thumb|right|350px|Münchner Residenz, fachada da Ala do Rei. 350px|thumb|Fachada da Ala do Salão de Festas voltada para o Pátio do Jardim. A Residência de Munique (em alemão: Münchner Residenz) é um palácio em Munique, na Baviera, Alemanha. Situado no centro da cidade, foi a residência oficial dos duques, dos eleitores e dos reis da Baviera (ver Casa de Wittelsbach). É o maior palácio urbano na Alemanha, servindo, atualmente, como um museu de decoração de interiores, considerado um dos mais belos da Europa. Também abriga uma sala de concertos, a Casa do Tesouro Real e o Teatro Cuvilliés.
O complexo é composto por dez pátios e o museu por 130 salas. O palácio está dividido em três áreas principais: a Königsbau ("Ala do Rei"), onde se encontra a Max-Joseph-Platz ("Praça Max-Joseph"); a Maximilianische Residenz ("Residência de Maximiliano"), a qual constitui a fachada da residência voltada para a rua e uma grande parte das alas interiores; e a Festsaalbau ("Ala do Salão de Festas"), virada para o Hofgarten ("Pátio do Jardim"). A passagem dos séculos fez crescer no palácio uma mistura dos estilos arquitectónicos do Renascimento, Barroco, Rococó e Classicismo. Frente à entrada para o Pátio Imperial e na passagem para o Brunnenhof ("Pátio da Fonte") existem dois leões de bronze, dos quais se diz que tocar-lhes traz boa sorte).
História O Neue Veste gótico A partir de 1385 encontrava-se no local da actual Residência o Neuveste ("novo castelo"), uma vez que, após a revolta dos cidadãos de Munique, uma fuga para o vizinho Alter Hof ("corte velha") seria demasiado incerta. O castelo estava rodeado por um fosso, bastando atravessar uma ponte fortificada para alcançá-lo a partir da cidade. Significativamente, a maior torre, a Silberturm (Torre de Prata), não se encontrava no exterior, mas sim reforçando o interior contra a cidade. No entanto, só com Guilherme IV da Baviera (1493-1550) é que a sede ducal desligaria o Neuveste do Alter Hof. Este edifício sofreu alterações e foi ampliado ao longo dos séculos, perdendo o seu carácter de fortificação e tornando-se obsoleto com o advento dos canhões, os quais permitiam a penetração das paredes.
Ainda hoje, existem no Apothekenhof (pátio da farmácia) as abóbadas das caves e as fundações do antigo castelo. A sua localização no pátio está realçada pela presença de pedras encarnadas no pavimento.
Foi deste modo que os primeiros governantes da Casa de Wittelsbach ergueram a planta da Veste (termo antigo para castelo), privilegiando as características militares em detrimento dos aspectos de representação e sociaisFaltlhauser, p. 17..
O palácio renascentista
O Duque Guilherme IV desenvolveu o Neuveste através do chamado Rundstubenbau e mandou construir o primeiro Hofgarten (Pátio do Jardim), local onde se ergueria mais tarde o Marstall. No pavilhão de jardim foram colocadas uma série de pinturas históricas, incluindo a A Batalha de Alexandre em Isso, executada por Albrecht Altdorfer. Alberto V da Baviera encarregou Wilhelm Egkl de executar, além dum Salão de Festas (o St. Georgssaal) para o Neuveste, uma "Câmara de Arte" (Kunstkammer) no edifício Marstall (hoje, Serviço Nacional de Monumentos Históricos). Nesta câmara, muitas das colecções de arte de Munique têm a sua origem. Não existindo espaço suficiente para a sua extensa coleção de esculturas, foi criado, entre 1568 e 1571, por Simon Zwitzel e Jacopo Strada, o chamado Antiquarium. O novo edifício já não tinha espaço dentro do Neuveste, o que obrigou à sua construção fora do castelo e fez com que o desenvolvimento da Residência tomasse uma nova direcção predefinida. O Antiquarium, ocupando todo piso térreo do edifício, é a maior galeria renascentista a norte dos Alpes. No piso superior do novo edifício foi instalada a biblioteca da corte, a qual viria a formar o coração da posterior Biblioteca Estadual da Baviera (Bayerischen Staatsbibliothek)Faltlhauser, p. 17-29.
Entre 1580 e 1581, Guilherme V da Baviera mandou construir um andar (o Witwenstocks) para a sua mãe, a duquesa viúva Ana de Habsburgo, e instalar as quatro alas maneiristas do Pátio da Gruta (Grottenhofs), executadas entre 1581 e 1586 pelo arquitecto Friedrich Sustris. Em 1590 nasceu a Sala Negra (Schwarze Saal), a sudoeste do Antiquarium. A partir desse mesmo ano, teve início a construção da Ala do Príncipe Erb (Erbprinzentrakt), sob a direcção de Sustris.
Por ordem do Duque Maximiliano I, mais tarde Eleitor da Baviera, emergiu no lado oeste a Residência Maximiliana (Maximilianische Residenz). A sua fachada ainda preservada era, até ao século XIX, a única fachada visível pelo público. É dominada pelos dois portais guardados por leões e pela estátua da Mãe de Jesus, como Patrona Bavariae, colocada num nicho da parede entre os portais na parte ocidental do complexo da Residência. Inicialmente, Maximiliano manteve os edifícios existentes e reconstruiu-os. Mais tarde fechou o espaço chamado de Brunnenhof, uma área aberta que anteriormente tinha servido para a realização de torneios. Em meados da década de 1610 foi construída a grande Fonte Wittelsbach (Wittelsbacherbrunnen). Hubert Gerhard criou figuras de antigos deuses e a estátua de Otto von Wittelsbach, originalmente destinadas a outros projectos. No interior ficava a Capela da Corte (Hofkapelle, 1601-1603) e os aposentos privados do duque e da duquesa. A capela, pavimentada com mármore ricamente decorado com scagliola, serviu como oratório privado dos duques. Por outro lado, Maximiliano I demoliu a partir de 1612 grande parte das alas sul e oeste do Neuveste, incluindo a Torre de Prata (Silberturm) e o Paço (Palas).
180px|thumb|Escadaria do Imperador (Kaisertreppe).
Entre 1611e 1619 foram criadas, a norte do Pátio do Imperador (Kaiserhof), as Salas de Trier e Stein (Trier und Steinzimmern), assim como a Sala do Imperador (Kaisersaal) e a Escadaria do Imperador (Kaisertreppe) como generosos aposentos de hóspedes, as quais documentam as altas pretensões políticas de Maximiliano I. Erguidos sob o comando de Hans Krumpper e Heinrich Schön e decorados por Peter Candid, os locais não se limitam a ilustrar o mundo de Maximiliano I, sendo igualmente, com as molduras das portas, os afrescos dos tectos e as tapeçarias, um exemplo da arquitectura do início do século XVII. As ampliações de Maximiliano I satisfizeram os seus sucessores, sendo por eles ocupadas, com pequenas alterações nos interiores, até ao século XIXFaltlhauser, p. 32-57.
Os apartamentos do Barroco e do Rococó No Alto Barroco, sob Fernando Maria, foi criado, pelo italiano Barelli, o Quarto Pontifício (Päpstlichen Zimmer) com o Gabinete do Coração (Herzkabinett). Serviram como aposentos da Eleitora Henriqueta Adelaide, recebendo o nome actual a partir da visita do Papa Pio VI, ocorrida em 1782. Para a Câmara de Audiência (Audienzzimmer), também devido ao tecto do chamado Salão Dourado (Goldener Saal), teve que ser construída uma nova ala triaxial na rua da Residência, existindo ainda um pouco da fachada ligeiramente recuada para oeste. As salas apresentavam as severas formas e dourados do barroco italiano. As ampliações de Maximiliano II Emanuel (Sala de Alexandre - Alexanderzimmer e Sala de Verão - Sommerzimmer, como salas de estar de representação) foram renovadas ainda durante a sua vida. Os restos tornaram-se inacessíveis, até à actualidade, devido ao incêndio sofrido pela Residência em 1729Prinz Adalbert von Bayern, p. 118-120.
O seu sucessor, o Rei e mais tarde Imperador Carlos VII, fez no seu lugar as Câmaras Ricas (Reichen Zimmer) com a Galeria Verde (Grüne Galerie), o Gabinete dos Espelhos (Spiegelkabinett) e o Quarto da Parada (Paradeschlafzimmer). Na sua elaborada decoração dominam os dourados sobre as paredes brancas e as púrpuras, gravadas numa oficina de Génova. Só a Galeria Verde, como o próprio nome sugere, está coberta por um damasco de seda verde. A sequência de espaços e a sua localização baseiam-se num reflexo das salas do Quarto Pontifício. No piso térreo foi construída, entre 1726 e 1730, a galeria dos Antepassados (Ahnengalerie) com os seus belos estuques executados por Johann Baptist Zimmermann. Esta galeria contém mais duma centena de retratos de membros da Casa de Wittelsbach até ao último Rei da Baviera, Luís III. Este espaço tinha ainda como propósito fundamentar o direito de Carlos VII à Coroa Imperial, providenciado pela localização do seu retrato no meio da sala, centrado pelos de Carlos Magno, do Imperador Luís IV e do lendário Theodo I da Dinastia Agilolfinger. Junto a esta galeria situa-se um outro magnífico gabinete, erguido para albergar a Casa do Tesouro (Hausschatzes), para o qual não existia nenhuma sala específica à data. Desde a construção do Tesouro Velho (Alten Schatzkammer), por ordem do Príncipe Regente Leopoldo, em 1897, esta área é usada, até à actualidade, como Gabinete das Porcelanas (Porzellankabinett). Deste modo, os arquitectos da corte Joseph Effner e François de Cuvilliés trabalharam unicamente para elevar a glorificação da sua Casa com vista à obtenção da Coroa Imperial, o que viria a suceder em 1742. para além do já citado Johann Baptist Zimmermann, também estiveram envolvidos os artistas Joachim Dietrich e Wenzeslaus Miroffsky. As duas fachadas exteriores da Galeria Verde, com as suas sete janelas de volta perfeita viradas para o Pátio da Ala do Rei (Königsbauhof), são uma obra-prima de Cuvilliés.
280px|thumb|Quarto de aparato do Príncipe-Eleitor.
O seu filho, o Eleitor Maximiliano III José, renunciou a qualquer pretensão sobre a Coroa Imperial, o que se reflecte no mobiliário dos aposentos do Príncipe-Eleitor executado por François de Cuvilliés e Johann Baptist. Estas salas estavam localizadas por cima do Antiquarium, no local até então ocupado pela Biblioteca da Corte (Hofbibliothek), apresentando um estilo rococó tardio. Mais importante, porém, foi a construção do Teatro Antigo da Residência (Alten Residenztheater), também chamado de Teatro Cuvilliés, uma sala de teatro, em estilo rococó, destinada exclusivamente ao uso da corte. Este edifício tornou-se necessário porque o antigo Salão de Jorge (Georgssaal), que servia até então como sala de teatro, foi destruído pelo incêndio do Neuveste ocorrido no dia 5 de Março de 1750. O Teatro Cuvilliés foi construído como um edifício quase independente no Pátio do Jardim, sendo ligado à Residência apenas por um átrio, de forma a reduzir os riscos de incêndio ao mínimo. Além disso dispunha de paredes especialmente grossas e dum dispositivo que permitia bombear água do sótão em caso de necessidade. Surpreendente foi também uma construção elevada, o que permitia que o piso do teatro pudesse ser utilizado, também, como Salão de Festas.
As ampliações clássicas de Luís I thumb|left|Pequena Sala do Trono (Kleiner Thronsaal) na Ala do Rei.
O surgimento do Reino da Baviera, em 1805, e o surgimento das importantes alterações urbanísticas oitocentistas em Munique não eram, até então, visíveis nas partes da Residência a descoberto. Esta parte da Residência Real, indigna dum arquitecto da corte como François de Cuvilliés, foi alvo de ambiciosos planos de expansão, sob Maximiliano I José, os quais nunca chegaram a ser realizados por falta de meios financeiros. O rei contentou-se com a criação dos Salões do Imperador (Kaisersaales) e com a modernização das Salas de Hércules (Herkulessaales), as actuais Salas Max José (Max-Joseph-Saals). Este monarca deixou a Câmara do Conselho de Estado instalada entre a Sala Hartschier (Hartschiersaal) e a Câmara Stein (Steinzimmern)Langenholt. Além disso, passou a dispor, no lugar do mosteiro franciscano abortado em 1802, do Pátio Real (Königliche Hof) e do Teatro Nacional (Nationaltheater), erguidos entre 1811 e 1818, e, posteriormente, da Praça Max-Joseph (Max-Joseph-Platz), construída segundo os planos de Karl von FischerFaltlhauser, p. 110-111.