Louis-Philippe Dalembert (Porto Príncipe, Haiti, dezembro de 1962) é um escritor de língua francesa e crioula. Vive atualmente no eixo Paris-Porto Príncipe-Alhures. Sua obra – romances, novelas e poesia – foi traduzida para diversos idiomas.

Biografia Filho de uma professora e de um diretor de escola da cidade de Porto Príncipe, Louis-Philippe Dalembert nasce na capital do Haiti, em dezembro de 1962, um sagrado e chuvoso sábado. O falecimento de seu pai, quando o futuro escritor nem mesmo completara um ano de idade, deixa a família em precária situação financeira.

Sua primeira infância transcorre nas ruelas de Bel-Air, um bairro popular às margens da baía de Porto Príncipe, em meio ao aconchego de um universo majoritariamente feminino: sua irmã mais velha, sua avó materna, suas tias-avós, as primas de sua mãe – sempre ausente de casa, durante a semana, pois leciona em escolas no interior da grande ilha de Toussaint Louverture.

A avó materna leva em rédeas curtas a sua pequena família, naquele Porto Príncipe controlado com mão de ferro por François Duvalier, « Papa Doc ». Aos seis anos de idade, o futuro poeta vai enfrentar a primeira grande separação de sua vida: a família muda-se para um bairro afastado de Bel-Air. A brusca ruptura servirá de pretexto para o romance intitulado O lápis de Deus não tem borracha, que retraça aquela infância impregnada de religião e marcada pelo signo indelével do sabá.

Porto Príncipe, nos anos 1960-1970, é também a cidade dos cinemas a céu aberto, os antigos e famosos drive-in. Um desses cinemas encontra-se atrás da nova moradia, do outro lado de um descampado. À noite, o bairro inteiro se junta no terreno baldio para assistir os filmes. Dalembert adora os filmes de caubói, vê também os primeiros kung-fus e O último tango em Paris. A parte chata das sessões de cinema é que, do terreno baldio, nada se ouve. É preciso, por sua própria conta, imaginar o diálogo, a menos que algum dos espectadores não se meta, de chofre, a improvisar. Para ele, desde aquela época, contar e recontar é, antes de mais nada, fazer ver.

De formação literária e jornalística, inicialmente Dalembert trabalhava como jornalista em seu país natal. Em 1986, prossegue seus estudos na França, obtendo o título de doutor em Literatura Comparada pela Sorbonne, com uma extensa tese sobre a obra do cubano Alejo Carpentier. Desde que deixou o Haiti, morou sucessivamente em Nancy, Paris, Roma, Jerusalém, Brazzaville e Kinshasa, sempre em busca dos ecos reiterados de sua terra natal.

Sua obra traz as marcas de suas andanças – imagem que representa uma ideia mais precisa que a noção de “errança”, pois reflete a permanente tensão entre dois tempos distintos (por um lado, a infância, de onde ele continua a espreitar o mundo; a idade adulta, por outro lado) e dois, por vezes vários, distintos lugares.

Atualmente, Dalembert vive no corredor Italia-Paris-Porto Príncipe.

Obras Prosa Le Songe d'une photo d'enfance, contos, Paris : Serpent à Plumes,1993. Paris : Serpent à Plumes, coll. « Motifs », 2005. Le crayon du bon Dieu n'a pas de gomme, novela, Paris : Stock, 1996. Paris : Serpent à Plumes, coll. « Motifs », 2004. Porto Príncipe : Éditions des Presses nationales, 2006. L'Autre Face de la mer, novela, Paris : Stock, 1998. Paris : Serpent à Plumes, coll. « Motifs », 2005. Porto Príncipe : Éditions des Presses nationales, 2007. Alger : Apic, 2009. Porto Príncipe : C3 Éditions, 2014. L'Île du bout des rêves, novela, Paris : Bibliophane/Daniel Radford, 2003. Paris : Serpent à Plumes, coll. « Motifs », 2007. Vodou ! Un tambour pour les anges, récit, em colaboração com David Damoison (fotografias) et Laënnec Hurbon (prefácio), Paris : Autrement, 2003. Rue du Faubourg Saint-Denis, novela, Monaco : Éditions du Rocher, 2005. Les dieux voyagent la nuit, novela, Monaco : Éditions du Rocher, 2006. Porto Príncipe : Éditions des Presses nationales, 2010. Porto Príncipe : C3 Éditions, 2014. Histoires d'amour impossibles... ou presque, contos, Monaco : Éditions du Rocher, 2007. Noires blessures, novela, Paris : Mercure de France, 2011. Les Bas-Fonds de la mémoire, conto, Porto Príncipe, 2012. Ballade d'un amour inachevé, roman, Paris : Mercure de France, 2013. Porto Príncipe : C3 Éditions, 2014. Avant que les ombres s'effacent, Paris: Sabine Wespieser éditeur, 2017. Mur Méditerranée, Paris: Sabine Wespieser éditeur, 2019. Milwaukee Blues, Paris: Sabine Wespieser éditeur, 2021.

Em língua crioula Epi oun jou konsa tèt Pastè Bab pati, novela, Porto Príncipe : Éditions des Presses nationales, 2007.

Ensaio Le Roman de Cuba, Monaco : Éditions du Rocher, 2009. Haïti, une traversée littéraire, en collaboration avec Lyonel Trouillot, Paris : Éditions Philippe Rey/Culturesfrance, 2010.

Poesia Évangile pour les miens, Porto Príncipe : Choucoune, 1982. Et le soleil se souvient (seguido das) Pages cendres et palmes d'aube, Paris : L'Harmattan, 1989. Du temps et d'autres nostalgies, roma : Les Cahiers de la Villa Médicis, n° 9.1 (24-38), 1995. Ces îles de plein sel, La Chaux-de-Fonds : Vwa n° 24 (151-171), 1996. Ces îles de plein sel et autres poèmes, Paris : Silex/Nouvelles du Sud, 2000. Dieci poesie (Errance), Pordenone : Quaderni di via Montereale, 2000. Poème pour accompagner l’absence, Paris : Agotem, n° 2, Obsidiane, 2005. Montréal : Mémoire d’Encrier, 2005. Transhumances, Paris : Riveneuve éditions, 2010. En marche sur la terre, Paris: Éditions Bruno Doucey, 2017. Cantique du balbutiement, Paris: Éditions Bruno Doucey, 2020. Ces îles de plein sel et autres recueils, Éditions Points Poésie, 2021.

Livros traduzidos em português O Lápis do bom Deus não tem borracha. Trad. Marcelo Marinho e Fernanda Giglio. Campo Grande-MS : Letra Livre Editora, 2010.

Premiações Grande Prêmio de Poesia da cidade de Angers, França, 1987. Artista residente-bolsista na Villa Médicis, Roma, Itália, 1994-1995. Bolsa Unesco-Aschberg : residência-ateliê de criação em Mishkenot Sha'ananim, Jérusalem, Israel, 1997. Prêmio Radio France de literatura, para L'Autre Face de la mer, Paris, França, 1999. Bolsa Poncetton da Société des Gens de Lettres para L'Autre Face de la mer, Paris, França, 1998. Bolsa de criação do Conselho Nacional Francês do Livro para a redação de Rue du Faubourg Saint-Denis, Paris, França, 2003. Residência-ateliê de criação em Tunis, Tunísia, 2006. Prémio Casa de las Américas para Les dieux voyagent la nuit, Cuba, 2008. Residência DAAD Arstists-in-Berlin Program, Berlin, 2010. Prêmio especial "Ville de Limoges" para Noires Blessures, Limoges, 2011. Prix Thyde Monnier da Société des gens de lettres para Ballade d'un amour inachevé, Paris, 2013. Prix du jury de l'Algue d'Or para Ballade d'un amour inachevé, Saint-Briac-sur-Mer, 2014.

Direção de publicações I Caraibi prima di Cristoforo Colombo: la Cultura del popolo Taíno (em colaboração com Carlo Nobili e Daniela Zanin), Istituto Italo-Latino Americano, Roma, 1998. Haiti attraverso la sua letteratura, Istituto Italo-Latino Americano, Roma, 2000. La Méditerranée Caraïbe, Passerelles # 21, Thionville, automne-hiver 2000. Número especial consagrado a 35 autores e críticas do Caraíbas francófono, hispanófono e anglófono. Les Peintres du vodou – I pittori del vudù, Catálogo bilingue de l'exposition do mesmo nome, Istituto Italo-Latino Americano/Edizioni Diagonale, Roma, 2001.

Ligações externas Apresentação do autor (biografia, bibliografia detalhada, textos, entrevistas e extractos audio) Entrevista video do autor : Ile en île e Dailymotion

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