Zé Carioca é o apelido (alcunha em português europeu) do papagaio José Carioca (nos Estados Unidos e nos Países Baixos, também chamado de Joe Carioca), personagem fictício desenvolvido no começo da década de 1940 pelos estúdios Walt Disney. Ele é retratado como o típico malandro carioca, sempre escapando dos problemas com o jeitinho característico. Sua primeira aparição foi no filme Saludos Amigos, como amigo do Pato Donald. Descrito pela Time como um papagaio brasileiro elegante, que é tão superior ao Pato Donald quanto o Pato era ao Mickey Mouse.

O personagem brasileiro foi criado durante a Segunda Guerra Mundial, na verdade fez parte de uma estratégia chamada de política de boa vizinhança dirigida pelo governo dos Estados Unidos para melhorar as relações e obter apoio político dos países latino-americanos.

História

Zé Carioca foi criado pelo próprio Walt Disney dentro do Hotel Copacabana Palace quando esteve no Brasil em 1941. Impressionado com a técnica de J. Carlos, cartunista que desenhava as versões brasileiras de personagens da empresa na revista O Tico Tico, Disney o convidou para trabalhar em Hollywood, mas o convite foi recusado por J. Carlos. Segundo alguns jornalistas, Walt Disney criou e enviou o personagem José Carioca para Carlos, dizendo esta ser uma homenagem ao cartunista.Antônio Herculano Lopes, Mônica Pimenta Velloso, Sandra Jatahy Pesavent 7 Letras, História e linguagens: texto, imagem, oralidade e representações, 161, 162, 2006. ISBN 85-7577-262-7, ISBN 978-85-7577-262-1 Outros especulam que o papagaio foi inspirado no sambista Paulo da Portela, outros que foi inspirado no cavaquinista paulista, José do Patrocínio Oliveira, o Zezinho, que inclusive forneceu a voz do personagem no filme Saludo Amigos. Uso do guarda-chuva pode ter vindo do Dr. Jacarandá, um figura do folclore carioca da época.

Cinema

O papagaio José Carioca (vulgo Zé Carioca) foi criado para o filme Alô, amigos (Saludos Amigos), de 1942, lançado nos EUA no ano seguinte pela Disney. Antes do lançamento americano, tiras de jornal foram publicadas com as aventuras do Zé Carioca.

O filme era dividido em quatro partes e mostrava a América do Sul, na qual o Zé guiava Pato Donald na sua visita ao Brasil: apresentou ao pato a cachaça e o samba. O filme foi criado a partir de dados coletados numa visita de artistas dos Estúdios Disney – entre eles o próprio Walt Disney – à América do Sul (que é mostrada em flashes durante o filme).

Os esforços americanos não se limitavam ao Brasil, assim alguns personagens foram criados para um número de países latinos:

Gauchinho Voador, representante da Argentina; Panchito, representante do México; José Zé Carioca, o querido papagaio, representante do Brasil.

Dois anos depois, Zé Carioca apareceu novamente em outra produção destinada à América Latina: Os três cavaleiros (The Three Caballeros/Los tres caballeros). A parte brasileira, intitulada Você já foi à Bahia?, mostra Zé Carioca na companhia do Pato Donald e do galo mexicano Panchito, desta vez na Bahia, numa sequência que mistura desenho com atores reais (destaque para a participação da cantora Aurora Miranda, irmã da célebre Carmen Miranda).

Neste filme, Zé Carioca e Donald ainda se juntam ao galo Panchito em uma viagem pelo México a bordo do serapé voador deste último. Uma curiosidade cinematográfica sobre Zé Carioca é a confusão que se faz entre ele e o papagaio jurado em Alice no País das Maravilhas.

Zé Carioca aparece ao lado de Donald e do Aracuã no segmento Blame It on the Samba do filme Tempo de Melodia (1948).

Em 1988, o papagaio participa do filme Uma Cilada para Roger Rabbit.

Televisão

Aparece em dois episódios da série Disneyland: Two Happy Amigos (1960) e Carnival Time (1962).

Em 1996, Zé Carioca comandou um talk show dentro do programa TV Colosso da Rede Globo, com a voz do dublador Marco Antônio Costa.

Em 1999, o papagaio aparece no episódio Mickey Tries to Cook da série animada Mickey Mouse Works, entre 2001 e 2002 aparece nos episódios The Three Caballeros, Not So Goofy e Goofy's Menu Magic da série House of Mouse.

Apareceu em três episódios da série Mickey Mouse, que apresenta uma versão do Mickey Mouse mais próxima a dos desenhos da década de 1930, na segunda temporada, o papagaio aparece como um locutor esportivo no Estádio do Maracanã no episódio Futebol Clássico, na terceira temporada aparece junto com outros dois cavaleiros na comemoração do aniversário do Mickey em ¡Feliz Cumpleaños!, na quarta temporada, aparece no episódio Carnaval, onde Mickey e Minnie aparecem no Carnaval do Rio de Janeiro.Mickey vem curtir o carnaval do Rio em novo curta animado Aparece ao lado de Panchito em um episódio de Mickey and the Roadster Racers.

Em junho de 2018, a Disney lança a série animada The Legend of The Three Caballeros para o aplicativo de vídeo sob demanda Disneylife, inicialmente disponível apenas nas Filipinas.Disney Made A ‘Three Caballeros’ TV Series, But Most People Can’t See It Em novembro do mesmo ano, Zé Carioca junto a Panchito aparecem no reboot de DuckTales,Zé Carioca irá aparecer na segunda temporada de "DuckTales". Entertainment WeeklyDonald vem ao Brasil e encontra Zé Carioca em cena do próximo episódio de DuckTales aqui representados como ex-colegas de quarto e melhores amigos do Pato Donald, que juntos formavam a banda Os Três Caballeros. Aparece ao lado de Panchito em dois episódios de Mickey Mouse Funhouseː Día de Muertos e Nochebuena no Funhouse.

Quadrinhos

Zé Carioca é pouco conhecido nos Estados Unidos, mas no Brasil ele possuiu revista em quadrinhos mensal, publicada pela Editora Abril de 1961 a 2018. Os quadrinhos o retratam como o típico malandro carioca, sempre escapando dos problemas com o jeitinho característico.

Origens Na década de 1940, foram criados publicadas tiras dominicais na página semanal Silly Symphony, escrita por Bill Walsh, desenhadas por Bob Grant e Paul Murry com arte-final de Dick Moores. Nessa série, surgiram os primeiros personagens coadjuvantes do papagaio: Rosinha, seu pai Rocha Vaz, Nestor e o rival playboy do Zé Carioca, conhecido como Luís CarlosLuis Carlos-Inducks (que mais tarde seria substituído por Zé Galo).Zé Galo-Inducks Além de ambientado no Rio, há uma história de uma viagem ao Amazonas, que depois seria redesenhada nos anos 1960 pelos artistas brasileiros. Nessas histórias, o papagaio é visto com um malandro, vivendo de golpes. A série que durou de 11 de outubro de 1942 a 1 de outubro de 1944. Foi substituída por uma tira de Panchito, que durou mais um ano.

A primeira história do Zé Carioca produzida para uma revista em quadrinhos foi O Rei Do Carnaval (The Carnival King, no original), a história foi produzida por Carl Buettner para a revista Walt Disney's Comics and Stories nº 27, publicada em 1942 e publicada no Brasil em O Pato Donald nº 8 (1951), nela, o papagaio tenta conquista uma jovem sambista inspirada em Carmen Miranda.

No Brasil No Brasil, as tiras do o Zé Carioca estrearam na revista O Globo Juvenil em fevereiro de 1943, entre 1944 e 1945, as tiras foram publicadas no tabloide O Globo Expedicionário.

Em julho de 1950, apareceu na capa do primeiro número da revista O Pato Donald, pelas mãos do artista argentino Luis Destuet. Em 1961, já mais bem estruturado em seu universo, ganha uma publicação própria com a numeração iniciando no 479 e aproveitando os números ímpares da seqüência do Pato Donald, que permanecia com os números pares daí em diante.

A produção no Brasil de histórias para o Universo Disney envolveria outros personagens. A primeira história produzida no Brasil com o Zé recebeu o nome de A Volta De Zé Carioca publicada em O Pato Donald nº 165 (1955), cujos desenhos são atribuídos a Luis Destuet, a primeira história produzida por um artista brasileiro, Jorge Kato teve o mesmo título da história de 1955 e foi publicada em O Pato Donald nº 434 (1960). Ao contrário das tiras americanas, no início da série brasileira não havia diferenças entre a cidade em que o Zé morava e Patópolis, aparecendo com frequência os demais coadjuvantes das histórias do Donald, como seus sobrinhos, Tio Patinhas, Professor Pardal e o Gastão. É com o Gastão, aliás, que apareceu uma das mais famosas histórias dessa série Zé Carioca contra o goleiro Gastão, desenhada por Jorge Kato e justamente presente na citada edição 479: o sortudo personagem era goleiro de um time de futebol que jogava contra o do Zé Carioca. Mesmo com Zé sendo um craque, ele não conseguia vencer o Gastão, que sempre fazia algum milagre para impedir o gol dos adversários. No Brasil, aliás, Gastão seria sempre o sortudo, enquanto nas histórias de Carl Barks ele aparecia mais vezes como falastrão e preguiçoso e avesso ao trabalho, ou seja, bem parecido com a personalidade que Zé Carioca acabou adotando.

Quando Zé Carioca estreou nos quadrinhos do Brasil, o volume de histórias disponível não era suficiente para manter o título em banca. A Editora Abril para não cancelar a revista, passou a adaptar histórias do Mickey e do Pato Donald, com os desenhistas da Abril colocando Zé Carioca no lugar desses personagens, essas histórias foram apelidadas de Zé Fraude. Por consequência, apareceram histórias onde Zé Carioca contracena com personagens fora do seu universo, mantidos da história original, como Pateta, parceiro de Mickey. Também por conta disso, surgiram Zico e Zeca, sobrinhos do Zé, e criados para ocuparem o lugar de Huguinho, Zezinho e Luizinho, sobrinhos do Pato Donald e Chiquinho e Francisquinho, sobrinhos do Mickey Mouse. Outra consequência foram as frequentes mudanças na personalidade de Zé Carioca, que se adaptava à história original de onde era copiada.

Finalmente a partir da década de 1970, a Editora Abril conseguiu estruturar um estúdio próprio destinado a produzir histórias para suprir o crescente número de publicações Disney que circulavam no país com enorme sucesso. O Zé Carioca começou a aparecer regularmente em sua revista, acompanhado de uma nova série de personagens coadjuvantes e vivendo situações ambientadas nas paisagens do Brasil, que o consolidaria como um personagem tipicamente brasileiro. Uma curiosidade dessa época, é a presença do mainá Amadeu, personagem criado para as histórias do Mickey Mouse e Pateta, mas que já havia sido usado em histórias do papagaio nos anos 1960.

Entre as décadas de 70 e 90 ocorreu o auge da produção para o personagem no Brasil, com revistas contendo só histórias do personagem, e com aumento do número de páginas. Nessa época o Zé teve seu visual reformulado aos poucos, saindo do paletó, gravata, chapéu-palheta e charuto (vício que seria abolido de vez de suas histórias, com licença para republicações de histórias clássicas) por uma camiseta, mais condizente com o clima do Rio de Janeiro, essa mudança ocorreu ainda nos anos 60.

Em 1971, estreia o quadrinista Renato Canini, na história O Leão Que Espirrava, escrita pelo próprio Canini,"Revolução no gibi", p. 58 in Zé Carioca 60 anos onde surge o primo Zé Paulista, logo em seguida, passa a ilustrar roteiros de Ivan Saidenberg, Júlio de Andrade, entre outros. Nesse período surge o herói Morcego Verde (inspirado no Morcego Vermelho) e a Agência de Detetives Moleza.Um brasileiro chamado Zé Carioca

Canini desenhou o personagem até 1979, quando foi demitido pela Disney, por conta de traço mais pessoal e diferente do padrão da empresa, logo em seguida, continua roteirizando personagens Disney até meados da década de 1980, inclusive as do Zé Carioca.