thumb|Pôster do filme Down Argentine Way, lançado pela 20th Century Fox em 1940, com os dizeres "in Techinicolor". Technicolor é uma série de processos cinematográficos a cores, com a primeira versão (Processo 1) datada de 1916, e seguida por versões melhoradas ao longo de várias décadas.Os 100 anos do Technicolor: Saturação e sutileza nas telas de cinema. O Globo. Consultado em 30 de dezembro de 2025

Os filmes definitivos em Technicolor, que utilizavam três filmes em preto e branco passando por uma câmera especial (conhecido como Technicolor de três tiras ou Processo 4), começaram no início da década de 1930 e continuaram até meados dos anos 1950. Nesse período, a câmera de três tiras foi substituída por uma câmera padrão carregada com um único negativo colorido do tipo monopack. Mesmo assim, os Laboratórios Technicolor ainda conseguiam produzir cópias Technicolor criando três matrizes em preto e branco a partir do negativo Eastmancolor (Processo 5).

O Processo 4 foi o segundo grande processo de cinema em cores, depois do britânico Kinemacolor (utilizado entre 1909 e 1915), e o mais amplamente usado em Hollywood durante a Era de Ouro do cinema. O processo de três cores da Technicolor tornou-se famoso e celebrado por suas cores altamente saturadas e, inicialmente, foi usado principalmente em musicais como The Wizard of Oz (1939), Down Argentine Way (1940), e Meet Me in St. Louis (1944); em filmes de época como The Adventures of Robin Hood (1938) e Gone with the Wind (1939); no filme The Blue Lagoon (1949); e em animações como Snow White and the Seven Dwarfs (1937), Gulliver's Travels (1939), Pinocchio (1940), e Fantasia (1940). À medida que a tecnologia evoluiu, passou também a ser usada em dramas e comédias menos espetaculares. Ocasionalmente, até mesmo um filme noir — como Leave Her to Heaven (1945) ou Niagara (1953) — foi filmado em Technicolor.10 great Technicolor films. British Film Institute. Consultado em 30 de dezembro de 2025

O termo “Tech” no nome da empresa foi inspirado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde Herbert Kalmus e Daniel Frost Comstock concluíram seus cursos de graduação em 1904 e mais tarde atuaram como instrutores.How MIT And Technicolor Helped Create Hollywood. WGBH.org. Consultado em 30 de dezembro de 2025Color by Technicolor: An MIT Story. MIT Alumni Association. Consultado em 30 de dezembro de 2025

Nomenclatura O termo “Technicolor” tem sido usado historicamente para pelo menos cinco conceitos:The Rise and Fall of Technicolor in Hollywood’s Golden Age. The Hollywood Reporter. Consultado em 30 de dezembro de 2025Technicolor100: 1935-1955. George Eastman Museum. Consultado em 30 de dezembro de 2025

Technicolor: a empresa-mãe (Technicolor Motion Picture Corporation), que engloba todas as versões do processo e serviços auxiliares (1914–presente). Laboratórios Technicolor: um grupo de laboratórios cinematográficos ao redor do mundo, pertencentes e operados pela Technicolor, responsáveis por serviços de pós-produção como revelação, impressão e transferência de filmes em todos os principais processos de cor, além dos processos proprietários da Technicolor (1922–presente). Processo ou formato Technicolor: vários sistemas personalizados de captação de imagem usados na produção cinematográfica, culminando no processo de três tiras em 1932 (1917–1955). Impressão Technicolor IB (“IB” é a abreviação de imbibition, uma operação de transferência de corantes): um processo de produção de cópias cinematográficas em cores que permite o uso de corantes mais estáveis e duráveis do que aqueles usados na impressão cromogênica comum. Originalmente, era utilizado para imprimir a partir de negativos com separação de cores fotografados em filme preto e branco, usando uma câmera Technicolor especial (1928–2002, com diferentes períodos de indisponibilidade após 1974, dependendo do laboratório). Cópias ou “Color by Technicolor”: termo usado desde 1954, quando o Eastmancolor (e outros filmes coloridos de uma única tira) substituiu o método de negativo em três tiras, enquanto o processo de impressão IB da Technicolor continuou sendo utilizado como uma das formas de produzir cópias. Essa acepção se aplica à maioria dos filmes feitos a partir de 1954 em diante em que o nome Technicolor aparece nos créditos.

História da empresa Tanto Kalmus quanto Comstock foram para a Suíça para obter seus doutorados: Kalmus na Universidade de Zurique e Comstock na Universidade de Basileia, em 1906.

Em 1912, Kalmus, Comstock e o mecânico W. Burton Wescott fundaram a empresa Kalmus, Comstock and Wescott, uma firma de pesquisa e desenvolvimento industrial. A maioria das primeiras patentes foi registrada por Comstock e Wescott, enquanto Kalmus atuava principalmente como presidente e diretor executivo da empresa.

Quando a firma foi contratada para analisar um sistema cinematográfico sem cintilação (flicker-free) criado por um inventor, eles se interessaram pela arte e pela ciência do cinema, especialmente pelos processos de filmes em cores. Esse interesse levou à fundação da Technicolor, em Boston, em 1914, e à sua incorporação legal no estado do Maine em 1915."What? Color in the Movies Again?" Fortune, Outubro de 1934.

Em 1921, Wescott deixou a empresa; no mesmo ano, a Technicolor Inc. foi oficialmente registrada no estado de Delaware."$1,000,000 Company Will Color Movies", The New York Times, 21 de setemebro de 1922, p. 1."Technicol.-Prizma Controversy", The Wall Street Journal, 7 de dezembro de 1922, p. 12.

História dos processos de cor Technicolor de duas cores Processo 1

Originalmente, a Technicolor utilizava um sistema de duas cores (vermelho e verde). No Processo 1 (1916), um divisor de feixe prismático localizado atrás da lente da câmera expunha simultaneamente dois quadros consecutivos de uma única tira de filme negativo em preto e branco: um quadro passava por um filtro vermelho e o outro por um filtro verde. Como dois quadros eram expostos ao mesmo tempo, o filme precisava ser filmado e projetado ao dobro da velocidade normal.

A exibição exigia um projetor especial com duas aberturas (uma com filtro vermelho e outra com filtro verde), duas lentes e um prisma ajustável, que alinhava as duas imagens na tela.

Os resultados foram demonstrados pela primeira vez a membros do Instituto Americano de Engenheiros de Mineração, em Nova York, em 21 de fevereiro de 1917. A própria Technicolor produziu o único filme feito com o Processo 1, The Gulf Between, que teve uma exibição limitada em cidades do leste dos Estados Unidos, começando por Boston e Nova York em 13 de setembro de 1917. O objetivo principal era despertar o interesse de produtores e exibidores de cinema pelo uso da cor.Firm Knows the Color of Money. Los Angeles Times. Consultado em 30 de dezembro de 2025

A necessidade quase constante de um técnico para ajustar o alinhamento da projeção acabou condenando esse processo aditivo de cores ao fracasso. Atualmente, sabe-se que apenas alguns quadros de The Gulf Between ainda existem, mostrando a atriz Grace Darmond.The first Technicolor film was a total disaster a century ago. CNET.com. Consultado em 30 de dezembro de 2025

Processo 2

Convencidos de que não havia futuro nos processos aditivos de cor, Comstock, Wescott e Kalmus concentraram sua atenção nos processos subtrativos. Isso culminou no que mais tarde ficaria conhecido como Processo 2 (1922), frequentemente chamado hoje, de forma incorreta, de “Technicolor de duas tiras”. Assim como antes, a câmera especial da Technicolor utilizava um divisor de feixe que expunha simultaneamente dois quadros consecutivos de uma única tira de filme negativo em preto e branco: um atrás de um filtro verde e o outro atrás de um filtro vermelho."The First Successful Color Movie", Popular Science, Fev. 1923, p. 59.

A diferença era que esse negativo de dois componentes passou a ser usado para produzir uma cópia colorida subtrativa. Como as cores estavam fisicamente presentes na cópia, não era necessário equipamento especial de projeção, e o registro correto das duas imagens não dependia mais da habilidade do projecionista.

Os quadros expostos atrás do filtro verde eram impressos em uma tira de filme em preto e branco, e os quadros expostos atrás do filtro vermelho eram impressos em outra tira. Após a revelação, cada cópia era tonalizada com uma cor quase complementar à do filtro utilizado: vermelho-alaranjado para as imagens filtradas em verde e verde-ciano para as imagens filtradas em vermelho. Diferentemente da tintagem, que adiciona um véu uniforme de cor sobre toda a imagem, a tonalização substitui quimicamente a imagem de prata em preto e branco por um material colorido transparente, de modo que as áreas claras permanecem límpidas (ou quase), as áreas escuras ficam fortemente coloridas e os tons intermediários recebem cor de forma proporcional.

As duas cópias, feitas em película com metade da espessura do filme comum, eram então coladas uma à outra, dorso com dorso, para criar a cópia de projeção. The Toll of the Sea, lançado em 26 de novembro de 1922, utilizou o Processo 2 e foi o primeiro filme em Technicolor lançado comercialmente em circuito amplo.The Toll of the Sea (1922). AFI Catalog of Feature Films. Consultado em 30 de dezembro de 2025

O segundo longa-metragem totalmente colorido em Technicolor Processo 2, Wanderer of the Wasteland, foi lançado em 1924. O Processo 2 também foi usado em sequências coloridas de grandes produções como The Ten Commandments (1923), O Fantasma da Ópera (1925) e Ben-Hur (1925). The Black Pirate (1926), estrelado por Douglas Fairbanks, foi o terceiro longa totalmente colorido produzido com o Processo 2.Black Pirate – Mary Pickford Technicolor No. 2 Test, The. Eastman Chemical Company. Consultado em 30 de dezembro de 2025

Apesar do sucesso comercial, o Processo 2 sofria com diversos problemas técnicos. Como as imagens nos dois lados da cópia não estavam no mesmo plano, não era possível manter ambas perfeitamente em foco ao mesmo tempo. A gravidade desse problema dependia da profundidade de foco do sistema óptico do projetor. Ainda mais sério era o problema conhecido como empenamento (cupping). Os filmes, em geral, tendiam a se curvar após uso repetido: a cada projeção, cada quadro era aquecido pela intensa luz da janela do projetor, fazendo-o se arquear levemente; ao sair da janela, o quadro esfriava e a curvatura diminuía, mas nunca desaparecia completamente."Kalmus, Herbert. "Technicolor Adventures in Cinemaland", Journal of the Society of Motion Picture Engineers, Dezembro de 1938"

Verificou-se que as cópias coladas eram extremamente propensas ao empenamento, e que a direção dessa curvatura podia mudar repentina e aleatoriamente da frente para trás, ou vice-versa. Assim, mesmo o projecionista mais atento não conseguia evitar que a imagem saísse momentaneamente de foco sempre que a direção do empenamento mudava. A Technicolor precisava fornecer novas cópias enquanto as empenadas eram enviadas ao laboratório da empresa em Boston para serem achatadas, após o que podiam voltar a ser usadas, ao menos por algum tempo.

A presença de camadas de imagem em ambas as superfícies tornava as cópias especialmente vulneráveis a riscos, e como esses riscos eram intensamente coloridos, ficavam muito visíveis. A emenda de uma cópia do Processo 2, sem atenção especial à sua construção laminada incomum, frequentemente resultava em uma junção frágil, que se rompia ao passar pelo projetor. Mesmo antes de todos esses problemas se tornarem plenamente evidentes, a Technicolor já considerava essa abordagem de cópia colada como uma solução provisória e trabalhava no desenvolvimento de um processo aprimorado.

Processo 3