Antônio Alcymar Monteiro dos Santos, mais conhecido como Alcymar Monteiro (Aurora, 13 de fevereiro de 1950), é um cantor, compositor, poeta, ator teatral, produtor musical e empresário brasileiro. Considerado como um grande intérprete da música brasileira, mais especificamente no gênero de forró (tendo O Rei do Forró como famosa alcunha), é por vezes visto também como um representante da cultura e do folclore brasileiros.

Começo da Carreira O cantor e compositor Alcymar Monteiro nasceu no distrito de Ingazeiras, em Aurora, na região Cariri (Sul) do Ceará, e se mudou para Juazeiro do Norte, onde passou sua infância. Neto de violeiro e sobrinho de sanfoneiro, começou a cantar ainda muito pequeno, na infância. Filho de Artur Monteiro dos Santos e Maria Fernandes dos Santos, teve 9 irmãos. Estudou Música no Conservatório Alberto Nepomuceno, em Fortaleza. Cursou o 3° ano de letras na Universidade do Vale de Acaraú (U.V.A.), concluindo o curso superior na "universidade da vida", fazendo aulas de Teatro, integrando assim em algumas peças em escolas e eventos culturais nordestinos e também em festividades da época, como os "reizados".https://www.letras.com.br/alcymar-monteiro/biografia Foi um jovem calouro candidato a várias vagas para cantores oferecidas pelas emissoras de rádio e/ou televisão cearenses, e nos campeonatos e concursos de festivais. Seu primeiro contato com o microfone foi no "Show da Semana" da Rádio Iracema. Com o tempo, Alcymar foi ganhando concursos e testes, criando visibilidade e fama por cantar muito afinado, passando, então, a integrar-se a bandas de baile. Com o passar do tempo, descobriria que seu irmão, João Paulo Jr., também é um músico talentoso; os dois eventualmente comporiam juntos uma série de músicas que tornaram-se sucessos populares.

Cada vez mais se profissionalizando, Alcymar Monteiro foi progredindo, até que conseguiu gravar dois discos nos gêneros musicais Romântico e Brega; um deles, intitulado "Nossas Vidas Nossas Flores", não lhe trouxe tanto prestígio e fez com que fosse a São Paulo em busca de sucesso. Lá, chegou a dormir nas ruas centrais e a desmaiar de fraqueza e fome pois não tinha alimentação diária garantida, segundo seu próprio relato numa entrevista.https://www.youtube.com/watch?v=WLuVQsZe6P4

Como bom conhecedor da música nordestina, Alcymar fez um trabalho versátil sobre a mesma, sem nunca perder o foco na autenticidade dela, conseguindo o que queria em São Paulo e no Rio de Janeiro, e fazendo seus discos com as maiores gravadoras da época: RGE, Continental e Som Livre. Mas antes de tais investidas, foi tentar a sorte em Pernambuco, especificamente no Recife ao final dos anos 1960, onde obteve uma oportunidade pessoal e artística ao se hospedar e morar na casa do cantor Reginaldo Rossi. Conseguiu então dar os primeiros passos na carreira, gravando o seu primeiro disco de forró. Com o apoio de artistas contemporâneos, Alcymar conseguiu se destacar no cenário musical, fazendo parcerias em músicas, composições e produções. Em 1975, decidiu fazer as malas e ir de vez para o sul do país e tentar ganhar a vida. Com a união de muita dedicação, sorte e talento, sua fama nacional não viria por acaso, mas somente anos após, com os álbuns Forroteria (1986) — em que teve a honra de gravar com Luiz Gonzaga (o "Rei do Baião") e Marinês (a "Rainha do Xaxado") — Portas e Janelas (1987) e Rosa dos Ventos (1989). Nesse período, Alcymar já fazia parte do elenco de estrelas das gravadoras Som Livre, RGE, Continental e Warner.

A voz de Alcymar Monteiro entoou composições de nomes como Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira, Zé Dantas, Milton Nascimento, Paulo Vanzolini, Joubert de Carvalho, Raul Seixas, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Fagner, Lupicínio Rodrigues, Fausto Nilo, Catulo da Paixão Cearense, Petrúcio Amorim, Maciel Melo e João Paulo Jr., sendo este último seu irmão e parceiro mais longevo nas autorias musicais de sua carreira.

Assim como os seus contemporâneos Oswaldinho, Flávio José, Assisão, Jorge de Altinho e outros, Alcymar Monteiro é um artista que agregou novos elementos ao forró. As mudanças ocorreram na instrumentação (acrescentou percussões, metais, novos vocais, etc.), na forma musical (adição de vocalizações, coro com vozes do próprio cantor), nos arranjos (ampla diversificação instrumental em vários discos e shows), no figurino (estabelece a cor branca como base do seu figurino, em contraponto às tonalidades do couro estabelecida por Luiz Gonzaga), na interpretação, nos ritmos, na performance e nas temáticas das letras (busca uma leitura mais abrangente do Nordeste, não se reportando apenas ao Sertão, mas estendendo-se às manifestações culturais de diversos estados nordestinos).

Em mais de cinco décadas de carreira, já teve suas músicas gravadas por grandes nomes da MPB, como Zé Ramalho, Alceu Valença e Fagner; já fez duetos com Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Elba Ramalho, Marinês, Tânia Alves, Genival Lacerda, Manhoso, entre outros.

Alcymar tem o hábito de se apresentar totalmente vestido de branco e chapéu, dando dois motivos para tal, sendo o primeiro originado de um conselho de seu compadre Luiz Gonzaga, sobre o qual afirmou, "Luiz me disse certa feita que um dia viria uma tecnologia de informações muito rápida, e aqueles que não terão a sua identidade visual definida passarão por despercebido. Por isso crie um tipo físico! E Seu Luiz ainda me disse, 'Se colocarem minhas roupas e minha sanfona em um toco e fotografar, podem confirmar que sou eu!'&HairSpace;". Como segundo motivo, atribui esse hábito à sua religião, o espiritismo kardecista; Alcymar costuma dizer, "Quando visto branco, visto todas as cores do universo" e que "O branco é a mistura de todas as cores do universo".

Em 1989, ano da morte de Luiz Gonzaga, o apresentador paraibano Tony Show teve Alcymar Monteiro como convidado de uma das atrações de seu programa de TV, o qual estava em uma fase de alta audiência. Ocorreu que, no momento de chamar o artista ao palco, Tony anunciou: "Vem aí o Rei do Forró… Alcymar Monteiro!", nascendo daí a taxação e o rótulo de reconhecimento ao trabalho prestado por Alcymar ao gênero tão enraizado culturalmente, dando ao Forró sucesso e notoriedade nacionais após uma sequência de baixas em disputa com outros gêneros do momento. A partir disso, o disco de 1991 foi lançando com o título "O Rei do Forró", o que trouxe certos problemas ao cantor, pois a crítica e os artistas chamados forrozeiros não apreciaram — e muitos recusaram-se a reconhecer — tal posto de "rei" para Alcymar. De qualquer modo, o disco teve milhões de cópias vendidas, com alguns sucessos consagrados (como Cavaleiro Alado).

Carreira Internacional Com algumas turnês internacionais, Alcymar Monteiro já teve seus trabalhos lançados no exterior, ao todo em 4 continentes: América (em especial Argentina e Peru), Europa (França e Suíça), Asía (Japão) e África, com a maioria dos concertos tendo ocorrido na América Latina. Em 2001, se apresentou no Festival de Montreux na Suíça, no Festival Latino Americano em Milão (Itália), em Imst (Áustria), e em Lausana e Zurique (ambas na Suiça).

Também cantou no Festival da Colheita da Bélgica e nas cidades francesas Côte d'Azur, Nice, Saint-Tropez, e Lião, além da capital Paris.

Seu maior sucesso internacional foi a regravação da musica Carnavalito, que está presente no disco Forró Brasileño (Forró Brasileiro), gravado em língua castelhana no ano de 2007.

Prêmios e Troféus Com incontáveis prêmios e troféus ganhos ao longo de sua carreira, desde a década de 80 até os dias de hoje, Alcymar, sendo natural de Aurora (CE), também coleciona títulos de reconhecimento em cidadanias municipais e estaduais do Brasil, a exemplo de cidades nos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe; no ano de 2022, aguardava pelo reconhecimento de cidadão pelo estado da Bahia.

Foi duas vezes indicado ao Prêmio Sharp de música com o CD – “Vaquejadas Brasileiras Vol.1”, lançado na Europa em 2001 através da gravadora francesa Melody; foi o primeiro disco de Alcymar lançado fora do Brasil.

Em 2005, também teve indicação ao Prêmio TIM em três categorias: melhor disco, melhor música e melhor cantor, todas pelo álbum Meu Forró é meu Canto.

Em 2007, foi indicado ao Grammy Latino pelo álbum Forró Brasileño, disco de forró cantado em espanhol, o qual fez com que o artista tivesse uma maior abrangência e prestígio internacionais.

No final de 2016, recebeu do então Presidente da República Michel Temer e do Ministro da Cultura Marcelo Calero a Medalha da Ordem do Mérito Cultural (OMC), na categoria Comendador.

Em julho de 2017, recebeu o Troféu Melhores do São João, por meio do Portal São João na Bahia e do Jornal Correio, vencendo em duas categorias: Melhor Forrozeiro do São João e Melhor Show do São João 2017.

Em 2019, recebeu novamente o Troféu Melhores do São João da Bahia, na categoria de "Melhor Show".

Em 2021, foi convidado, junto a uma gama de artistas e forrozeiros, para receber do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) um título do gênero "Forró: Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil".

Vaquejada No fim da década de 80, com a perda de Luiz Gonzaga, o forró teve uma baixa na notoriedade nacional no que tange a mídia, sucesso e fama. Seus discípulos do forró, os "Forrozeiros", tiveram que ser muito criativos para continuar o legado de Gonzaga. Assim, surgiram várias vertentes do gênero, com modificações feitas aos sons (harmonias e melodias) e linguagens do forró tradicional, com o intuito de modernizá-lo.

Se destacando dessa maneira, Alcymar Monteiro fez uma "junção do útil ao agradável", unindo o canto rústico e rural à poesia brasileira (cantada em ritmo de forró), nascendo assim as cantorias de vaquejada — modelo inovador no gênero e bem aceito pelo público e a crítica — em 1987.

Entretanto, Alcymar Monteiro não se restringiu somente à música: ele também tem feito ativismo político, com foco no nordeste. Tudo começou nos anos 90, quando Alcymar tornara-se algo como um "porta-voz das vaquejadas", que eram uma das mais populares manifestações culturais em todo o nordeste do Brasil, dentre outras regiões.

Polêmicas

Forró Tradicional x Forró Eletronico Após ter fornecido músicas para o primeiro disco da banda Mastruz com Leite, Alcymar Monteiro afirma "ter percebido que caiu numa cilada". A SomZoom, empresa do cearense Emanuel Gurgel — e proprietária também da Mastruz com Leite e de várias outras bandas —, passou a dominar, monopolizar e até a cartelizar o mercado da música nordestina, inclusive os circuitos de vaquejada, eventos nos quais Alcymar Monteiro figurava como principal atração.

A banda Mastruz com Leite e, logo em seguida, a SomZoom, surgiram no início da década de 1990, num momento quando o forró estava "órfão" de Luiz Gonzaga (falecido em 1989), passando por um difícil momento no mercado brasileiro, mas mantendo uma multiplicidade sonora construída em décadas anteriores. Aproveitando a oportunidade, a SomZoom acumulou um aparato industrial que, além das bandas de baile voltadas para o forró, reunia estúdio de gravação, cadeia de rádio com produção centralizada de conteúdo e transmissão via satélite, selo (gravadora), fábrica de amplificadores, casas de show, e — segundo muitos artistas lesados — a ilicitude que, infelizmente, pode ser considerada "endêmica" no meio empresarial brasileiro. Com esse arsenal, Emanuel Gurgel estabeleceu uma enorme reserva de mercado, de modo que os diversos artistas nordestinos se sentiam lesados e espoliados, incluindo os compositores que ou não recebiam os devidos royalties ou recebiam-nos inadequadamente.

Em 2 de abril de 1992, o Jornal O Povo (de Fortaleza) publicou uma matéria intitulada "Artistas cearenses denunciam pirataria", na qual mais de dez artistas daquela cidade se manifestaram e acusaram Emanuel Gurgel de ter cometido vários atos ilícitos. Mas até então, os reclamos não repercutiam muito.