thumb|300px|Mapa do Saara Ocidental, com a localização do cabo Bojador O cabo Bojador (, ; ) é um cabo situado na costa do Saara Ocidental, na área controlada por Marrocos, junto à cidade homónima. Fica na latitude 26° 07' 37"N e na longitude 14° 29' 57"O. O nome da província circundante também leva o nome do acidente geográfico (Província de Bojador).

O nome original do cabo em árabe é Abu Khaṭar (ابو خطر), significando "pai do perigo".

Importância histórica

Navegações portuguesas A primeira passagem pelo cabo deve-se ao navegador português Gil Eanes, em 1434. O desaparecimento de embarcações que anteriormente o tinham tentado contornar levou ao mito da existência de monstros marinhos e da intransponibilidade do Bojador. A conquista do fim de mundo imaginário. Especial 500 anos. In Revista Epoca

O cabo Bojador era conhecido como Cabo do Medo. Recifes de arestas pontiagudas fervilham aquela região tornando a navegação muito arriscada. A 25 quilómetros da costa do cabo, em alto mar, a profundidade é de apenas dois metros, provavelmente devido ao assoreamento provocado por milhares de anos de tempestades de areia sopradas pelo deserto do Saara.

Em maio de 1434, Gil Eanes aparelhou uma barca de 30 toneladas, com um só mastro, uma única vela redonda, parcialmente coberta e também movida a remos. A sua tripulação era de apenas quinze homens. Ao chegar às proximidades do Cabo do Medo, manobrar para oeste afastando-se da costa africana. Após um dia inteiro de navegação longe da costa, deparou com uma baía plácida de ventos amenos, e então dobrou para sudeste e logo percebeu que havia deixado o cabo Bojador para atrásBueno, Eduardo. A Viagem do Descobrimento. Brasil.

A passagem do cabo Bojador foi um dos marcos mais importantes da navegação portuguesa. Derrubou os velhos mitos medievais e abriu caminho para os grandes Descobrimentos.

Naufrágios É acreditado que o Cabo foi o local de naufrágio do navio americano Commerce, comandado pelo capitão James Riley, em agosto de 1815. A tripulação havia zarpado de Gibraltar em direção às ilhas de Cabo Verde. O acidente geográfico possuía uma reputação amedrontadora mesmo antes do ocorrido, com pelo menos trinta outros naufrágios registrados na região entre os anos de 1790 e 1806.

Importância ecológica O interesse espanhol na costa da África Ocidental foi resultado das atividades pesqueiras realizadas a partir das Ilhas Canárias. Estes pescadores espanhóis atuaram como comerciantes e caçadores de peles de foca, além de pescadores e baleeiros ao largo da costa do Saara, com vários enclaves nas regiões do Cabo Bojador, Dakhla e Ras Nouadhibou desde 1500 até o presente, estendendo-se da costa oeste da África até a caça de baleias-jubarte e filhotes de baleia, principalmente em Cabo Verde e no Golfo da Guiné, em Annobón e nas ilhas de São Tomé e Príncipe, até cerca de 1940.

Essas atividades pesqueiras tiveram um impacto negativo sobre a vida selvagem, causando o desaparecimento ou a ameaça de extinção de muitas espécies, particularmente mamíferos marinhos e aves. O antigo território da foca-monge-do-mediterrâneo (Monachus monachus) estendia-se por toda a costa noroeste atlântica da África e pelas costas do Mar Mediterrâneo e do Mar Negro, incluindo todas as ilhas costeiras do Mediterrâneo, e adentrava o Atlântico e suas ilhas: Ilhas Canárias, Madeira, Ilhas Desertas, Porto Santo, entre outras, até o extremo oeste dos Açores. Indivíduos errantes podiam ser encontrados tão ao sul quanto a Gâmbia e as ilhas de Cabo Verde, e tão ao norte quanto Portugal continental e a costa atlântica da França.

Literatura O Bojador é igualmente referido no poema Mar Português, de Fernando Pessoa, na segunda parte do livro MensagemPessoa, Fernando. Mensagem. Segunda Parte: Mar Português. X. Mar Português.

O Bojador também e referido na peça "O Bojador", de Sophia de Mello Breyner Andresen.

Ver também Adamastor (mitologia)

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