200px|thumb|right|Revolucionários franceses com cocares tricolores nos seus barretes vermelhos 200px|thumb|right|Militares italianos em farda de gala com o laço verde-branco-vermelho da Itália nas suas barretinas 200px|thumb|right|Cocar vermelha-amarela-vermelha da Espanha, como insígnia aeronáutica da Força Aérea Espanhola Um laço é uma insígnia feita a partir de um laço de fitas ou outro material, de forma circular, com cores distintivas, usada, normalmente, numa cobertura de cabeça. Também é referido como cocar, cocarda, roseta ou tope. Frequentemente usado como símbolo oficial de estados soberanos, o laço foi também usado como símbolo político.
Descrição Consiste normalmente numa roseta de fitas dobradas, geralmente com um botão ao centro. Além disso, duas ou mais tiras de fita podem pender da sua traseira. O material que constituía as fitas era historicamente o tecido. Contudo, no século XX, o plástico substituiu quase completamente o tecido.
História A partir do século XV, várias monarquias europeias introduziram o uso de laços como insígnia para identificação da nacionalidade dos seus soldados. A origem destes laços reverte para as bandas ou fitas de cores distintivas usadas no braço ou coberturas de cabeça, pelos homens de armas do final da Idade Média, a fim de distinguir os amigos dos inimigos, tanto nos campos de batalha ou como em torneios. Laços de fita passaram a ser mais tarde usados nos capacetes, chapéus de abas, tricórnios, bicornes, barretinas, chapéus armados e outras coberturas de cabeça. O material e o local de aplicação do laço poderia variar conforme o tipo de cobertura. Por exemplo, em capacetes era comum a aplicação de laços em material metálico de grande dimensão na lateral, enquanto que em bonés de pala eram normalmente aplicados laços de pequena dimensão, semelhantes a botões, na parte frontal. Para além da significância deste tipo de insígnia como símbolo de lealdade a um monarca particular, o laço colorido servia como um distintivo de campanha comum e económico, em épocas em que as cores dos uniformes poderiam variar entre os vários regimentos de um mesmo exército.
No final do século XVIII, o uso de laços coloridos intensificou-se na Europa, servindo de sinal distintivo para demonstrar a lealdade dos seus usuários a um monarca, a uma nação ou a uma causa política. Além de serem usados em librés e em uniformes militares, também passou a ser comum o seu uso em trajes civis. Um laço poderia ser preso na lateral do tricórnio de um homem ou na sua lapela. As senhoras também o poderiam usar nos seus chapéus ou no cabelo.
Na França pré-revolucionária o laço da dinastia dos Bourbons era totalmente branco. Na Grã-Bretanha, os apoiantes de uma restauração jacobita usavam laços brancos, enquanto que a recentemente estabelecida monarquia de Hanôver usava um laço preto. Durante os distúrbios anticatólicos de Gordon, em Londres, o laço azul foi usado pelos arruaceiros como símbolo do sentimento antigovernamental.
Durante a Revolução Americana, o Exército Continental usou inicialmente laços de várias cores como uma forma improvisada de insignia de patente. Contudo, pouco depois, o referido Exército reverteu para o uso dos laços pretos herdados dos Britânicos. Mais tarde, quando a França se tornou uma aliada dos Estados Unidos, o laço branco dos franceses foi unido ao laço preto dos americanos, criando-se um laço preto e branco, usado como marca da aliança entre os dois países. Este laço passou a ser conhecido como "Cocar da União".
No contexto da Revolução Francesa, Camille Desmoulins incentivou a multidão que participou na Tomada da Bastilha a usar laços verdes. A cor verde foi no entanto rejeitada mais tarde, devido à sua associação com o Conde de Artois. Em vez disso, os revolucionários passaram a usar as cores vermelha e azul do brasão de Paris. Mais tarde, foi-lhes acrescentado o branco dos Bourbons, dando origem à famosa Cocarde tricolore (cocar tricolor) revolucionária.
Durante as guerras napoleónicas, as cocares tricolores (vermelha-branca-azul ou de outras cores) passaram a ser associadas aos regimes revolucionários aliados dos Franceses, enquanto que os laços monocolores ou bicolores eram associados aos regimes antirrevolucionários.
Em 1912 a França, necessitando de uma insígnia que identificasse facilmente a nacionalidade das suas aeronaves militares, começou a pintar, na sua fuselagem, cocares tricolores. Nisto foi seguida por uma série de países, que passaram a utilizar cocares reproduzindo os seus laços nacionais como insígnias aeronáuticas.
Os laços nacionais nos diversos países Portugal Até 1797 o laço nacional de Portugal utilizava as cores verde e branca, identificativas da Casa de Bragança. Esse laço, ao que parece, seria de pouca utilização, nomeadamente pelo Exército Português, cujos tricórnios do uniforme dispunham de um laço, mas de cor preta, usado apenas como enfeite e sem qualquer significado simbólico.
O uso generalizado do laço nacional foi introduzido nos uniformes militares a partir de 1797. Nessa altura a Casa Real Portuguesa mudou as suas cores para azul-vermelho (definido oficialmente como "azul-escarlate"). O verde e o branco voltaram então a ser, simplesmente, as cores privativas da Casa Ducal de Bragança e do seu Duque, o Príncipe do Brasil. Como cores Reais, o azul-escarlate passou a ser usado nos laços nacionais das coberturas de cabeça dos uniformes militares. Além disso, o azul e o escarlate foram adoptadas como cores principais das bandeiras dos regimentos de infantaria e como cores dos librés (uniformes) dos funcionários civis.
A Revolução Liberal de 1820 mudou as cores do laço nacional para branco-azul. Estas eram consideradas as verdadeiras cores heráldicas de Portugal, presentes na primeira bandeira e nas quinas das armas nacionais. Mais tarde, as novas cores do laço nacional foram também utilizadas na nova bandeira nacional da monarquia liberal.
Durante a Guerra Civil os absolutistas mantiveram como símbolo a laço nacional azul-vermelho, sendo o laço branco-azul o símbolo dos liberais. Na sequência da vitória dos liberais em 1834 o azul e branco tornaram-se definitivamente as cores nacionais.
Em 1910, na sequência da implantação da República são mudadas as cores base da bandeira nacional de azul e branco para verde e vermelho. Com consequência disso, o laço nacional passa a adoptar as novas cores de verde-vermelho. A cocar verde-vermelha também é adoptada como insígnia das aeronaves militares portuguesas a partir de cerca de 1914, até começar a ser substituída pela Cruz de Cristo em 1918.
O uso do laço nacional nos uniformes portugueses começou a cair em desuso a partir da década de 1930. No uniforme do Exército Português passou a ser usada como insígnia de nacionalidade o próprio escudo nacional sobre a esfera armilar, que dava um efeito semelhante aos laços redondos de seda ou de metal, até aí usados. Os uniformes policiais e civis seguiram a mesma linha. Actualmente o laço nacional verde-vermelho mantém-se na barretina do uniforme de gala do Colégio Militar.[ https://audaces.blogs.sapo.pt/laco-nacional-portugues-16180 SOBTRAL, J. Laço Nacional Português, Audaces, 2016]
Lista de laços nacionais 150px|thumb|right|Laço nacional do Brasil thumb|150px|right|Laço nacional civil do Uruguai 150px|thumb|right|Laço nacional militar do Uruguai (Cocar de Artigas) 150px|thumb|right|Laço nacional policial do Uruguai 150px|thumb|right|Laço nacional da Bolívia 150px|thumb|right|Laço nacional do Peru 150px|thumb|right|Laço nacional dos Países Baixos 200px|thumb|right|Capacete de espigão alemão com o laço branco-preto da Prússia 200px|thumb|right|Boné civil de estudante dinamarquês com o laço vermelho-branco-vermelho da Dinamarca
As cores apresentadas nos laços nacionais seguintes são indicadas do interior para o exterior. Se uma cocar de uma Força Aérea for semelhante a um laço nacional, mas com algumas diferenças, essas diferenças são especificadas. Tableau comparatif de la superficie et de la population absolue et relative de tous les Etats du monde avec leurs pavillons et cocardes, 1833Tableau comparatif de la superficie et de la population absolue et relative de tous les Etats du monde avec leurs pavillons et cocardes, 1842 Alemanha: preto-vermelho-dourado Alemanha Oriental (1956-1959): preto-vermelho-dourado Terceiro Reich (1932-1945): vermelho-branco-preto República de Weimar (1918-1932): preto-vermelho-dourado Segundo Reich (1871-1918): vermelho-branco-preto Estados federados do Império Alemão (1871-1918): Anhalt: verde Baden: amarelo-vermelho-amarelo Baviera: branco-azul celeste-branco Bremen: branco com cruz vermelha Brunswick: azul-amarelo-azul Hamburgo: branco com cruz vermelha Hesse: branco-vermelho-branco-vermelho-branco Lippe: amarelo-vermelho-amarelo Lübeck: branco com cruz vermelha Mecklenburg: vermelho-amarelo-azul Oldenburg: azul-vermelho-azul Prússia: preto-branco-preto Saxe: verde-branco-verde Saxe-Weimar: preto-amarelo-verde Schaumburg-Lippe: azul-vermelho-branco Schwarzburg-Rudolstadt: azul-branco-azul Schwarzburg-Sondershausen: branco-azul-branco Waldeck: preto-vermelho-amarelo Württemberg: preto-vermelho-preto Confederação Germânica (1848-1871): dourado-vermelho-preto Albânia: vermelho-preto-vermelho Antígua e Barbuda: preto-dourado-azul-branco-vermelho Argentina: azul celeste-branco-azul celeste Armênia: laranja-azul-vermelho Áustria: vermelho-branco-vermelho até 1918: preto-dourado Azerbaijão: verde-vermelho-azul claro Bélgica: preto-amarelo-vermelho Bolívia: verde-amarelo-vermelho de 1826 a 1851: verde-vermelho-amarelo de 1825 a 1826: verde-vermelho-verde (com um estrela amarela de cinco pontas no centro) Bulgária: vermelho-verde-branco cocar das aeronaves militares: branco-verde-vermelho Brasil: azul-amarelo-verde cocar das aeronaves da Marinha do Brasil: azul-amarelo-verde Chile: azul-branco-vermelho (com um estrela prateada de cinco pontas sobre a parte azul) laço alternativo usado nos capacetes de espigão do Exército: vermelho-branco-azul Colômbia: amarelo-azul-vermelho Croácia: vermelho-branco-azul Dinamarca: vermelho-branco-vermelho início do século XIX: preto cocar das aeronaves militares: branco-vermelho Egito: preto-branco-vermelho de 1922 a 1953: verde-branco-verde Equador: vermelho-azul-amarelo Eslovênia: vermelho-azul-branco Espanha: vermelho-amarelo-vermelho de 1844 a 1871: vermelho de 1843 a 1844: vermelho-amarelo-vermelho até 1843: vermelho Estados Unidos: azul-branco-vermelho século XIX: azul com uma águia prateada no centro Guerra da Independência (Laço da União): branco-preto Guerra da Independência (Laço da Aliança Tripla): branco-preto-vermelho cocar das aeronaves militares na Primeira Guerra Mundial: branco-azul-vermelho Estônia: branco-preto-azul Etiópia: vermelho-amarelo-verde até 1936: verde-amarelo-vermelho Finlândia: branco-azul-branco Filipinas: de 1898 a 1901: vermelho-azul-prata França: azul-branco-vermelho Monarquia Absoluta (até 1794): branco cocar das aeronaves da Marinha Francesa: azul-branco-vermelho com uma âncora preta Gabão: verde-amarelo-azul claro Gana: verde-amarelo-vermelho Geórgia: de 1990 até 2004: preto-branco-vinho Grécia: azul-branco 1833: azul-branco 1822: branco-azul-branco cocar das aeronaves militares: azul-branco-azul Hungria: verde-branco-vermelho Índia: verde-branco-açafrão Islândia: azul-branco-vermelho-branco-azul Irã: vermelho-branco-verde Irlanda: verde-branco-laranja até 1922: verde ou azul celeste Itália: verde-branco-vermelho de 1861 a 1948: azul saboia Iugoslávia: azul-branco-vermelho Japão: vermelho-branco Letônia: carmim-branco-carmim Lituânia: vermelho-verde-amarelo México: verde-branco-vermelho Mônaco: branco-vermelho-branco Morávia: vermelho-branco-azul Nigéria: verde-branco-verde Noruega: vermelho-branco-azul-branco Países Baixos: laranja Paquistão: branco-verde-amarelo Paraguai: azul-branco-vermelho