nos anos seguintes através de fechamentos de exposições com ação policial e ataques verbais e físicos contra artistas e associações culturais. Em resposta, muitos artistas fugiram para os países vizinhos. Outras ondas de emigração foram desencadeadas pelas Leis de Nuremberg de 1935, pela difamação da “arte degenerada” e pela Noite dos Cristais, em novembro de 1938. Uma das consequências de tal política foi a fuga de 64 artistas de Hamburgo para 23 países diferentes.
Foram consideradas “degeneradas” a(s) obra(s) de: Alexej von Jawlensky Arnold Topp Cesar Klein Christian Rohlfs Christoph Voll Conrad Felixmüller Constantin von Mitschke-Collande Edwin Scharff El Lissitzky Elfriede Lohse-Wächtler Emil Nolde Emy Röder Eric Johansson Erich Heckel Erich Nagel Ernst Barlach Ernst Ludwig Kirchner Ernst Wilhelm Nay Eugen Hoffmann Ewald Mataré Franz Marc Friedrich (Fritz) Stuckenberg Friedrich Skade Friedrich Vordemberge-Gildewart Fritz Burger-Mühlfeld Georg Muche George Grosz Gerhard Marcks Gert Heinrich Wollheim Giorgio de Chirico Guido Hebert Hanns Katz Hans Christoph Drexel Hans Feibusch Hans Grundig Hans Jürgen Kallmann Hans Purrmann Hans Richter Hans Siebert von Heister Heinrich Campendonk Heinrich Eberhard Heinrich Hoerle Heinrich Maria Davringhausen Heinrich Nauen Herbert Bayer Jacoba van Heemskerck Jankel Adler Jean Metzinger Johannes Diesner Johannes Itten Johannes Molzahn Johannes Tietz Jussuf Abbo Karel Niestrath Karl Caspar Karl Hofer Karl Hubbuch Karl Schmidt-Rottluff Karl Völker Käthe Kollwitz Kurt Schwitters Lasar Segall Laszlo Moholy-Nagy Lothar Schreyer Lovis Corinth Ludwig Gies Ludwig Meidner Lyonel Feininger Marc Chagall Margarethe (Marg) Moll Maria Caspar-Filser Max Beckmann Max Burchartz Max Ernst Max Pechstein Max Peiffer-Watenphul Max Rauh Oskar Kokoschka Oskar Lüthy Oskar Moll Oskar Schlemmer Oswald Herzog Otto Baum Otto Dix Otto Freundlich Otto Gleichmann Otto Griebel Otto Lange Otto Mueller Otto Pankok Otto Schubert Pablo Picasso Paul Bindel Paul Camenisch Paul Gauguin Paul Klee Paul Kleinschmidt Paul Thalheimer Paula Modersohn-Becker Philipp Bauknecht Piet Mondrian Pol Cassel Raoul Hausmann Rudolf Bauer Rudolf Belling Rudolf Haizmann Rudolf Möller Rudolf Schlichter Rudolf Grossmann Theo Brün Walter Dexel Wassily Kandinsky Werner Gilles Werner Heuser Werner Scholz Wilhelm Geyer Wilhelm Heckrott Wilhelm Lehmbruck Willi BaumeisterPedde, Brigitte: Willi Baumeister 1889-1955. Schöpfer aus dem Unbekannten. epubli, Berlim 2013. ISBN 978-3-8442-6815-7 William Wauer Xaver Fuhr
Exposição “Arte degenerada” em Munique, 1937 miniaturadaimagem|Joseph Goebbels na exposição itinerante “Arte degenerada”, 1938 em Berlim. À esquerda, duas pinturas de Emil Nolde: Christus und die Sünderin e Die klugen und die törichten Jungfrauen; à direita, uma escultura de Gerhard Marcks: São Jorge|esquerdaEm 1907, Hitler foi rejeitado na Academia de Belas-Artes de Viena, a academia afirmava que ele não tinha talento por isso não foi aceito. Já como líder Nazista, Hitler ordenou a maior ação contra a arte, anunciando a exposição "Arte Degenerada". miniaturadaimagem|Folheto para a exposição em 1938, em Berlim