Almodôvar é uma vila portuguesa pertencente ao distrito de Beja, região do Alentejo (NUT II) e sub-região do Baixo Alentejo (NUT III), com cerca de habitantes (2021).
É sede do município homónimo que tem de área e 6.694 habitantes (2023), e encontra-se subdividido em 6 freguesias.Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
O município é limitado a norte pelo município de Castro Verde, a este por Mértola, a sudeste por Alcoutim, a sul por Loulé, a sudoeste por Silves e a oeste e noroeste por Ourique.
Caracterização
Geografia esquerda|miniaturadaimagem|240px|Marco geodésico e turbinas eólicas do Pico do Mú na Serra do Caldeirão O município de Almodôvar está situado entre a Serra do Caldeirão e a planície alentejana. Dista 64 quilómetros da capital de distrito, 74 quilómetros de Faro, e 214 quilómetros de Lisboa.
Com aproximadamente de superfície, um terço do seu território, situado mais a norte e a que correspondem as freguesias de Aldeia dos Fernandes, Rosário e parte da União de Freguesias de Almodôvar e Graça de Padrões, é plano e pouco arborizado.
Os restantes dois terços situam-se mais a sul e são constituídos pela serra revestida de uma vegetação abundante, onde se destaca a esteva, o medronheiro, o sobreiro e a azinheira, e a que correspondem 4 das 6 freguesias: Almodôvar, União de Freguesias de Santa Clara-a-Nova e Gomes Aires, Santa Cruz e São Barnabé (onde se situa o Pico do Mú, um dos locais mais altos de toda a Serra do Caldeirão). As suas principais riquezas são a cortiça, a aguardente de medronho, o queijo de cabra e o mel. A população aqui é dispersa e vive destas atividades, que desenvolve em paralelo com a pequena agricultura.
No concelho nascem várias linhas de água, destacando-se o Rio Mira e a Ribeira de Odelouca. Outra importante linha de água no concelho é o Rio Vascão.
Economia As atividades com maior expressão económica são o cultivo de cereais de sequeiro, a criação de gado bovino, ovino e suíno, a produção de leite e queijo de ovelha e a apicultura.
Nos concelhos de Almodôvar e de Castro Verde situa-se um importante jazigo de cobre e estanho, integrado da Faixa Piritosa Ibérica, e que é explorado pelo complexo mineiro de Neves-Corvo, situado no concelho de Castro Verde, embora apenas a cerca de meio quilómetro da aldeia de Nossa Senhora da Graça de Padrões, já em Almodôvar.
Clima O clima apresenta características mediterrânicas, com verões quentes e secos e invernos frios e pouco chuvosos. As amplitudes térmicas são acentuadas, a denotar um carácter continental que se acentua à medida que caminhamos para leste, afastando‐nos do efeito regulador do Atlântico. A temperatura média é 15.9 °C. O mês mais quente do ano é agosto, com uma temperatura média de 23.1 °C. A temperatura média em janeiro é de 10.0 °C, sendo a temperatura média mais baixa de todo o ano.
A pluviosidade é pouco significativa, aumentando gradualmente de norte para sul. À escassez de pluviosidade, há que acrescentar a forte sazonalidade da precipitação e uma grande variabilidade interanual. A pluviosidade média anual é de 576 mm.
Freguesias thumb|left|Freguesias do município de Almodôvar.|261x261pxO município de Almodôvar está dividido em 6 freguesias:
Aldeia dos Fernandes Almodôvar e Graça dos Padrões (sede) Rosário São Barnabé Santa Clara-a-Nova e Gomes Aires Santa Cruz
História thumb|Povoado das Mesas do Castelinho, em 2014. miniaturadaimagem|293x293px|Escrita do Sudoeste. miniaturadaimagem|265x265px|Ponte sobre a Ribeira de Cobres, provavelmente construída durante a Idade Média.
Pré-história e período romano De acordo com os vestígios arqueológicos, o território correspondente ao concelho de Almodôvar tem ocupação humana desde há cerca de 3 mil anos a.C.. Entre os principais vestígios pré-históricos, incluem-se várias antas nas freguesias de Santa Clara-a-Nova e Gomes Aires, a Estela de Monte Gordo, no Rosário, e diversos tholos em São Barnabé, estes últimos do Calcolítico.
A ocupação humana atingiu uma especial expressividade durante as Idades do Bronze e do Ferro, como se pode constatar pela presença de várias estelas funerárias, algumas delas ostentando a Escrita do sudoeste, que é considerada como a escrita mais antiga na Península Ibérica, datando dos séculos VIII a V a.C. Várias destas peças foram preservadas no Museu da Escrita do Sudoeste, na sede do concelho. Um dos monumentos deste período é a Necrópole do Monte Branco, provavelmente construída há cerca de três mil anos atrás, durante a fase de transição entre as idades do Bronze e Ferro. Terá sido também na Idade do Ferro que nasceu a povoação que viria depois a ser conhecida como Almodôvar.
O território conheceu depois um franco desenvolvimento durante o período romano, devido principalmente às suas condições geográficas estratégicas, sendo percorrido por importantes caminhos tanto de Sul para Norte como de ocidente para oriente.
Uma das estradas provavelmente atravessaria a Ribeira de Cobres numa ponte, situada no mesmo local onde foi posteriormente construída a Ponte da Ribeira de Cobres. Os vestígios romanos incluem uma rede de fortificações ao longo do percurso da Ribeira de Oeiras, uma barragem em terra batida, a Necrópole do Monte Novo do Castelinho, uma mina em Brancanes, e o importante Povoado das Mesas do Castelinho, onde ainda são visíveis vários edifícios e uma estrutura viária ortogonal.
José Garcia de Lima, na sua obra Arquivo Histórico de Portugal, refere que segundo alguns autores, a vila de Almodôvar já existia no período romano, apontando como testemunho desta hipótese a circunstância de terem sido encontradas muitas medalhas romanas e islâmicas na Herdade da Horta das Mouras em 1799, tendo algumas delas sido cedidas à Academia Real das Ciências.
Períodos visigótico e islâmico
A ocupação humana continuou após o final do domínio romano, tendo sido encontrados apenas alguns testemunhos deste período, identificados como paleocristãos ou visigóticos, estando então integrada nas dioceses de Ossónoba e Paca. Segundo a obra Album Alentejano, alguns autores referem que a povoação já existia no século VIII.
O território entrou numa nova fase de impulso durante a época islâmica, com o estabelecimento de vários povoados, conhecidos como alcarias ou cortes, que permaneceram em vários topónimos da região. Por exemplo, na área dos Alcariais dos Guerreiros de Cima, na freguesia de Gomes Aires, foram encontrados materiais correspondentes a uma comunidade que perdurou entre os séculos IX e XIII, principalmente nos séculos X e XI. Foi também nesta cronologia que o povoado de Almodôvar se começou a desenvolver, com a instalação de uma fortaleza, conhecida no idioma islâmico como almudaûár, que significa casa ou castelo redondo. Uma teoria semelhante foi avançada por José Garcia de Lima, que mencionou que a vila «foi fundada pelos mouros no tempo da dominação, os quaes lhe deram nome concordante com a figura que a povoação descrevia, que por ser circular mais ou menos regularmente e cercada de muralhas, foi chamada «Al-mudanar», do verbo «danara» (arrendondar ou cercada em redondo), e d'ahi por aportuguezamento do termo se estabeleceu aquelle pelo qual é conhecida». Refere igualmente que já durante a era islâmica se praticava a apicultura, principalmente para a produção de cera.
A Ponte da Ribeira de Cobres foi provavelmente construída nos séculos XII ou XIII.
Reconquista
Segundo Garcia de Lima, parte dos combates da mítica Batalha de Ourique, em que o rei D. Afonso Henriques terá derrotado cinco comandantes mouros, ter-se-ão dado no território de Almodôvar. Segundo a lenda, após a vitória, o monarca dividiu o controlo da região pelos guerreiros que mais se distinguiram na batalha, como era prática na época, tendo a antiga freguesia de São Sebastião sido entregue a Gomes Aires, que a povou em 1170, passando a ter o seu nome.
A povoação de Almodôvar foi tomada pelas forças cristãs entre 1238, quando foi conquistada Mértola, e 1245, com a a reconquista de Marachique. Garcia de Lima refere que não existiam quaisquer registos da conquista do castelo em si, pelo que avançou a teoria de as tropas islâmicas teriam abandonado o castelo, quando este se viu cercado por outros já controlados pelos cristãos. O primeiro foral de Almodôvar foi concedido em 17 de Abril de 1285 pelo rei D. Dinis, elevando assim a Póvoa de Almodôvar a sede de concelho. Segundo Garcia de Lima, este documento previa certos privilégios pouco comuns, como a total isenção de portagem para os moradores e o seu gado, e de pagamento de montados. Em 1297 o território passou a ser administrado pela Ordem de Santiago, cuja comenda foi concedida por D. Dinis. Aquela ordem religiosa também entregou um foral a Santa Bárbara de Padrões, que então constituía um concelho próprio. Com estas medidas, tentou-se recuperar a região, tanto do ponto de vista da economia como da população residente, que tinham sido duramente atingidos pela instabilidade durante o período da reconquista. Garcia de Lima refere que a povoação, então conhecida como Povoa de Almodovar, continuou a ter alguma importância nos primeiros anos após a reconquista, por contar com uma «praça forte, com bom castello e cercada de muralhas, solidas como os mouros sabiam construir». No entanto, o foral deu pouco resultado, e as fortificações, devido à falta de manutenção, foram-se degradando, restando delas apenas algumas ruínas nos finais do século XIX. Indica igualmente que Almodôvar «mais tarde teve como donatarios os marquezes de Valença».
Séculos XIV a XVIII O concelho voltou a entrar em declínio no século XIV, devido a pestes, instabilidade política e ao sismo de 1536. Este quadro é bem visível nos relatórios das Inquirições Fernandinas de 1376 às vilas de Almodôvar e de Padrões, onde se afirma que a agricultura era quase totalmente dominada pela produção de subsistência, embora já se denotasse um grande desenvolvimento na pastorícia e noutras funções económicas, como a tecelagem, os curtumes e a apicultura. De forma a combater esta situação, na segunda metade do século foram introduzidas várias medidas para fomentar o desenvolvimento de Almodôvar. Em 1 de Junho de 1512 a vila recebeu um novo foral, por parte do rei D. Manuel, que confirmou alguns dos privilégios já concedidos em 1285. A entrega deste documento inseriu-se num programa de reforma dos forais, que ao mesmo tempo procurou reforçar o controlo da coroa sobre os territórios locais. Conhece então um forte período de crescimento, sendo dessa centúria o pórtico da Igreja Matriz, o edifício dos Paços do Concelho, a janela manuelina na casa na praça da República, a Igreja da Santa Casa da Misericórdia. e provavelmente também a capela-mor da Ermida de Santo Amaro. Em 8 e 9 de Janeiro de 1573, o rei D. Sebastião passou por Almodôvar, durante uma viagem pelo Alentejo e Algarve.
A fase de crescimento prosseguiu ao longo dos séculos XVII e XVIII, com a construção de grandes edifícios na vila. O Convento de Nossa Senhora da Conceição foi fundado em 1680 pela Ordem Terceira de São Francisco, onde terá existido a primeira escola de teologia na região do Baixo Alentejo, e Torre do Relógio e a Capela de Santo António, situada junto à vila, também terão sido edificadas no século XVII. Em 1747 foram feitas grandes obras na Igreja Matriz, por ordem do rei D. João V, e Igreja Paroquial da aldeia do Rosário foi provavelmente construída no século XVIII.
Séculos XIX e XX