Escravos de Jó é uma brincadeira coletiva da cultura infantil, realizada ao ritmo de uma cantiga. Em uma de suas formas mais difundidas, os participantes ficam dispostos em círculo, cada um com um objeto, que é passado ritmicamente ao jogador seguinte enquanto se canta; em determinados trechos da letra, o objeto é retido ou movimentado de maneira diferente.
A origem, o significado e a letra da cantiga são controversos. Há jogos cantados semelhantes documentados na Catalunha e em Aragão. Em 1992, Pascual Crespo Vicente publicou uma versão recolhida em Las Cuerlas, denominada A las claus de deu, na qual os participantes, sentados em roda, passam pedras ritmicamente aos vizinhos. O pesquisador relacionou o jogo a uma versão catalã, Els esclops d'en Pau, aprendida em Preixens e Agramunt, na província de Lérida, e afirmou que ambas apresentavam o mesmo jogo e uma melodia «idêntica por completo», apesar das diferenças de letra.
Pere Sadurní i Vallès registrou uma versão de Els esclops de Déu com os versos referentes a Sant Joan e Sant Pere e o refrão tripi, tripi, tram, atribuindo-a a Vilafranca del Penedès em 1875.
258px|thumb|Partitura musical. Letra Escravos de Jó (versão Zé Pereira) Versão popular na região em Minas Gerais, Nordeste, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. Escravos de Jó, jogavam caxangá, Tira, bota, deixa o Zé Pereira ficar.. Guerreiros com guerreiros, fazem zigue zigue zá, Guerreiros com guerreiros, fazem zigue zigue zá.
Escravos de Jó (versão Zé Guerreiro)
Versão popular na região de Alagoas. Escravos de Jó, jogavam caxangá, Tira, bota, deixa o Zé Guerreiro ficar.. Guerreiros com guerreiros, fazem zigue zigue zá, Guerreiros com guerreiros, fazem zigue zigue zá.
Escravos de Jó (versão "tira, põe") Versão popular na região de São Paulo. Escravos de Jó, jogavam caxangá. Tira, põe, deixa ficar... Guerreiros com guerreiros, fazem zigue zigue zá, Guerreiros com guerreiros, fazem zigue zigue zá.
Escravos de Jó (versão Zambelê) Possivelmente a versão original da cantiga.
Escravos de Jó, jogavam caxangá, Tira, bota, deixa o Zambelê ficar... Guerreiros com guerreiros, fazem zigue zigue zá, Guerreiros com guerreiros, fazem zigue zigue zá.
Escravos de Jó (versão Cão Guerreiro) Escravos de Jó, jogavam caxangá, Tira, bota, deixa o cão guerreiro entrar... Guerreiros com guerreiros, fazem zigue zigue zá, Guerreiros com guerreiros, fazem zigue zigue zá.
Escravos de Jó (versão "tira, bota") Escravos de Jó, jogavam caxangá, Tira, bota, deixa ficar... Guerreiros com guerreiros, fazem zigue zigue zá, Guerreiros com guerreiros, fazem zigue zigue zá.
Escravos de Jó (versão "vamos a Belém") Versão popular na região de Pará. Escravos de Jó, jogavam caxangá, Tira, bota, vamos a Belém, que vai que vem... Guerreiros com guerreiros, fazem zigue zigue zá Guerreiros com guerreiros, fazem zigue zigue zá.
Como jogar thumb|208px|A cantiga pode ser jogada entre duas ou mais crianças Quando o jogo é feito sentado (geralmente em torno de uma mesa), pode-se usar somente a mão direita, largando-se o objeto sempre à frente do vizinho da direita. Vão saindo da roda aqueles que se perderem no ritmo, ou passarem mal o objeto.
Este objeto pode ser uma caixinha de fósforo, ou qualquer outro que seja fácil de tomar com uma só mão. Para super cobras no jogo, pode ser tentada uma rodada especial invertendo o sentido da brincadeira (para a esquerda).
Ver também Cantiga de roda Brincadeira Jogo
Categoria:Brincadeiras