Trazendo a Arca é uma banda brasileira de música cristã contemporânea formada em 2007 na cidade de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Originou-se como uma dissidência do Apascentar de Louvor (antigo Toque no Altar), principal grupo de louvor da igreja evangélica Ministério Apascentar. Considerado um dos conjuntos musicais de maior sucesso e destaque no cenário evangélico, ao longo de sua história, mesclou gêneros como pop rock e soft rock com uma perspectiva congregacional, e tornou-se um dos recordistas de vendas de discos no Brasil.
Surgido em torno de uma das disputas judiciais mais notórias da música brasileira, os integrantes do Trazendo a Arca já eram notáveis desde sua trajetória na banda Toque no Altar. Nela, a banda ganhou destaque pela parceria entre os vocalistas Luiz Arcanjo e Davi Sacer que, ao lado do tecladista Ronald Fonseca e do baixista Deco Rodrigues, escreveram sucessos como "Restitui", "Deus de Promessas" e "Tua Graça me Basta", e álbuns de relevância no cenário evangélico, como Toque no Altar (2003), Deus de Promessas (2005) e Olha pra Mim (2006). Em novembro de 2006, o Toque no Altar sofreu uma cisão, o que fez com que sete dos integrantes formassem uma nova banda.
Em 2007, sob polêmicas e acusações, o Trazendo a Arca lançou o álbum Marca da Promessa, maior sucesso evangélico do ano. Com maior estabilidade, o grupo lançou projetos de notoriedade no segmento religioso, incluindo o DVD Ao Vivo no Maracanãzinho (2008) e um disco ao vivo no Japão. Em 2010, Davi e Verônica Sacer deixaram o grupo para seguir carreira solo e a banda seguiu como um quinteto. Esta formação produziu o álbum Entre a Fé e a Razão, um de seus maiores sucessos comerciais. Em 2012, foi a vez do tecladista e produtor Ronald Fonseca também deixar o conjunto, fazendo com que Arcanjo, Rodrigues, André Mattos e Isaac Ramos serem os únicos membros a permanecer até o final. Após várias colaborações e reaproximações, a formação clássica do grupo se reuniu em um show em 2020, com o qual gerou o trabalho O Encontro.
Com cerca de 8 milhões de cópias vendidas durante a carreira, o Trazendo a Arca foi um dos maiores sucessos comerciais da música evangélica brasileira. Também foi um sucesso de público e crítica: Sua combinação de gêneros como pop rock e soft rock com influências congregacionais gerou influência significativa em igrejas evangélicas brasileiras na década de 2000. Foi uma das bandas recordistas do prêmio Troféu Talento, incluindo a vitória por quatro anos consecutivos na principal categoria, Música do Ano. A banda também venceu o Troféu Promessas em 2011. Além disso, foi um dos poucos artistas religiosos brasileiros a fazer um trabalho audiovisual no exterior, o DVD Live in Orlando (2011).
Etimologia O termo escolhido para batizar o grupo musical, "Trazendo a Arca", surgiu a partir da canção homônima, que fez parte do álbum Olha pra Mim, de 2006. Sua letra referência à passagem bíblica contida entre os versículos 1 e 13 do capítulo seis do Segundo Livro de Samuel. O trecho narra o difícil transporte da Arca da Aliança da casa de Abinadabe, onde estava guardada há 20 anos, até a cidade de Jerusalém, em Israel. Após um incidente ao longo do trajeto, no qual Uzá perdeu a vida por ter tocado o objeto sagrado, o traslado foi interrompido por três meses, período no qual a arca ficou na casa de Obede-Edom. Até que o Rei Davi foi busca-la para enfim "trazê-la" a seu destino, Jerusalém.
Essa passagem inspirou o slogan do grupo lançado em 2006, que diz: “Tem que ser nos ombros de alguém que é forte, que suporte o peso apesar da distância, que esteja disposto a ser marcado, e a cada seis passos tem que ter... sacrifício”.
História 2002–2006: Toque no Altar
Em janeiro de 2002, sob liderança do pastor Marcus Gregório, foi formado um grupo musical de louvor a tempo integral, chamado Ministério Apascentar de Nova Iguaçu – e, entre 2005 a 2009, Toque no Altar. Neste conjunto, os integrantes do Trazendo a Arca lançaram seis álbuns: Toque no Altar, Restituição, Deus de Promessas , Olha pra Mim, Toque no Altar e Restituição e Deus de Promessas - Ao Vivo. Os quatro primeiros venderam mais de 600 mil cópias. No mesmo período, foram ainda distribuídos dois trabalhos em DVD; um deles vendeu mais de trinta mil no lançamento. Somaram quase dois milhões de cópias vendidas em três anos de carreira, além das diversas premiações no Troféu Talento nos anos de 2005, 2006 e 2007.
2006–2007: A divisão Nos últimos meses de 2006, Marcus Gregório criou uma estrutura comercial para a distribuição dos produtos do Toque no Altar, a gravadora Toque no Altar Music. Maurício Soares, antigo diretor da Line Records, se tornou o diretor da empresa. O projeto era que, a partir do sucesso da banda, a gravadora estivesse responsável por lançar e gerenciar a carreira de outros artistas. Por conta das novas direções comerciais tomadas pela cúpula da igreja e as discordâncias em torno da decisão por parte dos integrantes da banda, surgiu-se um impasse. Sete integrantes que discordavam afirmaram que tentaram dialogar com Marcus Gregório. Mas que, na sua recusa a discutir a situação, sair da igreja era a única solução. Soares, por meio da Toque no Altar Music, publicou uma nota. Nela, informou o posicionamento da gravadora acerca da ação dos músicos e a separação do conjunto, a qual gerou, inclusive, um imbróglio judicial, iniciado por uma suposta quebra de contrato que se estenderia até abril de 2011.
Após sua divulgação, por meio de uma carta, Davi Sacer também se manifestou publicamente para falar sobre sua saída da banda. O motivo dado pelo cantor foi que o Toque no Altar havia se tornado uma gravadora. Para ele, o objetivo da banda, desde o início, era "ser apenas um ministério de uma igreja local". Em uma entrevista, Luiz Arcanjo disse que "Deus nos deu uma palavra para que nós recomeçássemos, para que reconstruíssemos alguns valores que haviam sido perdidos ao longo do tempo, ao longo desses anos de Ministério. Então nós decidimos zerar a partida e começar tudo de novo".
Em abril daquele ano, foi lançada a página oficial do Trazendo a Arca, que foi a primeira manifestação pública do grupo dissidente após o fato. No mês seguinte, Flávia Marques Farias, advogada do Trazendo a Arca, esclareceu a relação do conjunto com o Toque no Altar através de uma nota, argumentando que na história da música nacional, vários músicos deixaram suas bandas para seguirem outros projetos musicais.
Além dos processos judiciais, os integrantes do Trazendo a Arca receberam críticas negativas do público e da mídia, sendo chamados de "mercenários" e "rebeldes". Também, em defesa de Marcus Gregório, o pastor Silas Malafaia os criticou em uma de suas pregações televisivas. Segundo o vocalista Davi Sacer, o momento atravessado pela banda foi conturbado, no qual os membros quase optaram por encerrar as atividades. O intérprete, em entrevista, ainda afirmou que, através do ocorrido, conheceu um lado sombrio de protestantes, em relação aos interesses de líderes religiosos, envolvendo "politicagens" e "favorecimentos" para suas instituições.
2007–2010: Formação clássica Antes mesmo de lançar seu primeiro álbum como Trazendo a Arca, a banda recebeu convites e propostas comerciais de várias gravadoras e distribuidoras evangélicas. No entanto, os integrantes optaram por criar um selo independente, chamado Marcas da Promessa Distribuição.
O álbum Marca da Promessa, segundo Luiz Arcanjo, foi gerado a partir de músicas que não couberam no álbum Olha pra Mim. O repertório foi formado por oito canções, incluindo duas regravações de autoria dos integrantes – "Na Corte do Egito", gravada por Fernanda Brum em 2006 e "Sobre as Águas", gravada por Soraya Moraes também em 2006 – e outras inéditas. Outra canção gravada para o disco foi a regravação de "Caminho de Milagres", lançada originalmente por Aline Barros no mesmo ano, mas a banda decidiu não incluí-la no disco. A faixa-título, "Marca da Promessa", contou com duas versões. Na época, Arcanjo disse que o repertório do álbum era sobre "mudança de sorte, baseado no texto bíblico de Sofonias, capítulo 3".
O projeto foi lançado em junho de 2007. Apesar de ter sido lançado de forma independente, Marca da Promessa foi um sucesso comercial imediato: Em apenas uma semana já estava em primeiro lugar entre os projetos evangélicos mais vendidos do Brasil e a faixa-título se tornou a mais tocada nas rádios gospel do Brasil. O álbum, em um ano, vendeu meio milhão de cópias. O projeto também foi recebido de forma favorável pela crítica.
Ainda durante o ano de 2007, o Trazendo a Arca viajou por Israel, Inglaterra, França, Portugal e Japão. No Japão, o conjunto gravou nos dias 15, 16 e 17 de agosto, na cidade de Nagoya, o álbum Ao Vivo no Japão. O trabalho incluiu músicas gravadas anteriormente pelo Toque no Altar, além de "Me Rendo", a única canção inédita. O projeto foi lançado em setembro do mesmo ano, na Expocristã. Apesar de ser um trabalho de regravações, vendeu mais de quarenta mil cópias. No final de 2007, a banda apresentou-se no Programa Raul Gil, onde receberam disco de platina por 150 mil cópias vendidas de Marca da Promessa.[ thumb|esquerda|Trazendo a Arca, durante apresentação em Orlando, em 2008.
Em 2008, o Trazendo a Arca se preparou para a gravação de um DVD que reuniria o repertório de Marca da Promessa com o álbum Olha pra Mim. A banda escolheu a cidade do Rio de Janeiro para a produção de Ao Vivo no Maracanãzinho. O projeto, que contou com direção de vídeo de Hugo Pessoa, reuniu canções como "Sobre as Águas", "Tua Graça me Basta", "O Chão Vai Tremer" e "Celebre". Apesar de ser gravado num ginásio, um espaço não típico para shows musicais, a apresentação foi considerada a maior produção do segmento evangélico já realizada no Brasil até aquele momento.
O projeto contou com entrada franca. Os ingressos esgotaram em cinco dias e o show reuniu 18 mil pessoas dentro do ginásio. No entanto, por problemas com a administração do local, que restringiu a entrada de parte do público, mais de 5 mil pessoas com ingresso ficaram do lado de fora. Em desculpas, a banda prometeu presentear aos ingressantes com uma edição do DVD. A entrada para participar do evento foi de um quilo de alimento não perecível; os mais de dez mil quilos arrecadados foram enviados para municípios carentes da região do Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais e para o Morro do Borel, no Rio de Janeiro. Em 2009, o projeto foi premiado no Troféu Talento na categoria Melhor DVD. No final do mesmo ano, foram lançados dois álbuns com as músicas do DVD registradas no formato CD.
Por ter se focado em lançar um DVD ao invés de um projeto inédito em 2008, os integrantes do Trazendo a Arca trabalharam em vários outros projetos ao longo do ano. Luiz Arcanjo escreveu, ao lado do rapper Pregador Luo, a canção "Já Posso Suportar". A faixa, que fez parte do álbum Música de Guerra - 1ª Missão, contou com a participação de toda a banda e se tornou um dos maiores sucessos da carreira solo de Luo. Davi Sacer lançou, em setembro daquele ano, seu primeiro álbum solo, chamado Deus não Falhará, que contou com produção de Ronald Fonseca e participação de todos os integrantes do Trazendo a Arca, exceto Isaac Ramos. thumb|Salmos e Cânticos Espirituais foi o último álbum do Trazendo a Arca com a participação de Davi Sacer.