A história da Bulgária como um Estado independente, começou no , com a chegada dos búlgaros, e a fundação do Primeiro Império Búlgaro, reconhecido em 681 pelo Império Bizantino.

O primeiro Estado búlgaro formou-se ao final do . O rei foi batizado, assim convertendo todos seus súditos no ano 800. Nos séculos seguintes, entrou em guerra contra o Império Bizantino por diversas vezes, para garantir a sua existência. Porém, não logrou resistir à invasão do Império Otomano, ocorrida ao final do .

Pré-história e Antiguidade

As culturas pré-históricas que se estabeleceram em terras búlgaras incluem a cultura neolítica de Hamangia e a cultura de Vinca (V a ), a cultura de Varna, no final do Neolítico () e a cultura de Ezer da Idade do Bronze. A cronologia Karanovo serve como um indicador da pré-história dos Bálcãs.

Os trácios, um dos três principais grupos ancestrais dos búlgaros modernos, divididos em várias tribos viveram até , quando o rei uniu a maioria deles no Reino Odrísio. Foram conquistados por Alexandre, o Grande e mais tarde pelos romanos. Depois de emigrar de sua pátria original, alguns grupos eslavos do sul ocuparam o território da Bulgária moderna, no e se misturaram com os trácios romanizados. Finalmente, a elite dos búlgaros juntou todos eles no Primeiro Império Búlgaro. No , os búlgaros e eslavos também foram mesclados.

Império Búlgaro O Império Búlgaro ( ) é um termo usado para descrever dois períodos na história medieval da Bulgária, durante os quais ela agiu como uma potência regional na Europa em geral e no sudeste europeu em particular. Os dois "impérios búlgaros" não são tratadas como entidades separadas, mas sim como um estado restabelecido após o período de domínio do estado bizantino sobre seu território.

Primeiro Império Búlgaro

thumb|upright=1.2|O Primeiro Império Búlgaro em sua máxima extensão territorial, durante o reinado do czar Simeão

O Primeiro Império Búlgaro foi criado como resultado de uma expansão da Antiga Grande Bulgária para o território ao sul do rio Danúbio, e é geralmente descrito como tendo durado entre 632 e 1018, quando foi dominado pelo Império Bizantino, apesar da resistência feroz de Samuel. Gradualmente atingiu o seu apogeu cultural e territorial no e princípios do sob e Simeão, o Grande, quando se transformou no centro cultural e literário da Europa eslava e em um dos maiores Estados da Europa. Uma das teorias é que os búlgaros eram um povo nômade e guerreiro da Ásia Central (ver protobúlgaros), relacionados com os hunos. De fato, os primeiros cãs búlgaros remontam suas origens a Átila, o Huno. Já na primeira metade do , sob seu rei cã Cubrato, haviam formado um reino ao norte do mar Negro, que os bizantinos chamavam "Magna Bulgária". Depois da morte de Cubrato, o império foi dividido entre seus três filhos mais velhos, como resultado do qual uma parte dos búlgaros mudaram para leste até a confluência dos rios Volga e Kama, que chegaram a formar o Estado da Bulgária do Volga, enquanto outro grupo se estabeleceu no delta do Danúbio, liderado pelo cã Asparuque, terceiro filho de Cubrato e onde um terço da população búlgara permaneceu.

Asparuque, cã da Antiga Grande Bulgária, emigrou com várias tribos dos búlgaros até as terras baixas ao longo dos rios Danúbio, Dniestre e Dniepre (conhecido como "Ongala"), logo após o estado de seu pai ser subjugado pelos cazares. De lá, os búlgaros assediaram as guarnições de Bizâncio e as venceram na Batalha de Ongala. Conquistou províncias bizantinas da Mésia e Cítia Menor (Dobrogeia), expandindo seu reino para o interior da península Balcânica.  Seus frequentes raides levaram à realização de uma expedição punitiva contra eles pelo imperador bizantino . Com o fracasso desta expedição, o Império Bizantino foi forçado a aceitar a existência do Império Búlgaro, e pagar um tributo anual para evitar incursões. No ano 681, quando Bizâncio reconheceu pela primeira vez o Estado búlgaro, é considerado a data de nascimento da Bulgária moderna.

Os sucessores de Asparuque fortaleceram o Estado búlgaro: Tervel , firmou limites e estabeleceu a Bulgária como uma grande potência militar depois de derrotar um exército árabe de homens em 717, eliminando assim a ameaça de invasão em larga escala pelos países árabes para a Europa Central e Oriental.

No início do , durante o reinado de cã Crum, o Império Búlgaro chegou a estender-se a parte da Panónia e Transilvânia. Crum , duplicou o território do país, assassinando o imperador na Batalha de Plisca e introduziu o primeiro código civil escrito, válido aos eslavos e búlgaros. Os búlgaros abraçaram o cristianismo de rito bizantino, após a conversão de .

thumb|upright=1.2|Divisão administrativa do Império Bizantino

Em 864, Boris I aboliu o tengriismo, substituindo-o pelo cristianismo ortodoxo oriental,  e introduziu o alfabeto cirílico, desenvolvido na Escola Literária de Preslava e na de Ócrida. O alfabeto cirílico, junto com a antiga língua búlgara, constituíram a principal linguagem escrita da Europa Oriental (lingua franca), a linguagem é atualmente conhecido como antigo eslavo eclesiástico. Assim, a adoção da nova fé também envolveu o uso do eslavo como língua da liturgia e da administração. A cristianização e a eslavização deram ao Império Búlgaro uma área de grande influência. O Estado atingiu o seu apogeu político e cultural de sua história  com o reinado de , cujo plano, que esteve perto de ser realizado, era unir sob seu domínio as monarquias búlgaras e bizantinas. Simeão foi o primeiro monarca a adotar o título de czar búlgaro (derivado do título romano caesar, césar).

Simeão foi capaz de ganhar a supremacia militar sobre o Império Bizantino na Batalha de Bulgarófigo e, finalmente, na Batalha de Anquíalo, uma das batalhas mais sangrentas da Idade Média,  e uma das suas vitórias mais decisivas. Seu reinado viu também o desenvolvimento de uma cultura eslava cristã rica e única, que se tornou um exemplo para outros povos eslavos da Europa Oriental e também incentivou a continuação da existência da nação búlgara, apesar das forças que a ameaçavam.

Após a morte de Simeão, o declínio da autoridade real, lutas de sucessão dinásticas e ataques externos de povos como os croatas, sérvios, húngaros e pechenegues, e a propagação da religião dos bogomilos.  foram minando o Estado búlgaro, levando a sucessivas invasões, primeiro por parte da Rússia de Quieve e, em seguida, do Império Bizantino, que terminou com a captura da capital, Preslava, pelo exército bizantino. No mandato de Samuel, a Bulgária recuperou alguns destes ataques e conseguiu vencer a Sérvia, Bósnia  e Dóclea, mas essa sequência de vitórias terminou em 1014, quando o Estado Búlgaro foi conquistado pelo imperador na Batalha de Clídio. Samuel morreu pouco depois da batalha, em 15 de outubro de 1014,  e em 1018 o Império Bizantino conquistou completamente o Primeiro Império Búlgaro. A Bulgária manteve-se sob a autoridade de Constantinopla durante quase dois séculos, entre 1018 e 1185.

Segundo Império Búlgaro

thumb|upright=1.2|O Segundo Império Búlgaro em sua máxima extensão territorial durante o reinado do czar

O Estado medieval búlgaro foi restaurado como o Segundo Império Búlgaro depois de uma revolta bem sucedida de dois nobres em Tarnovo, Asen e Pedro, em 1185, e existiu até que foi conquistado durante a invasão otomana dos Balcãs no final do , com a data da sua subjugação sendo geralmente dada como 1396 ou 1422. Sob , monarca considerado em sua época como o restaurador do patriarcado búlgaro, na primeira metade do , se recuperou grande parte de seu antigo poder, mas isso não durou muito tempo devido aos problemas internos e às invasões estrangeiras.

Basílio II logrou prevenir rebeliões, mantendo as leis locais da nobreza da Bulgária, que ingressaram na aristocracia bizantina como arcontes ou estrategos, assegurando a indivisibilidade da Bulgária, com seus limites antigos e reconhecendo a autocéfala arquidiocese búlgara de Ohrid. Após sua morte, a política interna bizantina se modificou, o que levou a uma série de revoltas sem êxito, a maior das quais foi dirigida por Pedro Deliano.

Embora os búlgaros se rebelassem repetidamente contra o domínio de Bizâncio no , nenhuma dessas rebeliões atingiu seu objetivo. Durante o , no entanto, aproveitando-se do fato de o Império Bizantino estar enfraquecido por suas lutas contra os sérvios e os húngaros, explode uma revolta liderada pelos irmãos Asen e Petar. Petar foi proclamado "czar dos búlgaros, gregos e valáquios", assim nasceu o Segundo Império Búlgaro (1185-1396), cujo domínio se estendeu por todo o território entre o Danúbio e o mar Negro e as montanhas da Cordilheira dos Bálcãs, incluindo partes da Macedônia Oriental e do vale de Morava. O czar Joanitzes , o terceiro dos monarcas Asen, estendeu seu domínio para Niche, Belgrado, Escópia e entrou em uma união com o Papado, e recebeu uma coroa real de um legado apostólico, garantindo assim o reconhecimento do seu título de rex, embora ele desejasse ser reconhecido como "imperador" ou "czar". Travou guerras contra o Império Bizantino e (após 1204) sobre os cavaleiros da Quarta Cruzada, conquistando grande parte da Trácia, Ródope, bem como toda a Macedônia. Na batalha de Adrianópolis, em 1205, Joanitzes derrotou as forças do Império Latino e, portanto, limitado o seu poder a partir do primeiro ano de sua criação. Assim, o estado búlgaro foi estendido para os mares Adriático e Egeu, controlando diretamente a Valáquia (na atual Romênia), Moldávia, Macedônia, Ródope (região sul da Bulgária, desde então parte do país) e Trácia. A força dos estados da Hungria e da Sérvia impediram um maior crescimento do império.

thumb|upright|esquerda|Ivan Asen II

Com o czar Ivan Asen II , a Bulgária tornou-se novamente uma potência regional, ocupando a Albânia, Epiro, Macedônia e Trácia. Naquele época, as conquistas da escola artística de Turnovo e as primeiras moedas cunhadas por um governante búlgaro foram alguns dos indicadores bem-estar do império. A Bulgária rompeu com a Igreja de Roma, criando o Patriarcado Ortodoxo da Bulgária, ao qual aderiram vários patriarcas dos Balcãs. Foi um monarca honesto e humano, que, apesar da ruptura com Roma abriu canais de cooperação, em especial do comércio com Veneza e Gênova, para reduzir a influência dos bizantinos em seu país.

A dinastia Asen terminou em 1257, e devido às invasões dos tártaros (iniciadas no final do ), conflitos internos e os constantes ataques dos bizantinos e húngaros, o poder militar e econômico no país diminuiu. No final do , as divisões entre os senhores feudais búlgaros (boiardos) e a propagação dos bogomilos causou a divisão do Segundo Império Búlgaro em três pequenos czarados (o Czarado de Tarnovo foi o estado remanescente depois do desmembramento do Czarado de Vidin e do Principado de Carvuna) e vários principados semi-independentes, que lutavam entre si e também contra os bizantinos, húngaros, sérvios, venezianos e genoveses.

O imperador Teodoro Esfendóstlabo restaurou o prestígio da Bulgária de 1300 em diante, mas apenas temporariamente. A instabilidade política continuou a crescer, e a Bulgária gradualmente começou a perder território. Isto levou a uma revolta camponesa liderada por Lacanas, que finalmente conseguiu derrotar as forças do imperador e ascender ao trono.

Durante o , a Bulgária enfraquecida atravessava um período de desmembramento feudal, era presa fácil para novos invasores, os turcos otomanos, que haviam ingressado na Europa em 1354 e estavam determinados em conquistar a Bulgária. Eles tomaram Plovdiv em 1362 e, em 1382, Sófia.

Os otomanos, em seguida, voltaram suas atenções para os sérvios, a quem conquistaram, em Kosovo Polje, em 1389. Em 1393, os otomanos ocuparam Tarnovo, após um cerco de três meses. Em 1396, o Reino (Czarado) de Vidin também foi ocupado, colocando fim ao Segundo Império Búlgaro e à independência da Bulgária.

Domínio otomano