Memórias do Cárcere é um filme brasileiro do gênero drama biográfico de 1984, dirigido e escrito por Nelson Pereira dos Santos, com produção da L.C. Barreto Produções e Regina Filmes. O roteiro é baseado no livro homônimo de Graciliano Ramos, onde é contada a fase em que o escrito esteve preso sob ordens da polícia do Estado Novo no Brasil, acusado de filiações comunistas.
O elenco do filme inclui nomes como Carlos Vereza, como o escritor Graciliano Ramos, Glória Pires e Nildo Parente. A estreia mundial do longa ocorreu em 23 de maio de 1984, no 37º Festival de Cinema de Cannes, na França, na sessão Quinzena dos Realizadores, onde foi recebido com aplausos dos quase 3 mil presentes. No festival, recebeu o Prêmio FIPRESCI, concedido pela Federação Internacional de Críticos de Cinema. Memórias do Cárcere foi escolhido como o representante do Brasil no Oscar de Melhor Filme Internacional de 1985, na 57.ª cerimônia da premiação, porém acabou não sendo indicado na categoria.
Em novembro de 2015, o filme atingiu a 29ª posição na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos cem melhores filmes brasileiros de todos os tempos.
Enredo Em 1935, o Governo de Getúlio Vargas esmagou a revolta militar da Aliança Nacional Libertadora, conhecida como Intentona Comunista, e aplicou medidas que suspendiam as garantias das liberdades individuais de todos os brasileiros. Graciliano Ramos, escritor afamado e dirigente público de Ensino em Alagoas simpatizante comunista que trabalhava no Palácio do Governo, acabou sendo preso em março de 1936 sem haver um processo formal de acusação. Depois de um tempo nos quartéis, cárceres públicos onde presenciou a ordem de deportação de Olga Benário Prestes e Elisa, e num hospital em que podia receber as visitas de advogado e da esposa Heloísa, ele foi enviado à remota Colônia Penal da Ilha Grande.
Ali, apesar de muito doente devido a uma úlcera mal curada, continuou a escrever e conseguiu sobreviver aos 10 meses de confinamentoAcervo de O Globo Acessado em 28-11-15 em condições precárias e sofrendo crueldades, com a ajuda de alguns funcionários e dos demais prisioneiros de sua seção, ladrões e revoltosos políticos, e que esperavam ser retratados nos livros do escritor.
Elenco
Produção As filmagens ocorreram no Rio de Janeiro. Segundo o próprio diretor, Nelson Pereira dos Santos, o filme usa “o cárcere como uma metáfora da sociedade brasileira”. A música-tema é "Marcha Solene Brasileira", variação do Hino Nacional do Brasil, de Louis Moreau Gottschalk para a Orquestra Sinfônica de Berlim com regência de Samuel Hans Adler.
Principais prêmios e indicações Festival de Cannes — 1984 Prêmio FIPRESCI: Nelson Pereira dos Santos
Festival de Havana — 1984 Prêmio Grand Coral: Nelson Pereira dos Santos
Associação Paulista de Críticos de Arte — 1985 Troféu APCA: melhor ator - Carlos Vereza, melhor filme — Nelson Pereira dos Santos
Ver também Lista de representantes do Brasil para o Oscar de melhor filme internacional Lista de filmes brasileiros com mais de um milhão de espectadores
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